Segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

SARGENTO-MOR SEBASTIÃO DA CUNHA BARBOSA

Uma Grande Figura da Guerra da Restauração

 

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

    Sebastião da Cunha Barbosa, «filho quinto»[1] de Gaspar Barbosa de Caldas[2], natural da freguesia de Paredes de Coura, e de sua mulher D. Juliana da Cunha Pereira[3], natural da freguesia de Santa Maria de Cunha, nasceu na freguesia de Santa Maria de Paredes, do então concelho de Coura, comarca e província de Entre-Douro-e-Minho, hoje freguesia de Paredes de Coura, do concelho de Paredes de Coura, distrito de Viana do Castelo (1595).

 

ÁRVORE DE COSTADOS DE SEBASTIÃO DA CUNHA BARBOSA

Próprio

Pais

Avós

Bisavós

Sebastião da Cunha Barbosa

 

N. Paredes de Coura 1595

Gaspar Barbosa de Caldas

 

N. Paredes de Coura

António Mendes de Caldas

Gaspar Mendes de Antas

D. Inês de Faria de Caldas

D. Leonor Barbosa

António Barbosa

D. Maria Vaz de Castro

D. Juliana da Cunha Pereira

 

N. Cunha

Padre Sebastião da Cunha

Francisco da Cunha

Maria de Antas

Maria Eanes Pereira

Padre D. Gonçalo Pereira

Maria Pereira

 

    Foi pajem da Casa do Visconde de Vila Nova de Cerveira (1609); fidalgo (1620); proprietário e herdeiro da sua casa paterna (1626); 4.º Se­nhor do Solar da Casa Grande, na freguesia de Pare­des de Coura, por herança de seus maiores (1626); 4.º Senhor da Quinta da Barrosa, freguesia de Paredes de Coura (1626); escritura de dote para casar com sua prima D. Maria Pereira da Cunha (19 de Julho de 1637); militar; capitão da Companhia de Infantaria de Ordenanças de Coura, que organizou, «sustentando-a por algum tempo à sua custa» e com ela «marchou para a fronteira, onde se portou briosamente» (Janeiro de 1641)[4]; participou nas campanhas militares da Guerra da Restauração, «athe vir a falecer no servisso»[5](1641 – 1661); combatente nas campanhas da Guerra da Restauração, onde «se asinalou com particular vallor, sahindo de hũa ferido gravemente, ajudando a queimar e arrazar muitos lugares ao inimigo» (1641 – 1648)[6]; alferes de Infantaria de 1.ª linha (1641); governador do reduto de S. Sebastião de Valença, «que defendeu dos assaltos do inimigo» (1641 – 1643); capitão graduado de Infantaria (1642); ofício do general D. Gastão Coutinho, «do Conselho de guerra de Sua Magestade e Capitão Geral da Provincia d’Entre Doiro e Minho», à Câmara Municipal de Viana Foz do Lima a mandar que «se entreguem os soldados que ahi tem chegado da Rocheda ao Capitão Sebastião da Cunha. Leva ordem para os vir socorrendo pelo caminho. Vossas Mercês lhe deem o favor e ajuda noceessaria» na marcha até Valença (18 de Julho de 1642)[7]; carta patente de capitão de Infantaria (29 de Abril de 1643)[8]; governador da praça de Vila Nova de Cer­veira e lugares do concelho de Coura (1643 – 1661); despendeu elevadas quantias do seu património «nessas defesas e encontros fazendo nelle despesas consideraveis assim em alimentar a sua companhia de gente nobre como fez, como em a conservar sempre numerosa e em socorrer os soldados»[9]; carta d’El-Rei Dom João IV a agradecer-lhe a sua brilhante defesa da praça de Vila Nova de Cerveira (21 de Maio de 1644)[10]; participou na campanha e na investida pelo território da Galiza com a sua companhia (Outubro de 1644); decreto pelo qual foi louvado, conjuntamente com outros oficiais, pela participação numa entrada e razia na Galiza, durante a campanha da Restauração (22 de Novembro de 1644)[11]; na ocasião em que governou a fortaleza de Vila Nova de Cerveira «lançou fora os inimigos com as Ordenanças de Coura e Arcos, que tinhão introduzido na Praça apanhando-o auzente na sua caza de Paredes, por cujo conflicto, e pelo honrado valor com que se houve nelle, lhe escreveu ElRey D. João o 4º huma carta por sua Ryal mão»[12]; alvará de promessa de 40$000 réis de tença, pelos seus serviços prestados nas Guerras do Minho (1647); carta patente do posto de sar­gento-mor da Comarca da Vila de Viana Foz do Lima, pelos «serviços que tem feito nas fronteiras do Minho, e ao zello, e bons procedimentos» desde «a Aclamação» (22 de Agosto de 1648)[13]; mercê da tença de 40$000 réis em renumeração pelos bons serviços prestados, dispêndio de sua fazenda ao serviço da Pátria e ferimento em campanha (29 de Agosto de 1648)[14]; despacho pelo qual foi agraciado com a mercê de 20$000 réis de tença em sua vida e com o hábito de Cavaleiro da Ordem de Cristo, por conta da promessa de 40$000 réis de tença que tinha, pelos seus serviços prestados como capitão nas Guerras do Minho e como governador militar da praça de Vila Nova de Cerveira (11 de Dezembro de 1648)[15]; carta de padrão da mercê de 20$000 réis de tença em sua vida e com o hábito de Cavaleiro da Ordem de Cristo (29 de Dezembro de 1648); carta de hábito pela qual foi agraciado com o grau de Cavaleiro da Or­dem de Cristo (26 de Junho de 1649)[16]; mercê do «alvará ... para se armar Cavaleiro, ... na Igreja do Espírito Santo desta freguesia de Paredes», do então concelho de Coura[17] (1649); recebeu o hábito de «Cavaleiro da Ordem de Cristo que tomou com despensa de Sua Magestade na Capella do Spirito Santo de Paredes, e lho lançou o Dom Abbade do Mosteiro de Miranda» (5 de Outubro de 1649)[18]; sargento-mor de Ordenanças de Coura[19] (1650); fez obras de restauro, beneficiação e aumento da Casa da Torre do Outeiro, na freguesia de Cunha, a mando de António Pereira da Cunha, seu cunhado e secretário do Conselho de Guerra[20]; agraciado com o foro de Fidalgo da Casa Real (1659).

 

CARREIRA, CARGOS, MERCÊS E HONRARIAS

Pajem do Visconde de Vila Nova de Cerveira

1609

Fidalgo

1620

4.º Se­nhor do Solar da Casa Grande, em Pare­des de Coura

1626

4.º Senhor da Quinta da Barrosa, em Paredes de Coura

1626

Participou nas campanhas militares da Guerra da Restauração

1641 – 1661

Alferes de Infantaria de 1.ª linha

1641

Governador do reduto de S. Sebastião de Valença

1641 – 1643

Capitão graduado de Infantaria

1642

Capitão de Infantaria

1643

Governador da praça de Vila Nova de Cer­veira e lugares do concelho de Coura

1643 – 1661

Alvará de promessa de 40$000 réis de tença

1647

Sar­gento-mor da Comarca da Vila de Viana Foz do Lima

1648

Tença de 40$000 réis em renumeração pelos bons serviços prestados, dispêndio de sua fazenda ao serviço da Pátria e ferimento em campanha

1648

Cavaleiro da Ordem de Cristo

1648

Sargento-mor de Ordenanças de Coura

1650

Fidalgo da Casa Real

1659

 

    Casou a 18 de Abril de 1638[21] na Igreja Matriz de Santa Maria de Cunha com sua prima D. Maria Pereira da Cunha[22], nascida na aldeia de Lisouros, freguesia de Cunha, concelho de Paredes de Coura, e aí baptizada a 10 de Março de 1607 na Igreja Paroquial de Santa Maria de Cunha[23], falecida a 15 de Julho de 1664 em Santa Maria de Paredes, freguesia e sede do concelho de Paredes de Coura, filha de Baltazar Pereira e de D. Maria da Cunha e Brito

 

ÁRVORE DE COSTADOS DE D. MARIA PEREIRA DA CUNHA

Própria

Pais

Avós

D. Maria Pereira da Cunha

 

N. Cunha 1607

Baltazar Pereira

Pedro Eanes Pereira

 

D. Maria da Cunha e Brito

Frutuoso da Cunha

Ana Mendes

 

    Faleceu na freguesia de Paredes de Coura, com suspeita de ter sido envenenado «em hum banquete na dita Praça de Villanova de Cerveira o qual lhe ministrou a inveja»[24], aos 66 anos de idade (22 de Setembro de 1661); sepultado na Capela do Divino Espírito Santo de Paredes de Coura (23 de Setembro de 1661).

 

    Filhos do sargento-mor Sebastião da Cunha Barbosa e de sua mulher D. Maria Pereira da Cunha:

1 – Mestre-de-Campo ANTÓNIO PEREIRA DA CUNHA, nasceu a 18 de Dezembro de 1639 na freguesia de Paredes de Coura.

5.º Senhor da Casa Grande, de Paredes de Coura (1661); mestre-de-campo de In­fantaria Au­xiliar (1664).

2 – Padre GASPAR BARBOSA DA CUNHA, nasceu na freguesia de Paredes de Coura a 29 de Julho de 1641.

Foi abade da Igreja Paroquial de Santa Eulália de Sande, do então concelho de Pico de Regalados (1668 – 1684).

Faleceu a 28 de Agosto de 1684 e foi sepultado na Capela do Divino Espírito Santo, na freguesia de Santa Maria de Paredes de Coura.

3 – Sargento-mor FRANCISCO DA CUNHA PEREIRA, nasceu na freguesia de Paredes de Coura, a 29 de Dezembro de 1642.

Foi Capitão de Infantaria (1683); Sargento-mor de Auxiliares de Coura (1696); 5.º Senhor da Casa e Quinta da Barrosa, freguesia de Paredes de Coura.

Casou, legitimando a sua união de facto, na Igreja Matriz de São Miguel de Porreiras, concelho de Coura, a 29 de Maio de 1707 com Maria de Barros e Lima, nascida no lugar da Junqueira, freguesia de Santa Eulália de Sande, concelho de Pico de Regalados, e falecida na condição de viúva na freguesia de Paredes de Coura a 1 de Novembro de 1749, filha de Manuel de Barros de Távora e de Maria de Abreu e Lima; com geração.

4 – Padre SEBASTIÃO DA CUNHA BARBOSA, nasceu na freguesia de Paredes de Coura a 18 de Dezembro de 1644.

Foi abade da Igreja Matriz de Santa Marinha de Padornelo (1686 – 1699).

Fale­ceu em Padornelo, freguesia do concelho de Paredes de Coura, a 17 de Dezembro de 1699.

5 – Padre PASCOAL BARBOSA DA CUNHA, nasceu em 5 de Abril de 1646 na freguesia de Paredes de Coura.

Foi abade da Igreja Paroquial de São Pedro de Capareiros, no Julgado de Neiva, termo de Viana; 1.º Senhor da Quinta da Laranjeira, em Padornelo.

6 – D. TEODÓSIA DE JESUS BARBOSA DA CUNHA, nasceu na freguesia de Paredes de Coura a 22 de Janeiro de 1648.

Foi freira em Valença do Minho.

7 – D. BERNARDA DO ESPÍRITO SANTO DA CUNHA BARBOSA, nasceu a 23 de Setembro de 1649 na freguesia de Paredes de Coura.

Foi religiosa em Valença do Minho.

8 – D. ÂNGELA DE S. FRANCISCO DA CUNHA PEREIRA, nasceu na freguesia de Parede de Coura a 29 de Agosto de 1652.

Foi freira em Valença do Minho.

 


[1] Breve Notícia da Genealogia do Snr. Sebastião Pereira da Cunha por Caldas, manuscrito, fl. 4.

[2] Manuel Felgueiras Gayo, Nobiliário de Famílias de Portugal, IV volume, tomo X, Braga, 1989, p. 202

[3] Felgueiras Gayo, Nobiliário de Famílias de Portugal, IV volume, p. 205.

[4] Manuel José da Cunha Brandão, Galeria de Courenses Ilustres XVII: Sebastião da Cunha Barbosa, in NOVO ALMANACH DE LEMBRANÇAS LUSO-BRAZILEIRO PARA O ANNO DE 1917, p. 342.

[5] ANTT, Chancelaria da Ordem de Cristo, liv. 53, fl. 367v, 368 e 368v.

[6] ANTT, Chancelaria de Dom João IV, liv. 19, fl. 301 e 301v, microfilme n.º 1054.

[7] Coronel Sousa Machado, A Revolução de 1640 em Viana (Continuação), in ARQUIVO DO ALTO MINHO, XXI volume, I da 3.ª Série, tomo II, 1976, p. 164.

[8] ANTT, Conselho de Guerra, códice 4.º, fl. 78v.

[9] ANTT, Chancelaria de Dom João IV, liv. 19, fl. 301 e 301v, microfilme n.º 1054.

[10] ANTT, Conselho de Guerra, códice 4.º, fl. 144v.

[11] ANTT, Decretos do Conselho de Guerra, ano de 1644, maço 4, n.º 129.

[12] Descendência e Geração da Família Cunha, manuscrito, fl. 5.

[13] ANTT, Chancelaria de Dom João IV, liv. 19, fl. 301 e 301v, microfilme n.º 1054; Registo Geral de Mercês, Mercês da Torre do Tombo, liv. 18, fl.82v; Conselho de Guerra, códice 10.º, fl. 71v.

[14] ANTT, Chancelaria Antiga da Ordem de Cristo, liv. 40, fl. 68.

[15] ANTT, Livro das Portarias do Reino, vol. I, Imprensa Nacional, 1909.

[16] ANTT, Chancelaria Antiga da Ordem de Cristo, liv. 40, fl. 226.

[17] Segundo consta do alvará de lembrança passado a seu neto Sebastião Pereira da Cunha e Castro, e registado na fl. 107 do Livro de Registos da Câmara do Concelho de Coura, a 9 de Dezembro de 1753.

[18] Conforme o manuscrito Cunhas, fl. 11, que indica, contudo, a data «5 de 8bro de 1643», data incompatível com a mercê régia.

[19] Cristóvão Alão de Moraes, Pedatura Lusitana, volume III, tomo 1.º, Braga, 1997, p. 130.

[20] José Avelino de Almeida, Diccionario Abreviado de Corographia, Topographia e Archeologia das Cidades, Villas e Aldeas de Portugal, volume I, Valença, 1866, 347.

[21] ADVC, Registos Paroquiais de Cunha, Livro Misto n.º 1, 1587-1667, cota 3.9.4.32.

[22] D. Maria Pereira da Cunha era irmã de António Pereira da Cunha, que foi agente do Duque de Bragança em Madrid, secretário do Conselho de Guerra (Dezembro de 1640), fidalgo da Casa Real e comendador de Santiago de Pias.

[23] ADVC, Registos Paroquiais de Cunha, Livro Misto n.º 1, 1587-1667, cota 3.9.4.32.

[24] Descendência e Geração da Família Cunha, manuscrito, fl. 5.

Solar da Casa Grande, na vila e freguesia de Paredes de Coura, em Agosto de 2005. Fotografia de Jofre de Lima Monteiro Alves.
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Segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

ANTÓNIO MANUEL BARRETO, "Antoninho Enforcado"

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

    A 21 de Setembro de 1838, faz agora 176 anos, no patíbulo do Cais da Alfândega, em Viana do Castelo, morreu enforcado um desgraçado que, segundo o prelúdio da surdina da voz do povo, estaria inocente dos horríveis crimes pelos quais fora sentenciado. António Manuel Barreto, "Antoninho Enforcado", nascido em 1811 em São Pedro do Couto de Capareiros, hoje freguesia de Barroselas, desditoso filho de José Faustino Borges e de Teresa Maria Barreto. Nascera com unhada de desgraça desde a primeira puerícia.

 

    Tinha sido filado, julgado e condenado sob acusação de ter acometido um horroroso assalto sanguinolento, perpetrado à espalda do Faro de Anha em 18 de Janeiro de 1836. Nesse dia de grossa invernia, um tal João Pereira Saraiva, contratador de gado de nota cheia e natural da Apúlia, concelho de Esposende, fora assassinado com requintes de malvadez por um tiro desfechado a queima-roupa, como quem despede uma ave-maria. Para exacerbar a negra situação do bigorrilha, o passa-culpas provou que na ocasião da sua prisão o infeliz cometera a façanhice de resistir aos beleguins da Justiça, ao invés de ir sereno semelhante ao gado bovino na senda do matadouro, facto que fornecia agravo. Este magistrado era apologista da mansidão de borregos!

 

    Alexandre Fortunato Vilaça, bizantino Juiz dos Arcos de Valdevez, estribado no músculo do coração hirto de pelagem, lavrou ditame condenatório em 14 de Junho de 1837, insensível aos gritos de clemência do réu réprobo, que ali mesmo clamava inocência e compaixão. Condenado na obrigação de pagar um conto e seiscentos mil reis (1.600$000) de multa indemnizatória, metade para Joaquina Moreira Novaes e a outra porção aos demais herdeiros do assassinado, agravado com a roncaria de uma pesada coima de duzentos mil réis (200$000) para alforriar os depauperados cofres do Tesouro Público.

 

    De seguida, porfiava o tremebundo dilúvio em forma de sentença, seria levado para Viana do Castelo, arrastado pelas ruas com voz e pregão, conduzido à forca alevantada junto ao prazenteiro Rio Lima. Depois de morto - ao menos isso - ao celerado ser-lhe-ia decepada a cabeça e amputadas as mãos, tudo exposto ao relento, a cachimónia no local da forca, as celeradas gadanhas no preciso lugar onde ocorrera a surtida e morte do negociante de gado e ali, cabeça e mãos, deviam ficar patentes até serem mirradas e consumidas pelo inexorável andar dos tempos. Um exemplo frisante das ovações do Direito que nos entumecem as entranhas.

 

    Subiu o apelo para o olho de lince da Relação do Porto, não vendo os doutos desembargadores nada em contrário, a 28 de Novembro de 1837 decretou acórdão mais limpo e civilizado, expurgado da selvajaria de decepar cabeça e mãos. A retórica da novel lei liberal não permitia tal lição pública à ralé, mas confirma a fereza da morte. O entremeio da léria de recurso para uma instância superior não conheceu final feliz, porquanto a sisudeza do Supremo Tribunal de Justiça ratificou também a resolução em trâmite sinuoso datado de 9 de Julho de 1838. Entrementes, na senda dos esfalfados expedientes salvatérios por Ceca e Meca, um burocrata estopador botou em forma de letra a informação de que Sua Majestade Fidelíssima Dona Maria II, Rainha Nossa Senhora, depois de auscultado o ânimo enfastiado do Conselho de Ministros, não usaria da mão benigna para assinar o perdão régio a favor do incriminado, conforme portaria expedida a 27 de Agosto de 1838.

 

    Vencido e castigado na enxurrada do limbo obscuro de quatro instâncias, absolvido em despeito da prova pela bocarra desdentada do poviléu, restava, pois, executar a pena máxima. A trombeta do Vale de Josafat soa a 21 de Setembro de 1838, como ficou dito. António Manuel Barreto, "Antoninho Enforcado", 27 anos de idade, solteiro e moço de lavoura, trajado com farpela de condenado da Santa Casa da Misericórdia, ao som do Miserere, percorreu as principais ruelas de Viana do Castelo até ao Cais da Alfândega, onde foi, por fim, dependurado.

 

    Já no patíbulo, o baraço ao pescoço, perante farto concurso de povo, jurava e trejurava desalmadamente aos quatro cantos do mundo que estava inocente e sem culpa morria! Apavorado nas vascas da morte, o dedo em riste para a multidão, um dó, apontava que eram tal e tal, os verdadeiros algozes do contratante, tudo gentinha de bem da sociedade vianense da época. Rompeu grande burburinho entre a turba, possuída de exaltação!

 

    Quem sabe se falaria verdade ou padecia tão-só do ar equívoco das alucinações de tresloucado de medo! Porém, a populaça desde logo e ao longo dos tempos, quando contava a miseranda história do "Antoninho Enforcado" fazia luz diversa. Garantia a bem crer, e sem fazer fisgas, que este morrera inocente como os querubins da Corte Celestial e que os verdadeiros criminosos eram a tal «gente de bem da terra».

 

    Quem conta um conto tem a primazia de acrescentar um ponto. Asseveram que o padre que lhe ministrava a absolvição no cadafalso, com particular intento lhe suplicava para ele se calar e louvar a Deus, escudado na valentia de aceitar de bom-tom. Expirando mudo, garantia o ingresso no Reino dos Céus em cota da remissão dos pecados, onde comeria o pão doce dos anjos. Se persistisse na berraria contumaz exprobrando este e aquele, perdia a alma embaralhada a escarnecer no tropel danado do Inferno, arguido do divino pecado da má-fé!

 

    Assim ou assado, no local onde fora assassinado João Pereira Saraiva, as mãos da piedade popular fizeram alçar umas alminhas e cruzeiro devocional, de certa certeza para sufrágio da alma do supliciado e não tardou um fósforo a reconhecer-lhe curas e milagres por ter expirado inocente e em «cheiro de santidade». Haveis de saber que a plebe, atacada de moléstia nostálgica, tem notáveis cousas e ergue altares aos seus santinhos na perdoável ambição de se proteger das calamidades do céu tempestuoso e acalmar a dor que consome desde o alvor do génesis!

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Segunda-feira, 8 de Setembro de 2014

CAPITÃO-MOR FRANCISCO DA SILVA SOTTOMAYOR

O da Boa-Nova da Restauração em Goa

 

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

    Francisco da Silva Sottomayor, sexto filho varão de Lourenço da Cunha Sottomayor, natural de Braga, e de D. Helena de Sousa da Cunha, natural de Barcelos, nasceu em Braga em 1612.

 

ÁRVORE DE COSTADOS DE FRANCISCO DA SILVA SOTTOMAYOR

Próprio

Pais

Avós

Bisavós

Francisco

da Silva Sottomayor

 

N. Braga 1612

Lourenço

da Cunha Sottomayor

 

N. Braga

António da Cunha Sottomayor

N. Braga

Padre Pedro Fernandes da Cunha

D. Maria da Silva de Menezes

D. Catarina Ledo Pereira

N. Ponte de Lima

Lourenço de Brito Ledo

D. Maria Soares Pereira

D. Helena

de Sousa

da Cunha

 

N. Barcelos

Paulo da Cunha Sottomayor

N. Braga

Padre Pedro Fernandes da Cunha

D. Maria da Silva de Menezes

D. Grácia de Faria

N. Barcelos

Manuel de Faria Mariz

Isabel Dias

 

    Fidalgo; proprietário; escolheu o apelido Silva que era da bisavó paterna D. Maria da Silva de Menezes; recebeu a prima tonsura conjuntamente com seus irmãos João de Sousa Sottomayor e Diogo Sarmento Sottomayor[1], apesar do rumor de que sua bisavó materna, Isabel Dias, tinha sangue de cristão-novo (1629); subdiácono (1630); deixou a carreira religiosa (1636); passou para a Índia (1637); capitão (1638); capitão-mor da Armada do Norte da Índia[2] (1639); decisão do Conselho do Governo do Estado da Índia pela qual foi nomeado capitão-mor da Armada para ir a Malaca e à China a fim de trazer «a mór parte do cabedal que Sua Magestade tem nella, pois era o meio maes… cõ q̃ se podia passar a este estado, e acudir as necessidades e despesas das Armadas e q̃ polla falta dos socorros do Reyno se havia de buscar todos os meyos, para não ficar impossibilitados, e q̃ se partisse cedo se podia também visitar Ceylão e acudir aonde o aperto» era maior (7 de Fevereiro de 1640)[3]; regressou temporariamente a Portugal (1640); carta da mercê de capitão-mor da fortaleza de Chaul, na Índia, por tempo de três anos (10 de Março de 1641)[4]; embarcou para a Índia no patacho Nossa Senhora do Rosário e Santo António, comandado por Manuel de Liz[5], encarregado de acompanhar o fidalgo Sancho de Faria da Silva que levava as cartas e a notícia da Restauração da Independência de Portugal e aclamação de Dom João IV (30 de Março de 1641); devido à presença de piratas holandeses na Costa do Malabar, o navio onde seguia viagem acolheu-se ao porto de Onor [Hanawar], no Sul da Índia, sendo André de Liz, filho de Manuel de Liz, e Francisco da Silva Sottomayor despachados num barco de pesca para Goa com as cartas régias, tendo este depois seguido por terra, via Pangim[6] (7 de Setembro de 1641); mal chegou à barra de Mandovi e para espanto geral, Francisco da Silva Sottomayor bradou: «Real, Real, pelo mui alto e poderoso rei Dom João IV!» (9 de Setembro de 1641); foi o primeiro português a levar a Goa a boa-nova da Restauração e entregou a D. João da Silva Telo e Menezes, 1.º Conde de Aveiras e 25.º Vice-Rei da Índia, a seguinte carta: «Eu ElRey vos envio muito saudar. Ao Conde de Aveiras, Visorrey desse Estado mando avisar de como Deos Nosso Snor foi servido de me restituir a coroa destes meus reynos, libertando-os das vexações e tiranias do governo castelhano com que estavão molestados e oprimidos, o q̃ forão a principal causa de chegar a esse Estado ao aperto em que se vê de presente, ordenando-lhe que nelle me faça logo aclamar, jurar e obedecer por Rey natural e verdadeiro que sou, com a mesma quietação e conformidade que nestes reinos se tem feito, no que tenho por certo que concorrereis de vossa parte com as demonstrações de amor e boa vontade que de vossas pessoas e lealdades devo esperar, sem admitir duvida, nem dillação algua, assegurando-vos que os serviços que nesta ocasião me fizerdes e os mais que tendes feitos me serão presentes para folgar de vos fazer toda a honra, mercê e favor. Com este aviso e ordem mando despachar Sancho de Faria da Silva, fidalgo da minha casa; e se fica tratando de socorrer esse Estado em Setembro, como se fará tãobem nas monções seguintes, para que se alente e restaure dos danos e perdas, que per razão do injusto jugo castelhano, recebeu nas nações da Europa, com as quaes e com os seus principes tenho mandado tratar de amisade e composição, e se condusirá brevissimamente em tal forma que por meio della sejão os vassalos e moradores desse Estado restituidos á paz e felicidade de quem em tempos dos Senhores Reis meus predecessores sohião gosar. Escrita em Lisboa a 18 de março de 1641»[7] (9 de Setembro de 1641); assina o Auto de Levantamento da Majestade dElrey Dom João, Quarto Dêste Nome, Nosso Sn.r e do Juramento de Fidelidade Que Lhe Foi Feito Pelos Tres Estados da India em Goa, pelos «três Estados, Eclesiastico, dos Pouvos e da Nobreza» (11 de Setembro de 1641); capitão-mor de Goa[8] (1642); capitão do Paço de Santiago da Ilha de Goa, na Índia (1643 – 1657); carta de capitão da Capitania do Paço de Santiago da Ilha de Goa, na Índia, por mais seis anos (12 de Fevereiro de 1646)[9]; carta patente de capitão da Capitania do Paço de Santiago da Ilha de Goa, na Índia, por tempo de dez anos (4 de Março de 1648)[10]; alvará para que Luís Pessanha, cavaleiro da Ordem de Cristo e servidor da toalha, possa renunciar a favor de Francisco da Silva Sottomayor e outras, em qualquer um deles a via da Capitania da Fortaleza de S. Sebastião de Baçaim, na Índia (12 de Janeiro de 1650)[11]; capitão de Baçaim (1650 – 1653); carta da mercê de capitão-mor da Capitania-Mor do Reino de Jafanapatão, na Índia (17 de Março de 1653)[12]; carta de capitão-mor da Capitania-Mor do Estreito de Ormuz, pelo tempo de três anos (4 de Fevereiro de 1654)[13]; carta de capitão da Capitania do Paço de Santiago da Ilha de Goa, na Índia, pelo tempo de três anos (4 de Fevereiro de 1654)[14]; alvará pelo qual se declara que a promessa da Comenda da Ordem Militar seja do lote de 150$000 réis (15 de Fevereiro de 1655)[15]; fronteiro de Goa (1655 – 1656); conselheiro extraordinário do Conselho de Estado da Índia (Agosto de 1655); D. Rodrigo Lobo da Silveira, 1.º Conde de Sarzedas e 28.º Vice-rei da Índia, encarrega «hum fidalgo, grande seu amigo por nomem Francisco da Silva Sotomayor que procurasse» Feliciano do Redondo, feitor de Cuncolim, em Salsete, «homem hé muy esperto e sabe muito das couzas deste Estado» e que tinha desertado para o lado dos holandeses, com a missão de o capturar e «torná lo a reduzir a que tornasse para cá» (16 de Setembro de 1655)[16]; participa na reunião do Conselho de Estado da Índia para apreciar o socorro a enviar a Ceilão (26 de Novembro de 1655)[17]; Francisco da Silva, fronteiro de Goa, assina como testemunha da aprovação da segunda cédula de testamento do dr. Jorge de Amaral e Vasconcelos (11 de Maio de 1656)[18].

 

CARREIRA, CARGOS E HONRARIAS

Capitão

1638

Capitão-mor da Armada do Norte da Índia

1639

Capitão-mor da Fortaleza de Chaul, na Índia

1641

Capitão-mor de Goa

1642

Capitão do Paço de Santiago da Ilha de Goa, na Índia

1643 – 1657

Capitão da Fortaleza de S. Sebastião de Baçaim, na Índia

1650 – 1653

Capitão-mor da Capitania-Mor do Reino de Jafanapatão, na Índia

1653

Capitão-mor da Capitania-Mor do Estreito de Ormuz

1654

Alvará da promessa da Comenda da Ordem Militar, do lote de 150$000 réis

1655

Fronteiro de Goa

1655 – 1656

Conselheiro extraordinário do Conselho de Estado da Índia

1655

 

    Casou, pela terceira vez, com D. Maria de Ataíde, filha herdeira de D. António de Ataíde[19] ou Álvaro de Ataíde[20] e de D. Isabel da Silva.

 

ÁRVORE DE COSTADOS DE D. MARIA DE ATAÍDE

Própria

Pais

Avós

D. Maria de Ataíde

D. António de Ataíde

D. Luís de Ataíde

D. Maria da Silva

D. Isabel da Silva

Capitão Gonçalo Coelho da Silva

 

 

    Filho de Francisco da Silva Sottomayor e de D. Maria de Ataíde:

1 – Capitão LOURENÇO DA CUNHA SOTTOMAYOR, nasceu na Índia.

Foi proprietário; capitão; alvará da tença de 20$000 réis com o hábito de cavaleiro da Ordem de Cristo (23 de Março de 1676)[21]; almirante da armada de alto bordo do estreito de Ormuz (1691); mandado de D. Frei Agostinho da Anunciação, arcebispo primaz de Goa, general António da Cunha Melo, e D. Fernando Martins Mascarenhas de Lancastre, governadores do Conselho do Governo do Estado da Índia, para João Carvalho de Sampaio, feitor de Goa, atribuir a Lourenço da Cunha Sottomayor, almirante da armada de alto bordo do estreito de Ormuz, quinhentos xerafins da sua ordinária (10 de Dezembro de 1692)[22]; carta da mercê de capitão da Capitania da Fortaleza de Chaul, por três anos (23 de Novembro de 1696)[23]; carta patente de capitão da Capitania do Paço de Santiago da Ilha de Goa, na Índia, por entretenimento, por tempo de dez anos (26 de Novembro de 1696)[24]; alvará para poder testar a Capitania da Fortaleza de Chaul (16 de Dezembro de 1696)[25]; carta da mercê de capitão na Capitania da Fortaleza de Goa ou de Diu, por três anos (26 de Novembro de 1698)[26]; governador e capitão de Diu (1699 – 1702); fidalgo da Casa Real[27]; carta patente concedida pelo rei Dom Pedro II a Gil Vaz Lobo Freire, fidalgo da Casa Real, conferindo-lhe a mercê da capitania da fortaleza de Diu, pelo tempo de 2 anos, tendo em conta os serviços militares prestados naquele Estado pelo agraciado, durante mais de 14 anos, pois o referido lugar tinha ficado vago por Lourenço da Cunha Sottomayor (7 de Fevereiro de 1702)[28].

Casou com D. Maria de Almeida, filha de António de Almeida e de D. Maria de Figueiredo; com geração.



[1] Domingos de Araújo Affonso, Da Verdadeira Origem de Algumas Famílias Ilustres de Braga e Seu Termo, in BRACARA AUGUSTA, volume XX, fascículo 45-46, Braga, 1967, p. 11.

[2] Manuel Felgueiras Gayo, Nobiliário de Famílias Portuguesas, V volume, tomo XIII, Braga, 1990, p. 210.

[3] Assentos do Conselho de Estado da Índia, doc. 88, f. 275-278.

[4] ANTT, Registo Geral de Mercês, Mercês da Torre do Tombo, liv. 3, fl. 70.

[5] Maria Hermínia Maldonado, Relação das Náos e Armadas da Índia Com os Successos Dellas, Coimbra, 1985, p. 175.

[6] Conde da Ericeira, Historia de Portugal Restaurado, tomo I, Lisboa, 1679, pp. 139-140.

[7] Luís da Cunha Gonçalves, A Restauração de 1640 no Oriente, in ACADEMIA DAS SCIÊNCIAS DE LISBOA: BOLETIM DA SEGUNDA CLASSE: ACTAS E PERECERES, ESTUDOS, DOCUMENTOS E NOTICIAS, volume IX, Lisboa, 1916, p. 397.

[8] Cristóvão Alão de Moraes, Pedatura Lusitana (Nobiliário de Famílias de Portugal), tomo IV, Porto, 1946, p. 110.

[9] ANTT, Registo Geral de Mercês, Mercês da Torre do Tombo, liv. 9, fl. 425v.

[10] ANTT, Registo Geral de Mercês, Mercês da Torre do Tombo, liv. 3, fl. 72, cota PT/TT/RGM/Q/0003/346181.

[11] ANTT, Registo Geral de Mercês, Mercês da Torre do Tombo, liv. 16, fl. 129v.

[12] ANTT, Registo Geral de Mercês, Mercês da Torre do Tombo, liv. 24, fl. 21v.

[13] ANTT, Registo Geral de Mercês, Mercês da Torre do Tombo, liv. 21, fl. 66v.

[14] ANTT, Registo Geral de Mercês, Mercês da Torre do Tombo, liv. 21, fl. 67.

[15] ANTT, Registo Geral de Mercês, Ordens Militares, liv. 4, fl. 105v.

[16] Artur Teodoro de Matos, Diário do Conde de Sarzedas, Vice-Rei do Estado da Índia (1655-1656), Lisboa, 2001, p. 99.

