Por: Jofre de Lima Monteiro Alves
João Afonso nasceu no Outeiral, lugar da freguesia de Santiago de Romarigães, do então concelho de Coura, em plenas entranhas do mavioso Minho, naquele já longínquo dia 27 de Maio de 1699, na mesma ocasião em que os passarinhos urdiam e afofam os ninhos, faz agora 314 anos. Era filho legítimo de João Afonso, natural da freguesia de Santa Maria de Cabração, concelho de Ponte de Lima, e de Sabina Afonso Gonçalves, natural de Romarigães.
Calçou os tamancos e casou, com ferver recíproco dos noivos, na Igreja Matriz de Santiago de Romarigães a 4 de Fevereiro de 1720. A nubente Maria Rodrigues, mulher de virtude, nascida em 1693 e falecida em 1732, era filha de Pedro Rodrigues e de Isabel Afonso, da mesma aldeia e freguesia. A recém-casada era irmã do garboso familiar do Santo Ofício, Manuel Rodrigues de Lima, de sua graça, homem de posses, teres e haveres e arcas encoiradas.
Este «cunhado rico no Brasil», à viva força de muitos rogos «o quer fazer familiar, correndo com os gastos», como procurador da sua causa e da lei da fatuidade que governa Portugal. Porém, ele pobre diabo e o mais comum dos mortais, não estava tão interessado assim naquele mero pompear de honrarias. Parecia adivinhar o agridoce dos oitos longos anos de penar administrativo, o tempo necessário para fazer a inquirição, uma dor de peito para tais brios de bizarria.
Sendo já banhado nas lágrimas da viuvez, abastado lavrador pelo suor do seu esforço a gadanhar o soro e sangue da terra, acirrado por mor dos pingues chorudos vindos do opulento parente, entrega a 25 de Setembro de 1739 o requerimento para servir o Santo Ofício. Fica a conter o coração aos saltos. A aceitação do candidato era antecedida de um rigoroso processo sobre as qualidades morais, pessoais, familiares, da vida abastada e a regra absoluta de não terem ascendência próxima de herege, judeu, mourisco ou negro. Limpeza de sangue e rendimentos suficientes, eram, resumidamente, os requisitos regimentais.
Principiaram as respectivas inquirições em Abril de 1740, com sucessivas interrupções devido a múltiplas mudanças de inquiridor, este e aquele, por coisas e loisas. O primeiro dos quais foi o licenciado padre António Rodrigues Natividade, abade da Igreja Paroquial de São Mamede de Ferreira. Seguiu-se o comissário Jacinto Moreira Barbosa, abade de Santa Maria de Insalde, e a este, por fim, o reverendo Bento de Azevedo Menezes, abade de São Salvador de Souto de Rebordões, lá para a banda de Ponte de Lima.
Todos ciosos como marajás e doutos na matéria indigesta e engenhosíssima especialidade em dissipar suspeitas. E também peritos nas artes em saber se o habilitando tinha quinhão na culpa de sangue de infecta nação ou daquela gentalha de rabo judeu e se possuía a dignidade social e os patacos necessários ao solene acto de envergar o hábito, tanto como no fruir as honras de vigários do templo e nas rezas das matinas.
O minucioso processo terminou com o despacho de aprovação e habilitação datado de 6 de Junho de 1747. A carta para se encartar como familiar do Tribunal do Santo Ofício da Inquisição foi passada ao lusco-fusco de 30 de Junho de 1747[1]. E depois tomou posse a jurar sobre as letras vermelhas do missal e mais alaridos das trombetas. Cousa singular.
Os familiares do Santo Ofício eram agentes laicos da Santa Inquisição. Entrar para os seus quadros conferia o mais elevado grau de estatuto social e prestígio, permitindo, até, ascender na escala social do Antigo Regime. No caso de João Afonso, passou de labrego das berças a gente de bem e estola, um passo maior do que a perna.
A carta de familiar garantia, por si só, que o habilitando era de boa cepa e de génio rectilíneo em tudo. Tinha limpeza de sangue, meios abastados de subsistência e, essencialmente, atestava a sua origem de cristão velho, submetido através das provanças. Ficava, ainda, imbuído de diversos poderes e regalias no âmbito das diligências daquele tribunal.