[17] Artur Teodoro de Matos, Diário do Conde de Sarzedas, p. 134.

[18] Amândio Jorge Morais Barros, Cartas da Índia: Correspondência Privada de Jorge de Amaral e Vasconcelos (1649-1656), Porto, 2011, pp. 133 e 153.

[19] Felgueiras Gayo, Nobiliário de Famílias Portuguesas, I volume, tomo III, Braga, 1989, p. 509.

[20]Felgueiras Gayo, Nobiliário de Famílias Portuguesas, V volume, p. 210.

[21] ANTT, Registo Geral de Mercês, Ordens Militares, liv. 10, fl. 151.

[22] Junta da Real Fazenda do Estado da Índia, Livro 7, (1603-1694), pp. 70-71.

[23] ANTT, Registo Geral de Mercês, Mercês de Dom Pedro II, liv. 10, fl. 381v.

[24] ANTT, Registo Geral de Mercês, Mercês de Dom Pedro II, liv. 10, fl. 381.

[25] ANTT, Registo Geral de Mercês, Mercês de Dom Pedro II, liv. 10, fl. 381v.

[26] ANTT, Registo Geral de Mercês, Mercês de Dom Pedro II, liv. 3, fl. 383.

[27]Felgueiras Gayo, Nobiliário de Famílias Portuguesas, V volume, p. 210.

[28] Junta da Real Fazenda do Estado da Índia, Livro 10, (1696-1702), p. 124.

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Segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

DR. MIGUEL JÁCOME DE LUNA

Um Magistrado do Alto Minho

 

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

    Miguel Jácome de Luna, filho primogénito e herdeiro de Jácome Rodrigues de Luna[1] e de D. Maria Barbosa de Castro, nasceu na freguesia de Santa Maria Maior, na então vila de Viana da Foz do Lima ou Viana do Minho, Província de Entre-Douro-e-Minho, hoje cidade de Viana do Castelo, cerca de 1530.

 

ÁRVORE DE COSTADOS DE MIGUEL JÁCOME DE LUNA

Próprio

Pais

Avós

Bisavós

Miguel Jácome de Luna

 

N. Viana 1530

Jácome Rodrigues de Luna

 

N. Viana 1500

Ruy Fernández de Luna

D. Rodrigo de Luna

D. Elvira

D. Mécia Fernandes Soares de Albergaria

Fernão Anes Ferraz

D. Guiomar Álvares Soares de Albergaria

D. Maria Barbosa de Castro

 

N. Viana 1510

Gonçalo da Rocha Barreto, “o Beiçudo”

Pedro Anes Barreto

D. Margarida da Rocha

D. Isabel Barbosa de Azevedo

Rui Dias de Aguiã

D. Brites Barbosa

 

    Fidalgo; proprietário; estudante na Universidade de Coimbra (1548); bacharel em Leis (1552); licenciado em Leis (1555); advogado (1556); 2.º Senhor da Casa dos Medalhões ou Casa dos Lunas, em Viana do Castelo, por herança paterna; Juiz dos Cavaleiros (1569 – 1573); padre dr. Diogo de Paiva de Andrade, arcediago da Sé de Braga e visitador do Mosteiro de S. Bento de Viana, fica hospedado na casa de «pousadas» de Miguel Jácome de Luna, em Viana do Minho, a fim de arbitrar certas questões e disputas sobre o dito mosteiro (Julho de 1573)[2]; realiza-se o auto de visitação na «muito notavel villa de Viana e foz de Lyma nas pouzadas de Miguel Jacome de Luna que são defronte da igreja collegiada da ditta villa, istando ahi prezente o muyto reverendo senhor Dioguo de Payva d’Andrade arcediago do Couto na Sancta See de Bragua visitador e conservador», com autoridade apostólica para visitar o Mosteiro de São Bento de Viana (5 a 18 de Julho de 1573)[3]; alvará pelo qual foi nomeado Juiz Corregedor da Comarca da Cidade de Évora (10 de Novembro de 1573); Juiz Corregedor da Comarca de Évora (1 de Janeiro de 1574 – Dezembro de 1576); alvará do rei Dom Sebastião, pelo qual «ElRei faço saber a vos L[icencia]do Miguel Jacome de Luna C[orreged]or da Comarqua desta cjdade devora que eu sam enformado que a mayor parte dos canos da aguoa da prata não estão de todo acabados  na perfeição que convem e se perdem por essa causa muita parte da agoa deles e no tempo do ymberno emtra nos ditos canos a das emxurradas e outras cousas de que se segue muyto perjuizo a saude dos moradores e pouo da dita cydade pollo que tenho hordenado que os ditos canos se acabem no modo e manejra que he necessario pera que a aguoa das fomtes possa vir toda a cydade e não entre com ella a das ẽxurradas nem as outras couzas que ffazem prejoizo a saude Hey por bem que por ora se ffasa lançamen[to] de comtia de quoatro myll cruzados pra despeza da obra dos ditos canos  E portamto vos mamdo que vades luogo a camara desta cydade e nella com o Juiz e Vreadores e procurador ordenareis o dito lamçamento o quoall se ffara pellas ffazendas que estão nesta cydade deuora e seu termo asy de pesoas secullares como eclesjastycas e relegiozas de quoallquer estado e callydade que sejão porque por esta obra ser tao comum e de tamto proveyto e beneficyo de todos tem obriguação de paguar pera ella comforme a d[irei]to o q[ua]l lamçam[en]to se ffara na propria forma e polla ordem e man[ei]ra perq[ue] se ffizerão os premejros lamçam[en]tos pera despeza da obra dos ditos canos quoamdo se começarão e paguarão pera o dito lamçam[en]to todos os officiaes asy da Justyça como de minha ffaz[en]da e do ecclesjastico a respeito da vallya de seus offisios alem das ffazendas de rais que tiverem e os maquanequos e p[esso]as que vivem pollo trabalho de suas mãos paguarão pera o dito lamçam[en]to ate sessenta reis cada hum somente e dahi pera bayxo segundo o guanho e proveyto que tyver de seu offisyo e mester posto que não seja tratamte nem tenha bens de rais e posto que os tenha senão cheguar o que a respeito da valya delles ouver de paguar os ditos sesemta reis e tendo bens de rais porque aja de paguar mais paguara comfforme a vallya deles» (10 de Maio de 1575)[4]; carta régia pela qual «el-Rei faço saber ao Lic.do Miguel Jacome de Luna Corregedor da Cid.e de Evora, q̃ eu mandei tomar informação das coizas q̃ os Vereadores me escreverão p.ª se não haver de fazer agora o lançam.to dos 4$ cruzados q̃. vos mandei fizésseis p.ª as obras da reformação do cano da agua da prata», e como «a obra q. se hade fazer nos d.os canos não so he proveitosa mas m.to necessária pelas immundicias», e portanto «mando q̃. se fassa logo o laçamento o dito lançam.to, e se fassa delle depozito, e assim q. se começar a cobrar o dinheiro se de principio a obra de empreitada» (15 de Dezembro de 1575)[5]; como Juiz Corregedor de Évora presidiu ao instrumento de abertura oficial do testamento do Senhor Dom Duarte, Duque de Guimarães e Condestável do Reino de Portugal (28 de Novembro de 1576)[6]; Juiz Corregedor da Casa do Cível da Corte (2 de Janeiro de 1577); Juiz Desembargador dos Agravos da Casa da Suplicação de Lisboa (8 de Novembro de 1577); Juiz Conservador das Causas da Câmara da Cidade de Lisboa (1580 – 1582); «como corregedor e conservador da camara» assiste à cerimónia solene da entrega ao «mui alto e mui poderoso e mui catholico rei e senhor nosso» Filipe I da chave da «mui nobre e sempre leal cidade de Lisboa» (29 de Junho de 1581)[7]; nomeado Juiz da Casa do Cível do Porto, «porquanto eu não tenho atee ora prouido de conseruador da çidade, que seruia o L[icencia]do Miguel Jacome de Luna, do meu Desembargo, que ora se foi para a çidade do Porto»[8], conforme alvará régio (Dezembro de 1582); cavaleiro do hábito da Ordem de Cristo (1582)[9]; seu filho Pedro Barbosa de Luna foi admitido como colegial no Colégio Real de S. Paulo da Universidade de Coimbra (Outubro de 1584); vereador da Câmara Municipal de Lisboa (1585 – 1586); fidalgo de cota d’armas, por carta de brasão com as armas das famílias Luna, Soares de Albergaria, Sousa e Barreto, e «nelle provarão serem filhos, netos, e bisnetos, e treseiros netos de todos os q ficão referidos»[10] (26 de Março de 1586)[11]; Juiz Conservador da Casa da Moeda (2 de Julho de 1586)[12]; nasce seu neto paterno Miguel de Vasconcelos e Brito Barbosa, que seria tristemente célebre (1590)[13]; seu filho António Barbosa de Luna foi admitido como porcionista no Colégio Real de S. Paulo da Universidade de Coimbra (28 de Abril de 1591)[14]; D. Joana Ferrão de Castelo Branco, sua viúva, declara no seu testamento que «perdoa a seu Anteado o D.or Ant.º Barbosa de Luna tudo o q̃ lhe devia»[15] (1610).

 

CARREIRA, CARGOS, MERCÊS E HONRARIAS

Fidalgo

 

Bacharel em Leis

1552

Licenciado em Leis

1555

Advogado

1556

Juiz dos Cavaleiros

1569 – 1573

Juiz Corregedor da Comarca de Évora

1574 – 1576

Juiz Corregedor da Casa do Cível da Corte

1577

Juiz Desembargador dos Agravos da Casa da Suplicação de Lisboa

1577

Juiz Conservador das Causas da Câmara da Cidade de Lisboa

1580 – 1582

Juiz da Casa do Cível do Porto

1582

Cavaleiro do hábito da Ordem de Cristo

1582

Vereador da Câmara Municipal de Lisboa

1585 – 1586

Fidalgo de cota d’armas, por carta de brasão com as armas das famílias Luna, Soares de Albergaria, Sousa e Barreto

1586

Juiz Conservador da Casa da Moeda

1586

 

    Casou em primeiras núpcias, em 1558, com D. Genebra Barbosa Aranha[16], nascida em Viana da Foz do Lima em 1535, filha de Rui Vaz Aranha, “o Moço”, e de D. Grácia da Cunha da Rocha; com geração.

 

ÁRVORE DE COSTADOS DE D. GENEBRA BARBOSA ARANHA

Própria

Pais

Avós

D. Genebra Barbosa Aranha

 

N. Viana 1535

Rui Vaz Aranha, “o Moço”

Rui Vaz Aranha

D. Isabel Barbosa

D. Grácia da Cunha da Rocha

Diogo Anes da Cunha

D. Brites da Rocha Caminha

 

    Casou pela segunda vez com D. Joana Ferrão de Castelo Branco, viúva; sem geração.

 

    Filhos do primeiro casamento de Miguel Jácome de Luna e de sua mulher D. Genebra Barbosa Aranha:

1 – Dr. PEDRO BARBOSA DE LUNA, nasceu em Viana em 1560.

Foi Desembargador.

2 – Dr. ANTÓNIO BARBOSA DE LUNA, nasceu em Viana em 1562.

Foi deputado do Santo Ofício.

3 – LUÍS BARBOSA DE LUNA, nasceu em Viana em 1564.

Foi cavaleiro da Ordem de Malta.

4 – D. GRÁCIA DE LUNA DA ROCHA ou Grácia Barbosa de Luna, nasceu em Viana em 1566.

Foi proprietária.

Casou com Pedro Pinto de Melo Alvim[17], 4.º Morgado da Carreira, em Viana, filho de Francisco de Melo Alvim e de D. Catarina Pinto; sem geração.

 

NOTA: Este artigo já foi publicado em tempos, como porém o mesmo foi largamente revisto e acrescido de novos dados, torna desta forma a ver a luz do dia, assim reformado e aumentado.



[1] Manuel Abranches de Soveral, Reflexões Sobre a Origem dos Rocha, dos Aguiã, dos Calheiros e dos Jácome, in revista RAÍZES & MEMÓRIAS, n.º 29, Lisboa, 2012, p. 13.

[2] Arquivo Municipal de Viana do Castelo, Livro da Fundação do Mosteiro de S. Bento.

[3] Isabel Maria Ribeiro Tavares de Pinho, Os Mosteiros Beneditino Femininos de Viana do Castelo: Arquitectura Monástica dos Séculos XVI ao XIX, volume II, Porto, 2010, pp. 577-617.

[4] Arquivo Distrital de Évora, Fundo da Câmara Municipal de Évora, Livro 2.º de Registos, n.º 136, fl. 77v.

[5] Túlio Espanca, Património Artístico Municipal: O Aqueduto da Água da Prata, in A CIDADE DE ÉVORA: Boletim da Comissão Municipal de Turismo, n.º 7-8, ano II, Évora, 1944, p. 100.

[6] D. António Caetano de Sousa, Provas da Historia Genealogica da Casa Real Portugueza, tomo II, Lisboa, 1742, p. 638.

[7] Eduardo Freire de Oliveira, Elementos Para a História do Município de Lisboa, tomo II, Lisboa, 1987, p. 44.

[8] ANTT, Chancelaria de Dom Filipe I, livro 1, fl. 28.

[9] Juan de Ávila Gijón, La Bibliografía de La Orden Militar de Cristo (Portugal): Del Manuscrito al Soporte Electrónico, p. in VIA SPIRITUS, n. 9, 2002, pp. 409 e 411.

[10] Manuel Felgueiras Gayo, Nobiliário de Famílias de Portugal, VI volume, tomo XVI, Braga, 1989, p. 185.

[11] Manuel Artur Norton, Para o Estudo dos Aranhas e Lunas Vianenes, in CADERNOS VIANENSES, tomo VIII, Viana do Castelo, 1984, pp. 221 e 225.

[12] Esteves Pereira e Guilherme Rodrigues, Portugal Dicionário Histórico, Corográfico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico, volume IV, Lisboa, 1908, p. 584: http://www.arqnet.pt/dicionario/lunamigueljacome.html.

[13] Jofre de Lima Monteiro Alves, Miguel de Vasconcelos, “O Defenestrado”: Uma Figura do Alto Minho na História de Portugal, 2013.

[14] Collecçam dos Documentos e Memorias da Academia Real da Historia Portugueza, Lisboa, 1727, p. 266.

[15] Cristóvão Alão de Moraes, Pedatura Lusitana (Nobiliário de Famílias de Portugal), tomo quatro, volume primeiro, Porto, 1946, p. 148.

[16]Felgueiras Gayo, Nobiliário de Famílias de Portugal, I volume, tomo III, Braga, 1989, p. 465.

[17] Jofre de Lima Monteiro Alves, VIANA DO CASTELO, CIDADE MONUMENTAL V – Casa Melo Alvim: http://escavar-em-ruinas.blogs.sapo.pt/34122.html?thread=209482.

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Sábado, 23 de Agosto de 2014

PADRE BARTOLOMEU PEREIRA

Uma Figura Ilustre do Alto Minho

 

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

    Padre Bartolomeu Pereira[1], nono filho de João Pereira de Mesquita[2], natural de Correlhã, freguesia do concelho de Ponte de Lima, e de D. Helena Gomes Soares de Castro[3], natural de Monção, nasceu na vila e freguesia de Monção, na então província de Entre-Douro-e-Minho, em 22 de Agosto de 1597, faz agora 417 anos.

 

ÁRVORE DE COSTADOS DO PADRE BARTOLOMEU PEREIRA

Próprio

Pais

Avós

Bisavós

Padre Bartolomeu Pereira

 

* Monção, 1597

 

+ Coimbra, 1650

João Pereira de Mesquita

 

* Correlhã, Ponte de Lima, 1545

Damião Pereira do Lago

 

* Ponte de Lima

Padre Lopo Felgueiras

D. Isabel Pereira do Lago

D. Leonor de Alvarenga de Mesquita

 

* Mesão Frio

Pedro Borges Pinto

 

D. Helena de Alvarenga Monteiro

D. Helena Gomes Soares de Castro

 

* Monção, 1560

Nuno Vasques Lasso e Aldão

 

* Galiza

D. Nuno Vázquez Lasso de La Vega

D. Constança Vázquez de Aldão

D. Constança Soares de Castro

 

* Monção

Lopo Gomes de Lira, “o Moço”

D. Guiomar Soares do Lago

 

    Foi baptizado na pia baptismal da Igreja Matriz de Santa Maria dos Anjos pelo padre Cristóvão Rebello, reitor da vila de Monção, como «filho de Ioão P.ra da mesquyta E de sua mollher Jlena Gomez», ao colo dos compadres Rui Pereira, de Barbeita, e D. Ana Pereira, mulher de João Gomes Pereira (29 de Agosto de 1597)[4]; «sahio instruido nas máximas christaãs» por seus pais e tio frei Manuel Baptista Soares Bacelar; estudante de Retórica (1612); irmão noviço do Colégio da Companhia de Jesus, em Coimbra (20 de Março de 1613)[5]; «Bartolomeu Pereira, villa de Monção, Arcebispado de Braga de 16 e meio, boas forças, II meses de Cª, estudava Rhetorica qd. entrou», conforme consta do catálogo dos Irmãos Noviços do Colégio de Coimbra (Janeiro de 1614)[6]; irmão escolástico (1615); estudante de Latim e de Artes em Coimbra (1619); seu tio materno D. Frei Manuel Baptista Soares Bacelar, bispo do Congo e de Angola, faleceu em Angola (Abril de 1620)[7]; irmão coadjutor (1621); estudante de Latim e de Teologia em Coimbra (1622); estudante de Artes, Latim e de Teologia em Coimbra (1625); escreveu «huma elegante Oração Latina» de sapiência dedicada à canonização da Rainha Santa Isabel, que recitou na Sala da Universidade de Coimbra (1625)[8]; padre Francisco Pacheco, natural de Ponte de Lima e seu primo coirmão, morreu martirizado em Nagasáqui, no Japão (20 de Junho de 1626); recebeu as ordenas sacras de presbítero e de padre jesuíta com voto simples (1628); mestre de Retórica no Real Colégio de Jesus de Coimbra[9] (1629); mestre de Artes no Real Colégio de Jesus de Coimbra (1633); superior da Residência Jesuíta de Sanfins de Friestas, no termo de Valença do Minho, para fazer o segundo noviciado do terceiro ano da provação (1634 – 1636)[10]; compôs e escreveu em verso latino a vida do padre Francisco Pacheco, com o fim de descrever o martírio, celebrar, edificar, fazer a apologia, promover a devoção e beatificação deste seu primo (1634 – 1640)[11]; fez a profissão e os quatro votos finais da Companhia de Jesus (15 de Agosto de 1636); o capitão-mor Lopo Soares Lasso, seu irmão primogénito, faleceu em Angola (1639)[12]; mestre leitor de Sagrada Escritura no Real Colégio de Jesus de Coimbra durante oito anos[13] (1639 – 1647); na obra laudatória ao referido padre Francisco Pacheco, surge pela primeira vez o vocábulo ponte-limense (1640)[14]; reitor e mestre de Artes do Colégio de S. Paulo de Braga (1648 – 1650); como «Rector Bracharensis» participa na Congregação Provincial da Província Portuguesa da Companhia de Jesus (Abril de 1649); como «P. Bartolomeu Pereira Rector Bracharensis» participa na Congregação Provincial da Província Lusitana dos Jesuítas, realizada em Lisboa (20 de Setembro de 1649); compôs e escreveu um tomo de COMENTÁRIOS AO LIVRO DE TOBIAS, o qual sendo enviado para França a fim de ser impresso «porem estes por descuido do Mercador se perderaõ»[15]; sacerdote; jesuíta; professor; insigne latinista[16]; orador sagrado de estilo brilhante[17]; poeta latino «no estilo Epico em que se assemelhou taõ vivamente a Virgilio que parece patricio» de «berço deste Principe da Poesia Heroica»[18]; escritor.

 

    Escreveu e publicou[19]:

IN APOTHEOSI SANCTISSIMAE ELISABETHAE LUSITANIAE REGINAE, ORATIO ENCOMIASTICA, Coimbra, 1626;

PACIECIDOS LIBRI DOUDECIM: DECANTATUR CLARISSIMUS P. FRANCISCUS PACIECUS, LUSITANUS, Coimbra, 1640;

CAECUS OCULATUS FIVE ARGOS CENTOCCULUS COMMENTARIA IN TOBIAM ou COMENTÁRIOS AO LIVRO DE TOBIAS, manuscrito.

 

    Faleceu «santamente» em Coimbra a 29 de Novembro 1650[20], aos 53 anos de idade; publicação em Génova da 2.ª edição da obra PACIECIDOS LIBRI DOUDECIM (1750); publicação da edição francesa da sua obra LA PACIÉCIDE: ÉPOPÉE EN DOUZE LIVRES EN L’HONNEUR DU TRÈS ILLUSTRE PÈRE FRANÇOIS PACHECO […] PAR LE P. BARTHÉLÉMY PEREIRA, S. J. PORTUGAIS DE MONÇAO, ANCIEN PROFESSEUR DE RHÉTORIQUE A L’UNIVERSITÉ DE COÏMBRE, por recomendação do lusófilo francês Jean Ferdinand Denis e tradução de A. Guichon de Grandpont (1887)[21].

 

NOTA: Este artigo já foi publicado em tempos, como porém o mesmo foi largamente revisto e acrescido de novos dados, torna desta forma a ver a luz do dia, assim reformado e aumentado.



[1] Joaquim Queiroz, Famílias Bracarenses ou Memórias Genealógicas de Algumas Famílias do Minho e Trás-os-Montes, tomo II, Braga, 1784, fl. 183.

[2] Cristóvão Alão de Moraes, Pedatura Lusitana (Nobiliário de Famílias de Portugal), tomo IV, volume 1.º, Porto, 1946, p. 133.

[3] Manuel Felgueiras Gayo, Nobiliário de Famílias de Portugal, VI volume, tomo XVII, Braga, 1989, p. 379; Cristóvão Alão de Moraes, Pedatura Lusitana, volume V, tomo 2.º, Braga, 1998, p. 337.

[4] ADVC, Registos Paroquiais de Monção, Livro Misto n.º 2, 1585–1607, fl. 25v, cota 3.8.2.27.

[5] Amadeu Torres, A «Paciecidos Libri XII» e a Sua Versão Francesa de 1887, in revista HVMANITAS, volume XLVII, tomo II, Coimbra, 1995, p. 862, que indica, contudo, a data de 1603.

[6] Carlota Miranda Urbano, Cantvs Convivalis no Canto I do Paciecidos Libri Dvodecim… de Bartolomeu Pereira SJ, in revista HVMANITAS, volume LI, Coimbra, 1999, p. 286.

[7] The Hierarchy of the Catholic Church: Bishop Manuel Baptista: http://www.catholic-hierarchy.org/bishop/bbaptis.html.

[8] Francisco Rodrigues SJ, História da Companhia de Jesus na Assistência de Portugal, tomo III, volume I, Porto, 1931, p. 241; Padre Francisco de Santa Maria, Anno Historico, tomo III, p. 353.

[9] Padre Francisco de Santa Maria e Lourenço Justiniano da Anunciação, Anno Historico, Diario Portuguez, Noticia Abreviada de Pessoas Grandes e Cousas Notaveis de Portugal, tomo III, Lisboa, 1744, p. 352.

[10] ARSI – Arquiuum Romanum Societatis Iesu, LUS Cat. trien. 44 I, ρ. 541.

[11] Carlota Miranda Urbano, A Mitificação da História e o Paciecidos de Bartolomeu Pereira SJ, in revista HVMANITAS, n.º 61, Coimbra, 2009, pp. 213-221.

[12] Damião Peres, Novas Conquistas em Benguela, 1967, pp. 4 e 5: http://museu.rtp.pt/app/uploads/dbEmissoraNacional/Lote%2056/00020704.pdf.

[13] Diogo Barbosa Machado, Bibliotheca Lusitana Historica, Critica, e Cronologica, tomo I, Lisboa, 1741, p. 472.

[14] José de Sousa Vieira, O Vocábulo Ponte-Limense (Pontelimense): http://pontedelima.com/pontelimense/.

[15] Padre António Franco, Imagem da Virtude em o Noviciado da Companhia de Jesus no Real Collegio de Jesus de Coimbra, tomo II, Coimbra, 1719, p. 614.

[16] PEREIRA (Padre Bartolomeu), in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, tomo XXI, Lisboa, 1950, p. 124.

[17] João Francisco Marques, A Perenética Portuguesa e a Restauração (1640–1668), 2 volumes, Porto, 1989.

[18] Diogo Barbosa Machado, Bibliotheca Lusitana, tomo I, p. 472.

[19] Biblioteca Nacional de Portugal, PORBASE – Base Nacional de Dados Bibliográficos, Pereira, Bartolomeu: http://porbase.bnportugal.pt/ipac20/ipac.jsp?session=T405101385BL8.160690&profile=porbase&uri=link=3100018~!275968~!3100024~!3100022&aspect=basic_search&menu=search&ri=1&source=~!bnp&term=Pereira%2C+Bartolomeu%2C+1599-1650%2C+S.J.&index=AUTHOR.

[20] A 29 de Novembro de 1650 conforme Carlota Miranda Urbano informa em Cantvs Convivalis, p. 287; ou a 18 de Novembro de 1650 segundo Diogo Barbosa Machado, Bibliotheca Lusitana, I, p. 472.

[21] LA PACIÉCIDE : ÉPOPÉE EN DOUZE LIVRES: http://scans.library.utoronto.ca/pdf/5/19/paciedidoslibrid00pereuoft/paciedidoslibrid00pereuoft.pdf.

Monção: antigo postal com vista do chafariz da Praça Deuladeu e jardim do Loreto.

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Sexta-feira, 15 de Agosto de 2014

D. EGAS MONIZ DE RIBADOURO, “o Aio” – III

Uma Grande Figura da História de Portugal

 

Terceira Parte

 

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

D. Egas Moniz de Ribadouro casou em primeiras núpcias com D. Mor[1] Pais da Silva ou D. Maior[2] Pais ou D. Doroteia[3] Pais da Silva, dama nobre e filha de Paio[4] Guterres da Silva.

 

Casou pela segunda vez, em 1110[5], com «meana» D. Teresa Afonso, nobre rica-dona, falecida em 20 de Junho de 1171[6], filha do conde D. Afonso das Astúrias.

 

Filhos de Egas Moniz e de sua primeira mulher:

1 – LOURENÇO VIEGAS, o Espadeiro, nasceu em 1105.

Rico-homem do século XII; proprietário; alferes-mor de Dom Afonso Henriques (1129); «Laurencius alferes» confirma a carta de doação do castelo de Soure à Ordem do Templo (18 de Março de 1129)[7]; «Lourencius alfereaz» confirma a carta de Couto de Carvoeiro (1 de Julho de 1129); «Laurencius Venegas» confirma a carta de Couto de Paredes de Ribadouro (20 de Setembro de 1131); Lourenço Viegas, e sua mulher D. Maria Gomes, doa a D. Paio Mendes, arcebispo de Braga, tudo o que o Infante Dom Afonso Henriques lhe tinha doado na vila de Villar Gaudioisi (1132); como «Laurencius Benegas coadjutor regis hujus rei» ou coadjutor dos negócios da cúria de Dom Afonso Henriques confirma uma doação ao Mosteiro de S. Romão de Neiva (Setembro de 1133); «Laurencius Venegas dominus in Nevia», tenente ou governador da Terra de Neiva (1135); participou na Batalha de Ourique, «onde foi Capitão da retaguarda» (1139); Senhor da Honra de Santa Eulália (1146); Senhor da Honra de Fonte Arcada (1146); senhor de parte da Honra de Argeriz (1146); tenente e governador de Lamego (1146 – 1162); participou na tomada de Santarém (1147); deu carta de foro à povoação de Paços, em Armamar (1152); confirma o foral de Sintra (1154); vende certos bens que houvera de seu pai no Couto de Argeriz ao Mosteiro de Salzedas (1155); confirma a doação régia do Rabaçal ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra (1160).

Faleceu durante uma lide com os mouros na fronteira de Évora, cerca de 1162.

Casou em 1131 com D. Maria Gomes de Celanova, filha do conde D. Gomes Nunes de Pombeiro e de D. Elvira Peres de Trava; sem geração.

Teve, contudo, um filho bastardo em «ũa barregã que houve nome Hortigueira, e fez em ela ũu fylho»[8].

2 – D. LEONOR VIEGAS[9]

Dizem que casou com D. Gonçalo Mendes da Maia, “o Lidador”.

Filhos de Egas Moniz e de sua segunda mulher D. Teresa Afonso:

3 – D. AFONSO VIEGAS, “o Moço Viegasou “Mozo Venegas”, nasceu em 1111.

Proprietário; rico-homem; tenente ou governador de Baião (1134 – 1141); tenente de Penaguião (1134 – 1144)[10]; confirma a carta de couto ao Mosteiro de Cucujães (7 de Julho de 1139); participou na Batalha de Ourique (Julho de 1139); Afonso Viegas doa a D. Ermígio Viegas a metade da vila agrária de Canelas, no «território lamacense», e diversos herdamentos na vizinhança de Alvarenga (1 de Setembro de 1139); «domnus Mozo» confirma a carta afonsina de couto de Provezende (1140); confirma a carta de Couto de Ansede (24 de Abril de 1141); Afonso Viegas e sua mulher D. Aldara Peres doam certos bens que possuíam em Canelas de Riba Paiva à Ordem do Templo (1143)[11]; Senhor da Honra de Alvarenga, em Arouca (1146); Senhor da Honra de Queimada (1146); Senhor da Honra de Figueira, em Lamego (1146); Senhor da Honra de Queimadela (1146); Senhor da Honra de Resende (1146); Senhor da Honra de Cresconhe (1146); Senhor da Honra de Alvelos, em Lamego (1146); Senhor do Couto de Lumiares, em Armamar (1146); Senhor do Couto de Mões, em Castro Daire (1146); Senhor do Couto de Moledo, em Castro Daire[12]; confirma a carta de doação dos direitos eclesiásticos de Santarém à Ordem do Templo (1147); tenente em Além-Douro e governador de Lamego (1147); participa no cerco e tomada de Lisboa, tendo confirmado o pacto entre o rei Dom Afonso Henriques e os cruzados (1147)[13]; tenente de Baião (1150 – 1170); tenente de Baião e Penaguião, «don Mozo qui tenet Bayam et Penaguyam» (1160); confirma a carta de doação dos direitos eclesiásticos de Alcanede ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra (Fevereiro de 1163).

Faleceu em 1170.

Casou em 1142 com D. Aldara Pires de Espinhel, filha de D. Pêro Gomes Espinhel e de D. Teresa Anes de Baião; com geração.

4 – D. DÓRDIA VIEGAS, nasceu em 1113.

Proprietária; rica-dona; «Dordia filia Egas Moniz et Tarasia Affonsi et uxor Gundisalvi Menendi», fez uma doação de dois casais em Vila Chã, um em Sanfins, quatro em Lalim e três casais em Moázeres ou Morrazeses, além de cem moios de pão e vinho, duas vestimentas de linho e uma estola de pano ao Mosteiro de Paço de Sousa (1145)[14]; Senhora das Honras de S. João de Pendilhe e de Moázeres (1146); Senhora do Couto de Tuías (1146); senhora de parte do Couto de Argeriz (1146).

Casou com D. Gonçalo Mendes de Sousa, filho de Mem Viegas de Sousa e de D. Teresa Fernandes de Marnel.

5 – D. MENDO VIEGAS, nasceu em 1115.

Proprietário; o Infante Dom Afonso Henriques doa-lhe a vila de Samodães (1130)[15].

Faleceu em 1137.

Com sucessão.

6 – D. PERO VIEGAS, nasceu em 1117.

Nobre do século XII; proprietário; fez uma doação ao Mosteiro de Paço de Sousa de bens que possuía em Coreixas, Curveira e Jugueiros (1141)[16].

7 – D. SOEIRO VIEGAS ou Suerius Veegas ou Suarius Egge ou Suarius Venegas, nasceu em 1119.

Rico-homem do século XII; Senhor da Honra de Vila Cova, em Vila Nova de Paiva (1146); Senhor da Honra de Fonte Arcada, em Moimenta da Beira (1146); senhor de parte do Couto de Argeriz (1146); proprietário em Lamego, Tarouca, Armamar, Britiande, Cambres e Vila Nova de Paiva; carta de arras a sua esposa D. Sancha Bermudes, pela qual lhe lega muitos bens que ela ficará possuindo no estado de viúva, os quais perderá se passar a segundas núpcias (1152); vende ao Mosteiro de Salzedas a parte que havia herdado de seu pai no Couto de Argeriz, por cem morabitinos (1155); membro da Cúria afonsina (1157); tenente e governador de Lamego (1164 – 1188); como «Suerius Veegas princeps Lameci et filius domne Tarasie» confirma a carta de renúncia episcopal sobre o Mosteiro de Salzedas (1164)[17]; confirma o foral de Santarém (Maio de 1179); confirma o foral de Lisboa (Maio de 1179); confirma o foral de Melgaço (Julho 1181); confirma o foral de Valdigem, que fora concedido por proposta sua (1182); vendeu ao Mosteiro de Salzedas algumas propriedades em Cambres, Lamego (1187); doa ao Mosteiro de S. João de Tarouca diversos haveres que tinha em Vila Cova (1187).

Faleceu cerca de 1189.

Casou em 1152 com D. Sancha Bermudes de Trava, filha do conde Bermudo Peres de Trava e da Infanta D. Urraca Henriques de Portugal; com geração.

8 – D. RODRIGO VIEGAS, nasceu em 1121.

Nobre do século XII; vende ao Mosteiro de Salzedas a sua parte no Couto de Argeriz (1155)[18]; membro da Cúria afonsina (1157); proprietário em Vila Cova.

Faleceu cerca de 1163.

Com sucessão.

9 – D. ERMÍGIO VIEGAS, nasceu em 1123.

Nobre do século XII; proprietário; senhor de parte da Honra de Argeriz (1146); Senhor da Honra de Roção (1146); vendeu diversos bens em Ucanha ao Mosteiro de Salzedas (1156)[19]; confirma uma carta de couto feita ao Mosteiro de S. Cristóvão de Lafões (1161).

Faleceu em 1164.

Com sucessão.

10 – D. ELVIRA VIEGAS, nasceu em 1125.

Proprietária; rica-dona; Senhora da Honra de Britiande (1146); Senhora da Honra de Canelas (1146); doou diversos bens e casais em Vila Nova ao Mosteiro de Salzedas, para que os monges tivessem um jantar esplêndido no aniversário da sua morte (1209)[20].

Faleceu em 1217.

Casou com D. Pedro Paes da Maia, o Alferes[21], filho de D. Paio Soares da Maia e de D. Chamoa Gomes de Pombeiro; com geração.

11 – D. URRACA VIEGAS, nasceu em 1127.

Proprietária; rica-dona; Senhora da Honra de Landim (1146); vendeu ao Mosteiro de Salzedas a sua parte na herança paterna no Couto de Argeriz (1160); carta do cardeal Jacinto de Bobone, legado apostólico para toda a Hispânia, pela qual foi apresentada como patrona e benfeitora do Mosteiro de Tuías (28 de Janeiro de 1173); vende os seus herdamentos em Concelo, no termo de Cinfães ao Mosteiro de Salzedas, por cem maravedis (1174)[22]; aia da Infanta Dona Mafalda (1182); fez a doação das casas que herdara de seu pai no castelo de Lamego ao Mosteiro de Salzedas (1193); fez uma doação de bens em Queimada e Queimadela ao Mosteiro de Salzedas, pela alma de seu filho Fernando Gonçalves (1195); fez uma doação de bens em S. Martinho de Mouros, em Fonseca, em Moumiz e em Ferreirós ao Mosteiro de Salzedas (1198); vende a Quintã de Paços de Cinfães, o casal de Joana e dois casais em Ventoselas, ao Mosteiro de Salzedas, por duzentos e oitenta maravedis (1199); doou a albergaria de Canavezes a Mem Pais e a sua mulher D. Ermesinda (1200); fez doação ao Mosteiro de Salzedas de diversos bens em S. Joaninho, no termo de Castro Daire, e dos dízimos da Igreja de Moledo, para ser familiar do dito mosteiro (1217).

Faleceu em 1218.

Casou em primeiras núpcias com D. Vasco Sanches de Barbosa, filho do conde Sancho Nunes de Celanova e de D. Teresa Mendes de Ribadouro[23].

Casou pela segunda vez com D. Gonçalo Rodrigues de Palmeira[24], filho de Rodrigo Forjaz de Trastâmara e de D. Urraca Rodrigues.



[1] Manuel Felgueiras Gayo, Nobiliário de Famílias de Portugal, IV volume, tomo XI, Braga, 1989, p. 169.

[2] A. de Almeida Fernandes, PAIS DA SILVA (D. Maior), in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XIX, Lisboa, 1949, p. 997; embora duvidando que tenha casado com Egas Moniz.

[3] José Mattoso, A Nobreza Medieval Portuguesa, p. 193.

[4] Identificada por Almeida Fernandes como sendo Doroteia Pais, filha contudo de D. Paio Godins e de D. Gontinha Nunes.

[5] A. de Almeida Fernandes, António Sérgio, Hernâni Cidade, Pedro Batalha Reis e Afonso Zúquete, Dom Afonso Henriques (1110? – 1185) e a Sua Descendência, in NOBREZA DE PORTUGAL E DO BRASIL, volume I, Lisboa, 1960, p. 85.

[6] A. de Almeida Fernandes, TERESA (Meana D.), in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XXXI, Lisboa, 1955, p. 357.

[7] A. de Almeida Fernandes, VIEGAS (D. Lourenço), in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XXXV, Lisboa, 1957, p. 214.

[8] Livro de Linhagens do Conde D. Pedro, volume II/1, Lisboa, 1980, p. 405.

[9] De cuja existência duvidam alguns autores, devido à ausência de notícias documentais, ao nome Leonor não ser usual antes do século XIII e ao improvável casamento que lhe atribuem. Cf. GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, vol. XXXV, Lisboa, 1957, p. 213.

[10] José Augusto de Sotto Mayor Pizarro, Linhagens Medievais Portuguesas: Genealogia e Estratégias (1279-1325), p. 461.

[11] ANTT, Livro dos Mestrados, fl. 108.

[12] José Mattoso, Identificação de Um País: Ensaio Sobre as Origens de Portugal 1096-1325, volume I, 1991, p. 170.

[13] A. de Almeida Fernandes, VIEGAS (D. Moço), in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XXXV, Lisboa, 1957, p. 219.

[14] A. de Almeida Fernandes, VIEGAS (D. Dordia), in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XXXV, Lisboa, 1957, p. 210.

[15] A. de Almeida Fernandes, VIEGAS (D. Mendo), in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XXXV, Lisboa, 1957, p. 218.

[16] A. de Almeida Fernandes, VIEGAS (D. Pedro ou Pêro), in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XXXV, Lisboa, 1957, p. 220.

[17] A. de Almeida Fernandes, VIEGAS (D. Soeiro), in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XXXV, Lisboa, 1957, p. 221.

[18] A. de Almeida Fernandes, VIEGAS (D. Rodrigo), in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XXXV, Lisboa, 1957, p. 221.

[19] A. de Almeida Fernandes, VIEGAS (D. Ermígio), in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XXXV, Lisboa, 1957, p. 211.

[20] A. de Almeida Fernandes, VIEGAS (D. Elvira), in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XXXV, Lisboa, 1957, p. 210.

[21] Livro de Linhagens do Conde D. Pedro, volume II/1, p. 188.

[22] A. de Almeida Fernandes, VIEGAS (D. Urraca), in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XXXV, Lisboa, 1957, p. 223.

[23] Livro de Linhagens do Conde D. Pedro, volume II/1, p. 437.

[24] Francisco Carvalho Correia, O Mosteiro de Santo Tirso, de 978 a 1588: A Silhueta de Uma Entidade Projectada No Chão de Uma História Milenária, volume I, Compostela, 2008, p. 89.

Túmulo de D. Egas Moniz de Ribadouro no Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa.

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 01:01
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Sexta-feira, 8 de Agosto de 2014

D. EGAS MONIZ DE RIBADOURO, “o Aio” – II

Uma Grande Figura da História de Portugal

 

Segunda Parte

 

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

Mandou povoar e fazer em Britiande «hi quintã e morada e capela em que lhe cantavam missa»[1](1133); carta do infante Dom Afonso Henriques pela qual faz doação a Egas Moniz e sua mulher da vila rural ou herdade real de Tarouquela, em Cinfães (5 de Março de 1134)[2]; D. Egas Moniz e sua mulher D. Teresa Afonso compraram «muitas e diversas herdades», que depois doaram a Salzedas (1134); dapífero da Cúria Régia ou «dapifer curiae» (Dezembro de 1134); mordomo ou «maiordomus da casa de illo jnfante» (1135 – 1139); confirma a carta de foral de Seia (1136)[3]; deslocou-se a Paço de Sousa para sepultar seu filho D. Mendo Viegas e na ocasião fez diversas doações ao mosteiro em memória do prematuro falecido (1137)[4]; concedeu carta de foro aos povoadores de Setos, em Montemuro (1139)[5]; concedeu carta de aforamento à vila rural de Lama Redonda, na Honra de Tões, em Armamar (1139); concedeu carta de foro a Vila da Ponte ou Ucanha, em Tarouca; mandou erigir e povoar o povoado de Britiande, no termo de Lamego, a quem concedeu carta de foro; participa na Batalha de Ourique (Julho de 1139)[6]; mordomo da Cúria, mordomo-mor da Corte[7] ou Curiae Dapifer[8] (1139 – 1146); carta de Couto de Vila Menendi e Santa Maria de Estrela dada por D. Afonso Henriques, «Ego Alfonsus Portugalensium rex», e confirmada por D. Egas Moniz «Ego egas moniiz curie dapifer» (1140)[9]; participa na reconquista de Trancoso (1140); assiste ao lançamento da primeira pedra da igreja do Mosteiro de S. João de Tarouca (1140); ditou uma carta testamento, pelo qual legou muitos bens móveis e imoveis ao Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa, deixando metade da sua fazenda à sua mulher D. Teresa Afonso e a outra metade aos filhos de ambos (14 de Abril de 1441)[10]; carta de venda de uma herdade em Moazares, feita por Soeiro Mendes e irmão Odório Mendes a D. Egas Moniz e sua mulher D. Teresa Afonso, pelo preço de 200 bragais (3 de Maio de 1141)[11]; «Egas Moniz cõ titulo de Dapifer» confirma a carta de foral aos moradores de Leiria e do direito eclesiástico, dada por Dom Afonso Henriques (Abril de 1142)[12]; D. Egas Moniz de Ribadouro, com consentimento de Dom Afonso Henriques, doou a Paio Moniz Cortês e sua mulher D. Ximena Pais a herdade de Lama Redonda, na freguesia de Tões, concelho de Armamar[13] (1143); fundador do Mosteiro de Salvador de Tuías, em Marco de Canavezes e na margem esquerda do rio Tâmega[14]; protector do Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa, pois «fez huma larga Doação ao mesmo Mosteiro, não só de herdades, mas também de moveis» e roupa[15], tendo também deixado ao mesmo mosteiro 5 casais, todos honrados na freguesia de S. Tomé de Canas[16] (1145); mandou construir os seus paços com torre solarenga, junto ao Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa; trinchante da Casa do Rei (1144 – 1145); fixa residência nos paços junto ao Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa (1145); carta de doação do rei Dom Afonso Henriques «à Igreja de São Salvador em terra de Bragança», que foi firmada por «Egas Moniz Dapifer Curiae confirmat» (16 de Maio de 1145)[17]; fez a promessa de fundar uma igreja em louvor da «Virgẽ Maria Senhora nossa» se regressasse vivo e «liure das mãos del Rey de Castella», quando foi a Toledo, porém «pello discurso do tempo ouuesse algũa dilação no cumprimento do voto, succedeo hũ caso notavel», pois andado na Serra da Estrela a caçar javalis, enquanto aguardava «hũ porco mõtes», «vio vir contra si hũ temeroso Vrso», e quando lutava com a «féra tão metida em furia», naquele momento chegou outro urso «macho, que por andar com o cio» e logo «arremeteo a Egas Moniz cõ tal impetu», porém os dois ursos «supitamente cayrão mortos no chão», por acção de «hũa antiga & devota imagem da Virgẽ Maria senhora nosa» que estava ali numa cova e «lembrado Egas Moniz da proméssa que fizera antes de yr a Castella, & como a mãy de Deos o liurara entam das maõs de hum Rey indignado, & agora de duas féras monstruosas», logo quis cumprir a promessa e mandou construir o Mosteiro de Santa Maria da Estrela, o qual viria a ser ultimado por seu filho Lourenço Viegas (1145)[18].

 

Não passa muito tempo, quando o forte

Principe, em Guimarães está cercado,

De infinito poder, que desta sorte,

Foy refazerse o immigo magoado:

Mas com se offerecer aa dura morte,

O fiel Egas amo, foy liurado.

Que de outra arte podêra ser perdido,

Segundo estaua mal aperçebido.

 

Mas o leal vassallo conhecendo,

Que seu senhor não tinha resistencia,

Se vay ao Castelhano, prometendo,

Que ele faria darlhe obediencia.

Leuanta o inimigo o cerco horrendo,

Fiado na promessa, & consciencia

De Egas moniz mas não consente o peito

Do moço illustre, a outrem ser sogeito.

 

Chegado tinha o prazo prometido,

Em que o Rei Castelhano ja agoardaua,

Que o Principe a seu mando sometido,

Lhe desse obediencia que esperaua.

Vendo Egas, que ficaua sementido,

O que delle Castella não cuydaua,

Determina de dar a doçe vida,

A troco da palaura mal comprida.

 

E com seus filhos & molher se parte,

A aleuantar co elles a fiança,

Descalços, & despidos, de tal arte,

Que mais moue a piedade que a vingança.

Se pretendes Rei alto vingarte,

De minha temeraria confiança,

Dizia, eis aqui venho offerecido,

Ate pagar co’a vida o prometido[19].

 

Faleceu a 3 de Agosto de 1146, faz agora 868 anos[20]; foi sepultado na Capela de Santa Maria do Corporal do Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa, e «na face da pedra do sepulcro estava esculpida de relevo a imagem do mesmo Egas Moniz posta a cavalo, com uma corda lançada ao pescoço, e com a seguinte inscrição: «HIC : REQVIESCIT : F(amu)L(u)S : DEI : EGAS : MONIZ : VIR : INCLITUS : ERA : MILLESIMA : (ce)NTESINA : 2XXXII(II)»[21] (Agosto de 1146); D. Teresa Afonso, viúva de D. Egas Moniz, fez uma doação ao Mosteiro de S. Salvador de Tuías, confirmada pelos filhos e netos de Egas Moniz (Janeiro de 1165)[22]; faleceu sua viúva D. Teresa Afonso, sendo depois sepultada na Igreja do Mosteiro de Santa Maria de Salzedas, no concelho de Tarouca, distrito de Viseu (20 de Junho de 1171); ou devido «a ignorância, sempre atrevida, demolio aquele edifício»[23] ou devido a ameaça de ruínas da Capela Corporal ou Capela dos Fregueses do Mosteiro de Paço de Sousa, o abade D. Martinho Golias[24] decidiu transferir o túmulo de D. Egas Moniz e seu filho D. Mendo Viegas para a Capela-Mor do Mosteiro (1605); quando se abriu o seu túmulo, descobriu-se um carneiro de cantaria com os ossos de Egas Moniz caiados e desconjuntados, pelo qual se viu que ele era um homem de estatura descomunal (1605); frei Manuel das Neves mandou fazer obras na Capela-Mor do Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa nas quais destruiu o sarcófago de Egas Moniz e de seu filho, pois «demolirão os dous monumentos, de cujo estrago ficou a Communidade sentidissima», sendo que a reconstrução «a rogos» dos frades foi feita «sem ordem, e com muitas quebras», alterações e mutilações (1714)[25]; frei Manuel de S. Tomaz, abade do Mosteiro de Paço de Sousa, mandou proceder à mudança das pedras tumulares e os ossos de Egas Moniz, por causa da demolição da Capela-Mor e «se mudou a pedra ou pedras, que reprezentavão a Jurnada que fez o dito Egas Moniz a Castella» (1784)[26]; os arquitectos Baltazar da Silva de Castro e Arnaldo Adães Bermudes e o dr. Pedro Vitorino, sob patrocínio da DGEMN, restauram o monumento sarcófago da Igreja do Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa, no concelho de Penafiel, juntando num só os túmulos de D. Egas Moniz e seu filho D. Mendo Viegas (1929)[27].



[1] Ucanha, in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XXXIII, p. 295.

[2] Abiah Elisabeth Reuter, Chancelarias Medievais Portuguesas, volume I, Coimbra, 1938, p. 77.

[3] Agostinho de Mendonça Falcão, Memoria Historica Sobre a Villa de Cea, in HISTORIA E MEMORIAS DA ACADEMIA REAL REAL DAS SCIENCIAS DE LISBOA, tomo VIII, parte II, Lisboa, 1823, p. 11, 12 e 28.

[4] Mário Jorge Barroca, Epigrafia Medieval Portuguesa (862-1422), volume I, Lisboa, 2000, p. 294.

[5] GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XXV, Lisboa, 1952, p. 669.

[6] Diogo Freitas do Amaral, D. Afonso Henriques: Biografia, Lisboa, 2000, p. 79.

[7] José Hermano Saraiva, História de Portugal, Mem Martins, 1993, p. 61.

[8] Frei Joaquim de Santa Rosa de Viterbo, Elucidario das Palavras, Termos, e Frases, tomo II, Lisboa, 1799, pp. 153-154.

[9] ANTT, Ordem de São Bento, Mosteiro de São Martinho de Tibães, mç. 1, n.º 6, cota PT/TT/MSMT/002/0001/6.

[10] A. de Almeida Fernandes, Portugal Primitivo Medievo, Arouca, 2001, pp. 22 e 23.

[11] ANTT, Ordem de Cister, Mosteiro de Santa Maria de Arouca, Antiga Colecção Especial, mç. 3, n.º 17.

[12] Frei António Brandão, Terceira Parte da Monarchia Lvsitana, pp. 135, 158v e 286v.

[13] Mário Jorge Barroca, Epigrafia Medieval Portuguesa (862-1422): Corpus Epigráfico Medieval Português, volume II, tomo 2, Lisboa, 2000, pp. 1252-1253.

[14] ANTT, Mosteiro do Salvador de Tuías: http://digitarq.arquivos.pt/details?id=4380640.

[15] Frei Joaquim de Santa Rosa de Viterbo, Elucidario, tomo II, pp. 24 e 344.

[16] Maria José M. C. Ferreira dos Santos, A Terra de Penafiel na Idade Média, vol. I, p. 123.

[17] Collecção dos Principaes Auctores da Historia Portugueza, tomo II, Lisboa, 1806, p. 184.

[18] Frei Bernardo de Brito, Primeyra Parte da Chronica de Cister Onde Se Contam as Covsas Principais Desta Religiam, Lisboa, 1602, pp. 310v-311v.

[19] Luís Vaz de Camões, Os Lusíadas, canto terceiro.

[20] Frei Baltazar dos Reis, Livro da Fundação do Mosteiro de Salzedas, Lisboa, 1934, p. 59; A. de Almeida Fernandes, Dom Egas Moniz de Ribadouro, Lisboa, 1946, p. 71.

[21] Mário Jorge Barroca, Epigrafia Medieval Portuguesa (862-1422), volume II, tomo 1, p. 214.

[22] Frei António Brandão, Terceira Parte da Monarchia Lvsitana, p. 159v.

[23] Frei António de Assunção Meireles, Memórias do Mosteiro de Paço de Sousa, 1942, p. 10.

[24] Frei Leão de São Tomás, Benedictina Lvsitana, tomo II, Coimbra, 1651, p. 275.

[25] António d’Almeida, Memoria Polemica Acerca da Verdade da Jornada de Egas Moniz a Toledo, in HISTORIA E MEMORIAS DA ACADEMIA REAL DAS SCIENCIAS DE LISBOA, tomo XI, parte I, Lisboa, 1831, p. 132.

[26] António d’Almeida, Memoria Polemica Acerca da Verdade da Jornada de Egas Moniz a Toledo, p. 132.

[27] Marques Abreu, A Igreja de Paço de Sousa: As Festas Comemorativas da Sua Restauração, in ILUSTRAÇÃO MODERNA, ano 4.º, n.º 36, Porto, 1929, pp. 429-434.

Túmulo de D. Egas Moniz de Ribadouro no Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa, no concelho de Penafiel.

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Sexta-feira, 1 de Agosto de 2014

D. EGAS MONIZ DE RIBADOURO, “o Aio” – I

Uma Grande Figura da História de Portugal

 

Primeira Parte

 

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

D. EGAS MONIZ DE RIBADOURO, o Bem-Aventurado, ou o Aio, filho de D. Monio ou D. Múnio Ermiges de Ribadouro[1] e de D. Ouroana Nunes[2], nasceu cerca de 1073.

 

ÁRVORE DE COSTADOS DE D. EGAS MONIZ DE RIBADOURO

Próprio

Pais

Avós

D. Egas Moniz de Ribadouro, “o Aio”

 

N. 1073

F. 1146

D. Múnio Ermiges de Ribadouro, “o Gasco”

D. Ermígio Viegas de Ribadouro, “o Gasco”

D. Unisco Paes

D. Ouroana Nunes

 

 

 

Nobre varão do século XII; político; guerreiro; rico-homem; «foi hum dos mais esforçados cavaleiros e poderoso do seo tempo»[3]; firma como testemunha da carta de foral dada pelo Conde Dom Henrique a Constantim de Panóias, no termo de Vila Real (1096)[4]; Ramiro Pinióniz transfere por escambo o paço da Quintã de Resende para a posse de D. Egas Moniz; participa na batalha do Vale de Arouca contra Echa ou Ecca Martins “Mouro” e na repressão contra a revolta da população árabe de Lamego, por ordem do conde D. Henrique, onde «deu maiores mostras de seu esforço»[5] (1102); lidera a campanha na Serra da Estrela contra os sarracenos, pois «Egas Muniz buelto libre corrió felizmente la campana de la sierra de la Estrella», e estando «ella limpia de mouros, dió-se al recreo de la monteria de javalies, a que era aficionado com estremo»[6] (1102); recebe o encargo de povoar a Terra de Azurara da Beira, em Mangualde, em nome do conde Dom Henrique de Borgonha e da rainha D. Teresa (1102); Senhor de Britiande, junto a Lamego, por doação do conde Dom Henrique, como prémio dos serviços prestados: «S. Silvestre de Breteãdy foy õrra do Myono dõ Egas»[7] (1102); Senhor da Quinta de Cresconhe, em Lamego (1102); D. Aurodona ou D. Ouroana e seus filhos Garcia, Egas, Ermígio, Mem, Doroteia e Gontina Moniz, doam um quarto da Igreja de Santo André de Souselo, em Cinfães, ao Mosteiro de S. João Baptista de Pendorada, em Marco de Canaveses (1104)[8]; membro da Cúria Regia, tendo nessa condição confirmado várias escrituras e documentos; testamento de mão comum de Egas Moniz e sua mulher D. Doroteia Pais pelo qual elegem a Capela dos Fregueses do Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa como local de sepultura (1106); Egas Moniz e D. Doroteia Pais doam a Mónio Fernandes bens por eles comprados em Fornelos (1108); foi encarregado da educação do infante Dom Afonso Henriques, filho do conde Dom Henrique e da rainha D. Teresa, o qual foi criado na Quintã de Cresconhe, Julgado de Sanfins e Comarca de Lamego, região beiroa-duriense: «a quintãa que chamã Cresconhi foy de dõ Eguas Moniz e… criarõ hy Rey don Affoñ»[9] (1109); tenente ou governador da Terra de S. Martinho, no Julgado de Ponte de Lima (1110 - 1111)[10]; nomeado «príncipe colimbriense» pela rainha D. Teresa, com o mandado sobre o governo dos condados de Coimbra, Lamego, Viseu, Seia e Feira (1112 – 1120); o papa Pascoal II escreve à rainha D. Teresa e aos barões Pero Gonçalves, Egas Moniz e Egas Gosendes para solucionar diversas questões que dividiam os clérigos e a propósito da questão da união do bispado de Lamego ao do Porto ou ao de Coimbra, que opôs os bispos D. Hugo e D. Gonçalo Pais[11] (1113); governador de Lamego (1113 – 1132)[12]; uma fábula de mentalidade clerical conta que sendo o infante Dom Afonso Henriques muito aleijado das pernas, foi curado por um milagre e «debaixo do emparo da Bemauenturada Virgẽ Mãy de Deos Senhora Nossa» ou Virgem de Cárquere, no termo de Resende, pelas orações de Egas Moniz, “o Aio”, «por cuja revelação, & intercessaõ alcançou a saúde das pernas»[13] e «recebeo logo perfeita saúde» (1114); em atenção e «por amor de Egas Moniz e Mem Moniz e Ermígio Moniz», D. Hugo, bispo do Porto, renuncia ao seu direito episcopal de parada e jantar no Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa (1116)[14]; tenente de Lamego (1120); a rainha D. Teresa doa a Egas Moniz e a D. Teresa Afonso a Igreja de S. Salvador de Tuías; governador da Terra de Neiva (1127)[15]; instiga a revolta da nobreza e do Infante Dom Afonso Henriques contra a influência de Fernão e Bermudo Peres de Trava no governo do Condado Portucalense e junto da rainha D. Teresa (1127); como «conde de Neiva» confirma a carta de couto de S. Vicente de Fragoso, no Julgado de Neiva, dada pelo Infante Dom Afonso Henriques (4 de Dezembro de 1127)[16]; tenente ou governador de Sanfins de Ribadouro (1127 – 1130)[17]; confirma a carta de foral a Constantim de Panóias (Maio de 1128); participa na Batalha de S. Mamede, junto ao castelo de Guimarães, «à testa das suas gentes de armas» ao lado do Infante Dom Afonso Henriques contra o conde Fernão Peres de Trava e D. Teresa (24 de Junho de 1128)[18]; participa nas campanhas para submeter o Sul do Douro à autoridade de Dom Afonso Henriques (1128); participa no torneiro ou bafordo da chamada Batalha de Valdevez ou da Veiga da Matança, no termo da freguesia de Santo André de Guilhadeses[19], entre os exércitos do Infante Dom Afonso Henriques e do rei Afonso VII da Galiza, Leão e Castela (1129)[20]; durante o cerco de Guimarães, pelo rei Afonso VII, Egas Moniz sai secretamente da vila sitiada, para se avistar em audiência particular com o monarca leonês[21] (1129); em consequência do cerco de Guimarães, foi negociado um acordo de entendimento, paz e vassalagem entre Dom Afonso Henriques e Afonso VII, ficando D. Egas Moniz como fiador da promessa de submissão (1129)[22]; Dom Afonso Henriques repulsa o acto de vassalagem e invade a Galiza (Abril de 1130); Egas Moniz, a esposa, filhos, demais família e os criados, vestidos de condenados e de baraço ao pescoço, apresentou-se na Corte do rei Afonso VII de Leão e Castela, pondo a sua vida nas mãos do monarca em penhor da promessa quebrada, o qual depois dum momento de furor em que quis matá-lo, «perdeu a sanha contra dom Egas Moniz e desquitou-o da menagem» e decidiu perdoar-lhe, fazendo-lhe «muitas mercês e assim o enviou para a sua terra»[23](Junho de 1130); segundo uma antiga lenda quando vinha cansadíssimo de Toledo passou pela localidade de Lisboinha, em Trás-os-Montes, tendo descansado à sombra dum grande e frondoso carvalho, por cuja memória desse acto a tal localidade passou-se a chamar Carvalho de Egas (Agosto de 1130); tenente de Parada do Paiva, em Armamar (1130 – 1139)[24]; abastado proprietário em Lamego, Sanfins, Cinfães, Aregos, Resende, S. Martinho de Mouros, Caria, Tarouca, Fonte Arcada, Armamar e Penafiel; Senhor da Honra de Resende e suas dependências, entre as quais Beirós, Chãos, Cima de Resende, Ciringos, Corvo, Curujeira, Felgueiras, Ferrós, Massas, Mariagrais, Mirão, Murganhos, Nadães, Novões, Paredes, Pimeirol, Quintã, Rendufe, Safões, Sais, Santo Emilião, Taboadelo, Tedões, Vila Garcia, Vinhais e Vinhós (1130)[25]; Senhor da Honra de Caria com as vilas anexas de Arcoselos, Caria de Jusã, Caria de Susã, Carregal, Lamosa, Lapa, Moimenta, Nacomba, Segões e Quintela; Senhor da Honra de Dalvares; Senhor da Honra de Ferreirim; Senhor da Honra de Lalim; Senhor da Honra de Magustim; Senhor da Honra de Mós; Senhor da Honra de Ribelas; Senhor da Honra de Várzea da Serra; Senhor da Honra de Vila Meã; Senhor da Honra de Vila Cova de Jusã com as vilas anexas «q̃ chamã Touro & a pobra noua & a pobra uelha, todas estas aldeyas forõ herdamentos de don Eguas monjz»[26]; Senhor da Honra de Mezio; Senhor da Honra de Vale do Conde; Senhor da Honra de Argeriz com as vilas anexas Cimbres, Formilo e Vila Chã; Senhor da Honra de Fonte Arcada, com as vilas rurais de Chosendo, Escurquela, Ferreirim, Fonte Arcada, Freixinho, Macieira e Vilar; Senhor da Honra de Baldigem; Senhor da Honra de Bigorne; Senhor da Honra de Britiande, a par de Lamego; Senhor da Honra da Figueira; Senhor da Honra de Melcões; Senhor da Honra de Mesquinhata; Senhor da Honra de Pousada; Senhor da Honra de Portelo; Senhor da Honra da Queimada; Senhor da Honra da Queimadela; Senhor da Honra de Quintião; Senhor da Honra de Telhado; Senhor da Honra de Ribavelida; Senhor da Honra de Fontelo; Senhor da Honra de Tões; Senhor das Honras de Louredo, Moazáres e Canelas[27]; senhor de inúmeras terras por mercê do rei Dom Afonso Henriques «em contemplação dos muitos serviços e merecimentos», entre as quais as seguintes localidades: Barreiros, Casconha, Fontelas, Paços, Roupeiro, Travanca (todas na terra de Sanfins), Belude, Cidadelha, Cinfães, Contensa, Louredo, Santa Ovaia, Eulália, Vila Viçosa (todas na terra de Cinfães), Freigil, Lamas, Louredo, Miomães, Nogueirô, Ovadas, Panchorrinha, Roças, Telhado (todas na terra de Aregos), Barrô, Campo Benfeito, Cardoso, Córdova, Dornas, Ermegilde, Fazamões, Gosende, Gosendinho, Lamas, Moumiz, Paredes, Paredinhas, Pexininho, Porcas, Português, Roção, S. Martinho de Mouros, Temonde, Vila Verde Vilar de Baixo, Vilarinho (todas na terra de S. Martinho de Mouros); proprietário de extensas propriedades em Cinfães, na Serra de Montemuro, no concelho de Resende, em Lamego, no concelho de Armamar, no concelho de Castro Daire, em Vila Nova de Paiva, na Serra da Lapa, em Moimenta da Beira, em Sernancelhe e no vale do Távora[28]; Senhor do Padroado da Igreja de S. Tomé de Canas, em Penafiel; Senhor do Padroado da Igreja de Santa Maria de Barrô, em S. Martinho de Mouros; o infante Dom Henriques doou o Couto de Tuías e vizinhanças ao aio D. Egas Moniz e a D. Teresa Afonso, pelos serviços feitos, com o padroado da Igreja de S. Salvador[29] (1131).



[1] José Mattoso, Livro de Linhagens do Conde D. Pedro, volume II/1, Lisboa, 1980, p. 405.

[2] Manuel Abranches de Soveral, Os Ribadouro: Proposta de Reconstituição Genealógica: http://www.soveral.info/mas/Ribadouro%20-%20origens.htm.

[3] Manuel de Souza da Silva, Nobiliário das Gerações de Entre-Douro-e-Minho, I volume, Ponte de Lima, 2000, p. 304.

[4] Frei António Brandão, Terceira Parte da Monarchia Lvsitana Que Contem a Historia de Portugal, Lisboa, 1632, p. 51v.

[5] Frei António Brandão, Terceira Parte da Monarchia Lvsitana, p. 40v.

[6] Bernardo de Brito, Chronica de Cister, livro 5, cap. 10

[7] José Anastácio de Figueiredo, Nova Historia da Militar Ordem de Malta em Portugal, Parte II, Lisboa, 1800, p. 42.

[8] Armando de Almeida Fernandes, SOUSELO, in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XXIX, Lisboa, 1954, p. 917; Manuel Abranches de Soveral, Os Ribadouro: Proposta de Reconstituição Genealógica.

[9] ANTT, Inquirições de D. Dinis, livro 4.º, fl. 23v.

[10] José Mattoso, Portugal Medieval: Novas Interpretações, Lisboa, 1985, p. 31.

[11] A. de Almeida Fernandes, MONIZ (Egas), in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XVII, Lisboa, 1948, p. 624.

[12] José Mattoso, A Nobreza Medieval Portuguesa: A Família e o Poder, Lisboa, 1981, p. 192.

[13] Frei António Brandão, Terceira Parte da Monarchia Lvsitana, p. 74; Duarte Galvão, Crónica de El-Rei D. Afonso Henriques, Lisboa, 1995, pp. 15-17.

[14] Augusto Pinho Leal, Portugal Antigo e Moderno: Diccionario, volume VI, Lisboa, 1875, p. 388.

[15] Portugaliae Monumenta Historica: Inquisitiones, Lisboa, 1888, p. 318; José Mattoso, Portugal Medieval: Novas Interpretações, pp. 20-21.

[16] Alexandre Herculano, Historia de Portugal Desde o Começo da Monarchia Até o Fim do Reinado de Affonso III, tomo II, 8.ª edição, 1875, p. 265.

[17] A. de Almeida Fernandes, Guimarães, 24 de Junho de 1128, Guimarães, 1968, p. p. 64.

[18] A. de Almeida Fernandes, Dom Egas Moniz de Ribadouro, Lisboa, 1946, pp. 146-147.

[19] Padre Francisco de Santa Maria, Anno Historico, Diario Portuguez, Noticia Abreviada, tomo II, Lisboa, 1744, p. 272, que indica o ano de 1128.

[20] Uns dizem que o recontro ou bafordo se deu em 1128, 1129, 1139, 1140, 1141 ou, até, em 1143.

[21] Luís Filipe Lindley Cintra, Introdução – Primeira Parte, In CRÓNICA GERAL DE ESPANHA DE 1344, volume I, Lisboa, 1951, pp. CCCLXXXIX e CCCXC; Frei António Brandão, Terceira Parte da Monarchia Lvsitana, p. 96, que indica a data de 1129.

[22] Alexandre Herculano, Historia de Portugal, tomo II,, pp. 23, 261 e 262; que indica contudo a data de 1127.

[23] GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XVII, Lisboa, 1948, p. 627.

[24] Mário Jorge Barroca, Epigrafia Medieval Portuguesa (862-1422): Corpus Epigráfico Medieval Português, volume II, tomo 1, Lisboa, 2000, p. 218; Rico-Homem, in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XXV, Lisboa, 1952, p. 669.

[25] Resende, in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XXV, Lisboa, 1952, p. 226.

[26] José Anastácio de Figueiredo, Nova Historia da Militar Ordem de Malta, Parte II, pp. 35 e 36.

[27] Maria José Mendes da Costa Ferreira dos Santos, A Terra de Penafiel na Idade Média: Estratégias de Ocupação do Território (875-1308), volume I, Porto, 2004, p. 79.

[28] A. de Almeida Fernandes, Tarouca Monumental, Viseu, 1978, pp. 114-145.

[29] Tuías, in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XXXIII, Lisboa, 1956, p. 167.

D. Egas Moniz de Riba Douro apresentando-se perante o rei Afonso VII da Galiza, Leão e Castela. Azulejos de Jorge Colaço na Estação Central de S. Bento.

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Quarta-feira, 23 de Julho de 2014

BENZEDURAS E MEDICINA POPULAR DO MINHO XVI

Doença dos Olhos IV

 

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

    Nas serranias de Melgaço para sustar esta inchação palpebral faz-se uma gaibinha ou buraquinho no chão, atulhado com um poucachinho de palha e cibinho de sal virgem, a tudo se chega fogo, estacionando o doentinho por cima e a distância razoável das chamas e do fumo enquanto proclama aos sete ventos:

Ah! D’el-rei, ah! D’al-ró

Contra a casa do tricó!

Ah! D’el-rei, ah! D’al-ró

Qu’arde a casa do tricó.

Acudam à casa do tricó

Qu’arde só.