João Afonso faleceu em Romarigães a 20 de Fevereiro de 1760. Antes de expirar pediu confessor, um alvoroço aflitivo. Uma certa certeza é ponto de fé: o hábito de familiar do Santo Ofício não lhe trouxe nem acrescentou fama de maior, nem a coberto do escuro se denotou como esbirro ferrabrás a denunciar e condenar vítimas de heresia, apostasia, blasfémia, bigamia, feitiçaria ou judaísmo e demais execráveis coisas. Andou a mourejar pela vidinha, como homem de instinto. Nunca teve a alma encardida de suspeições ou infestado do ácido congénito da malvadez.
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ÁRVORE DE COSTADOS DE JOÃO AFONSO |
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Próprio |
Pais |
Avós |
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João Afonso
* Romarigães, Paredes de Coura, 1699 + Romarigães, 1760 |
João Afonso
* Santa Maria de Cabração, Ponte de Lima |
Domingos Afonso Trigueiro * São João Baptista de Sistelo, Arcos de Valdevez |
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Madalena Rodrigues * Cabração |
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Sabina Afonso Gonçalves
* Romarigães |
João Gonçalves, “o Moleiro” * Romarigães |
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Helena Afonso * Romarigães |
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[1] ANTT, Habilitações para o Santo Ofício, João, maço 87, doc. n.º 1510.
Por: Jofre de Lima Monteiro Alves
João Coelho de Castro Vilas-Boas e Sá, filho primogénito do capitão Fernando Leite Lobo de Vilas-Boas e de sua mulher e prima D. Maria Clara Coelho de Castro Araújo e Vilas-Boas, nasceu a 8 de Maio de 1803 em Viana do Minho, hoje cidade de Viana do Castelo, faz agora 210 anos.
Foi bacharel formado em Direito (1827); Senhor do Morgado e da Casa da Boa Viagem, na Areosa, Viana do Castelo; Senhor da Casa das Leiras, em Caminha; Senhor da Casa do Campo da Feira, em Viana do Castelo; Senhor da Capela e Morgado de São João da Abelheira, Viana do Castelo; administrador do vínculo da Senhora da Boa Viagem; administrador do vínculo do Outeiro; administrador do vínculo da Capela do Auditor, pelo seu casamento; administrador do Morgado da Casa da Fonte dos Gatos, na freguesia de São Pedro de Vade, Ponte da Barca, pelo seu casamento; Senhor da Honra de Estromil, na Maia, pelo seu casamento; Senhor do Morgado de São Bento, em Ponte de Lima, pelo seu casamento; vereador da Câmara Municipal de Viana; capitão do Batalhão de Voluntários Realistas de Viana (1830); coronel agregado ao Batalhão de Voluntários Realistas de Viana (30 de Novembro de 1832); auto de conselho de família pelo qual pede a nomeação de tutor para seu filho João Coelho de Castro Vilas-Boas e Sá, de menor idade, a fim de poder assinar a escritura de anexação dos vínculos instituídos por Francisco Reumate e D. Joana Maria de Sá Sotomaior ao vínculo da Senhora da Boa Viagem, fundado em 1608, de que ele era administrador (1862); representante da família Quezado Jácome de Vilas-Boas, de Viana do Castelo (1867).
Casou a 23 de Julho de 1826 com D. Maria José de Couros Carneiro e Vasconcelos Sá Sotto Mayor, nascida em Ponte de Lima a 5 de Maio de 1813, filha do capitão-mor António de Couros Carneiro e Vasconcelos Sá Sotto Mayor e de D. Henriqueta Júlia de Melo Brito Pacheco; com geração.
Faleceu em Viana do Castelo a 7 de Maio de 1883, aos 80 anos de idade.