 

    Depois o penitente bota a fugir dali sem nunca olhar para trás, deixando na covinha o terçolho, o qual repassa de imediato para o olho da primeira pessoa que passa por ali. Nas terras melgacense, no tempo da outra senhora, para se livrar do terçolho e passá-lo a terceiros, embrulhavam uma pedrinha de sal virgem, depois de passada pela zona atingida, e colocavam o papel no patim da porta, pois quem apanhar o papelinho apanha de imediato o terçolho.

 

Treçolho, terçolho

Passa para aquele olho.

 

    Entrementes, em Paredes de Coura e Arcos de Valdevez a fim de sarar o terçol friccionavam a zona atingida com um brinco, anel, cordão ou qualquer objecto de ouro e, para o trespassar, molhavam os galápios na própria saliva, esfregavam o dedinho no terçolho e abalando em jejum diziam ao primeiro passante, apontando o tal dedo ao olho da pessoa a quem se pretendia passar o enfado, repetindo pelo menos três vezes e muito rapidamente de modo a impedir que a outra parte botasse um esconjuro de pronto:

Treçolho, mirolho,

Bai-te daqui

Bai pra aquele olho!

 

    Quanto ao unheiro, uma mancha como uma unha na parte branca do olho, o portador se for homem consulta uma mulher bèdeira e se o unheiro for em fêmea o talhador tem, necessariamente, ser um homem. O talhamento deve ser feito pouco depois do meio-dia, porquanto o unheiro minga durante a manhã e a noite, o que torna o atalhamento ineficaz. É talhado com um objecto de ouro ou uma faca na mão, tanto faz, usada para desenhar cruzes imaginárias sobre a zona ocular manchada, repetidamente durante três dias, rezando o padre-nosso e ave-maria depois de entoar este ensalmo:

Unheiro seco

Im corpo seco

Quem o deu

Quem o daria?

Pelo poder de Deus

E Santa Maria

E pelo poder de Santa Luzia

Todo o mundo sararia.

Rezar um padre-nosso

C’um abe-maria.

 

    A antiga medicina popular apresentava um arsenal terapêutico vastíssimo de mezinhas infalíveis para todas as maleitas dos olhos, desde tais e tais, chás, água da maceração, pó e um longuíssimo etecetera para acudir ao estrabismo, glaucoma, catarata, irritação, cansaço, fraqueza, terçolho, turvação, inflamação, a isto e aquilo, a tudo e mais alguma coisas.

 

Se não dormem os olhos, descansam os ossos.

 

    Como seria moroso listar todas as terapêuticas, termino com um último receituário popular. Quando o recém-nascido apresentava inflamações evidentes nos olhos, colocava-se um toco do umbigo na água de banhar o nascituro e com um trapinho limpo ou algodão embebido nessa água procedia-se à limpeza da região ocular a fim de alimpar a escandecência.

 

Os olhos comem primeiro que a boca.

Uma paisagem rural minhota, na década de 1910.

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Terça-feira, 15 de Julho de 2014

DR. PEDRO BARBOSA ARANHA, “o Insigne”

Uma Figura do Alto Minho na História de Portugal

 

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

    Pedro Barbosa Aranha ou simplesmente Pedro Barbosa, o Insigne, filho primogénito de Rui Vaz Aranha, o Moço, e de D. Grácia da Cunha da Rocha[1], nasceu na freguesia de Santa Maria Maior, na então vila de Viana da Foz do Lima, Província de Entre-Douro-e-Minho, hoje cidade de Viana do Castelo, cerca de 1520.

 

ÁRVORE DE COSTADOS DE PEDRO BARBOSA ARANHA

Próprio

Pais

Avós

Pedro Barbosa Aranha

 

N. Viana 1520

 

F. Lisboa 1606

Rui Vaz Aranha, “o Moço”

 

N. Viana 1495

Rui Vaz Aranha

 

D. Isabel Barbosa

D. Grácia da Cunha da Rocha

 

N. 1500

Diogo Anes da Cunha

 

D. Brites da Rocha Caminha

 

    Foi fidalgo; proprietário; recebeu ordens menores em Braga, sendo identificado como «Pedro, filho de Ruy Vaz Aranha e de Gracia da Rocha, da freguesia de Santa Maria da vila de Viana»[2] (Dezembro de 1541); comendador da Ordem de Cristo (1544)[3]; estudante da Faculdade de Leis da Universidade de Coimbra (1547)[4]; conselheiro do Conselho-Mor da Universidade de Coimbra (1550); ainda como aluno participa conjuntamente com «lentes deputados e cõselhr.os juntos e chamados a cõselho e cõselho fazdo» para apreciar o antigo costume «q̃ avia duuida sobre o fazer vexame q̃ cõforme aos estatuto auiam de fazer» os candidatos a tomar a beca de doutor e seus padrinhos (14 de Dezembro de 1550); bacharel formado em Direito Cesário (15 de Julho de 1553)[5]; licenciado em Leis (1556); o Conselho da Universidade decidiu atribuir a substituição da Cadeira de Digesto Velho a Fernão Cerveira em detrimento de Pedro Barbosa que a ela concorrera (23 de Março de 1556)[6]; doutor em Direito (1557); D. Grácia da Rocha, «mai do doutor Pero Barbosa», vendeu a Rodrigo Afonso Fagundes o direito de primeira apresentação no Mosteiro de São Bento de Viana, por 60$000 réis[7]; participou no Conselho Mor da Universidade que deliberou fazer as exéquias solenes na Sala Grande, com pompa, luto e dó pela morte do rei Dom João III (15 de Junho de 1557); nomeado por oposição e sentença do Conselho da Universidade para leitor regente da Cadeira de Instituta (23 de Julho de 1557)[8]; eleito deputado da Confraria da Universidade pela cota de lente legista (9 de Novembro de 1558); «ho doctor pº barbosa» tomou posse do lugar de deputado da Confraria da Universidade de Coimbra, perante o reitor D. Jorge de Ataíde, e prestou juramento «de bem serujre seus cargos» (12 de Novembro de 1558)[9]; «os doutores Melchior Cornejo & pº barbosa» foram «eleytos p̃ jujzes ẽ nome do» Conselho-Mor da Universidade de Coimbra para apreciar e «se determjnar a duuida do cazo da eleyçã da vigria da jg̃ja de sã bertolameu de paredes» e ouvir os bacharéis André Fernandes e Manuel Dias, as partes interessadas (18 de Dezembro de 1558); o bacharel Tomás Henriques pediu ao Conselho-Mor da Universidade de Coimbra para não se dar por vaga a Cadeira de Instituta, que fora do dr. Pedro Barbosa, por estar doente, motivo pelo qual não podia concorrer ao concurso (21 de Dezembro de 1558); nomeado por oposição para ler a Cadeira de Código na Universidade de Coimbra (23 de Dezembro de 1558)[10]; participou no Conselho-Mor da Universidade acerca da tomada de posse do dr. Manuel Francisco como vereador da Câmara Municipal de Coimbra, por indigitação do corpo universitário e «sobre a differẽça da çydade cõ a Vniuersidade sobre o lugar de Variador do Corpo da Vnjuerside q̃ a çidade lhe denegua» (27 de Junho de 1559); eleito taxador da Universidade de Coimbra, conforme os novos estatutos (27 de Novembro de 1559)[11]; candidato a leitor da Cadeira de Véspera de Leis da Universidade de Coimbra, sendo nomeado Heitor Rodrigues (20 de Dezembro de 1559); candidato opositor à Cadeira de Digesto Velho da Universidade de Coimbra (7 de Fevereiro de 1560); leitor da Cadeira de Digesto Velho (20 de Fevereiro de 1560)[12]; provisão pela qual foi confirmado lente da Cadeira de Digesto Velho (15 de Dezembro de 1560); provisão pela qual foi nomeado lente da Cadeira de Véspera de Leis (15 de Dezembro de 1562); tomou posse da Cadeira de Véspera de Leis (24 de Abril de 1563); provisão pela qual foi nomeado lente de Prima da Faculdade de Leis da Universidade de Coimbra (26 de Setembro de 1564); tomou posse da Cadeira de Prima (23 de Dezembro de 1564); dr. Pedro Barbosa foi padrinho dum acto de aprovação em Leis que decorreu na Universidade de Coimbra sob presidência de D. António Pinheiro, Bispo de Miranda e Visitador e Reformador da Universidade de Coimbra (28 de Janeiro de 1565)[13]; os doutores frei Martinho de Ledesma, lente de Prima de Teologia, e Pedro Barbosa, lente de Leis, foram eleitos em Claustro Pleno para em nome da Universidade de Coimbra irem dar obediência a El-Rei Dom Sebastião por ter tomado posse do Governo (31 de Janeiro de 1568)[14]; Juiz Desembargador dos Agravos da Casa da Suplicação (30 de Outubro de 1571); instrumento público pelo qual foram nomeados a «Dõ Jeronimo de Menezes doutor em sancta Theologia e Reitor da Universidade de Coimbra e doutor Pero Barbosa do Dezembargo delrei Noso sñor», como procuradores bastantes da Universidade de Coimbra, pelo qual «e a cada hũ delles era dado poder bastante ẽ nome da ditta Universidade, conselho e claustro della cõ livre e geral administração pera» negociar com os padres da Companhia de Jesus acerca de «algũas duvidas pollos Padres do ditto Collegio pretenderem ter e aver em cada hũ anno de Renda livres e isentos de todas as despezas» (5 de Dezembro de 1571); escritura do contrato de concórdia universal por arbitragem do reitor D. Jerónimo de Menezes e doutor Pedro Barbosa, pela Universidade de Coimbra, e pela Companhia de Jesus da Província do Reino de Portugal o padre doutor Diogo Mirão, visitador, e o padre doutor Jorge Serrão, provincial, acerca dos três mil cruzados de rendas anuais que a Universidade devia pagar aos padres e mestres do Colégio das Artes, celebrada em Almeirim (16 de Fevereiro de 1572)[15]; Juiz Desembargador do Tribunal do Desembargo do Paço (1575); carta de lente jubilado depois de vinte anos de docência universitária (4 de Julho de 1577); deu um parecer de Direito a favor da criação dum monopólio geral de trigos «a bem da Fazenda Real» (1577)[16]; membro da junta constituída pelo chanceler-mor Simão Gonçalves Preto e os desembargadores Gaspar de Figueiredo, Jerónimo Pereira de Sá, Paulo Afonso, Manuel Quadros e Pedro Barbosa Aranha, encarregada de estudar a situação do país e de apoiar juridicamente a proclamação do Cardeal Dom Henrique como «curador, governador e sucessor do Reino», por não haver ainda certeza da morte do rei Dom Sebastião (Agosto de 1578)[17]; conselheiro do Cardeal-Rei Dom Henrique (1578 – 1580); recolheu quatro votos na pauta para a eleição dum letrado como procurador da cidade de Lisboa às Cortes Gerais convocadas pelo Cardeal-Rei Dom Henrique, não sendo eleito (12 de Fevereiro de 1579)[18]; o Cardeal-Rei Dom Henrique nomeou o dr. Pedro Barbosa Aranha como juiz das queixas dos arrendadores do contrato de S. Tomé acerca da continuação e reforço da conquista de Angola, o qual determinou em sentença definitiva que se continuasse a conquista de Angola (1579)[19]; membro da junta de letrados, prelados e juristas, composta pelo arcebispo D. Jorge de Almeida, capelão-mor D. Jorge de Ataíde, bispo D. António Pinheiro, doutor Paulo Afonso, doutor Pedro Barbosa, doutor Jerónimo Pereira de Sá e doutor Heitor Pinto[20], que examinou o processo do pretenso casamento do Infante Dom Luís com Violante Gomes, “a Pelicana”, tendo concluído pela anulação da sentença de legitimidade que Dom António, o qual tinha conseguido ser legitimado por sentença do Colégio Capitular da Ordem de Malta, proferindo sentença contra o Prior do Crato (Agosto de 1579)[21]; obteve dois votos na pauta para a eleição dum letrado como procurador da cidade de Lisboa às Cortes Gerais de Almeirim, não sendo eleito (19 de Novembro de 1579)[22]; emite «um fundamentado parecer» jurídico a sustentar os direitos de D. Catarina, Duquesa de Bragança, ao trono de Portugal (1580)[23]; assinou como testemunha do acto solene da obediência e da entrega da cidade de Lisboa a D. Fernando Álvarez de Toledo y Pimentel, Duque de Alva, reconhecendo «por seu Rei e Señor natural dos ditos Reinos de Portugual e do algarue ao dito Rei Dom Felipe» (11 de Setembro de 1580)[24]; recolheu cinco votos na pauta para a eleição dum letrado como procurador da cidade de Lisboa às Cortes Gerais de Tomar, não sendo eleito (Janeiro de 1581)[25]; nomeado vogal da comissão para levar a cabo uma reforma judicial, presidida pelo Bispo de Leiria e constituída pelos juristas Paulo Afonso, Pedro Barbosa Aranha e Lourenço Correia (Setembro de 1581)[26]; colabora na redacção da Lei da Reformaçam da Justiça, que é considerado o primeiro Código de Processo Civil e Criminal (27 de Julho de 1582); Pedro Barbosa Aranha, Paulo Afonso, Jorge de Cabedo, Damião de Aguiar, Afonso Vaz Tenreiro, Duarte Nunes de Leão e Rodrigo Vasquez de Arce são incumbidos da reforma das Ordenações (1582)[27]; principal compilador e redactor das Ordenações e Leis do Reino de Portugal Recopiladas Per Mandado do Mvito Alto Catholico & Poderoso Rei Dom Philippe o Primeiro ou Ordenações Filipinas[28] (1582 – 1595); obteve 14 votos na pauta para a eleição dum letrado como procurador da cidade de Lisboa à reunião dos Três Estados a fim de ser jurado o príncipe Filipe como herdeiro do trono de Portugal, não sendo eleito (7 de Janeiro de 1583)[29]; conselheiro do Conselho de Estado de Portugal na Corte de Madrid, para auxiliar o rei nos despachos dos negócios do Reino de Portugal, conjuntamente com o bispo capelão-mor D. Jorge de Ataíde, D. Cristóvão de Moura e dr. Rui de Matos Noronha (Fevereiro de 1583)[30]; pede a mercê para o seu sobrinho Pedro Barbosa de Luna ser admitido como colegial no Colégio Real de S. Paulo da Universidade de Coimbra (Outubro de 1584); nasce seu sobrinho-neto materno Miguel de Vasconcelos, que seria tristemente célebre (1590)[31]; pede ao rei a mercê de receber o seu sobrinho António Barbosa de Luna como porcionista no Colégio Real de S. Paulo da Universidade de Coimbra (Abril de 1591)[32]; o Conselho da Universidade de Coimbra decide escrever ao rei pedindo-lhe que autorize a Universidade a suportar «o gasto da impressão de certas obras que o doutor Pedro Barbosa tem para imprimir ha muitos anos», pois tal «pareceo assi não somente pellas muitas e grandes obrigações que esta Universidade tem ao dito doutor per muitas vias, mas tambem pello muito que importa a honra e autoridade da universidade» e que o dinheiro devia ser usado pelo lente de Prima de Leis jubilado «para acabar de alimpar suas obras» e para «toda a ajuda que fosse necessario para a dita impressão» (1591)[33]; o bispo D. Jorge de Ataíde e os doutores Pedro Barbosa, António Vaz Cabaço e António Pinto, trabalham conjuntamente em Madrid, na revisão e «deitar em limpo» os Novos Estatutos da Universidade de Coimbra, e «se emendaram todas as coisas que nos pareceu», pois «custou esta obra muito trabalho e enfadamento, porque estava o Livro que veio de Portugal muito confuso e não ia a frase toda uma» (1591 – 1592)[34]; o dr. Manuel Mendes de Castro publica a sua obra De Annonis Civilibus Libri XI Cod. Singularis, «dedicado ao Doutor Pedro Barbosa» (1592)[35]; emite um parecer a pedido de D. António de Matos e Noronha, do Conselho Geral do Santo Ofício, acerca da admissão dos testemunhos singulares, dizendo que «me parece verdade, principalmente para prova de delito que tão ocultamente se cometa e com tanto resguardo» (1593)[36]; alvará pelo qual o rei Filipe I declara que «determinamos com pessoas do nosso Conselho e Desembargo reformar as ditas Ordenações e fazer nova recopilação» e estando a «obra bem examinada e emendada» por isso a «mandamos imprimir e publicar, e a approvamos» (5 de Junho de 1595)[37]; Pedro Barbosa e Rui Lopes da Veiga procedem à reforma dos Estatutos da Universidade de Coimbra, os quais foram depois apresentados ao Claustro da Universidade (23 de Fevereiro de 1598)[38]; quando foi informado da morte de Filipe I teria perguntado: «restituiu a Coroa de Portugal a quem ela de direito pertencia?» (Setembro de 1598)[39]; D. Jorge de Ataíde, bispo capelão-mor, e o doutor Pedro Barbosa, lente de Prima de Leis jubilado, foram eleitos em Claustro Pleno para irem como comissários dar obediência a El-Rei Dom Filipe II em nome da Universidade de Coimbra e entregarem ao monarca uma carta de pêsames e outra de parabéns pela sucessão do Reino e pedir-lhe que recebesse o juramento de protector da Universidade na forma do Estatutos (2 de Outubro de 1598)[40]; chanceler-mor da Chancelaria-Mor da Corte e Reino (9 de Maio de 1600); nomeado deputado qualificador do Santo Ofício da Inquisição de Coimbra (1600); administrador da Comenda de Santa Maria de Carreço, na Ordem de Cristo (1601); D. Jorge de Ataíde e doutor Pedro Barbosa, comissários que foram prestar obediência a El-Rei Dom Filipe II em nome da Universidade de Coimbra, entregam a certidão de juramento que o monarca fez como protector na forma dos Estatutos na presença de diversos nobres espanhóis e portugueses, juntamente com a resposta do rei (27 de Fevereiro de 1602)[41]; chanceler-mor dos Reinos de Portugal (1602 – 1603); o inquisidor-geral D. Pedro de Castilho solicita aos juristas Pedro Barbosa Aranha e Mendo da Mota de Valadares um parecer a favor da prova de heresia mediante testemunhos singulares, sendo estes testemunhos aqueles que não concordavam no lugar, no tempo ou no acto herético concreto (1604)[42]; emite o parecer Quaestio Utrum Haeresis Censeatur Probata Per Testes Singulares[43], onde declara «que toda a questão estava na qualidade das testemunhas» e que, «se dignos de fé, podiam ser recebidos apesar de depor acerca de tempos e factos diferentes, desde que concordassem sobre a substância» da heresia (3 de Abril de 1604)[44]; ditou o seu testamento, tendo contemplado grandemente as órfãs de Carreço e ao seu sobrinho Pedro Barbosa de Luna, a quem legou os seus livros de leis, teologia e manuscritos (5 de Janeiro de 1605); «O D.or P.º Barboza» deu um parecer a favor dos jesuítas acerca dos graus de bacharel em Artes do Colégio das Artes de Coimbra e sobre a aplicação dos Estatutos Novos da Universidade nas escolas menores (11 de Março de 1605)[45]; era «o mais hábil jurisconsulto em ambos os ramos de Direito, tanto pela sua exímia doutrina como pela exacta prudência»; «foy insigne Jurista, e por tal conhecido em todo o mundo, que como a oraculo de ambas as Jurisprudencias venerão» e «compoz muitas obras em Direito»[46]; jurisconsulto; professor da Universidade de Coimbra; político; magistrado; especialista em Jurisprudência e em Direito Civil e Canónico; escritor.

 

    Escreveu e publicou:

Parecer do Doctor Pedro Barbosa en el Pleito Matrimonial, Entre el Señor Duque de Alva, y la Señora Dona Cathalina Cortez Henriquez de Ribera Hija del Senor Duque de Alcalá, manuscrito.

Parecer a Favor do Senhor Duque de Bragança, Sobre a Preferência que lhe Disputa o Senhor D. António Prior do Crato.

Commentariorum ad Interpretationem Tituli ff. de Soluto Matrimonio Quemadmodum dos Petatur, Madrid, 1595.

Allegatio Pro Baronia de Quinto, Saragoça, 1599.

Quaestio Utrum Haeresis Censeatur Probata Per Testes Singulares, 1604.

Commentarii ad Interpretationem Titvli ff. De Iudicijs, Lisboa, 1613.

Tractatvs Absolvtissimi, Francoforte, 1625.

Commentarii ad Rubricam, et Legem, Codice de Praescriptionibus Triginta Vel Quadraginta Annorum, Lisboa, 1627.

Tractatvs de Legatis, Lião, 1662.

Tractatvs de Svbstitvtionibvs Nevc Non de Probatione Per Ivramenvm, Leão, 1662.

Allegatio in Causa Proregis Extranei in Regno Aragoniae.

 

    Na freguesia de Santiago, cidade de Lisboa, «faleceo da vida prasente ho dtor pº barbosa chansarael mor q foi», a 26 de Junho de 1606, aos 86 anos de idade, faz agora 408 anos, embora alguns afirmem com menor precisão que morreu a 15 de Julho ou a 19 de Julho do dito ano.[47]

 

    Foi sepultado no Cruzeiro da Igreja de S. Roque[48], dos Padres Jesuítas em Lisboa, com o seguinte letreiro: «Aqui jaz Pero Barbosa, Lente Jubilado na Universidade de Coimbra, e do Conselho de Sua Magestade na Corte de Madrid, e Chanceller Mór deste Reino. Faleceo a 19 de Julho de 1606»[49]; despacho ministerial pelo qual foi criada a Escola Preparatória Dr. Pedro Barbosa, em Viana do Castelo, da qual era patrono (18 de Junho de 1973); inauguração oficial da Escola Preparatória Dr. Pedro Barbosa (Janeiro de 1975); o seu nome consta da toponímia da freguesia de Monserrate, cidade de Viana do Castelo.



[1] Manuel Felgueiras Gayo, Nobiliário de Famílias de Portugal, I volume, tomo III, Braga, 1989, p. 465.

[2] Arquivo Distrital de Braga, Registo de Matrículas (1541-1549), vol. XI, caderno 1.º, fl. 11v.

[3] Arquivo Municipal de Viana do Castelo, Livro dos Acórdãos da Câmara, 1544, fl. 60.

[4] Arquivo da Universidade de Coimbra – AUC, Livro de Autos e Graus e Provas de Curso (1537-1550), caderno 3.º, fl. 82.

[5] AUC, Livro de Autos e Graus e Provas de Curso (1550-1554), caderno 4.º, fl. 85.

[6] J. M. Teixeira de Carvalho, A Universidade de Coimbra no Século XVI: Guevara (Notas e Documentos), Coimbra, 1922, p. 14.

[7] Isabel Maria Ribeiro Tavares de Pinho, Os Mosteiros Beneditino Femininos de Viana do Castelo: Arquitectura Monástica dos Séculos XVI ao XIX, volume II, Porto, 2010, pp. 620-627.

[8] Francisco Leitão Ferreira, Alfabeto dos Lentes da Insigne Universidade de Coimbra Desde 1537 Em Diante, p. 140.

[9] Teixeira de Carvalho, A Universidade de Coimbra no Século XVI, p. 106.

[10] Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, volume IV, Lisboa, 1939, p. 198.

[11] Teixeira de Carvalho, A Universidade de Coimbra no Século XVI, p. 140.

[12] Diogo Barbosa Machado, Bibliotheca Lusitana Historica, Critica, e Cronologica, tomo III, Lisboa, 1752, p. 561.

[13] JORNAL DE COIMBRA, volume XIV, n.º LXXIV, parte II, Lisboa, 1819, p. 71.

[14] AUC, Annuario da Universidade de Coimbra: Anno Lectivo de 1878 a 1879, Coimbra, 1878, p. 244.

[15] Teófilo Braga, Historia da Universidade de Coimbra nas Suas Relações com a Instrução Publica Portugueza: 1555 a 1700, tomo II, Lisboa, 1895, pp. 299-310.

[16] Diogo Barbosa Machado, Memórias de El-Rei D. Sebastião, parte IV, livro I, cap. XIV.

[17] Manuel Pinheiro Chagas, História de Portugal Popular e Ilustrada, volume 4, 3.ª edição, p. 295.

[18] Eduardo Freire de Oliveira, Elementos Para a História do Município de Lisboa, tomo I, Lisboa, 1885, p. 605.

[19] Diogo Ramada Curto, “Do Reino à África: Formas dos Projectos Coloniais para Angola em Inícios do Século XVII”, in Sons Formas, Cores e Movimentos Na Modernidade Atlântica: Europa, Américas e África, São Paulo, 2008, p. 212,

[20] Frei Bernardo da Cruz, Chronica d’El-Rei D. Sebastião, volume II, Lisboa, 1903, p. 208,

[21] Fortunato de Almeida, História de Portugal, volume II, pp. 445 e 449.

[22] Eduardo Freire de Oliveira, Elementos Para a História do Município de Lisboa, tomo I, p. 623.

[23] Joaquim Veríssimo Serrão, História de Portugal: O Século de Ouro (1495-1580), volume III, Lisboa, 1987, p. 82.

[24] ANTT, Chancelaria de Dom Filipe I, livro 1, fl. 1.

[25] Eduardo Freire de Oliveira, Elementos Para a História do Município de Lisboa, tomo II, Lisboa, 1987, p. 10.

[26] Francisco Ribeiro da Silva, Tradição e Inovação na Administração da Justiça em Portugal nos Primeiros Tempos da União Ibérica, Porto, 1990, p. 67.

[27] Joaquim Veríssimo Serrão, História de Portugal: Governo dos Reis Espanhóis (1580-1640), volume IV, Lisboa, 1979, p. 256.

[28] André João Antonil, Cultura e Opulência do Brasil Por Suas Drogas e Minas, São Paulo, 2007, p. 244; Moacyr Lobo da Costa, A Assistência nas Ordenações do Reino, São Paulo, 1965, p. 178.

[29] Eduardo Freire de Oliveira, Elementos Para a História do Município de Lisboa, tomo II, p. 51.

[30] Nuno Espinosa Gomes da Silva, Sobre os Compiladores das Ordenações Filipinas, Lisboa, 1977, pp. 27 e 28; Fortunato de Almeida, História de Portugal, tomo IV, 1926, p. 45.

[31] Jofre de Lima Monteiro Alves, Miguel de Vasconcelos, “O Defenestrado”: Uma Figura do Alto Minho na História de Portugal, 2013.

[32] Collecçam dos Documentos e Memorias da Academia Real da Historia Portugueza, Lisboa, 1727, p. 266.

[33] Fernando Taveira da Fonseca et al., Imprensa da Universidade de Coimbra: Uma História Dentro da História, Coimbra, 2001, pp. 39-40.

[34] Marquês de Pombal, Compêndio Histórico da Universidade de Coimbra, Covilhã, 2011, pp. 118, 119, 140 e 141.

[35] Diogo Barbosa Machado, Bibliotheca Lusitana, Historica, Critica, e Cronologica, tomo III, Lisboa, 1752, p. 309.

[36] ANTT, Conselho Geral do Santo Ofício, mç. 24, doc. 43.

[37] Moacyr Lobo da Costa, A Revogação da Sentença no Direito Lusitano, p. 97.

[38] Carlos Jaca, Linhas Gerais Sobre a História da Universidade Conimbricense: Da Decadência da Universidade de Coimbra Até ao Consulado Pombalino, 5.ª Parte, 2011, p. 15.

[39] José Luís Branco, “O Doutor Pedro Barbosa”, in CADERNOS VIANENSES, tomo IX, Viana do Castelo, 1985, p. 84.

[40] JORNAL DE COIMBRA, n.º LXXV, parte II, pp. 103-104.

[41] JORNAL DE COIMBRA, n.º LXXV, parte II, p. 104.

[42] Ana Isabel López-Salazar Codes, “Con Grande Perturbación Del Santo Oficio: A Reforma da Inquisição Portuguesa no Tempo dos Filipes”, in Portugal na Monarquia Hispânica; Dinâmicas de Integração e de Conflito, Lisboa, 2013, p. 190.

[43] ANTT, Conselho Geral do Santo Ofício, liv. 142, fl. 91-97v.

[44] Giuseppe Marcocci, A Inquisição Portuguesa Sob Acusação: O Protesto Internacional de Gastão Abrunhosa, in CADERNOS DE ESTUDOS SEFARDITAS, n.º 7, 2007, p. 70.

[45] Teófilo Braga, Historia da Universidade de Coimbra, tomo II, pp. 327-329.

[46] João Bautista de Castro, Mappa de Portugal Antigo e Moderno, tomo II, parte IV, Lisboa, 1763, p. 292.

[47] ADL, Registos Paroquiais de Lisboa, Santiago, Livro Misto n.º 2, 1579-1640, cota Lv M2 - Cx 1.

[48] Cristóvão Alão de Moraes, Pedatura Lusitana, volume IV, tomo 1.º, Braga, 1998, 18.

[49] António Lourenço Caminha, Conquista, Antiguidade e Nobreza da Mui Insigne e Inclita Cidade de Coimbra, Lisboa, 1807, p. 191.

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 01:01
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Terça-feira, 8 de Julho de 2014

D. FRANCISCO DE CALDAS PEREIRA E CASTRO

Uma Grande Figura do Alto Minho

 

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

 

Dr. D. Francisco de Caldas Pereira e Castro, filho segundogénito varão do comendador António de Caldas Pereira[1] ou António de Caldas Pereira de Castro e Sousa ou António de Caldas Pereira de Castro e Sousa Magalhães[2], «natural do concelho de Coura»[3], e de D. Francisca de Cadaval Valladares y Sottomayor[4] ou Francisca Yáñez de Cadabal Valladares y Sotomayor, natural da Galiza, nasceu na vila de Monção[5], da então Comarca de Valença do Minho e Província de Entre-Douro-e-Minho, em Julho de 1543.

 

ÁRVORE DE COSTADOS DE FRANCISCO DE CALDAS PEREIRA E CASTRO

Próprio

Pais

Avós

Francisco de Caldas Pereira e Castro

 

N. Monção 1543

F. Braga 1597

António de Caldas Pereira

 

N. Paredes de Coura

João Gomes de Caldas

N. Monção

D. Brites de Castro Pereira do Lago

N. Monção

D. Francisca de Cadaval Valladares y Sottomayor

 

N. Galiza

D. Juan de Cadaval Valladares

N. Galiza

D. Ana Álvarez Barbosa y Pinto

N. Galiza

 

Como «f.º a amt.º De calldas e a Fr.ca De cadavall Sua molher», foi baptizado na Igreja Matriz de Santa Maria dos Anjos, na vila de Monção, pelo padre Álvaro Vaz, vigário de Monção, servindo de compadres o tio Paio Gomes Pereira e D. Catarina de Cáceres, mulher de Tristão de Barros, «todos moradores nesta Vylla» de Monção, faz agora 471 anos (8 de Julho de 1543)[6]; ele e sua família, por seu pai «ter morto um homem com um dardo passou à Galiza»[7], passando a infância, adolescência e o princípio da idade madura na Casa de Arcos, em Santa Maria da Guia de Randufe, no termo de Tui, na Galiza; estudante de Gramática em Tui, na Galiza; estudante de Humanidade no Colégio de S. Jerónimo de Compostela, em Santiago de Compostela (1560 – 1563); bacharel pela Universidade de Compostela (1563); fidalgo de cota de armas com o brasão dos apelidos Pereira, Sousa, Castro e Caldas (1563); graduado em Leis pela Universidade de Salamanca[8] (1564); passou a Portugal, onde inicialmente fixou residência em companhia de seu tio materno, o dr. Álvaro Cadaval Valladares de Sotomayor[9] (1565); advogado de Causas Forenses em Lisboa (1566); advogado no Auditório de Braga e Relação Eclesiástica Bracarense[10] (1570); vereador da Câmara Municipal de Braga (1573)[11]; o «poheta Cadabal», dr. Álvaro Cadaval Valladares de Sotomayor, seu tio materno, morre no bairro Mazarelos de Santiago, extramuros de Santiago de Compostela, na Galiza, sendo sepultado na Igreja de Santa María la Nueva de Santiago (9 de Março de 1575)[12]; intenta impugnar judicialmente o testamento de seu tio Álvaro Cadaval Valladares de Sotomayor, o qual deixara todos os seus bens ao cónego Diogo Soares de Tangil ou Diego Suárez de Tangil (1576); licenciado em Leis pela Universidade de Coimbra (1578)[13]; seu sogro, o dr. António Francisco da Alcáçova, faleceu em Braga (1579); proprietário (1579); Senhor da Quinta de Esporões, no termo de Braga, pelo seu casamento (1579); Senhor da Quinta de S. Martinho, pelo seu casamento (1579); proprietário dumas casas em Guimarães, pelo seu casamento (1579); padroeiro da Igreja Matriz de São Mamede de Ferreira, concelho de Paredes de Coura, com direito in solidum de apresentação da abadia[14] (1579); padroeiro in solidum da Igreja Paroquial de São Pedro de Vascões, em Paredes de Coura (1579); padroeiro da Igreja Matriz de Santa Maria de Insalde, em Paredes de Coura, que apresentava à vez com o Mosteiro do Salvador de Ganfei (1579); padroeiro da Igreja Paroquial de São Miguel de Fontoura, concelho de Valença, que apresentava à vez com o Morgadio Barbosa de Aborim, de Barcelos; padroeiro de um benefício simples da Igreja Matriz de Santa Eulália de Cerdal[15], em Valença do Minho (1579); vereador da Câmara Municipal de Braga (1579)[16]; motins e revolta em Braga contra o arcebispo D. Frei Bartolomeu dos Mártires e os partidários do rei Dom Filipe e a favor de Dom António, Prior do Crato, amotinados pelo licenciado Francisco de Caldas Pereira e por Martim Lopes de Azevedo, capitão-mor da vila do Prado, tendo, depois de sufocada a revolta, andando «fugido por muitas partes» (Outubro de 1580)[17]; provisão do arcebispo D. Frei Bartolomeu mandando fazer «autos de querelas, devassas e cousas tocantes aos amotinados» e «para que se fizesse ir perante si todos os tabeliães e escrivães, que tivessem culpas do dr. Francisco de Caldas Pereira, em que fosse culpado nas revoltas de D. António»[18](Novembro de 1580); vendeu as propriedades, que comprara anteriormente em Ninães a D. Teresa de Figueira, para custear os «extraordinários dispêndios» por andar homiziado por culpas na revolta de Braga dos seguidores do Prior do Crato[19] (1581); assinatura do instrumento de dote de sua filha D. Isabel Pereira de Castro para casar com Jorge Coelho de Andrade, filho de Francisco Coelho (28 de Junho de 1581)[20]; petição para obter licença e dez anos de privilégio para publicar o seu Comentário Analítico (1581)[21]; alvará régio da mercê para «que elle possa imprimir» e vender o livro Comentário Analítico com privilégio «que por tempo dez annos, imprimidor nem liureiro algũ nem outra pessoa de qualquer calidade que seja não possa imprimir nem vender em todos meus Reynos e senhorios nem trazer de fora delles o dito liuro, salvo aquelles liureiros e pessoas que pêra isso tiverem seu poder e licença» (14 de Dezembro de 1581)[22]; provedor da Mitra de Braga[23] (1582); Juiz Desembargador da Relação Eclesiástica de Braga (1584); Juiz «do dezembargo delRey nosso Sõr»[24] e Desembargador da Casa da Suplicação (1586); posse do dr. Francisco de Caldas Pereira, de várias terras no Couto de Lagiosa, termo de Lanhoso (20 de Junho de 1586)[25]; instrumento pelo qual Francisco Álvares, abade de São Miguel das Caldas, «diz ele possuía o seu Casal da Fonte sito na dita freguesia por título de prazo do senhor doutor Francisco de Caldas Pereira de Castro do desembargo de El-rei e que agora estava contratado de o vender a Gonçalo Fernandes morador a Santa Susana da mesma freguesia por preço e quantia de noventa mil réis» (5 de Janeiro de 1587); escritura pela qual deu quitação ao senhor arcebispo D. Frei Bartolomeu dos Mártires sobre a demanda que trazia por causa da alcaidaria-mor de Ervededo, vaga por falecimento de seu sogro, o dr. António Francisco da Alcáçova, sobre os frutos e salários que lhe eram devidos por ter sido seu procurador, e havendo consertação, lhe mandou o prelado dar 46$000 réis, que foram pagos pelo cónego Pedro Tavares (10 de Novembro de 1588); lente catedrático do Colégio Maior de Santa Cruz de Coimbra[26]; Juiz Ouvidor da Chancelaria e Audiência Real da Cidade do Porto; fidalgo da Casa Real[27]; conselheiro do Conselho d’El-Rei Dom Filipe; administrador duma Comenda da Ordem de Cristo; transacção que fez D. Francisco de Caldas como procurador de seu filho Gabriel Pereira de Castro com a Senhorinha Rebelo sobre a sucessão e direito do morgado e Capela de Nossa Senhora do Desterro, em Braga, que instituíram Maria Antónia e Pedro de Freitas (16 de Março de 1590)[28]; seu pai António de Caldas Pereira de Castro e Sousa faleceu em Tui e foi sepultado na Capela das Angústias, na Catedral de Tui, envolto em hábito e manto capitular da Ordem de Santiago (9 de Novembro de 1592)[29]; dote que fez o dr. Francisco de Caldas a D. Catarina da Rocha (15 de Abril de 1594)[30]; recibo do pagamento de 60 alqueires de pão passado por Francisco de Caldas a Senhorinha Rebelo (29 de Dezembro de 1595)[31]; provisão do rei Dom Filipe I pela qual foi nomeado Lente de Leis na Cadeira de Digesto Velho, com igualação da Cadeira de Véspera, na Universidade de Coimbra (12 de Janeiro de 1597)[32]; Lente de Leis na Cadeira de Digesto Velho na Universidade de Coimbra, com igualações à Cadeira de Véspera (14 de Fevereiro de 1597)[33]; doutor em Leis pela Universidade de Coimbra, com dispensa de todos os outros actos e graus (1 de Junho de 1597)[34]; magistrado; grande jurista[35]; jurisconsulto; filósofo do Direito[36]; estudioso dos filósofos gregos e juristas latinos; comentarista das Ordenações Manuelinas; publicista; poeta.

 

Escreveu e publicou[37]:

Illvstrissimo Praesvli Et Heroi Praestantissimo D. D. Georgio à Tailde, Lisboa 1582.

Responsvm Redditvm Pro Nobilissimo Viro Lvpo Soares, Lisboa, 1583.

Analyticvs Commentarivs Sev Relectio Ad Celebratissmam, Lisboa, 1583.

Responsvm Pro Admodum Illustri Domino D. Ioanne de Tassis, Lisboa, 1584.

Commentarivs Analiticvs de Renovatione Emphytevtica, Lisboa, 1585.

Singvlaris Et Excellens Tractatvs Et Analyticvs Comentarivs Et Sintagma, Lisboa, 1585.

Stigmata Quadripartitum de Universo Iure Emphiteutico, Lisboa, 1589[38].

Tractatvs de Nobilitate Librorvm Qvaestionvm Forensivm Et Controversiarvm Civilivm, manuscrito, Braga, 1593.

Tertia Pars Excelentissimi Tractatvs de Vniverso Ivre Emphytevtico, Complectens Eligendi Sev Nominandi Ad Emphytevsion Potestaem, Coimbra, 1604[39].

Qvarta Pars Excellentissimi Tractatvs Vniversi Ivris Emphytevtici Agens Emphyteusis Extinctione Interitv & Resolvtione, Coimbra, 1605.

Syntagmatis Vniuersi Iuris Emphyteutici, Pars Tercia de Nominandi Sev Eligendi, Francoforte, 1612.

Analyticvs Commentarivs Sive Ad Typvm Instrumenti Emptionis & Venditionis Tractatvs, Coimbra, 1616.

Tractatvs de Emptione Et Venditione Tvm Pragmaticis Cvm Gymnastis Ad Modvm Vtilis Ac Necessarivs Divque Ab Vtrisqve Exoptatvs Nvnc Primvm, Coimbra, 1617.

 

«Dtor Frco de Caldas» faleceu numa casa da Rua do Souto, freguesia de São João do Souto, em Braga, aos 54 anos de idade, e foi sepultado no mosteiro das freiras dos Remédios das Carmelitas Descalças de Braga (5 de Setembro de 1597)[40].

 

Os deputados juristas da Mesa da Consciência e Ordens, tendo em vista a petição de D. Ana da Rocha de Araújo, a qual declara que tinha os manuscritos do dr. Francisco de Caldas que «ficarão em seu poder muitas obras pera imprimir acabadas em que gastou muito tempo e muito estudo, que serão muito proveitosas», declaram «que lhes pareciam de muita utilidade assim pollas matérias que tratam como polla erudição e grande trabalho que n’elles poz o doutor, pelo que resultava a impressão em muito grande proveito do reino e honra d’aquella universidade» (1601)[41]; a Mesa da Consciência e Ordens emite o parecer que o Rei devia «ser servido dar licença á Universidade pera emprestar à supplicante os seis centos mil rs.», dando a dita D. Ana da Rocha de Araújo as «fianças e satisfação» (17 de Maio de 1601); em virtude da provisão régia que concede licença «pera emprestar a Ana da rocha daraujo molher do dtor frco de caldas pereira seis centos mil r̃s pera a inpresam de suas obras» completas, foi autorizada a entrega da dita quantia ao seu filho Gabriel Pereira de Castro e ao impressor Diogo Gomes de Loureiro, que serviam também como fiadores (7 de Janeiro de 1603)[42]; publicação das obras completas do dr. Francisco de Caldas Pereira e Castro, impressas em Coimbra (1603 – 1608); sua sogra D. Catarina da Rocha de Araújo, «Dona viúva» do dr. António Francisco da Alcáçova, faleceu na freguesia de São João do Souto, cidade de Braga (2 de Julho de 1604)[43]; «Ana da Rocha daraujo, viúva do Doctor Frº de Caldas Pereira» fez «petiçam» dizendo que o Rei «lhe fizera merçê pera efeito de se emprimirem as obras do dito seu marido de lhe mandar emprestar das Rendas da Universidade de Coimbra seiscentos mil reis por três annos», porém, «tratando das ditas empressões gastou n’ellas quasi todo o dito tempo» de três anos, pede por isso ampliação do prazo para o pagamento do empréstimo e «que durando as ditas empressões que sucessivamente se fazem não seja obrigada a tornar o dito dinheiro», verba que «está bem seguro com a fiança que lhe está feita, e serem os livros cousa que se vende com muito vagar», e por tudo isso a Mesa da Consciência e Ordens entende que se deve conceder «mais dous annos de espera» e na condição de «reformar as fianças» «pera segurança e melhor arrecadação de sua divida» (5 de Maio de 1606)[44]; sua mãe D. Francisca de Cadaval Valladares y Sottomayor ditou o seu testamento nas notas de Andrés Ferreira, escrivão de número da cidade de Tui (4 de Junho de 1612)[45]; pagamento da dívida de Domingos Manuel a D. Ana da Rocha, viúva (1 de Abril de 1617)[46]; contrato entre D. Ana da Rocha de Araújo e Gaspar Gonçalves do Lago (11 de Novembro de 1618)[47]; faleceu D. Ana da Rocha de Araújo, «Dona viúva mer q̃ ficou do Dtor frco de Caldas», «estando assentada em Huã Cadeira esperando por o Dor Luiz pereira seu fº» (12 de Agosto de 1626)[48]; edição das suas obras completas em Francoforte, na Alemanha, reunidas em sete volumes, sob o título de Opera Omnia Juridica Coloniae Allobrogum (1744).

 

O «licẽciado frco de caldas pereira» casou na Igreja Matriz de São João do Souto, cidade de Braga, com D. Ana da Rocha de Araújo, nascida em Braga em 1549, filha do doutor António Francisco da Alcáçova, natural de Braga, e de D. Catarina da Rocha de Araújo, natural de Guimarães (3 de Outubro de 1569)[49].

 

ÁRVORE DE COSTADOS DE D. ANA DA ROCHA DE ARAÚJO

Própria

Pais

Avós

D. Ana da Rocha de Araújo

 

N. Braga 1548

Dr. António Francisco da Alcáçova

N. Braga

António Alves

Margarida Francisca do Vale

D. Catarina da Rocha de Araújo

N. Guimarães

Gonçalo da Rocha

D. Filipa de Araújo

 

Filhos:

1 – Dr. GABRIEL PEREIRA DE CASTRO, nasceu em Braga e foi baptizado na Igreja Matriz de São João do Souto a 10 de Fevereiro de 1571.

2 – D. CATARINA DA ROCHA DE CASTRO ARAÚJO, nasceu em Braga e foi batizada a 17 de Fevereiro de 1572 na Igreja Matriz de São João do Souto.

3 – D. MARIA, baptizada a 8 de Abril de 1573.

4 – D. ISABEL PEREIRA DE CASTRO, baptizada a 30 de Junho de 1574.

5 – D. FRANCISCA, baptizada a 8 de Outubro de 1575.

6 – D. FILIPA, baptizada a 16 de Março de 1577

7 – ANTÓNIO PEREIRA DE CASTRO, nasceu em 1579 em Braga.

8 – Dr. LUÍS PEREIRA DE CASTRO, nasceu em Braga em 1582.

9 – TOMÁS PEREIRA DE CASTRO, nasceu em Braga e foi baptizado na Igreja Matriz de São João do Souto a 27 de Dezembro de 1587.

10 – D. MARIANA DE CASTRO, nasceu em Braga e foi baptizada a 4 de Março de 1589 na Igreja Matriz de São João do Souto.

11 – PAULO PEREIRA DE CASTRO, nasceu em Braga e foi baptizado na Igreja Matriz de São João do Souto a 24 de Dezembro de 1590.

12 – Frei JOÃO DE SOUSA CALDAS, nasceu em Braga e foi baptizado a 6 de Março de 1593 na Igreja Matriz de São João do Souto.



[1] Manuel Felgueiras Gayo, Nobiliário de Famílias de Portugal, II volume, tomo IV, Braga, 1989, p. 180.

[2] Xulio Martínez Siguenza, As Parroquias de Tui – Síntese Histórica, in PONTEVEDRA: Revista de Estudios Provinciais, n.º 19, Pontevedra, 2003, p. 45.

[3] Cristóvão Alão de Moraes, Pedatura Lusitana, volume I, tomo 1.º, Braga, 1997, p. 195.

[4] Rafael Rodríguez Fernández-Broullón, El Pazo de Cadaval-Urzáiz, en Nigrán: Crónica y Relatorio de Un Señorío Secular (S. XVI-XX), in PONTEVEDRA: Revista de Estudios Provinciais, n.º 21, Pontevedra, 2006, p. 194.

[5] Ao contrário de muitas e erradas opiniões das mais diversas fontes, Francisco de Caldas Pereira e Castro não nasceu, de forma nenhuma, em Tui, pois encontrei o seu assento de nascimento na freguesia e vila de Monção. Aliás, o mesmo defende Diogo Barbosa Machado ao corrigir no volume IV uma informação errada, por si anteriormente veiculada no volume II. É, inegável, contudo, que passou em Tui a infância, adolescência e o princípio da idade madura. Porém, não deixa de ser menos verdade que é minhoto de nascimento e geração.

[6] ADVC, Registos Paroquiais de Monção, Livro Misto n.º 1, 1539-1546, fl. 40v, cota 3.8.2.26.

[7] Domingos de Araújo Affonso, Da Verdadeira Origem de Algumas Famílias Ilustres de Braga e Seu Termo, in BRACARA AUGUSTA, volume XXIV, fascículo 59-60, Braga, 1973, p. 24.

[8] Teófilo Braga, Historia da Universidade de Coimbra nas Suas Relações com a Instrução Publica Portugueza: 1555 a 1700, tomo II, Lisboa, 1895, p. 729.

[9] Xosé Manuel García Iglesias, Xoán M. Monterroso Montero, Fonseca: Patrimonia e Herdanza – Arquitectura e Iconografía dos Edificios Universitarios Composteláns (Séculos XVI-XX), Santiago de Compostela, 2000, p. 95.

[10] José Viriato Capela, As Freguesias do Distrito de Braga nas Memórias Paroquiais de 1758: A Construção do Imaginário Minhoto Setecentista, Braga, 2003, p. 35.

[11] Domingos de Araújo Affonso, Da Verdadeira Origem de Algumas Famílias Ilustres de Braga e Seu Termo, p. 25.

[12] Manuel C. Díaz y Díaz, Álvaro de Cadaval, Primer Latinista de La Universidad de Santiago: Unas Notas, in CUADERNOS DE ESTUDIOS GALLEGOS, tomo XLIII, fascículo 108, Santiago de Compostela, 1996, p. 336.

[13] Joaquim José Caetano Pereira e Sousa, Esboço de Hum Diccionario Juridico, Theoretico, e Practico: A – E, tomo I, Lisboa, 1825.

[14] Inventário Colectivo dos Registos Paroquiais – Norte, volume 2, Lisboa, 1994, p. 415.

[15] Padre Luís Cardoso, Diccionario Geografico ou Noticia Historica, tomo II, Lisboa, 1751, p. 253.

[16] Manuel d’Albuquerque, D. Fr. Bartholomeu dos Martyres e a Usurpação dos Filippes Com as Cartas de Camillo Castello Branco, Braga, 1895, p. 140.

[17] Aurélio de Oliveira, Braga ao Tempo das Crises e da Usurpação: O Diário de Aurélio António Baldino, in ESTUDOS EM HOMENAGEM AO PROFESSOR DOUTOR JOSÉ MARQUES, vol. I, Porto, 2006, pp. 406, 407 e 410.

[18] Pinharanda Gomes, A Grande Refrega Sobre o Patriotismo de D. Fr. Bartolomeu dos Mártires (Textos de Camilo e de José Caldas), in COLÓQUIO COMEMORATIVO DO IV CENTENARIO DA MORTE DE DOM BARTOLOMEU DOS MÁRTIRES, p. 142.

[19] Camilo Castelo Branco, O Senhor do Paço de Ninães, 5.ª edição, Lisboa, 1919, pp. 11 e 179.

[20] ANTT, Armário Jesuítico e Cartório dos Jesuítas, mç. 21, n.º 4.

[21] Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, volume V, Lisboa, 1940, p. 474.

[22] Venâncio Deslandes, Documentos Para a Historia da Typographia Portugueza nos Seculos XVI e XVII, Lisboa, 1888, p. 116.

[23] Alão de Moraes, Pedatura Lusitana, vol. I, p. 195.

[24] Em 1587 era identificado como «dtor frco de caldas perejra do dezembargo delRey nosso sor». Cf. ADB, Registos Paroquiais de S. João do Souto, Livro Misto, 1587-1596, cota B – 121, fl. 6.

[25] ANTT, Armário Jesuítico e Cartório dos Jesuítas, mç. 21, n.º 12.

[26] Ernesto Iglesias Almeida, Los Pereira de Castro Montenegro de Arcos en Tui, in CUADERNOS DE ESTUDIOS GALEGOS, tomo XLVII, fascículo 112, Santiago, 2000, p. 148.

[27] Felgueiras Gayo, Nobiliário de Famílias de Portugal, II volume, p. 143.

[28] ANTT, Armário Jesuítico e Cartório dos Jesuítas, mç. 21, n.º 19.

[29] Manuel Fenández-Valdés Costas, Familias Antiguas de Tuy, Pontevedra, 1958, p. 98.

[30] ANTT, Armário Jesuítico e Cartório dos Jesuítas, mç. 23, n.º 64.

[31] ANTT, Armário Jesuítico e Cartório dos Jesuítas, mç. 20, n.º 39.

[32] Teófilo Braga, Historia da Universidade de Coimbra, tomo II, pp. 729-730.

[33] Diogo Barbosa Machado, Bibliotheca Lusitana: Historica, Critica e Chronologica, tomo IV, Lisboa, 1759, pp. 128-129.

[34] Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, volume XXI, Lisboa, 1950, p. 224.

[35] Emilio González López, Siempre de Negro – Galicia en La Contrarreforma: El Reinado de Felipe II, Vigo, 1970, p. 347.

[36] Círculo de Estudos Políticos, Os Juristas Portugueses e a Restauração.

[37] Biblioteca Nacional de Portugal, PORBASE – Base Nacional de Dados Bibliográficos: http://porbase.bnportugal.pt/ipac20/ipac.jsp?session=1T021O66975P8.2692&profile=porbase&uri=link=3100018~!127607~!3100024~!3100022&aspect=basic_search&menu=search&ri=3&source=~!bnp&term=Castro%2C+Francisco+de+Caldas+Pereira+e%2C+1543-1597&index=AUTHOR.

[38] Rogelio Jove y Bravo, Los Foros: Estudio Historico y Doctrinal, Bibliográfico y Critico de Los Foros en Galicia y Asturias, Madrid, 1883, p. 323.

[39] José Jorge David de Freitas Gonçalves, A Imprensa em Coimbra no Século XVI, Lisboa, 2010, p. 17.

[40] ADB, Registos Paroquiais de S. João do Souto, Livro Misto n.º 4, 1596-1610, fl. 241v, cota B – 122.

[41] ANTT, Mesa da Consciência e Ordens, Registo de Consultas de 1598 a 1603, fl. 101.

[42] M. Lopes de Almeida, Artes e Ofícios em Documentos da Universidade: Século XVII, volume I, Coimbra, 1970, p. 19

[43] ADB, Registos Paroquiais de S. João do Souto, Livro Misto n.º 4, 1596-1610, fl. 245v, cota B – 122.

[44] ANTT, Mesa da Consciência e Ordens, Registo de Consultas de 1603 a 1606, fl. 85v.

[45] Máximo Casal González, Apuntes Histórico-Biográfico-Descriptivos de La M. N. y M. L. Ciudad de Tuy, 2009, p. 30

[46] ANTT, Cartórios dos Jesuítas, mç. 20, n.º 49.

[47] ANTT, Cartórios dos Jesuítas, mç. 20, n.º 51, cota PT/TT/AJCJ/CJ020/00051.

[48] ADB, Registos Paroquiais de S. João do Souto, Livro Misto n.º 6, 1622-1629, fl. 218, cota B – 124.

[49] ADB, Registos Paroquiais de S. João do Souto, Livro Misto n.º 2, 1566-1578, cota B – 120.

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 07:21
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Terça-feira, 1 de Julho de 2014

UM NOTÁVEL DESENHO DE ANTÓNIO LIMA

    Palácio Nacional de Queluz, num desenho de António Lima, feito, assinado e datado em 1944. Mestre António Lima, que já era reputado iluminador, desenhador heráldico e de ex-líbris, dedicou-se com especial enfâse e dotes artísticos ao desenho a pena, tendo desta forma reproduzido inúmeras fachadas de igrejas, capelas, claustros, palácios, casas, edifícios nobres e os mais variados monumentos.

 

    Neste caudal criativo, enamorou-se em particular da região de Sintra, tendo produzido uma apreciada coletânea de belíssimos desenhos, de rara beleza e sensibilidade em dezenas de motivos, fase que foi particularmente profícua na década de 1940. Usando uma técnica apurada e cor da sépia, os desenhos sobressaem pela nitidez, sobriedade e pela envolvência de planos de luz e sombra, por entre linhas solenes, formando, assim, um conjunto de notável criatividade artística.

 

    O desenho que ora damos à estampa, representa a fachada central do Jardim de Azereiros, no Palácio Nacional de Queluz. Agradeço efusivamente ao sr. José Manuel Pinheiro de Figueiredo que teve a profunda amabilidade de remeter esta obra-prima da pena de António Lima, autorizando a sua publicação nas colunas deste blogue. Bem-haja!

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Domingo, 22 de Junho de 2014

BENZEDURAS E MEDICINA POPULAR DO MINHO XV

Doença dos Olhos III

 

    Para obter a cura da néboa, nome genérico que designa qualquer perturbação instalada no olho ou córnea, seja de natureza inflamatória, cicatricial ou catarata, a plebe aldeã utilizava uma folha de cana de canavial fragmentada em nove pedacinhos, posta a marinar num prato com água em companha de nove pedrinhas de sal virgem grosso. Depois, o doentinho segura no prato próximo da área afectada, o talhador coloca cada um dos pedacinhos da folha sobre o olho do paciente e para ajudar o talhamento recita nove vezes, uma por cada pedaço, a seguinte benzedura ensalmeira, rezando-se no fim nove ave-marias:

Jasus, nome de Jasus

Apareça, benha a luz!

Aqui faz fonte frontal

Talha-se néboa e neboal,

Unha e unhal,

Cum sal do mar sagrado

Sta néboa e neboal será derretida

Pelo poder de Deus e da Birge Maria

E da milagrosa Senhora Santa Luzia!

Jasus, Abe-Maria!

 

    Já no que concerne à cura da rexa ou farapão, afinal a úlcera traumática da córnea, era usada uma aplicação de mel de enxame novo e o benzimento subsequente, a qual é repetida cinco vezes, rezando-se ainda cinco padre-nossos e cinco ave-marias dedicadas exclusivamente às cinco chagas:

Santa Luzia pelo mundo andou

Nossa Senhora encontrou

Nossa Senhora lhe disse

– Adonde vais Luzia?

– Eu, Senhora, convosco vou.

– Tu comigo não virás

Que na terra ficarás,

Com olhos de prata benzerás,

De rexas e de farapão

E de vermelhidão,

E de pedrura,

E de amargura,

E doutro mal qu’a bista benha

Só Santa Luzia é que benze bem.

Ofereço esta oração a Santa Luzia.

Seja servida.

Que este padre-nosso e esta ave-maria

Sirvam de mezinha.

 

    O terçolho tem quase tantas receitas como nomeações populares, algumas dos quais aqui recordo por serem usuais no Minho, Trás-os-Montes e Beiras, em suma, no Norte do País e quiçá de igual modo noutras zonas: terção, terçó, terçô, terçogo, terçol, terçoso, tersogo, trançolo, treçogo, treçôgo, treçol, treçolho, tressó, tricó, triçó e tricolho.

 

Terção, treçolho

Bai-te para aquele olho!

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Domingo, 15 de Junho de 2014

D. DIOGO DE SOUSA, ARCEBISPO PRIMAZ DE BRAGA

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

NOTA: Como o artigo era extenso, e por isso mesmo não entrava no blogue, tive que retirar-lhe as 131 notas de referência em rodapé e as imagens que ilustravam o texto.

 

D. Diogo de Sousa, filho terciogénito varão de João Rodrigues Ribeiro de Vasconcelos, 3.º Senhor de Figueiró e Pedrogão, e de D. Branca da Silva, nasceu no Palácio Silva e Sousa, na cidade de Évora ou em Figueiró dos Vinhos, cerca de 1460.

 

ÁRVORE DE COSTADOS DE D. DIOGO DE SOUSA

Próprio

Pais

Avós

D. Diogo de Sousa

 

N. 1460

João Rodrigues Ribeiro de Vasconcelos

N. 1425

Rui Vasques Ribeiro

D. Violante de Sousa

D. Branca da Silva

N. 1430

Rui Gomes da Silva

D. Isabel de Menezes

 

Foi estudante de preparatórios e latim em Évora; aluno de Cânones e «todalas artes e sciencias que são necessárias à Teologia» na Universidade de Salamanca; aluno de Teologia da Universidade de Paris; doutor em Teologia; subdiácono (1478); diácono (1481); presbítero (1485); cónego da Sé de Évora (1486); deão da Capela Real do rei Dom João II (1490); el-rei Dom João II repreendeu-o asperamente por ter apanhado um sapato que tinha caído do pé do rei, «porque a Diogo de Sousa, Deão da sua Capella, que levantou hum çapato, que lhe cahira do pé, depois de lhe dar reprehensão áspera, tirai-vos dahi, o homẽ, que toma o Santissimo nas mãos, não pega com ellas nos meus çapatos, o teve hum mez prezo para o ensinar a não abater o caracter»; conselheiro do Conselho de Estado (1493); membro da embaixada liderada por D. Fernando Coutinho, bispo de Lamego, enviada a Roma para prestar homenagem e obediência ao papa Alexandre VI (1493); permanece em Itália (1493 – 1495); 1.º capelão-mor da Capela Real dos Sereníssimos Reis de Portugal, nos Paços de Évora ou Palácio Real de S. Francisco, dedicada ao Apostolo São Tomé (1494); bula apostólica “Gratiae divinae”, dada em São Pedro de Roma pelo papa Alexandre VI, pela qual informa o rei Dom João II que proveu D. Diogo como Bispo do Porto, devido à renúncia do bispo D. João de Azevedo (23 de Outubro de 1495); bula “Hodie Ecclesiae Portugalensis” «a todos os vassalos da Igreja do Porto», pela qual o papa Alexandre VI informa que nomeou D. Diogo de Sousa para bispo eleito da diocese do Porto, e ordena-lhes que prestem ao bispo a obediência e a fidelidade devidas (23 de Outubro de 1495); conselheiro do Conselho d’El-Rei (1495); Bispo do Porto (1495 – 1505); como Bispo do Porto presta obediência ao Arcebispo de Braga, D. Jorge da Costa (23 de Julho de 1496); preside ao Sínodo Diocesano do Porto (24 de Agosto de 1496); sentença do bispo D. Diogo que manda o Mosteiro do Salvador de Moreira proceder todos os mosteiros de Cónegos Regulares de Santo Agostinho existentes no bispado do Porto do Porto (1496); publica as Constituiçõees Qve Fez Ho Senhor Dom Diogo de Sousa Bp̃o do Porto, acabadas «pelo mestre de emprentar livros» Rodrigo Álvares (4 de Janeiro de 1497); co-fundador da Santa Casa da Misericórdia do Porto, tendo recebido uma carta do rei Dom Manuel I para proceder à sua fundação (1499); ordenou a trasladação das relíquias do mártir S. Pantaleão da Igreja de São Pedro de Miragaia para a Sé Catedral do Porto (12 de Dezembro de 1499); capelão-mor da Rainha D. Maria, Infanta de Castela e Aragão e Rainha de Portugal, mulher d’El-Rei Dom Manuel I (1501); alcançou da coroa a liquidação das contas respectivas à pensão anual de 3.000 libras de moeda antiga que D. João I contratara dar à Sé do Porto em troca da renúncia para todo o sempre da jurisdição cível e crime da cidade do Porto, a qual alçada jurisdicional pertencia então aos prelados portucalenses, cujos pagamentos estavam em atraso parcial desde o tempo do contrato, com a entrega anual de 120 marcos de prata, em prata, à igreja e Cabido da Sé do Porto, em satisfação do acordo celebrado entre o Rei Dom João I e o bispo D. Gil e o Cabido do Porto (6 de Setembro de 1502); negoceia com el-rei Dom Manuel I a reforma do antigo contrato entre o rei Dom João I e, por outra parte, o Bispo do Porto e o Cabido da Sé do Porto, acerca da renúncia para todo o sempre da jurisdição cível e crime da cidade do Porto, ficando acordado o pagamento da quantia de 120 marcos de prata anuais e que se restituísse à «Catedral toda a prata de que o mencionado Rei D. João I se tinha aproveitado para as despezas mas multiplicadas guerras, que teve com Castella, como defensor de Portugal» (1502); colabora na instalação da Confraria de Nossa Senhora da Misericórdia, a qual fica alojada na Capela de Santiago, no claustro velho da Sé Catedral do Porto (7 de Agosto de 1502); provisão do bispo D. Diogo, pela qual manda dividir os bens da Colegiada de São Martinho de Cedofeita, no Porto, atribuindo dois terços ao abade ou mesa prioral, e um terço aos cónegos e mandou dividir ao meio os emolumentos paroquiais (31 de Outubro de 1504); enviado embaixador extraordinário do rei Dom Manuel a Roma, para prestar homenagem ao papa Júlio II e «tratar de outros assuntos de interesse do Estado, para o que se fez acompanhar do doutor Diogo Pacheco» (1505); bula “Quam sit onusta”, dada em São Pedro de Roma pelo papa Júlio II, pela qual o transfere do Porto e o nomeia em Arcebispo de Braga, devido à renúncia do cardeal D. Jorge da Costa (11 de Julho de 1505); bula “Gratiae divinae”, dada em São Pedro de Roma e dirigida ao rei Dom Manuel I, pela qual o papa Júlio II o informa da nomeação de D. Diogo como Arcebispo de Braga (11 de Julho de 1505); bula “Hodie rabilem” aos bispos sufragâneos da Igreja de Braga, pela qual comunica que transferiu D. Diogo do Bispado do Porto para o Arcebispado de Braga, mandando que o reconheçam como Metropolita e lhe obedeçam (11 de Julho de 1505); bula “Hodie venerabilem” ao Cabido Metropolitano e Primacial da Sé de Braga, pela qual notifica a nomeação como Arcebispo Primaz de Braga e recomenda que o recebam bem e lhe obedeçam como pai e pastor (11 de Julho de 1505); bula “Hodie venerabilem” a todos os vassalos da Igreja de Braga, pela qual os avisa que transferiu o bispo D. Diogo de Sousa para arcebispo eleito de Braga, a quem devem prestar obediência (11 de Julho de 1505); obtém a bula “Orthodoxoe fidei” pela qual o papa concede a Dom Manuel I por dois anos a cruzada para a guerra contra os infiéis no Norte de África e «indultos a favor daquelles, que contribuissem para as despezas, que se fazião nos lugares de Africa» (12 de Julho de 1505); obtém a bula “Militans eclesia” pela qual o papa aprova os novos estatutos da Ordem de Cristo e de confirmação do mestrado das Ordens Militares (12 de Julho de 1505); recebeu, «da mão do Papa», o ornamento litúrgico do pálio de Arcebispo Primaz de Braga (1505); vindo de Roma regressou a Portugal, «e chegou a Lisboa, e na sua companhia hum Navio inficionado da peste, que, tanto que descarregou, se ateou na Cidade de sorte, que foy huma das mais furiosas» pestes que atingiu Lisboa, donde alastrou ao Reino e demais países ibéricos (Outubro de 1505); fez a entrada solene e tomada de posse do Arcebispado de Braga (22 de Novembro de 1505); Arcebispo Primaz e Senhor de Braga (1505 – 1532); na documentação oficial usa a forma «Dom Diogvo de sousa p(or) merçe de d(eo)s̃ e da sã(n)ta Igreia de Roma arçeb(is)põ e s(e)nn(h)or de bragva pr(i)mas das espanhas» (1505 – 1532); preside ao Sínodo Diocesano de Braga, no qual foi aprovado um empréstimo ou «um subsidio caritativo» do clero a conceder ao arcebispado, para remissão das dívidas em que se encontrara a Sé Catedral e foram aprovados alguns artigos das Constituições, Breviário e Missal Bracarense (15 de Dezembro de 1505); instrumento público pelo qual o arcebispo D. Diogo outorga os novos Estatutos e Regimento do Cabido da Sé de Braga (18 de Novembro de 1506); outorga as novas Constituyçoões Feytas Por Mãdado do Reuerendissimo Senhor o Senhor Dom Diogo de Sovsa Arçebispo e Senhor de Bragaa Primas das Espanhas, pois «ordenamos e mandamos que esta constjtvçam se nam execute saluo des a festa de natal primeiro seguinte em dyante na qual festa se começara o anno de mjil e qujnhentos e sete» (1506); provisão do arcebispo D. Diogo pela qual confirma Pedro Afonso, clérigo de Missa, como capelão e vigário perpétuo da Igreja Matriz de Santa Marinha de Vila Marim, termo de Vila Real, e «abera de seu estipendio e sellayro em cada hũ anno pellas Rendas da dita igreia dois mill reis os quais lhe foram assignados por dom Joham de Mello do mosteiro de Pombeiro a q̃ a dita igreja he annexa perpetuum» (27 de Fevereiro de 1507); nomeia João Rodrigues de Sousa, seu sobrinho, como abade da Igreja Paroquial de São Salvador de Bravães, Ponte da Barca, que era da colação do arcebispo, pois «confirmou em abbade e rector da parrochial ygreja de sam salvador de barbaaes terra de do ditto arcebispado a Joham Rodriguez de Sousa seu sobrinho, clerigo da diocese de Coimbra» (25 de Novembro de 1507); bula “Dispositione divina”, para memória perpétua, pela qual o papa Júlio II, a pedido do arcebispo D. Diogo, desanexa a igreja de Penoucos da igreja de S. Romão da Ucha de que era reitor Diogo Gonçalves, e a incorpora na Mesa Arquiepiscopal por estar próxima ao Couto de Areias, de jurisdição do Arcebispo e a este muito convir (7 de Agosto de 1508); colabora na fundação e edificação do Hospital de S. Marcos, em Braga, obra do cónego Diogo Gonçalves, dotando-o de estatutos e de bens suficientes para se manter, com a obrigação de dizerem uma oração pelos arcebispos defuntos e outra pelo arcebispo que for vivo (1508); extinguiu a gafaria de S. Marcos, os hospitais dos Peregrinos e dos Lázaros, incorporou as rendas das confrarias de Santa Maria de Rocamador, de S. João do Souto, do Corpo de Deus, de S. Francisco, do Senhor do Paraíso e de S. Marcos, as rendas dos dízimos das igrejas de São Martinho de Galegos e de São Martinho de Mezelo e tudo adicionou nos rendimentos do Hospital de S. Marcos (1508); troca e emprazamento que se efectuou entre Afonso da Costa, alcaide-mor de Braga, e o arcebispo D. Diogo, de cedência de diversos foros e outras propriedades sitas na Veiga do Penso (3 de Dezembro de 1508); tenta fundar um colégio de estudos para clérigos (Abril de 1509); para a edificação da sua Capela da Misericórdia velha, contratou por escritura com Duarte Jácome, a Honra da Ramada pela renovação do prazo do Avelar, pertencente à Mitra (13 de Abril de 1509); carta do rei Dom Manuel ao arcebispo D. Diogo, na qual o soberano aprova a fundação do Colégio, pedido pelo prelado, e lhe promete manter nele nove colegiais (3 de Maio de 1509); manda realizar o chamado Censual de D. Diogo de Sousa(1509); mandou reconstruir a Capela-mor da Sé de Braga por mestre João de Castilho, com a um valioso retábulo de pedra Ançã e retocada a ouro e revestida a mármore, conforme a inscrição na parte de trás da capela-mor: «DIDACVS DE SOVSA: ARCHIEPISCOPVS AC DOMINVS BRACARENSIS HISPANIARVM PRIMAS: FECIT ANNO SALVTIS 1509» (1509); ornamentou no topo da galilé do frontispício da Sé Catedral de Braga com as estátuas do Anjo Custódio, S. Pedro, S. Paulo e dos arcebispos santos de Braga S. Frutuoso, S. Geraldo, S. Martinho de Dume e Santo Ovídio e fez de novo todas as três naves, as torres do relógio, o sino, os órgãos, a claustra, a Casa do Tesouro, a Casa do Cabido, a livraria e a sacristia da referida Sé (1509); à sua custa manda pintar o assento dos órgãos e fazer outros órgãos novos com caixa rica (1509); escritura da mercê do arcebispo D. Diogo da doação do prazo da Quinta do Avelar, sita na freguesia de Santiago da Cividade, em Braga, a Duarte Jácome de Araújo, a qual era prazo eclesiástico foreiro à Mitra Primaz (1509); mandou desanexar a Igreja de São João Baptista de Gatão, em Amarante, a qual foi retirada do território da Igreja Paroquial de São Cláudio de Geme, «de comsimtimento expresso do dito bacharell Ruy Gomez», que era vigário da diocese e abade de São Cláudio de Geme, e entregou a Igreja Paroquial de São João de Gatão ao padre Tristão Pinto, seu capelão e «criado de sua Senhorya» (23 de Abril de 1510); publica o Breuiarium Bracarense, impresso em Salamanca (1511); publica o Missale Secundum Ritum et Consuetudinem Alma Bracharensis Ecclesiae, impresso em Salamanca (1512); publica uma segunda edição do Breuiarium Bracarense (1512); decreto do arcebispo D. Diogo, pelo qual cria duas capelanias no Mosteiro de Fonte Arcada, Póvoa de Lanhoso, com a expressa indicação que os seus membros deviam recitar as horas canónicas segundo o rito e o costume da Sé de Braga (8 de Agosto de 1512); contrato de permuta entre D. Diogo de Sousa, Arcebispo Primaz de Braga, e D. Frei Henrique de Coimbra, Bispo de Ceuta e Primaz em África, pelo qual passaram ao Arcebispado de Braga as terras que o Bispado de Ceuta tinha entre Minho e Lima e que pertenciam à Administração de Valença, «do Bispado de Tui na parte de Portugal», por troca com o Arcediagado de Olivença (20 de Setembro de 1512); abriu a Porta Nova e a Porta de São João (1512); mandou fazer obras de ampliação da Igreja de São João do Souto, em Braga, e transferir para lá a imagem de S. João Baptista que existia no castelo da cidade (1512); o arcebispo tinha o direito de padroado e colação em 459 igrejas do arcebispado de Braga (1512); sentença do arcebispo D. Diogo a favor do Cabido Metropolitano e Primacial da Sé de Braga contra o procurador da Mitra, reconhecendo pertencer a visitação à Igreja de Alhariz e suas anexas, na comarca de Chaves, ao Cabido da Sé, e proibindo o vigário da comarca que as visitasse (14 de Julho 1513); bula do papa Leão X Inter curas multiplices, para memória perpétua, pela qual confirma o contrato celebrado entre o arcebispo D. Diogo e o bispo D. Frei Henrique, sobre a permuta da jurisdição das igrejas da Administração de Valença, entre Minho e Lima, para o Arcebispado de Braga e do Arcediagado de Olivença para o Bispado de Ceuta, com o consenso do rei Dom Manuel I, como padroeiro do Mosteiro de São Salvador da Torre (25 de Junho de 1513); mandou trazer para Braga muitas colunas de vias militares romanas, padrões romanos e marcos miliários romanos que estavam na vizinhança daquela cidade e doutras partes, num trabalho de recolha de vestígios romanos para «que estes ilustres monumentos da antiguidade não se perdessem» e «postas no Campo de Santa Anna» (1513); mandou fazer casa própria para a biblioteca da Sé, equipada com mobiliário; mandou construir a «capela de Jesuu da misericórdia na qual tenho feita minha sepoltura», conforme a inscrição epigráfica: «ESTA CAPELA MÃDOV FAZER O ARCEBP̃O DÕ DIº DE SOVSA PERA SVA SEPVLTVRA E DE SEVS IRMÃOS AS PESOAS CAPITVLARES DESTA EGREIA QVE SE NELA QVISERẼ LANÇAR FOI FEITA NA ERA DE 1513» (1513); manda instalar a Santa Casa da Misericórdia de Braga na capela do claustro da Piedade da Sé Primaz, pois «nós ordenamos esta confraria da Misericórdia, e a fizemos assentar e celebrar os seus ofícios nesta Capela de Jesus da Misericórdia, que fundamos de novo» (1513); ordenou a trasladação dos ossos do Conde Dom Henrique e da Rainha Dona Teresa para um sarcófago de pedra, situado na Capela-mor da Sé de Braga, com um epitáfio e com consentimento de Dom Manuel I (1513); mandou imprimir um Flos Sanctorum em Braga (1513); a pedido do arcebispo D. Diogo, o rei Dom Manuel I concede à Misericórdia de Braga os mesmos privilégios da Misericórdia de Lisboa (31 de Maio de 1514); D. Diogo de Sousa passa procuração para o dr. João de Coimbra, provisor e vigário-geral bracarense, tomar posse, em nome do Arcebispado de Braga, da Administração de Valença e de todos os documentos, «os ornamentos e assy o thesouro» (4 de Agosto de 1514); divide organicamente o Arcebispado em cinco comarcas: Braga, Bragança, Chaves, Vila Real e Valença do Minho (1515); bula Dudum sub data, pela qual o papa Leão X confirma ao arcebispo D. Diogo a união perpétua do Mosteiro de S. Salvador da Torre à Mesa Arquiepiscopal de Braga com o assentimento do Rei Dom Manuel, seu padroeiro (30 de Abril de 1516); bula Eis quae pro personarum para futura memória, pela qual o papa Leão X lhe confirma a concórdia feita entre o rei Dom Manuel I e os prelados e clérigos do Reino, em que estes se comprometiam a contribuir com 153.000 cruzados, em substituição das terças das rendas eclesiásticas concedidas pelo Papa ao Rei, para custear as despesas da guerra contra os infiéis da África (25 de Julho de 1516); Dom Manuel I concede os estatutos à Santa Casa da Misericórdia de Braga, com iguais privilégios da de Lisboa (15 de Novembro de 1516); fundou os hospícios para alojamento dos almocreves e negociantes que abasteciam a cidade; nomeado testamenteiro da última vontade d’El-Rei Dom Manuel I, por força do testamento régio (7 de Abril de 1517); publica o Manual Bracarense Incipit Manuale Secundum Consuetudinem Alme Bracharensis Ecclesie Cum Quisbusdam Missis Multum Devotis (1517); a pedido do povo e das freiras de Santa Clara, fundou a Colegiada de São João Baptista de Vila do Conde (1518); outorgou os estatutos da Colegiada de São João Baptista de Vila do Conde, composta por prior-presidente e quatro porcionistas raçoeiros (19 de Agosto de 1519); acórdão do Cabido Metropolitano e Primacial da Sé de Braga pelo qual dão consentimento ao provimento que o arcebispo D. Diogo tinha feito a Francisco Belo, «seu criado, do ofjcjo de tamger os orguons da ditta nossa see de brragaa», «em sva vjda», com o salário de 6.000 reais e cinquenta alqueires de pão meada, pago pelas rendas da obra da Sé Catedral (28 de Setembro de 1519); escreve o Memorial do que João Freire Devia Dizer a D. Manuel I em Nome de D. Diogo de Sousa, Contra a Interferência nos Coutos do Arcebispado (23 de Outubro de 1519); declara no referido Memorial dirigido a Dom Manuel I que «todo o meu tempo e fazenda despendo em meu officio sem me lembrar senão o pão de cada dia, nem espero que per minha morte me achem heranças compradas, nem tizouros escondidos» (23 de Outubro de 1519); sentença do Arcebispo de Compostela, como juiz executor pontifício, que confirma o acordo celebrado entre o rei Dom Manuel I e o arcebispo D. Diogo acerca da jurisdição da cidade de Braga e seus coutos (1519); confirma a doação que diversos padroeiros leigos fizeram da Igreja Paroquial de São João Baptista de Vila Chã, em Esposende, dos seus direitos de padroado a D. Jaime, Duque de Bragança (1519); manda fazer uma nova cópia do chamado Censual de D. Diogo de Sousa (13 de Julho de 1520); mandou construir a Capela de Santa Marta das Cortiças, no alto dum monte da freguesia de Santiago de Esporões, termo de Braga (1520); mandou construir a Capela de S. João Baptista da Ponte, Braga; mandou construir a Capela de Nossa Senhora da Abadia, Braga; mandou ladrilhar e fazer um alpendre com colunas na Capela de S. Sebastião, Braga; como arcebispo de Braga mandou transferir as freiras beneditinas de Campos, Vila Nova de Cerveira, para o convento de Viana do Castelo; mandou suspender o seu apoio e patrocínio às obras do mosteiro de Vilar de Frades, porque os frades loios «mandarão por hum decreto de capitulo geral embeber no frontispicio do cruzeiro hum tarjão com a águia das armas da congregação esperando elle hum escudo com as armas dos Souzas próprias suas; e como o arcebispo de enfadado parou com a obra» (1520); carta do arcebispo D. Diogo pela qual valida o emprazamento de umas casas em Bragança, situadas ao Postigo do Sol, feito em três vidas a Cristóvão de Morais por D. Diogo Pinheiro, bispo do Funchal e administrador perpétuo do Mosteiro de Castro de Avelãs (22 de Outubro de 1521); encomenda e patrocina a publicação de Arte de Rezar as Horas Canonicas Ordenadas Segundo as Regras e Costume Bracarense, da autoria do padre Xisto Figueira, que sai a lume em Salamanca (1521); testamenteiro do rei Dom Manuel I (Dezembro de 1521); mandou reformar e ampliar a Igreja de Santa Maria de Ferreiros, concelho de Braga, em cuja fachada colocou o seu brasão; mandou abrir Rua Nova de Sousa, desde a fonte de S. Geraldo até à Porta Nova de Sousa, com «chão cerrado de quintais, que comprou para a fazer e calçar»; mandou fazer a travessa da Rua do Cabido, que vai da Rua Nova de Sousa para o Largo da Sé; mandou fazer uma praceta para venda do peixe, junto à Porta Nova de Sousa; mandou fazer um chafariz junto à Porta Nova de Sousa; mandou fazer no Largo do Paço «um chafariz de novo para receber a água da pia porque o outro era roto, velho e mal feito»; mandou fazer uma praça diante da Sé para a venda do pão; mandou fazer novo edifício para os Paços do Concelho, em cantaria e de dois sobrados, tendo para esta obra comprado quatro casas que mandou derrubar; mandou alargar a Rua de Maximinos; mandou abrir a Rua de S. Marcos, desde a capela da Sé até à porta de S. Marcos, tendo para isso comprado algumas casas e quintais, que mandou derrubar; fez importantes obras de melhoramento no Paço Arquiepiscopal, entre as quais a escada nobre de pedraria, o jardim entre o Paço e a Sé e uma fonte monumental; mandou fazer a fonte de S. Pedro de Maximinos, logo por baixo da antiga igreja; mandou fazer «a fonte que esta a par da dita Igreja de Santa Maria a Branca de novo, onde não havia senão um charco de água, onde nascia a dita fonte e a fez virar e correr para a cidade, com seu chafariz, peitoril e ameias», ornamentada com as armas do arcebispo D. Diogo; mandou fazer «a fonte de S. Marcos de novo com seu chafariz», a «qual dantes era um charco sem nenhuma serventia», decorada com as armas do arcebispo D. Diogo; mandou refazer «a fonte da Carcova a par do castelo com cano muito grande de pedraria e de grandes pedras», a qual estava toda entupida; mandou fazer a fonte da Porta Nova de Sousa; mandou canalizar «água boa» para a cidade e construir fontes públicas; mandou fazer a Rua dos Granjinhos, desde o Hospital de S. Marcos até à Igreja de S. Lázaro; mandou reconstruir de raiz a Igreja de Nossa Senhora-a-Branca, no Campo de Sant’Ana, consagrada a Nossa senhora das Neves; mandou fazer a Ermida de Sant’Ana, no Campo de Santana; mandou erguer o Cruzeiro do Campo de Sant’Ana, composto de «uma cruz no dito Rossio de Santana com seus degraus e a haste de pedra de Viana»; mandou fazer o Cruzeiro do Senhor da Saúde; reedificou a Capela de Santa Marta do Monte; «nos paços arcebispaes perante o Reverendíssimo senhor arçebispo», autorizou a permuta feita entre «Martinho do Couto conego da see do porto e Tristam Pimto abade de sam Joham de gatam deste arcebispado ambos criados de sua Senhorya», «que elles estavam comversados da premudasam» e por isso faziam a permuta entre si da conezia da Sé do Porto e a Igreja Paroquial de São João Baptista de Gatão, em Amarante (7 de Fevereiro de 1523); provisão do arcebispo D. Diogo pela qual confirmou o padre João de Azinheira como capelão perpétuo de Santa Maria de Azinheira e abade de São Miguel de Outeiro Seco, termo de Chaves (27 de Junho de 1523); fundou e mandou construir o mosteiro franciscano da Ordem dos Capuchos da Piedade de Braga, junto da Capela de São Frutuoso (1523); mandou fazer a Fonte de S. Frutuoso, na cerca dos religiosos capuchos; mandou construir a Igreja de S. Jerónimo para serviço paroquial e a fonte de S. Jerónimo, atrás da dita igreja (1523); durante a desordem que opôs D. Diogo Pinheiro, bispo do Funchal e Dom Prior de Guimarães, e Diogo Lopes de Lima, alcaide-mor de Guimarães, por causa duma vaga de cónego do Cabido da Colegiada de Guimarães, e como o dito Diogo Lopes de Lima foi cercar o bispo em Barcelos com «toda a gente de cavallo, e pé, que pôde juntar sua, de parentes, e amigos», vindo ocasião a ajudá-lo muitos parentes e fidalgos do Minho e da Galiza, e na ocasião «acodio o Arcebispo de Braga D. Diogo de Sousa de Vasconcellos, e tanto negociou a razão, e autoridade do Prelado, que os conciliou, evitando a ruina de todos», de «sorte, que ficou feita a paz» (1523); carta do arcebispo D. Diogo a el-rei, a pedir para o monarca intervir junto do Duque de Bragança, a fim deste suspender a devassa dum juiz de fora que ia à vila de Guimarães, sobre o caso do Bispo do Funchal e Diogo Lopes de Lima, por estarem os dois conciliados e unidos (17 de Março de 1524); recusou, de forma diplomática, a sua transferência de Braga para o arcebispado de Lisboa, pois «os arcebispos de Bragua tem pera dar mais igrejas de sua colaçam que todollos prelados do Reyno, a meu entender, porque terá de sua apresentaçam mais de IIIc L igrejas curadas, afora dinidades, conisias, terçanarias e rações» (30 de Novembro de 1524); breve Dudum per nos do papa Clemente VII ao arcebispo D. Diogo, pelo qual manda absolver os que incorreram em censuras e outras penas, por não terem observado o interdito posto na diocese de Braga, contra Rodrigo de Melo, cavaleiro da Ordem de Cristo (4 de Fevereiro de 1525); capelão-mor da Rainha D. Catarina de Áustria, Infanta de Espanha e Rainha de Portugal (1525); deu autorização para o dr. João de Coimbra fazer a Capela de Nossa Senhora da Conceição, na Igreja de São João do Souto, em Braga, conforme a inscrição: «ESTA CAPELLA MANDOU FAZER O DOUTOR JOÃO DE COIMBRA PROVISOR EM ESTE ARCEBISPADO E A DOTOU. REPAIROU A IGREJA EM TEMPO DO PAPA CLEMENTE 7.º E DE EL-REI D. JOÃO III E DO ARCEBISPO D. DIOGO DE SOUSA. TODO SEJA EM LOUVOR DE NOSSO SENHOR E DE SUA MADRE NOSSA SENHORA. 1525» (1525); teve «algumas diferenças, e contendas» com o D. Jaime, 4.º Duque de Bragança, sobre «jurisdicções, e isenções das suas terras de que se originarão largas demandas», pelo que o papa Clemente VII mandou um breve ao duque e outro ao arcebispo a exortá-los «a huma amigavel composição» e concórdia, delegando no Cardeal Infante Dom Afonso a resolução da contenda, «debates e deferenças sobre certas jurdiçoens e cavsas em que litigavees» (Janeiro de 1526 – Maio de 1526); patrocina uma encomenda de pintura mural sacra na capela-mor da Igreja Paroquial de São Salvador de Bravães, Ponte da Barca, ornamentada com o brasão do arcebispo D. Diogo no frontão (1526); carta régia dirigida ao arcebispo D. Diogo, a informar a intenção de apresentar D. Julião d’Alva, confessor, esmoler e tesoureiro da capela da Rainha, como abade da Igreja de São Cristóvão de Vila Chá de Barciosa (1526); a pedido do arcebispo D. Diogo, André de Resende escreve Bracarensis urbis antiquitate et laudibus, um poema épico «de maes de trezentos versos da fundação de Braga, tão polido, & apurado, tão cheio de erudição, e outras elegâncias» (1526); carta do arcebispo D. Diogo a el-rei remetendo uma procuração para a confirmação das demandas entre o Duque de Bragança e a Igreja do Arcebispado de Braga (10 de Janeiro de 1527); mandou fazer um retábulo e pintar a Capela de São Geraldo (Julho de 1527); carta de D. Diogo ao rei Dom João III, na qual aconselha o monarca a fundar um Colégio de Artes e Teologia, «omde se leya Theologia e todalas artes e ciemcias qve pera ella sam necessarios», na cidade de Braga ou no Porto, pela «calidade, ares e tempramça da terra» (21 de Setembro de 1527); trasladou as relíquias de Santo Ovídio, assinalando o novo local com uma lápide (1527); carta do arcebispo D. Diogo de perdão «aos que derem esmolas a Santa Mizericordia», tendo a Mesa da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Viana mandado publicá-la em todas as freguesias «dentre Lima e Minho» de forma a angariar mais esmolas (1527); D. João III, atendendo à muita estima e apreço que tinha pelo arcebispo de D. Diogo e a pedido do próprio prelado, desistiu a favor da Igreja de Braga do direito que tinha de apresentação do arcipreste e dos cónegos da Colegiada de Santa Maria Maior de Viana (27 de Janeiro de 1528); escreve ao rei Dom João III, lamentando pendência sobre a jurisdição de Braga, pois que «sendo a justiça tão clara, o não quisesse cançar no fim dos seus dias, que por sua idade não podiam ser muitos, pois não era serviço de Deus nem de Sua Alteza nem bom galardão do que ele, arcebispo, merecia a estes reinos» (11 de Março de 1528); escreve ao rei Dom João III, a propósito da pendência régia acerca da jurisdição da cidade de Braga, dizendo «que os arcebispos não têm desta dignidade de juro e herdade nem a prazo de três vidas», recordando que «ponha ante si quam poqua sustancia he Braga e que a fiz de novo e despendi nella tanto tempo e dinheiro e não pera ficar a meus herdeiros e como nunca procurei de ter no mundo hum soo palmo de terra, tudo o que fiz foi por Deos e pella alma de vosso pai que me deu este arcebispado e despois pella vossa e muito adiante pella minha» (24 de Março de 1528); lamenta-se ao rei Dom João III dizendo que «o Duque de Bragança tem tomadas muitas igreias a este Arcebispado com o poder do seu juiz de Olivença que o não tem de Direito pera tal fazer», apesar da apelação que fez ao Papa, pois as ditas igrejas «nunca foi de sua apresentação nem de seu pai e auos nem dos reis que lhe derão as terras em que estão, e de todas os Arcebispos estauam em posse de confirmar e collar sem apresentacão de nenhum padroeiro», e o mesmo «Duque de outros dous annos pera ca tomou nouamente em termo de chaves muitas terras e propriedades a esta igreja das quoais esta em posse de receber a renda quando se laurão de duzentos annos a esta parte sem nunca o duque nem seus antecessores leuarem dellas hua soo medida de pão nem cousa que o valesse» (24 de Março de 1528); pretendeu renunciar à Mitra de Arcebispo Primaz de Braga, no que foi desenganado por frei Francisco da Serra de Gata, que lhe disse «que se esquecesse de renuncias, e se preparasse para a eternidade, porque lhe não restavam mais, que quatro anos de vida», pois iria morrer em 1532 (1528); publica uma terceira edição do Breuiarium Bracarense (1528); manda organizar o tombo do Mosteiro de Sanfins de Friestas, Valença do Minho (1528); visita pastoral aos conventos de Freixo, Mancelos e Santa Maria de Oliveira, na região de Entre Douro e Lima, onde manda tresladar «a regra de Samto Agustynho em limguoajem pera que lemdo a ha posão emtemder» (1528); carta de emprazamento do Casal de São Pedro, sito na freguesia do Mosteiro de S. Salvador de Souto, termo de Guimarães, passada em Braga por D. João de Coimbra, provisor e vigário geral do arcebispo D. Diogo de Sousa (17 de Julho de 1529); alvará do arcebispo D. Diogo pela autoriza o tabelião Tomé Dias a mandar tirar, pela letra doutra pessoa, «que p outra p.ª possa tirar tres trellados» do instrumento de fundação e dotação da Capela de Nossa da Conceição que o «Doctor Jmº de coimbra nosso provisor q̃ elle tinha» instituído «huã capella em esta nossa cidade em a Igreia de São Johão do souto» a qual «dotara certos bees e ffazemda» (15 de Abril de 1530); ditou o seu testamento, no qual institui a Capela da Misericórdia e determina que as horas canónicas sejam «rezadas segundo o costume de Bragua, e segundo se rezar e fizer na See» (4 de Maio de 1530); adverte as «dignidades, cónegos e cabiido» da Colegiada de Santo Estêvão de Valença do Minho que não devem usar o rito romano nas missas e rezas e «que daqui en diante cantem, rezem e façaom em ella os officios divinos segundo costume» do Breviário Bracarense, «como por direito som obligados, pois som de nossa diocese» (28 de Julho de 1530); outorgou novos estatutos à Colegiada de Santo Estêvão de Valença do Minho (28 de Julho de 1530); contrata Jerónimo, «homem preto», como atabaleiro «do arcebispo dom diogo de sovsa» (1530); escreve a António Lopes, comunicando-lhe o seu plano de fundar um Colégio de Artes e Teologia ou estudos públicos em Braga e pedindo-lhe que lhe enviasse mestres do estrangeiro, pois «pus mão na obra com consintimento e plazer delrey» (5 de Janeiro de 1531); carta do arcebispo D. Diogo que confirma Bartolomeu Pires como pároco apresentado na Igreja Matriz de São Martinho de Alfaião, comarca de Bragança, por D. Paulo Pereira, comendatário do Mosteiro de Castro de Avelãs (28 de Junho de 1531); provisão do arcebispo D. Diogo pela qual confirmou o padre Cristóvão da Purificação, cónego da Ordem de S. João Evangelista, como abade da Igreja Matriz de São Paio de Midões, em Barcelos (30 de Agosto de 1531); ditou o seu segundo e definitivo testamento, deixando como testamenteiros o padre João Rodrigues de Sousa, deão de Coimbra, abade da Igreja Paroquial de São Salvador de Bravães e seu sobrinho, a António de Menezes, também seu sobrinho, o dr. João de Coimbra, provisor do arcebispado, o padre bacharel Rui Gomes, vigário e desembargador do arcebispado, e o padre João Carneiro, mestre-escola e seu camareiro: «leixo por meus testamenteiros ao dayam de cojmbra e amtonio de Meneses meus sobrinhos e ao doutor Joham de cojmbra meu provisor e ao doutor Ruy gomez meu vigajro e Joham carnejro mestre escola meu camarejro» (14 de Novembro de 1531); fez doação de diversos ornamentos à sua Capela de Jesus da Misericórdia de Braga (30 de Dezembro de 1531); mandou fazer a Fonte da Boavista (1531); mandou fazer a fonte de S. Jerónimo, com um nicho da imagem do santo e as armas do arcebispo D. Diogo, conforme a inscrição: «DIDACVS A SOVSA ARCEBIPUS 1531» (1531); D. Diogo de Sousa faz doação e confirmação do padroado da Igreja Paroquial de São João Baptista de Bico, em Paredes de Coura, ao Visconde de Vila Nova de Cerveira (1531); tença de dois moios de pão pagos a D. Catarina de Sousa em troca de uma vinha que o arcebispo D. Diogo usou para alargar o rossio de Braga (1531); provisão do arcebispo D. Diogo pela qual confirmou o padre bacharel Manuel Falcão como abade da Igreja Paroquial de São João Baptista de Gatão, em Amarante (27 de Janeiro de 1532); provisão do arcebispo D. Diogo pela qual fundou os Estudos Públicos ou Colégio de São Paulo de Braga, que instala na Capela de S. Paulo, junto da Igreja de Santiago da Cividade de Braga, com dois professores de ler e escrever e dois professores de Gramática e Lógica e um capelão de missa, com atribuição de certos rendimentos, para «muyto proveyto ao povo asy eclesyastico como secular», cujo objectivo «he insynar os que nam sabem e socorer aos priguos que da imnorancia se segvem», e assim «ordeney em esta mynha cydade de fazer… hum estudo e collegiuo sob envocação do bemaventurado Sam Paulo, dovtor das gemtes» (1532); considerado «o novo fundador da cidade de Braga» e «mecenas da cultura»; humanista; bibliófilo notável; mandou «fazer mais de trinta livros, bracarenses e romanos», missais, pontifical e litúrgicos.

 

Faleceu em Braga, vitimado por uma apoplexia (19 de Junho de 1532); foi sepultado na Capela do Jesus da Misericórdia de Braga num sarcófago de pedra de Ançã, com estátua jacente e o seguinte epitáfio: «AQVI JAZ. DÕ DIOGVO DE SOVZA. ARCEB̃PO. DE BRAGA. FILHO DE IOÃ ROIZ DE VASCÕCELOS. SOR̃ DE FIGVEIRO E DO PEDROGÃO E DE DONA BRÃCA DA SILVA SVA MOLHER O QVAL ELREI DÕ. IOÃ O SEGṼDO. MÃDOV. POR ẼBAIXADOR A ALEXADRE PAPA SEXTO A LHE DAR SVA OBEDIẼCIA E ELREI DÕ MANOEL TẼDO O. FEITO CAPELAÕ MOR DA RAINHA DONA MARIA SVA MOLHER O MADOV DAR SVA OBEDIECIA AO PAPA IVLIO. SEGVNDO E ELREI DÕ IOA O TERCEIRO O FEZ CAPELAÕ MOR DA RAINHA DONA CATERINA SVA MOLHER O QVAL FEZ ESTA CAPELA PERA. SVA. SEPVLTVRA VIVEO. LXX E. II. ANNOS E FALECEO A XVIIII. DIAS DO MES DE IVNHO DA ERA DE 1532. E TRESLADO DO MEIO CAPELLA AOS XXII DE FEVRº DO ANNO DE 1817 ANNOS SENDO ADMIN O THEZº MOR MANOEL IGNº DE MATTOS SZª CARDOZO» (20 de Junho de 1532); Manuel Inácio de Matos Sousa Cardoso, tesoureiro-mor da Sé, mandou tresladar os seus restos mortais (1817); fundação do Museu de História da Arte e Arqueologia D. Diogo de Sousa em Braga (1918); fundação do Colégio Dom Diogo de Sousa, estabelecimento de ensino da Arquidiocese de Braga (1949); o seu nome consta da toponímia da freguesia da (Braga); comemorações dos 500 anos do início do pontificado do arcebispo D. Diogo em Braga, com a colaboração da Arquidiocese de Braga, Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, Cabido Metropolitano Bracarense, Seminário Conciliar de Braga, Colégio D. Diogo de Sousa, Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva e Câmara Municipal de Braga (Setembro de 2005).

 

O arcebispo D. Diogo de Sousa teve filhos bastardos:

1.1 – D. BRANCA DE SOUSA E SILVA, nasceu em 1490.

Freira no Convento de Jesus de Aveiro.

1.2 – D. PEDRO DE SOUSA, nasceu em 1492.

Clérigo; cónego da Sé de Braga; chantre da Sé de Braga; assina a carta sobre a colheita, dirigida ao Cabido da Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira de Guimarães (14 de Dezembro de 1538); carta de D. Pedro de Sousa, chantre da Sé de Braga, para o rei Dom João III a respeito do inventário de D. Frei Diogo da Silva, arcebispo de Braga (19 de Setembro de 1541). Teve filhos bastardos.

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Domingo, 8 de Junho de 2014

BENZEDURAS E MEDICINA POPULAR DO MINHO XIV

Doença dos Olhos II

 

    Para a cicatriz da córnea e mancha branca que se forma na córnea do olho e turva a vista, que o povinho rebaptiza como belida ou nubecula, a fim de atalhar a maleita empregam esta reza fulminante, que é repetida durante nove dias a eito e nove vezes de cada vez, ao redor do meio-dia, enquanto se fazem cruzes antibelzebu sobre o olho malsão:

Jasu-Cristo nacei

E Birge concebe

E na testemunha desta berdade

Belida e farpã secarás,

Esta bista deixarás em paz!

Um padre-nosso e ave-maria

Im loubor de Santa Luzia!

Òfreço este padre-nosso e ave-maria

A Santa Luzia,

Que nos dê melhoras nos olhos!

 

    Também no caso da belida ou velides, usavam um colírio de gotas de sumo de arruda escorrido nos olhos, que era também empregue para curar as cataratas e tonificante na vista cansada. Para potenciar o efeito do colírio pediam auxílio à corte celeste:

Eu te talho esse unheiro,

Essa néboa, essa belida

Em loubor de Santa Luzia

Que t’acuda e te balha,

Em loubor de Pedro e Paulo

E do milagroso S. Silbestre

Tudo canto faço te preste

E Nosso Senhor Jasus Cristo

Seija o berdadeiro mestre.

 

    Para curar as cabritas, aqueloutras manchas de sangue na parte branca do olho, pega-se num pau de sabugueiro e uma faca noutra mão, tudo posto em cruz e diante do olho atingido, o atalhador recita o seguinte ensalmo, repetindo a lengalenga durante três dias entre o nascer e sol-pôr, terminando com a reza dum padre-nosso, uma ave-maria e um credo cada dia e mais nove salve-rainhas suplementares tão-só no último dia:

Se tens cabrita ou cabriteiro,

Ou unha ou unheiro

Ou argueiro ou arujeiro,

Ou néboa ou naboeiro,

Eu t’atalho e te desfaço,

Neste pau de sabugueiro,

Em loubor de S. Silbestre

Pra qu’este remédio preste!

 

    Já para debelar o farpão, a inflamação palpebral ou conjuntivite escrofulosa, o povoléu atalha o mal passando uma peça de ouro ao de leve pelo olho, ou ao invés, bota uma argola de oiro numa bacia de água, a qual dorme ao relento durante a noite para ser curada pela geada nocturna e logo de manhã, antes do sol-nascente, lava-se a carantonha e o olho com essa água doirada, mais milagrosa que a água-de-malvas.

 

Olho por olho e dente por dente.

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Domingo, 1 de Junho de 2014

LEONEL DE SOUSA DE ANDRADE: Brasão de Armas

    Leonel de Sousa de Andrade, filho primogénito varão de Bento de Sousa Andrade e de D. Maria de Brito Barbosa, nasceu na freguesia de Formariz, concelho de Paredes de Coura (22 de Maio de 1679).

 

Árvore de Costados de Leonel de Sousa de Andrade

Próprio

Pais

Avós

Leonel de Sousa de Andrade

 

N. Formariz 1679

F. Ferreira 1757

Bento de Sousa Andrade

 

N. Ferreira 1644

António de Sousa de Andrade

 

N. Valença

D. Maria Barbosa Mendes

 

N. Ferreira

D. Maria de Brito Barbosa

 

N. Formariz

António Barbosa de Brito

 

N. Paredes de Coura

D. Madalena Fernandes Velho

 

N. Formariz

 

    Recebeu as águas lustrais do baptismo na pia da Igreja Paroquial de São Pedro de Formariz (29 de Maio de 1679); proprietário; casou na Igreja de São Mamede de Ferreira com D. Benta Maria Barbosa da Cunha, natural da freguesia de Ferreira, concelho de Paredes de Coura, filha de Domingos Barbosa, natural da freguesia de Formariz, e de sua mulher D. Esperança Barbosa da Cunha, natural da citada freguesia de Ferreira (20 de Abril de 1711); foi Distribuidor, In­quiridor e Contador do Concelho de Coura e do Couto de Sanfins; escrivão da Câmara e Escrivão da Almotaçaria do Concelho de Coura; fidalgo de cota de armas; vereador da Câmara Municipal de Coura (1726); mercê de usar bacamarte «...para caçar com munição (...) outras aves que nos meses de inverno vem de arribação (...) por ser útil o matarem-se semelhantes aves a sim para o sustento da terra como para evitar o dano que fazem nas searas...», ficando autorizado a «...usar de Espingarda de pederneira com munição de bala...» desde Outubro a princípios de Março seguinte (20 de Agosto de 1726); provisão de mercê para permutar uns bens sitos em S. Pedro de Deão, Geraz do Lima, que herdara de um vínculo instituído pelo padre Estevão Rodrigues da Costa «...5 léguas distante donde o suplicante morava, e ainda (...) eram de pouca entidade que valeriam 250.000 réis, além que rendiam cousa al­guma por falta de cultura, que por caseiros lhe não podia dar, e ninguém os queria (...) e ren­dia anual­mente 6.200 réis» (13 de Outubro de 1733); Juiz Ordinário do Concelho de Coura, «pello Bisconde de Villa Nova de Cerveyra» (1737); vereador da Câmara Municipal de Coura (1747); vereador da Câmara Municipal de Coura (1756); Senhor da Casa da Covinha, em Formariz, freguesia do concelho de Paredes de Coura; Senhor da Casa do Paço, em Ferreira, freguesia do concelho de Paredes de Coura; publicista; genealogista.

 

    Faleceu na freguesia de São Mamede de Ferreira, concelho de Paredes de Coura (22 de Agosto de 1757).

 

    Como fidalgo de cota de armas usou o seguinte brasão:

Escudo peninsular esquartelado:

I – Sousa, de Arronches – esquartelado, o primeiro e o quarto, de prata, com cinco escudetes de azul postos em cruz, cada escudete carregado de cinco besantes de prata, postos em sautor; o segundo e o terceiro de vermelho, com uma caderna de crescentes de prata.

II – Andrade, da Galiza – de verde, uma banda de ouro abocada por duas cabeças de serpe de ouro, com bordadura de prata, carregada da saudação angélica “AVE MARIA GRATIA PLENA”, em letras a negro.

III – Barbosa – de prata, com banda de azul carregada de três crescentes de ouro e ladeada de dois leões afrontados e trepantes de púrpura, armados e lampassados de vermelho.

IV – Caldas – de prata com cinco ciprestes de verde.

 

Elmo:

De aço, gradeado, voltado de perfil a três quartos para a dextra, com paquife.

 

Timbre:

O dos Sousa, de Arronches – um castelo de ouro, de três torres, com porta e frestas de negro.

 

Observação:

Curiosamente, Leonel de Sousa de Andrade, que desenhou ele próprio o seu brasão de armas, optou por usar as armas do apelido Sousa, de Arronches, sem bordadura de vermelho e sem o filete de negro, posto em barra.

Mais curiosa, ainda, a sua opção pelas armas de Andrade, da Galiza, talvez para vincar que seria descendente da família Pérez de Andrade, originária do Solar de Andrade, no termo de Puentedeume.

 

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Quinta-feira, 22 de Maio de 2014

LEONEL DE SOUSA DE ANDRADE

Genealogista, vereador e escrivão

 

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

         Representava Leonel de Sousa de Andrade a lídima descendência duma das mais egrégias e histó­ricas famílias da aristocracia rural desde a idade média, por via do seu antepassado directo D. Garcia Rodríguez de Caldas, fidalgo galego que cerca de 1369 passou ao Reino de Portugal por ser partidá­rio do Rei D. Fernando I, o Formoso, e por cá foi Senhor da Casa do Paço, em Vascões, freguesia do concelho de Paredes de Coura, digníssimo de figurar nos cronicões como notável sujeito, mas também amigo de aforrar honrarias em cofre de oiro.

 

    No século XVI era Senhora do Solar e Casa do Paço de Vascões, sua 4.ª neta D. Maria Barbosa de Sousa Caldas que casou com Pedro Vaz Taboada, fidalgo cavaleiro, cujo filho nascido ao redor de 1560 foi um tal Álvaro Vaz de Caldas, Senhor da Casa do Fojo, em Cer­dal, freguesia do concelho de Valença, além de procurador às Cortes de 1619 convocada pelos áulicos de D. Filipe III para espedaçar a Nação com a unha, e marido de D. Ana Soares da Rocha.

 

    Destes foi filho herdeiro António Vaz de Sousa, Senhor da Casa do Fojo, onde nasceu cerca de 1585 e que casou com D. Ana da Costa Trancoso de Andrade, filha de Pedro Garcia de Lanções de Andrade e de D. Maior Correia Trancoso de Lyra. De entre os vários rebentos de caprichosas matizes que geraram, seguimos tão-somente a linha de seu filho António de Sousa de Andrade.

 

    António de Sousa de Andrade, natural de Valença, veio consorciar-se nas brenhas suevas de seus ante­passados, desta feita na freguesia de Ferreira, do então concelho de Coura, levando ao altar D. Maria Barbosa da Costa ou Maria Barbosa Mendes, filha herdeira de Pedro Barbosa Mendes, Senhor da Casa do Paço, na citada freguesia de Ferreira, e de D. Constança de Araújo da Costa Botelho, esta natural de Barcelos, ao que dizem as pungentes amabilidades dos nobiliários. Tudo gente de luzidíssimo estadão e finíssima prosápia.

       

    Foram os avós de Leonel de Sousa de Andrade, por via de seu filho Bento de Sousa Andrade, Senhor da Casa do Paço, o qual foi baptizado em Ferreira a 18 de Março de 1644 e recebeu o tá­lamo em Formariz a 28 de Dezembro de 1666 ao esposar D. Maria de Brito Barbosa, da Casa da Covinha, filha de António Barbosa de Brito e de D. Madalena Fernandes Velho. Foram os progenitores, além do nosso citado Leonel, do padre José Pereira de Castro, do padre António de Sousa Trancoso de Lanções, de João António de Sousa Trancoso e de D. Teodósia de Sousa Andrade, mãe do clérigo João de Sousa Andrade. Era ainda primo de José Pereira de Brito, que recendia bravíssima fama de capitão-de-mar-e-guerra nas partes da Índia.

 

    Nesta Casa da Covinha, em Formariz, freguesia do concelho de Paredes de Coura, Leonel de Sousa de Andrade brotou para a vida e para este vale de lágrimas a 22 de Maio de 1679, faz agora 335 anos, tendo recebido as águas lustrais do baptismo na pia da Igreja Paroquial de São Pedro de Formariz a 29 de Maio de 1679, murmurava um veio de água cristalina numa regueiro próximo.

 

Árvore de Costados de Leonel de Sousa de Andrade

Próprio

Pais

Avós

Leonel de Sousa de Andrade

 

N. Formariz 1679

F. Ferreira 1757

Bento de Sousa Andrade

 

N. Ferreira 1644

António de Sousa de Andrade

 

N. Valença

D. Maria Barbosa Mendes

 

N. Ferreira

D. Maria de Brito Barbosa

 

N. Formariz

António Barbosa de Brito

 

N. Paredes de Coura

D. Madalena Fernandes Velho

 

N. Formariz

 

    Entre as múltiplas funções públicas que meritoriamente desempenhou devido às suas reais capacidades e condição de nascimento em berço de oiro, andou corcovado em trabalhos moiros como Distribuidor, In­quiridor e Contador do Concelho de Coura e do Couto de Sanfins, Escrivão da Câmara e Escrivão da Almotaçaria, estes por locação, visto o proprietário do ofício ser o seu conterrâneo José de Castro Madriz de Antas.

 

    Foi igualmente vereador municipal, pelo menos em 1726, 1747, 1756 e, por nomeação do Visconde de Vila Nova da Cerveira, ocupa o cadeirão de Juiz Ordinário do Concelho de Coura no ano de 1737,«pello Bisconde de Villa Nova de Cerveyra», a que correspondia o desempenho de grilhões dourados como presidente da Câmara Municipal de Coura, o que dá supor o quilate da personagem. Os processos que des­pachava naquele âmbito, rubricava-os com o apelido Andrade.

 

    A 20 de Agosto de 1726 pagando 540 réis de novos direitos alcançou do Rei a mercê de usar bacamarte «...para caçar com munição (...) outras aves que nos meses de inverno vem de arribação (...) por ser útil o matarem-se semelhantes aves a sim para o sustento da terra como para evitar o dano que fazem nas searas...», ficando autorizado a «...usar de Espingarda de pederneira com munição de bala...» desde Outubro a princípios de Março seguinte[1].

 

    Do mesmo monarca obteve provisão de mercê a 13 de Outubro de 1733 para permutar uns bens sitos em S. Pedro de Deão, Geraz do Lima, que herdara de um vínculo instituído pelo p.e Estevão Rodrigues da Costa «...5 léguas distante donde o suplicante morava, e ainda (...) eram de pouca entidade que valeriam 250.000 réis, além que rendiam cousa al­guma por falta de cultura, que por caseiros lhe não podia dar, e ninguém os queria (...) e ren­dia anual­mente 6.200 réis»[2]. Nesta conformidade que­ria sub-rogá-los com o seu campo do Lagar, da freguesia de Ferreira, onde também residia na Casa do Paço, cujo valor era de 400$000 réis e escudava 15$000 réis de renda anual. Tudo «...por lhe ser mais útil...». Pagou de novos direitos 2$500 réis e ainda 800 réis de feitio e pela assinatura, cousa decerto séria.       

 

    De acordo com os seus pergaminhos, foi fidalgo de cota d’armas, usando um brasão esquartelado com as armas das famílias Sousa (de Arronches), Andrade, Barbosa e Caldas e timbre de Sousa.

 

    Eduardo de Carcavelos, na sua Bibliographia Nobiliarchica Portu­gueza, refere que ele se matrimoniou no Paço de Infesta, o que é manifesto erro, pois topei a boa nova do respectivo registo em São Mamede de Ferreira, aonde recebeu a bênção nupcial a 20 de Abril de 1711 com D. Benta Maria Barbosa da Cunha, dama nascida em Ferreira a 13 de Novembro de 1690, filha de Domingos Barbosa, natural das Lages, lugar da freguesia de Formariz, «insigne cirurgião e lavrador de muitas fazendas»[3], e de sua mulher D. Esperança Barbosa da Cunha, do lugar de Quintão, Ferreira, moradores na Quinta do Paço, Ferreira; neta pela via paterna de João Barbosa e de Madalena Barbosa, de Formariz; pela parte materna neta do padre Gabriel Barbosa da Cunha e de Marinha Rodrigues, moça solteira, de Ferreira.

 

    Foram os pais dos seguintes filhos:

1 – D. FLORÊNCIA JOSEFA DE SOUSA ANDRADE DE BARBOSA E CASTRO, nascida em Ferreira a 19 de Março de 1712.

Filha primogénita e herdeira, 7.ª Senhora da Casa do Paço, em Fer­reira.

Casada em Ferreira a 10 de Novem­bro de 1745 com o brasileiro capitão Lou­renço Alves Ferreira, Senhor da Casa do Rego, em Ferreira, dando continuidade à fa­mília, que veio a entron­car nos Champalimaud.

2 – ANTÓNIO JOSÉ VAZ DE SOUSA DE ANDRADE, nasceu em Formariz a 7 de Fevereiro de 1714.

3 – D. MARIA DE BRITO BARBOSA, nascida em Formariz a 30 de Março de 1716.

4 – D. MARIA DE SOUSA E CASTRO, nasceu em Formariz a 30 de Dezembro de 1717.

Faleceu na Casa do Paço em Ferreira a 2 de Junho de 1762, na condição de mulher solteira.

5 – D. HELENA CLEMÊNCIA BARBOSA DE SOUSA DE ANDRADE, nascida em Ferreira a 12 de Setem­bro de 1719.

Falecida de menor idade a 22 de Maio de 1724.

6 – MANUEL ANTÓNIO DE CASTRO CALDAS E SOUSA, nasceu em Ferreira a 23 de Dezembro de 1720.

Casou a 18 de Abril de 1757 com D. Marta Luísa Pereira Barbosa Marinho[4], filha natural reconhecida do reverendo dr. Francisco Barbosa Marinho e de Mariana Vieites.

7 – D. MERCIANA DE CALDAS MAGALHÃES, nascida em Ferreira a 29 de Dezembro de 1722.

8 – D. CLARA PEREIRA DE SOUSA, nasceu em Ferreira a 10 de Agosto de 1724.

9 – D. LIBERATA TRANCOSO DE ANDRADE E LYRA, nascida em Ferreira a 22 de Abril de 1727.

 

    Também nas intermitências vulgares da paixão, andou por alcovas alheias e teve por fragilidade humana diversos filhos bastardos, dalguns dos quais «fez conta» e outros tão-pouco reconheceu, como aliás era usual na cartilha da época e que seria moroso enunciar aqui e agora.

 

    Na sua Casa do Paço, em Ferreira, passou os umbrais do descanso eterno e hora derradeira na noite de 22 de Agosto de 1757 levado pela garra adunca da morte, depois de gear estios e invernos durante 78 anos, porquanto a lima do tempo tudo consome. Sua viúva entrou no reino da glória a 29 de Dezembro de 1776, certamente de cruz alçada para entrar direita ao céu.

 

    Resta acrescentar que foi precioso genealogista de cousas admiráveis e embrincado juízo, nos floridos da genealogia não tinha émulo. Deixa em 1730 um curioso “BREVE NOBILIARIO Em Que Se Descrevem As Noticias Mais Verdadeiras da Maior Parte da Nobreza do Comçelho de Coura ou TRATADO DE ANTIGVAS E ILVSTRES GERAÇÕES Em Qve Se Aclara A Ascendencia E Nobreza Hereditaria de Lionel de Sovsa de Andrade”, segundo a exacta inferência que se lê no título, cabeçalho mais pesado do que a terra em cima das campas. Escrevinhou ainda outro manuscrito, o “Tra­tado de Certas Famílias e Sua Divisão Para Saber e Não Para Mostrar”, datado de 1733 e cujos fólios originais deixa­ram Coura emalados entre os haveres que Júlio de Lemos daqui arrebanhou quando partiu para Viana em 1911, e faz lástima não saber que destino tomou posteriormente.

 



[1] ANTT, Chancelaria de D. João V, Liv. 69, f 161 v.

[2] ANTT, Chancelaria de D. João V, Liv. 85, f 202.

[3] ANTT, Habilitações para o Santo Ofício, Lourenço, maço 6, diligência n.º 93.

[4] D. Marta Luísa Pereira Barbosa Marinho foi dotada em 1757 com 100$000 réis por sua tia paterna D. Guiomar Mendes Soares Pereira, da freguesia de S. Miguel de Fontoura, a fim de casar com Manuel António de Castro Caldas e Sousa.

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Quinta-feira, 15 de Maio de 2014

CANCIONEIRO TRADICIONAL DO MINHO 21 - Regadinho

Apresentamos hoje a letra da versão alto-minhota do “Regadinho”, uma dança da popular canção de roda, tradicional e vulgarizada em todo o Norte de Portugal:

 

Auga[1] leba o regadinho

Auga leba o bai regar;

A-i-auga[2] do nosso rio

Corre toda para o mar.

 

Auga leba o regadinho

Auga leba o regador;

Encanto[3] rega num[4] rega,

Bou falar ò meu amor.

 

Auga leba o regadinho

Pela minha porta abaixo;

Escorreguei e caí

E cubrei[5] o fundo ao tacho.

 

Auga leba o regadinho

Bai regar o caquié[6];

Encanto rega nũ[7] rega

Bira-te pra mim, José.

 

Auga leba o regadinho

Bai regar o manjarico[8];

Encanto rega nũ rega

Bou falar ò meu Francisco.

 

Auga leba o regadinho

Auga leba o bai regar;

Estes mocinhos dagora[9]

num sabem namorar!

 

Auga leba o regadinho

Bou regar a quinta ao norte;

Estas meninas dagora

Pedem a Deus boa sorte!

 

Auga leba o regadinho

Auga leba o bai regar;

Encanto rega num rega

Ò meu amor bou falar.



[1] Água.

[2] A água.

[3] Enquanto.

[4] Não.

[5] Quebrei.

[6] O que aqui é.

[7] Não.

[8] Manjerico.

[9] De agora.

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Quinta-feira, 8 de Maio de 2014

BENZEDURAS E MEDICINA POPULAR DO MINHO XIII

Doença dos Olhos I

    O povo, na sua sabedoria milenar, sabe que «os olhos são o espelho da alma», basta para tal atender aos inúmeros ditados populares que fazem referência à vista.

 

Ao amigo que nũ é certo, c’um olho fetchado e oitro aberto.

 

    Já agora, uma migalha de linguística: nos tempos idos, no Minho e em Trás-os-Montes, a palavra olho era pouco utilizada por ser tida como indecente por associação com olho do cu, sendo substituída mediante causa eussémica por bista e bistinha.

 

Num chores, amor, num chores,

Que o chorar arrama a bista;

Em me indo eu desta terra

Não faltará quem te assista!

 

    O olho era entendido como zona a defender e preservar, destarte umas noções primárias de assepsia, intocável com os dedos ou mãos, zonas estas sujas por natureza.

 

O mal do olho coça-se com o cotovelo.

 

    Uns dos remédios miraculados do arsenal do poviléu para acudir às desgraças ou inflamações dos olhos recomendava o uso da babuge que tombava da boca do gado bovino quando este bebia num tanque. Lavava-se, então, a zona ocular afectada com a mistela da água e babugem e pronto, estava sarado.

 

A beleza stá nos olhos de quem a !

 

    Nalgumas localidades quem estava doente da vista oferecia à Senhora da Luz um franganito, que recebia a designação de frango dos olhinhos vivos.

 

A cegueira quando dá é pelos olhos.

 

    Para tirar um corpo estranho do olho, seja um algueirinho, algueiro, argalha, argueiro, arujeiro, arujo, bogueiro, ciscalho, cisco, palhinha ou vogueiro, socorriam-se duma famosa pedra-argueira que tivesse vindo do mar ou imploravam o valimento bendito de Santa Luzia.

 

Corre, corre cavalheiro

Pela porta do ferreiro,

Que lá vem Santa Luzia

Pra me tirar este arujeiro.

 

    Noutros lados, quiçá mais descrentes da ajuda celestial, para retirar o tal cisco o povinho de antanho deitava entre a conjuntiva e o globo ocular algumas sementes, três ou cinco, da erva-dos-olhos, e esfregava docemente as pálpebras.

 

Olhos que num bêm, curação que num sentem.

 

   Aqueloutros, mais expeditos nas coisas da anatomia, encaixam a pálpebra inferior debaixo da superior, ou ao contrário, pois tanto faz como fez, e proferem sem descrer ou afiançar no divino:

Algueirinho, algueirinho

Vai para o teu palheirinho,

Que lá está uma faca de latão

Que corta o teu coração.

 

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Quinta-feira, 1 de Maio de 2014

GOVERNADORES E COMANDANTES DA PRAÇA MILITAR DE VALENÇA IV

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

    Governadores militares da praça de Valença do Minho na primeira metade da centúria de Oitocentos (1800 – 1850):

Tenente-general Jean Victoire Miron de Sabione

1798–1801

Governador

Brigadeiro Damião Pereira da Silva de Sousa e Menezes

1802

Governador interino

Coronel de Milícias Sebastião Pereira da Cunha de Mello e Castro Lobo

1802

Governador interino

Brigadeiro Custódio José Gomes de Villas-Boas

24 de Junho de 1807–6 de Abril de 1808

Governador

Coronel de Artilharia Custódio César de Faria Freire de Andrade Villas-Boas

23 de Novembro de 1808–1809

Governador

Brigadeiro José Joaquim Champalimaud de Nussane de Sousa Lira e Castro de Barbosa

2 de Junho de 1812–12 de Outubro de 1815

Governador

Brigadeiro Manuel da Silveira Pinto da Fonseca Teixeira, Conde Amarante

1815–1819

 

Governador

Brigadeiro Manuel da Silva Pinto

1820

Governador

Coronel tenente-rei António Joaquim Silvano

1821–1822

Governador interino e tenente-rei da Praça

Brigadeiro Francisco Xavier Calheiros Bezerra de Araújo

1823–1828

Governador

Brigadeiro José Maria de Moura

1826

Governador interino

Tenente-coronel António de Azevedo e Cunha

1828

Governador interino e tenente-rei da Praça

Brigadeiro Luís Vaz Pereira Pinto Guedes, 2.º Visconde de Montalegre

1832-1833

Governador

Brigadeiro graduado Francisco Joaquim Pereira Valente

Janeiro de 1833

Governador interino

Brigadeiro João Joaquim Pereira da Silva

1834

Governador

Brigadeiro Mariano José Barroso Garcez Palha

1835

Encarregado interino do Governo da Praça

Marechal-de-campo António Vicente de Queiroz, 1.º Barão da Ponte de Santa Maria

12 de Junho de 1835–14 de Novembro de 1838

Governador e Comandante da Subdivisão Militar de Viana

Coronel do Estado-Maior Fernando da Costa Leal

1836

Governador interino

Tenente-coronel de Engenharia João António de Almeida Cibrão

1837

Encarregado interino da Praça

Coronel do Estado-Maior Fernando da Costa Leal

16 de Janeiro de 1837–12 de Maio de 1837

Governador interino da Praça de Valença e encarregado do Comando da Sub-Divisão Militar de Viana

Tenente-coronel Francisco de Alpoim Monteiro Lobato

1837

Governador interino

Coronel do Estado-Maior Fernando da Costa Leal

10 de Abril de 1838–14 de Novembro de 1838

Governador interino

Coronel do Estado-Maior Fernando da Costa Leal

14 de Novembro de 1838–1842

Governador

Brigadeiro graduado José de Sousa Pimentel e Faria, 1.º Barão de Sanhoane

1844–27 de Julho de 1846

Governador

Brigadeiro graduado Fernando da Costa Leal

1847–1850

Governador

 

 

 

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Terça-feira, 22 de Abril de 2014

JÁCOME RODRIGUES DE LUNA

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

    Jácome Rodrigues de Luna nasceu cerca de 1500 na vila de Viana da Foz do Lima, hoje cidade de Viana do Castelo, filho de Ruy Fernández de Luna, natural da Galiza, e de D. Mécia Fernandes Soares de Albergaria, natural da cidade do Porto.

 

ÁRVORE DE COSTADOS DE JÁCOME RODRIGUES DE LUNA

Próprio

Pais

Avós

Jácome Rodrigues de Luna

 

N. Viana 1500

Ruy Fernández de Luna

D. Rodrigo de Luna

D. Elvira

D. Mécia Fernandes Soares de Albergaria

Fernão Anes Ferraz

D. Guiomar Álvares Soares de Albergaria

 

    Foi fidalgo de cota d’armas; cavaleiro fidalgo da Casa Real; comendador de Brito, na Ordem de Cristo; proprietário; Senhor da Quinta de Sequeiros, em Ponte de Lima, por herança; provedor da Mesa da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Viana do Castelo; 1.º Senhor da Casa dos Medalhões ou Casa dos Lunas, em frente da Igreja Matriz de Viana do Castelo, que mandou construir, a qual tem a seguinte inscrição:

“E. C. M. F. IACOME ROIZ. CAVALRO. FIDALGVO. DA CASA. DELREI. NOSO SNOR. E COMEDA DOB. DE. BRIENBIO DOR DLVNA. ARCE BSPO

E. S. M. MA. BARBOSA. BISNETA. DE FERNÃO. GL̃Z. BARBOSA. E BISNETA. DE. MARTĨ DA. ROCHA. FIDICO DOSĨ. DO ĨFÃ DÕ. PEDRO”.

 

    Casou com D. Maria Barbosa de Castro, nascida em Viana do Castelo, filha herdeira de Gonçalo da Rocha Barreto, “o Beiçudo”, e de D. Isabel Barbosa de Azevedo. Filhos:

1 – MIGUEL JÁCOME DE LUNA, nasceu em Viana do Castelo cerca de 1530.

2 – JOÃO JÁCOME DE LUNA, nasceu em 1532 em Viana do Castelo.

3 – PEDRO BARBOSA DE LUNA, nasceu em Viana do Castelo em 1535.

 

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Terça-feira, 15 de Abril de 2014

VIANA DO CASTELO, CIDADE MONUMENTAL XXIV – Casa dos Medalhões

    Na fachada da Casa dos Medalhões, na cidade Princesa do Lima, na pedra da frontaria virada para a Matriz está gravada a seguinte inscrição epigráfica, a qual tem dado origem a leituras diversas, devido ao seu texto complexo, pelas letras inclusas e por estar encurtada por muitas abreviaturas, que aqui desdobro:

 “ESTA CAZA MANDOU FAZER JACOME RODRIGUEZ CAVALEIRO FIDALGO DA CASA DEL REI NOSSO SENHOR E COMENDADOR DE BRITO NA ORDEM DE CRISTO E SUA MULHER MARIA BARBOSA BISNETA DE FERNÃO GONÇALVES BARBOSA E BISNETA DE MARTIM DA ROCHA, FIDALGO DO SENHOR INFANTE DOM PEDRO”.

 

    Porém, o que o lapicida escreveu foi isto, bom, mais ou menos, pois alguns pictogramas não são reproduzíveis em computador, até porque algumas letras estão incluídas dentro de outras:

“E. C. M. F. IACOME ROIZ. CAVALRO. FIDALGVO. DA CASA. DELREI. NOSO SNOR. E COMEDA DOB. DE. BRIENBIO DOR DLVNA. ARCE BSPO

E. S. M. MA. BARBOSA. BISNETA. DE FERNÃO. GL̃Z. BARBOSA. E BISNETA. DE. MARTĨ DA. ROCHA. FIDICO DOSĨ. DO ĨFÃ DÕ. PEDRO”.

 

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Segunda-feira, 7 de Abril de 2014

TENENTE-GENERAL GONÇALO JOSÉ PEREIRA CALDAS

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

Gonçalo José Pereira Caldas ou Gonçalo Pereira Caldas, filho do brigadeiro Gonçalo Pereira Lobato e Sousa e de D. Joana Maria Pereira de Castro, nasceu a 9 de Abril de 1738 em Sende, lugar da freguesia de Cambeses, concelho de Monção, faz agora 276 anos.

 

ÁRVORE DE COSTADOS DE GONÇALO JOSÉ PEREIRA CALDAS

Próprio

Pais

Avós

Gonçalo José Pereira Caldas

 

N. Cambeses, Monção 1738

 

F. Viana 1809

Brigadeiro Gonçalo Pereira Lobato e Sousa

 

N. Cambeses 1688

Tenente-general João Pereira de Caldas

 

N. Monção 1632

D. Mariana Catarina de Castro Pereira de Lanções e Azevedo

 

N. Cambeses 1663

D. Joana Maria Pereira de Castro

 

N. Viana 1707

Mestre-de-campo de Infantaria João Gomes Pereira de Castro

N. Monção

D. Antónia Teresa de Vilas Boas Rego Quezado

N. Viana do Minho

 

Foi baptizado na Igreja Matriz de São Salvador por frei Vasco Bacelar, religioso conventual da Ordem de Santo Agostinho, que serviu também como padrinho, e como madrinha D. Teresa Pereira de Castro, moradora na Casa da Andorinha, na freguesia de São Paio, vila de Arcos de Valdevez, por procuração que deu a sua sobrinha D. Mariana Josefa Pereira de Castro Caldas, irmã do neófito (17 de Abril de 1738)[1]; alvará do foro de fidalgo-cavaleiro da Casa Real (25 de Fevereiro de 1744)[2]; proprietário; Senhor da Quinta São Martinho de Alvaredo; tenente com exercício de ajudante na Praça de Caminha (1 de Outubro de 1752); decreto pelo qual foi promovido ao posto de capitão do Regimento de Infantaria do Pará (4 de Maio de 1753); comissão de serviço militar no Brasil (1753 – 1762); carta patente de sargento-mor de Infantaria da Praça de São Luís do Maranhão (17 de Julho de 1759)[3]; carta patente de sargento-mor agregado no Regimento de Infantaria de Monção (1762); decreto pelo qual foi promovido ao posto de sargento-mor do Regimento de Infantaria de Monção (5 de Junho de 1763); carta patente de tenente-coronel do 1.º Regimento do Porto (13 de Novembro de 1765); carta do tenente-coronel Gonçalo José Pereira Caldas para seu tio tenente-general João de Almada e Melo (Maio de 1766)[4]; decreto pelo qual foi promovido ao posto de coronel do Regimento de Infantaria de Chaves (28 de Julho de 1768); comandante do Regimento de Infantaria de Valença (26 de Fevereiro de 1778 – Novembro de 1796); governador militar da Praça de Valença do Minho (1780)[5]; provedor da Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Monção (1782); decreto pelo qual foi promovido ao posto de brigadeiro de Infantaria (23 de Junho de 1789); decreto pelo qual foi promovido ao posto de marechal-de-campo dos Reais Exércitos (13 de Maio de 1791); governador militar da Praça de Valença do Minho (Maio de 1791 – Novembro de 1796); ofícios de Gonçalo Pereira Caldas, como governador da Praça de Valença e depois como governador das Armas do Minho, para Luís Pinto de Sousa Coutinho, secretário de Estado dos Negócios da Guerra, sobre o contrato do tabaco, funcionamento do Hospital de Vila do Conde, situação de peste na Galiza e questões militares (Janeiro de 1797 – Janeiro de 1801)[6]; 9.º Senhor da Casa de Sende, em Cambeses, por sucessão (Outubro de 1794); 6.º administrador da Capela de Nossa Senhora da Misericórdia, anexa à Casa de Sende, por sucessão (1794); requer a mercê de despacho de remuneração dos serviços prestados por si, pelo seu irmão brigadeiro João Pereira de Caldas, de seu pai brigadeiro Gonçalo Pereira Lobato e Sousa e de seu tio e padrinho marechal-de-campo Bento Pereira de Castro e Azevedo, a fim de se livrar da «indigência a que se acha quase reduzida a sua família» e «por meio da merecida remuneração de tantos serviços, prosseguir mais comodamente com maior crédito no Real Serviço» (1794)[7]; alvará de comendador da Comenda de São Mamede de Troviscoso, na Ordem de Cristo (28 de Maio de 1795); carta de comendador da Comenda de São Mamede de Troviscoso (22 de Dezembro de 1795)[8]; apostila de mercê de 8$000 réis de pensão para suas filhas D. Rosa Inácia, D. Inácia Delfina Cândida, D. Ana Joaquina e filho João (18 de Agosto de 1796)[9]; decreto pelo qual foi promovido ao posto de tenente-general graduado dos Reais Exércitos, com o soldo da sua graduação (20 de Novembro de 1796)[10]; apostila de mercê de 27$000 réis de tença para sua filha D. Inácia Delfina Cândida (12 de Setembro de 1799)[11]; decreto pelo qual foi nomeado governador do Governo das Armas da Província do Minho e comandante da 3.ª Divisão do Exército de Entre Douro e Minho (25 de Novembro de 1800); membro do Estado-Maior do Exército de Entre Douro e Minho (1800); juiz presidente da Irmandade de Nossa Senhora dos Milagres de Cambeses (1803 – 1807); Senhor do Palácio do Campo da Penha, em Viana do Minho, por compra (Julho de 1807)[12]; cumprindo ordens do Governo do Reino, determina quais conventos dos religiosos e casas particulares sejam usadas «para o aquartelamento e fornecimentos da mesma Tropa» francesa que ia entrar em Viana do Minho (5 de Dezembro de 1805)[13]; ordem pela qual manda desarmar o corpo de Ordenanças de Viana do Minho, determinado que sejam entregues «todas as armas de fogo, curtas ou cumpridas, espadas, chuços» (16 de Fevereiro de 1808)[14]; presidente da Junta Provisional do Governo Supremo do Reino em Viana do Minho ou Junta do Governo Provisional da Província do Minho, em consequência da revolta contra a invasão francesa (19 de Junho de 1808 – 12 de Maio de 1809); carta enviada pela Câmara Municipal de Viana e pelo governador do Governo das Armas da Província do Minho às câmaras da Província, onde se anunciava a restauração das autoridades nacionais, e se dava a conhecer os artigos que passavam a regular a jurisdição das autoridades constituídas em Viana em nome do Príncipe Regente (20 de Junho de 1808)[15]; carta pela qual nomeia frei Francisco de São Luís Saraiva como membro da Junta Provisional do Governo Supremo do Reino em Viana do Minho (26 de Junho de 1808)[16]; assina a proclamação “EM NOME DO PRINCIPE REGENTE NOSSO SENHOR. A JUNTA PROVISIONAL DE VIANA UNIDA AO GOVERNO DAS ARMAS DA PROVINCIA DO MINHO. AOS LEAES E GENEROSOS PORTUGUEZES” (26 de Julho de 1808)[17]; motim popular em Viana do Minho exigindo «sem mais delongas, a defeza da terra», por estar doente o general Governador das Armas da Província do Minho, em face da iminente II Invasão Francesa e exigindo a constituição dum Conselho de Defesa de Viana (10 de Abril de 1809); em virtude da «sua prolongada moléstia», nomeia José Carlos Mardel, coronel do Real Corpo de Engenheiros e governador substituto das Armas da Província do Minho, para presidir a uma deputação que devia ir ao encontro das tropas francesas, declarando que a vila de Viana «por pacifica e indefeza», não oferecia estorvo ao exército napoleónico (13 de Abril de 1809)[18]; decreto pelo qual foi exonerado do cargo de governador do Governo das Armas da Província do Minho, a seu pedido (6 de Junho de 1809).

 

Faleceu em 1809, aos 71 anos de idade.

 

Casou a 1 de Dezembro de 1779 com D. Inácia Antónia Micaela de Castro Bacelar e Vasconcelos, nascida a 3 de Julho de 1753 na freguesia de Santo Estêvão, vila de Valença do Minho, filha do sargento-mor Francisco Pereira de Castro Pacheco da Gama, natural da vila de Valença do Minho, e de D. Rosa Luísa de Lima e Melo, natural de Santa Eulália de Cerdal, freguesia do concelho de Valença.

 

Filhos:

1 – JOÃO PEREIRA CALDAS, nasceu a 30 de Setembro de 1781 na vila de Valença do Minho[19].

2 – D. CLARA MARIA XAVIER DE CASTRO PEREIRA CALDAS, nasceu na vila de Valença do Minho a 29 de Setembro de 1782[20].

3 – D. JOANA MARGARIDA PEREIRA DE CASTRO CALDAS, nasceu a 9 de Janeiro de 1784 na vila de Valença do Minho[21].

4 – D. FRANCISCA INÁCIA DE CASTRO BACELAR E VASCONCELOS PEREIRA DE CALDAS, nasceu a 15 de Dezembro de 1785 na vila de Valença do Minho.

Casou em primeira núpcias com João José Lopes de Azevedo Pinheiro Pereira e Sá, nascido em Barcelos em 1786, filho de João Lopes de Azevedo e de D. Maria Teresa Pereira de Faria Vilas Boas.

Casou pela segunda vez, a 30 de Dezembro de 1809, com JOÃO DA CUNHA SOTTOMAYOR, nascido em Viana do Minho em 1767, filho do dr. Manuel António da Cunha Sottomayor Rebelo e de D. Vicência Luísa Pereira Malheiro de Sottomayor; com sucessão.

5 – D. ROSA INÁCIA DE CASTRO BACELAR VASCONCELOS DE LIMA E MELO, nasceu na vila de Valença do Minho a 24 de Maio de 1788[22].

6 – JOÃO PEREIRA DE SOUSA E CALDAS CASTRO, nasceu a 14 de Junho de 1789 na vila de Valença do Minho[23].

7 – D. INÁCIA DELFINA CÂNDIDA DE CASTRO PEREIRA CALDAS BACELAR E VASCONCELOS, nasceu na vila de Valença do Minho a 29 de Setembro de 1790[24].

Casou a 27 de Novembro de 1815 com o general António Lobo Teixeira de Barros de Barbosa, nascido no Porto em 1770, filho do dr. José António de Barros Correia Teixeira Lobo Barbosa e de D. Rita Quitéria Correia Teixeira de Azevedo; com sucessão.

8 – D. ANA JOAQUINA PEREIRA DE CASTRO CALDAS, nasceu em 1791.

9 – D. ANTÓNIA MADALENA PEREIRA CALDAS, nasceu a 7 de Dezembro de 1793 na vila de Valença do Minho[25].

10 – D. MARIA DA FELICIDADE PEREIRA CALDAS E VASCONCELOS, nasceu em 1795.

Casou com José Maria da Veiga Cabral da Gama, filho de Luís Monteiro Correia Pinto e de D. Margarida Barbosa da Veiga Cabral; com geração.

 



[1] ADVC, Registos Paroquiais de Cambeses, Livro de Nascimentos n.º 1, 1731-1751, fl. 25, cota 3.7.4.27.

[2] ANTT, Registo Geral de Mercês, Dom João V, livro 34, fl. 470v.

[3] ANTT, Registo Geral de Mercês, Dom José, livro 13, fl. 455v.

[4] AHM, Cartas, 1766, cx. 20, cota PT/AHM/DIV/1/20/53.

[5] Identificado como coronel do Regimento de Infantaria e Governador da Praça de Valença nos Registos Paroquiais de Santa Maria dos Anjos, vila de Valença do Minho. Cf. ADVC, Registos Paroquiais de Valença, Livro de Nascimentos n.º 2, 1776-1793, fl. 52, cota 3.17.6.29.

[6] AHM, cx. n.º 2, cota PT/AHM/DIV/1/11/02/01.

[7] ANTT, Ministério do Reino, Decretos (1745–1800), pasta 56, n.º 26.

[8] ANTT, Registo Geral de Mercês, Dona Maria I, livro 19, fl. 140; Registo Geral de Mercês, Dona Maria I, livro 19, fl. 296.

[9] ANTT, Registo Geral de Mercês, Dona Maria I, livro 28, fl. 140 e 140v.

[10] Universidade de Coimbra, Notícias Históricas de Portugal e Brasil (1751–1800), Coimbra, 1964,  p. 345.

[11] ANTT, Registo Geral de Mercês, Dona Maria I, livro 29, fl. 224.

[12] O general Gonçalo Pereira de Caldas comprou o Palácio do Campo da Penha por 13.000 cruzados, vendido pelo seu proprietário D. João Corrêa de Sá por provisão régia de 13 de Julho de 1807.

[13] Arquivo Municipal de Viana do Castelo, Livro das Sessões de 1806–1810, fl. 73v.

[14] Arquivo Municipal de Viana do Castelo, Livro das Sessões de 1806–1810, fl. 84.

[15] Henrique José Martins Matos, As Juntas Minhotas de 1808 na Reacção à Ocupação Francesa, Revista da Faculdade de Letras HISTÓRIA, III Série, volume 10, Porto, 2009, p. 52.

[16] José Caldas, História de Um Fogo-Morto (Subsídios Para Uma História Nacional; 1258–1828, 2.ª edição, Viana do Castelo, 1990, p. 447.

[17] Collecção de Papeis Officiaes da Junta Provisional do Governo Supremo, e de Varias Pastoraes, e Proclamaçõens, Desta Cidade do Porto, e de Outras Partes do Reino, e Ainda dos Estrangeiros, Porto, 1808.

[18] Arquivo Municipal de Viana do Castelo, Livro dos Acórdãos da Câmara (1809–1815), fl. 2 e seguintes.

[19] ADVC, Registos Paroquiais de Valença, Santo Estêvão, Livro de Nascimentos n.º 3, 1775-1790, fl. 91, cota 3.17.6.18.

[20] ADVC, Registos Paroquiais de Valença, Santo Estêvão, Livro de Nascimentos n.º 3, 1775-1790, fl. 104v, cota 3.17.6.18.

[21] ADVC, Registos Paroquiais de Valença, Santo Estêvão, Livro de Nascimentos n.º 3, 1775-1790, fl. 123, cota 3.17.6.18.

[22] ADVC, Registos Paroquiais de Valença, Santo Estêvão, Livro de Nascimentos n.º 3, 1775-1790, fl. 173, cota 3.17.6.18.

[23] ADVC, Registos Paroquiais de Valença, Santo Estêvão, Livro de Nascimentos n.º 3, 1775-1790, fl. 181, cota 3.17.6.18.

[24] ADVC, Registos Paroquiais de Valença, Santo Estêvão, Livro de Nascimentos n.º 4, 1808-1840, fl. 31v, cota 3.18.1.2, assento lavrado a 20 de Junho de 1814 por «se ter desencaminhado o livro delles na entrada dos franceses nesta vila».

[25] ADVC, Registos Paroquiais de Valença, Santo Estêvão, Livro de Nascimentos n.º 4, 1808-1840, fl. 31v, cota 3.18.1.2, assento lavrado a 20 de Junho de 1814 pelo padre Gaspar José da Silva Pereira.

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Quarta-feira, 26 de Março de 2014

Lançamento do Livro PADORNELO: DICIONÁRIO BIOGRÁFICO DE PERSONAGENS - Vídeo

    Começo pelo fim, pela conclusão, pois a sessão de lançamento do livro PADORNELO: DICIONÁRIO BIOGRÁFICO DE PERSONAGENS ILUSTRES foi um caso sério de sucesso, mais uma magistral lição de bairrismo e da arte de bem-fazer das gentes e das instituições da nossa santa terrinha. Padornelo mostrou, assim e de forma bem clarividente, que é um caso especial no contexto do concelho e, atrevo-me a afirmar sem qualquer receio, do distrito. Tudo planeado e executado com rigor, método e perfeição, uma conduta quase a raiar o profissionalismo, um profissionalismo levado a cabo por amadores que amam o seu rincão. Uma tarde notável e uma cerimónia marcante nos alvores dos dias alegres!

 

    A sala onde decorreu a sessão pública estava repleta até ao tecto de gente que acudiu dos quatro cantos da freguesia, mas também da vila e do concelho de Paredes de Coura. Muitos vieram de paragens mais longínquas, de Valença, de Ponte da Barca, de Braga, do Porto, de Abrantes, de Lisboa e outras regiões. O anfiteatro da Associação Cultural Recreativa e Desportiva de Padornelo, sita na Valinha, lugar da freguesia de Padornelo, foi insuficiente para albergar todos, tal foi a massa humana que ocorreu para participar e testemunhar o evento, mais uma ocasião para solidificar os laços afectuosos desta comunidade, povo e freguesia de Padornelo todos irmanados como os dedos da mão, a conter o coração aos saltos.

 

    O ribombar estridente dos bombos do Grupo de Zés-Pereiras Os Amigos da Farra de Padornelo, tal como o alarido das trombetas do rei David, marcou o início do vasto programa, criteriosamente estabelecido e rigorosamente cumprido. A mesa de honra formou-se com a presença de Carla Cristina Soares Lima, presidente da Direcção da Associação Cultural Recretiva e Desportiva de Padornelo, Maria Gorete Fernandes Barreiro, presidente da Mesa da Assembleia de Freguesia de Padornelo, Amâncio Barbosa Lourenço, ex-presidente da Junta de Freguesia de Padornelo e convidado de honra do autor, Jofre de Lima Monteiro Alves, autor da obra, Vítor Paulo Pereira, presidente da Câmara Municipal de Paredes de Coura, padre José Domingos Meira da Rocha, pároco da Igreja Matriz de Santa Marinha de Padornelo, e Manuel Fernando Vaz Barbosa, presidente da Junta de Freguesia de Padornelo.

 

    Para além do numeroso público, estiveram presentes inúmeras entidades e individualidades, sendo difícil elencar todas, embora tenha sido perceptível a presença do padre Alcino da Cunha Pereira, antigo pároco da Igreja Matriz de Santa Marinha, vereadores da Câmara Municipal de Paredes de Coura, arcipreste do Arciprestado de Paredes de Coura, autarcas de diversas freguesias, dirigentes de várias Associações Culturais, mais este e aquele e tais e tais.

 

    Não cabia nem mais uma palhinha em qualquer lado. No fundo da sala largas dezenas de pessoas assistiam de pé, outras do lado de fora a vislumbrar pela nesga da porta ou penduradas nas arribas das janelas pelo exterior. Coisa extraordinária, um mar sereno de gente mortinha por ver e absorver! O ar andava pincelado por um sentimento sublime emanado de criaturas embevecidas com toda aquela calorosa e carinhosa manifestação de unidade do povo da freguesia em torno dum objectivo comum que foi assumido por todos: o nosso livro.

 

    Os discursos feitos com alma, pitada de humor, muito emotivos e tão-cheios de brilhantismo, tiveram a cargo de Manuel Barbosa, Carla Lima, Vítor Paulo Pereira, Amâncio Barbosa e Jofre de Lima Monteiro Alves. Todos falaram com o coração nas mãos. A determinada altura foi guardado um minuto de silêncio em honra de Tiago Pereira, recentemente falecido e que consta de pleno direito nas páginas do livro. O Grupo Infanto-Juvenil e o Grupo de Cantigas da Associação Cultural de Padornelo, com as suas vozes celestiais e instrumental sublime, delícia das delícias, abrilhantaram a tarde, como é timbre desta maravilhosa colectividade e como só eles sabem fazer, com insuperável categoria e maviosa qualidade. O Eduardo Daniel Cerqueira serviu como mestre-de-cerimónias de quatro assobios, a fazer a ponte entre isto e aquilo e coisas e loisas, sempre com mestria!

 

    Depois, por profunda amabilidade da Junta de Freguesia de Padornelo e de Jofre de Lima Monteiro Alves foi entregue um exemplar a cada um dos membros que compunham a mesa de honra (Carla Lima, Gorete Barreiro, Amâncio Barbosa, Vítor Paulo Pereira, padre José Domingos Meira e Manuel Barbosa) e às pessoas e empresas que tiveram a amabilidade de patrocinar a edição do livro (António da Costa Barbosa e Sandra Tinoco, António Dantas da Cunha, António de Lima Rodrigues, José Sílvio Barbosa, Simão da Costa, Porfírio Loureiro e Ana Gomes Loureiro, Ilídio Barreiro, Ilídio Dantas Gomes, José da Costa Pereira, José Fernandes Rodrigues, Manuel Veloso, Conceição Barbosa da Silva, Custódia Pereira e Fernando Pedrosa, Os Amigos da Farra de Padornelo, Zulmira Dantas de Lima, José Luís Barbosa e Vidal Dias).

 

    De seguida a Junta de Freguesia de Padornelo, por via dos seus dinâmicos membros Manuel Barbosa, Luísa Sá e Porfírio Loureiro, procedeu à entrega de uma simbólica lembrança ao autor, no caso vertente uma representação artesanal da Capela de Nossa Senhora das Angústias, que é, consabidamente, a menina dos olhos do homenageado. A parte lúdica colectiva encerrou com um suculento copo-d’água servido a todos os presentes e para acalmar os estômagos mais sensíveis.

 

    O êxito foi tão retumbante que duma penada desapareceram quase 200 livros, entre ofertas oficiais e particulares e vendas! Por fim e durante quase três horas, até às 20 horas, o autor assinou centenas de autógrafos sem qualquer intervalo e nunca esmorecer, um contacto humano proveitoso e de enorme proximidade com o público e com os nossos conterrâneos. Ninguém arredou pé, com paciência de anacoreta! Cada contacto foi personalizado, intimista, tentando saber sempre quem era quem em relação aos pais e avós, referências basilares usadas pelo escritor, trocando incessantemente dois dedos de conversa com os compradores. O autor, nessa tarefa que levou a peito e em espirito de missão, levantou-se sempre para entregar em mão o exemplar rubricado, dar um aperto de mão ou um abraço a cada um. Foi um momento íntimo e cordial.

 

    No âmbito das minhas actividades culturais, como é óbvio, já assisti a diversas e incontáveis sessões de lançamentos de livros e garanto, de certa certeza, que nunca vi nada assim, seja em Paredes de Coura, em Viana do Castelo ou inclusive em Lisboa! Foi inigualável no campo da organização, da presença de assistência, do programa cultural, da oratória, do sincronismo, do calor humano e até da emoção ímpar! Tudo absolutamente extraordinário, um esplendor lucilante! Uma grande manifestação de cultura popular e primoroso bairrismo, vera lição para muita gentinha encafuada em gabinetes alcatifados, longe da realidade e do poviléu!

 

    Padornelo foi mais uma vez pioneira absoluta neste campo, como já havia sido noutras matérias, pois foi a primeira freguesia do concelho a publicar uma monografia e a primeira a nível distrital a trazer à luz do dia um livro destas características, um dicionário biográfico de personagens. Padornelo sempre na linha da frente! Para aquilatar como a nossa terra é deveras peculiar, nada melhor do que tornar público as palavras que o padre Alcino me confidenciou e ao meu filho Ilídio Inocêncio, durante o evento: «Eu vinha de uma terra que achava que era perfeita e quando cheguei a Padornelo é que levei uma ensaboadela e descobri o que era a perfeição». Terra abendiçoada, digo eu!

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Segunda-feira, 17 de Março de 2014

Lançamento do Livro PADORNELO: DICIONÁRIO BIOGRÁFICO DE PERSONAGENS





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Segunda-feira, 10 de Março de 2014

DR. MIGUEL JÁCOME DE LUNA

Um Magistrado do Alto Minho

 

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

    Miguel Jácome de Luna nasceu na vila de Viana da Foz do Lima, hoje cidade de Viana do Castelo, cerca de 1530, filho primogénito e herdeiro de Jácome Rodrigues de Luna e de D. Maria Barbosa de Castro.

 

ÁRVORE DE COSTADOS DE MIGUEL JÁCOME DE LUNA

Próprio

Pais

Avós

Miguel Jácome de Luna

 

N. Viana 1530

Jácome Rodrigues de Luna

Ruy Fernández de Luna

D. Mécia Fernandes Soares de Albergaria

D. Maria Barbosa de Castro

Gonçalo da Rocha Barreto, “o Beiçudo”

D. Isabel Barbosa de Azevedo

 

    Fidalgo; proprietário; 2.º Senhor da Casa do Medalhões ou Casa dos Lunas, em Viana do Castelo, por herança paterna; estudante na Universidade de Coimbra; licenciado em Leis; Juiz dos Cavaleiros (1569 – 1573); alvará pelo qual foi nomeado Juiz Corregedor da Comarca da Cidade de Évora (10 de Novembro de 1573); Juiz Corregedor da Comarca de Évora (Janeiro de 1574 – Dezembro de 1576); como Juiz Corregedor de Évora presidiu ao instrumento de abertura oficial do testamento do Senhor Dom Duarte, Duque de Guimarães (28 de Novembro de 1576)[1]; Juiz Corregedor da Casa do Cível da Corte (2 de Janeiro de 1577); Juiz Desembargador dos Agravos da Casa da Suplicação (8 de Novembro de 1577); Juiz Conservador das Causas da Câmara da Cidade de Lisboa (1580 – 1582); como Juiz Conservador assiste à cerimónia solene da entrega ao «mui alto e mui poderoso e mui catholico rei e senhor nosso» Filipe I da chave da «mui nobre e sempre leal cidade de Lisboa» (29 de Junho de 1581)[2]; nomeado Juiz da Casa do Cível do Porto, «porquanto eu não tenho atee ora prouido de conservador da çidade, que servia o Licenciado Miguel Jacome de Luna, do meu Desembargo, que ora se foi para a çidade do Porto»[3], conforme alvará régio (Dezembro de 1582); seu filho Pedro Barbosa de Luna foi admitido como colegial no Colégio Real de S. Paulo da Universidade de Coimbra (Outubro de 1584); vereador da Câmara Municipal de Lisboa (1585 – 1586); fidalgo de cota d’armas, por carta de brasão com as armas das famílias Luna, Soares de Albergaria, Sousa e Barreto, e «nelle provarão serem filhos, netos, e bisnetos, e  treseiros netos de todos os q ficão referidos»[4] (26 de Março de 1586)[5]; Juiz Conservador da Casa da Moeda (2 de Julho de 1586)[6]; nasce seu neto paterno Miguel de Vasconcelos, que seria tristemente célebre (1590); seu filho António Barbosa de Luna foi admitido como porcionista no Colégio Real de S. Paulo da Universidade de Coimbra (28 de Abril de 1591)[7]; D. Joana Ferrão de Castelo Branco, sua viúva, declara no seu testamento que «perdoa a seu Anteado o D.or Ant.º Barbosa de Luna tudo o q lhe devia»[8] (1610).

 

    Casou em primeiras núpcias, em 1558, com D. Genebra Barbosa Aranha, nascida em Viana da Foz do Lima em 1535, filha de Rui Vaz Aranha, “o Moço”, e de D. Grácia da Cunha da Rocha; com geração.

 

    Casou pela segunda vez com D. Joana Ferrão de Castelo Branco, viúva; sem geração.

 

    Filhos do primeiro casamento:

1 – Dr. PEDRO BARBOSA DE LUNA, nasceu em Viana em 1560.

Foi Desembargador.

2 – Dr. ANTÓNIO BARBOSA DE LUNA, nasceu em Viana em 1562.

Foi deputado do Santo Ofício.

3 – LUÍS BARBOSA DE LUNA, nasceu em Viana em 1564.

Foi cavaleiro da Ordem de Malta.

4 – D. GRÁCIA DE LUNA DA ROCHA, nasceu em Viana em 1566.

Foi proprietária.

Casou com Pedro Pinto de Melo.

 


[1] D. António Caetano de Sousa, Provas da Historia Genealogica da Casa Real Portugueza, tomo II, Lisboa, 1742, p. 638.

[2] Eduardo Freire de Oliveira, Elementos Para a História do Município de Lisboa, tomo II, Lisboa, 1987, p. 44.

[3] ANTT, Chancelaria de Dom Filipe I, livro 1, fl. 28.

[4] Manuel Felgueiras Gayo, Nobiliário de Famílias de Portugal, VI volume, tomo XVII, Braga, 1989, p. 185.

[5] Manuel Artur Norton, “Para o Estudo dos Aranhas e Lunas Vianenes”, in CADERNOS VIANENSES, tomo VIII, Viana do Castelo, 1984, p. 221.

[6] Esteves Pereira e Guilherme Rodrigues, Portugal Dicionário Histórico, Corográfico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico: http://www.arqnet.pt/dicionario/lunamigueljacome.html

[7] Collecçam dos Documentos e Memorias da Academia Real da Historia Portugueza, Lisboa, 1727, p. 266.

[8] Cristóvão Alão de Moraes, Pedatura Lusitana (Nobiliário de Famílias de Portugal), tomo quatro, volume primeiro, Porto, 1946, p. 148.

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Sábado, 1 de Março de 2014

O livro NOSSA SENHORA DA GRAÇA – NA FÉ DOS MAREANTES

    Com apresentação do Prof. Doutor Armando Palavras, ocorreu no passado dia 22 de Fevereiro de 2014, na Biblioteca Municipal de São Lázaro, em Lisboa, o lançamento do opúsculo “Nossa Senhora da Graça – Na Fé dos Mareantes”, de autoria de José da Costa Pereira.

 

    Uma pequena brochura que contém o arrolamento de todas as paróquias de Portugal continental e insular consagradas a Nossa Senhora da Graça e aborda outras que não sendo de culto graciano, este, também ali é fervorosamente festejado. É o caso dos Milagres, em Leiria; de São Mamede de Talhadas, em Sever do Vouga; do Eixo, em Aveiro; de São Vicente de Pereira Jusã, em Ovar; de São Bartolomeu de Vale de Pinta, Cartaxo; de Santo Antão de Padim da Graça, Braga; de São Pedro de Vilar de Ferreiros, Mondim de Basto; ou São Pedro de Manteigas (Manteigas), donde partiu a devoção e a imagem da padroeira da paróquia de Graça, de Benguela (Angola).

 

    Destaque dá-se também a Nossa Senhora da Graça de São Salvador da Baia (Brasil) que graças ao insigne estudioso brasileiro Christovão de Avila soube foi a primeira padroeira de terras de Santa Cruz.

 

    Eis o currículo do autor:

 

    «Este pequeno volume que aqui se apresenta é da autoria de Costa Pereira, um colunista com tarimba que nasceu a 6 de Dezembro de 1938, em Vilar de Ferreiros, Mondim de Basto, onde viveu os primeiros anos, repartidos entre a sua terra e Fermil de Basto.

 

    Por volta dos 14 anos foi para Vila Real onde aprendeu a profissão de barbeiro e nessa profissão trabalhou em terras como VN de Famalicão, Nine, São Mamede do Coronado e Lisboa, onde fixou residência em 1961.

 

    Foi pela mão do seu mestre-escola, o saudoso publicista celoricense José Lopes que inicia a sua caminhada na comunicação social, com um artigo publicado no extinto Notícias de Basto, em 25 de Julho de 1960. Depois foi um nunca mais acabar, com colaboração nos mais diversos jornais da Imprensa Não Diária: o NOTÍCIAS DE CHAVES, VOZ DE TRÁS-OS-MONTES, A ORDEM, TERRAS DE BASTO, MONTE FARINHA, POVO DE BASTO, ECOS DE BELÉM, NOTÍCIAS DO BOMBARRAL, A VOZ DE DOMINGO, O MENSAGEIRO, ELO DA BAJOUCA e outros mais, como o BOLETIM DO GRUPO FOLCLÓRICO E RECREATIVO DE VILARINHO - VILAR DE FERREIROS, de que foi fundador.

 

    Mercê do seu profissionalismo e comportamento no ambiente de trabalho vários são os louvores oficiais que lhe foram conferidos: e por Portaria de 9 de Março de 1998 foi condecorado com a Medalha de D. Afonso Henriques, Patrono do Exército, pelo Chefe do Estado-Maior do Exército.

 

    Neste opúsculo sobre o culto graciano, Costa Pereira dá-nos a conhecer várias facetas do mesmo. E uma delas é a de não haver paróquia graciana nas dioceses de Braga, Bragança e Vila Real quando o culto graciano tem ali forte implantação, por isso a certo passo assinala: “Como no caso dos bragantinos e mirandeses, também a Diocese de Vila Real não tem paróquia graciana na área da sua circunscrição, mas em contrapartida tem o mais famoso santuário mariano de Trás-os-Montes e Alto Douro consagrado a Nossa Senhora da Graça.

 

    De Nossa Senhora da Graça - Na Fé dos Mareantes fez referência o autor, dizendo que o título e a devoção não eram termos estranhos a quem nasceu num dos patamares mais sedutores do “Iteiro” da Senhora. De facto fazendo parte do todo que constitui a freguesia de Vilar de Ferreiros, concelho de Mondim de Basto, distrito e diocese de Vila Real, o Monte Farinha ou Senhora da Graça é local privilegiado de terras de Basto, mas também de todo o Norte de Portugal que não tem outro aspeto paisagístico que, como este, pela forma e dimensão se deixe realçar tanto».

 

 
    José da Costa Pereira, o autor, e Armando Palavras, orador convidado, na sessão pública de apresentação da obra NOSSA SENHORA DA GRAÇA - NA FÉ DOS MAREANTES, que teve lugar no passado dia 22 de Fevereiro de 2014 na Biblioteca Municipal de S. Lázaro, em Lisboa.
 
    Aspecto da mesa redonda da sessão de lançamento da obra de José da Costa Pereira na lindíssima Biblioteca Municipal de S. Lázaro.
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Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2014

ANTÓNIO PEREIRA DE LACERDA

Uma Figura do Alto Minho

 

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

    António Pereira de Meireles Vasconcelos da Rocha Lacerda, filho do dr. António Pereira de Vasconcelos da Rocha Lacerda e Melo e de D. Maria da Conceição de Meireles Teixeira Coelho, nasceu a 28 de Fevereiro de 1917 na freguesia de São João Baptista, vila de Ponte da Barca, faz agora 97 anos.

 

ÁRVORE DE COSTADOS DE ANTÓNIO   PEREIRA DE LACERDA

Próprio

Pais

Avós

Bisavós

António   Pereira de Meireles Vasconcelos da Rocha Lacerda

 

N.   Ponte da Barca 1917

F.   Porto 1975

Dr.   António Pereira de Vasconcelos da Rocha Lacerda e Melo

 

N.   Ponte da Barca 1878

F.   Lisboa 1962

Dr.   António Pereira da Costa de Lacerda e Melo

 

N.   Ponte da Barca 1851

António   Pereira da Costa Calheiros de Lacerda e Melo

D.   Maria Benedita de Gusmão Calheiros

D.   Carlota Ernestina de Paços da Rocha e Vasconcelos

 

N.   1860

José   Nicolau da Rocha de Faria Machado

D.   Mariana Augusta de Paços Vasconcelos de Azevedo Ataíde e Menezes

D.   Maria da Conceição de Meireles Teixeira Coelho

 

N.   Celorico de Basto 1891

F.   Ponte da Barca 1974

Francisco   de Meireles Pereira Leite Teixeira Coelho

 

N.   Celorico de Basto 1844

Dr.   António Maria de Meireles de Sequeira Pereira Leite Rangel de Quadros Soares   de Albergaria

D.   Maria das Dores Teixeira Coelho de Melo Freire de Andrade

D.   Adelaide Augusta Vieira Borges de Castro

 

N.   Porto 1854

Gaspar   Joaquim Borges de Castro

D.   Joaquina Augusta Vieira de Magalhães

 

    Proprietário; fidalgo de cota de armas; licenciado em Engenharia pelo Instituto Superior de Agronomia; engenheiro agrónomo; funcionário público; técnico superior do Quadro da Direcção-Geral dos Serviços Agrícolas; director do Posto Agrário de Braga; inspector dos Serviços Agrícolas da Zona Norte; administrador de empresas; fundador e administrador da Celulose do Norte – CELNORTE (1944); mesário da Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia do Porto; provedor da Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Ponte da Barca; director do Hospital da Misericórdia de Ponte da Barca; director do Asilo Condes da Folgosa, de Ponte da Barca; presidente da Junta Arquidiocesana da Juventude Católica de Braga (1945 – 1951); eleito deputado da Nação pelo círculo de Braga, com 54.198 votos (3 de Novembro de 1957); deputado da Nação à VII Legislatura da Assembleia Nacional (Novembro de 1957 – Junho de 1961); vogal da Comissão Parlamentar de Economia, eleito com 89 votos (27 de Novembro de 1957); Senhor da Casa da Torre de Quintela, em São Romão de Nogueira, Ponte da Barca (1962 – 1975); 7.º Senhor da Casa da Portela de Sampriz, em Sampriz, Ponte da Barca (1962 – 1975); Senhor da Casa da Fonte Velha, em Ponte da Barca (1962 – 1975); representante do título de Conde da Campanhã (1962 – 1975); representante do título de Barão de Grimancelos (1962 – 1975); fundador da Adega Cooperativa de Ponte da Barca (1963); presidente da Comissão Concelhia da União Nacional de Ponte da Barca (1969); vogal da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (1969); eleito deputado da Nação pelo círculo de Viana do Castelo, com 34.961 votos (26 de Outubro de 1969); deputado da Nação à X Legislatura da Assembleia Nacional (Novembro de 1969 – Abril de 1973); vogal da Comissão Parlamentar de Economia, eleito com 96 votos (28 de Novembro de 1969).

   

    Casou na Capela da Casa do Carmo, em Guimarães, com D. Maria Luísa da Conceição Cardoso de Macedo e Menezes, nascida em 16 de Fevereiro de 1932 na freguesia de Santa Maria da Oliveira, Guimarães, filha do dr. Luís Cardoso de Macedo Martins de Menezes (Margaride) e de D. Júlia Leonor Pinheiro Lobo Machado (Pindela) (3 de Janeiro de 1953); com geração.


    Faleceu a 29 de Abril de 1975 na Casa de Saúde da Boavista, na cidade do Porto, aos 58 anos de idade.

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Segunda-feira, 10 de Fevereiro de 2014

VASCO GOMES DE ABREU

UM GRANDE FIDALGO DO ALTO MINHO

 

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

                                    

    Vasco Gomes de Abreu nasceu em Monção, cerca de 1330, filho primo­génito e herdeiro de Lourenço Gomes de Abreu, 7.º Senhor da Torre e Honra de Abreu, e de D. Teresa Cor­rêa de Azevedo.

 

ÁRVORE DE   COSTADOS DE VASCO GOMES DE ABREU

Próprio

Pais

Avós

Vasco Gomes de Abreu

 

N. 1330

Lourenço Gomes de Abreu

 

N. 1300

Gomes Lourenço de Abreu

D. Guiomar Lourenço de Valadares

D. Teresa Cor­rêa de Azevedo

 

N. 1310

Estêvão Pais de Aze­vedo

D. Guiomar Rodrigues de Vasconcelos

 

    Foi fidalgo; proprietário; vassalo d'El-Rei; alcaide-mor de Lapela (18 de Março de 1357); alcaide-mor de Melgaço (19 de Julho de 1357); alcaide-mor de Castro Laboreiro (19 de Julho de 1357); «vasco gomez daureu seu vassallo que lhe delles fez menagem» a el-rei como alcaide dos castelos de Melgaço e Castro Laboreiro; assistiu ao célebre juramento que El-Rei Dom Pedro I fez perante a Corte de haver legitimamente esposado D. Inês de Castro (12 de Junho de 1360); participou nas campanhas da I e II Guerra Fernandina entre Portugal e o Reino de Castela (1369 – 1373); Senhor da Quinta de Paredes, em Paredes de Coura, por carta régia de mercê do rei Dom Fernando I (21 de Abril de 1375); 8.º Senhor da Torre e Honra de Abreu, em São Pedro de Me­rufe, Monção; Senhor da Quinta de Afurada, no Almoxarifado de Gaia (19 de Janeiro de 1382); Senhor da Quintã de Lamoso, em Pias, Monção; Senhor de Valadares, de juro e herdade (16 de Fevereiro de 1383); proprietário de imensas terras em Monção, Melgaço, Arcos de Valdevez, Julgado de Fraião e em Paredes de Coura; proprietário em Padornelo; partidário de Dona Beatriz, Infanta de Portugal e Rainha de Castela, e de D. João I de Castela, durante a Crise Dinástica (1383 – 1385); «o Rey D. João 1.º por elle seguir as partes da Raynha D. Leonor Telles lhe tirou as terras que tinha no julgado de Fraião [Coura] e as deu a Lourenço Filgueira» (1384); exilado político em Castela (1385).

    Casou com D. Maior Anes de Portocarreiro, filha de Fernão Anes de Portocarreiro e de D. Maria Vasques de Azevedo. Filhos:

1 – DIOGO GOMES DE ABREU, nasceu em 1360; foi 9.º Senhor da Torre de Abreu.

2 – D. MÉCIA GOMES DE ABREU, nasceu 1361; casada com Garcia Vaz de Aranha.

3 – D. TE­RESA GOMES DE ABREU, nasceu em 1362; casou com Lopo Gomes de Lira, Senhor de Fraião (Coura) e alcaide-mor de Ponte de Lima.

4 – D. HELENA GOMES DE ABREU, nasceu em 1364; casou com Vasco Gil Bacelar, Senhor das Torres de Ba­celar e de Lanhelas.

5 – ÁLVARO VAZ DE ABREU, nasceu em 1365; casado e com geração.

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Sábado, 1 de Fevereiro de 2014

CARDEAL SARAIVA – Heráldica e Iconografia

    Brasão de armas de D. Frei Francisco de S. Luís Saraiva, Cardeal Patriarca de Lisboa:

 

    Escudo de fantasia em forma de cartela e com moldura, partido (por um traço desde o chefe até à ponta):

 

I – De prata, com um leão de vermelho, lampassado e ungulado do mesmo, rompante (por estar firmado sobre a pata traseira esquerda), segurando nas patas dianteiras um báculo pastoral de vermelho, curvado para fora na extremidade superior.

II – Cortado:

1.º, campo semeado de vieiros azul e prata.

2.º, aguado de sua cor; ambos os campos com uma bordadura de vermelho carregada de quatro flores-de-lis de ouro, uma em chefe, outra invertida em ponta e duas deitadas nos flancos.

 

    Sobre o escudo apresenta a mitra patriarcal, alta e redonda, adornada de pedras preciosas e rematada por um globo e sobrepujada de uma cruz de duas travessas, pousada no aro circular cravejado de pedras preciosas duma coroa aberta de cinco florões, carregados com uma pérola no centro, cada um. Do bocal pende uma estola de duas pontas carregadas com a cruz da paixão.

 

    Por detrás do escudo, dois ramos cruzados em aspa, e sobre cada um dos pés da haste, que surgem de trás e ao meio do escudo, repousa uma borla.

 

    A representação policromada que apresentamos tem, óbvios, erros notórios, em especial no que diz respeito ao báculo e à ausência do aguado no 2.º campo.

 

    O dr. D. Frei Francisco de S. Luís Saraiva foi um admirável erudito e grande letrado, sendo considerado como um dos académicos mais notáveis da transição do século XVIII para a centúria de Novecentos, devido aos seus apreciáveis trabalhos nos campos da História dos Descobrimentos, da historiografia, da lexicologia e da filologia. Neste último campo, como filologista dominava em perfeição muitas línguas consideradas essenciais ao saber, sendo cultor fluentíssimo do hebreu, grego, latim e do francês.

 

    Como historiador, legou-nos uma vastíssima obra, fruto da sua inegável capacidade de investigação, um predestinado para desenterrar milhares de documentos nas catacumbas dos arquivos devido à sua sagacidade e perseverança e saber do historicismo científico, por entre milhares de papéis velhos. Abraçou com fervor patriótico a sua missão de historiador e memorialista a fim de desbravar o caminho por onde «a nossa história se fosse alimpando das nódoas e impurezas que tanto a desfeiam e desfiguram».

 

    Felizmente o seu primo em 2.º grau, o conselheiro António Correia Caldeira, procedeu à compilação e edição das OBRAS COMPLETAS DO CARDEAL SARAIVA, editando o I volume em 1855, dez anos depois da sua morte, hercúleo trabalho que se prolongou até à publicação do X volume em 1883.

    Apresentamos, a terminar, dois belissimos retratos de Francisco Luís de S. Luís Saraiva, o primeiro quando ainda era tão-somente frade beneditino, o segundo já como Cardeal Patriarca de Lisboa.
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