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ÁRVORE DE COSTADOS DE JOÃO COELHO DE CASTRO VILAS-BOAS E SÁ |
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Próprio |
Pais |
Avós |
Bisavós |
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João Coelho de Castro Vilas-Boas e Sá
* Viana do Castelo,1803 + Viana do Castelo, 1883 |
Capitão Fernando Leite Lobo de Vilas-Boas
* Viana do Castelo, 1777 |
Fernando Lobo Leite de Vilas-Boas
* Caminha, 1743 |
Dr. Fernando Leite Lobo * Caminha |
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D. Maria Rosenda Ferreira de Vilas-Boas * Viana do Castelo, 1711 |
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D. Francisca Rita de Melo Pereira de Sampaio
* Guimarães, 1754 |
Capitão-mor Paulo Luís de Mello Pereira de Sampayo * Ponte de Lima |
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D. Francisca Bernardina da Silva Machado Leite |
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D. Maria Clara Coelho de Castro Araújo e Vilas-Boas |
Manuel Coelho de Castro e Araújo |
João Coelho de Castro e Araújo |
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D. Jerónima Josefa de Sá Sotomaior |
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D. Ana Margarida de Vilas-Boas |
Dr. Fernando Leite Lobo |
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D. Maria Rosenda Ferreira de Vilas-Boas |
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Estátua de Viana, edificada em Viana do Castelo em 1774, e que em determinada altura esteve colocada em frente da Casa do Campo da Feira. Fotografia de Jofre de Lima Monteiro Alves, datada de 2012.
Por: Jofre de Lima Monteiro Alves
Comendador JACINTO FERNANDES DA BANDEIRA, filho de Luís Fernandes, natural de Valença do Minho, e de Domingas Antunes, natural da freguesia de São Martinho de Crasto, concelho de Ponta da Barca, nasceu na Rua da Bandeira, em Santa Maria Maior, freguesia da então vila de Viana do Minho, hoje cidade de Viana do Castelo, faz agora 268 anos (28 de Abril de 1745).
Foi marçano do comércio em Lisboa (1755); comerciante (1765); por ter nascido na Rua da Bandeira, em Viana do Castelo, e por ser inicialmente conhecido pela alcunha “o Bandeira” adopta mais tarde o apelido Bandeira[1]; homem de negócios (1767); morador na casa do capitão Domingos Dias da Silva, na Rua de São Domingos, freguesia de Santos-o-Velho, cidade de Lisboa (1768); entrega petição para habilitar-se a servir como familiar do Santo Ofício (1768)[2]; carta de familiar do Santo Ofício (10 de Fevereiro de 1769); adquire em hasta pública a Quinta de Santo António da Graciosa, no Monte da Caparica (1770); arrendatário de 5 prazos foreiros aos condes dos Arcos, situados na Caparica; proprietário do Solar da Quinta do Bandeira, no Monte da Caparica; começa a construir a sua casa na Rua de São Domingos, o chamado Palácio de Porto Covo, dando origem ao bairro da Lapa (1770); decorre a inquirição para habilitação de genere para ingressar na Ordem de Cristo (26 de Outubro de 1773 – 18 de Abril de 1774)[3]; cavaleiro professo da Ordem de Cristo (28 de Abril de 1774); mercê da carta de padrão de 48$000 réis de tença pela renúncia de José António Dinis de Ávila (24 de Janeiro de 1775)[4]; mercê da carta de padrão de 12$000 réis de tença com hábito, pela renúncia de José António Dinis de Ávila (25 de Janeiro de 1775)[5]; proprietário e caixa duma corveta com a qual cobrava fretes de comércio nacional e internacional, nomeadamente para o Brasil e Europa (1777); deputado da Junta do Comércio (1779 – 1788); «hum dos homens de Negócio mais ricos de Lisboa»[6]; grande exportador de tabaco para Espanha, negociante de trato grosso para África e negociante de grosso e por atacado para o Brasil com embarcações próprias e fretadas[7]; contratante e arrendatário do Contrato do Estanco do Sal do Estado do Brasil, feito com o Conselho Ultramarino, pelo espaço de seis anos (1 de Janeiro de 1782 – 31 de Dezembro de 1787)[8]; negociante nacional matriculado na praça de Lisboa, estabelecido com loja na Rua de São Domingos à Lapa (1788)[9]; deputado da Real Junta de Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação destes Reinos e seus Domínios, por carta de Lei[10] (5 de Junho 1788 – Maio de 1806); concessionário e administrador das Reais Fábricas de Lanifícios da Covilhã e Fundão, «com todos os seus privilégios, inclusive os do fardamento da Tropa e dos Criados da Casa Real e tudo quantos nelas havia»[11] (alvará de 3 de Junho de 1788); patrocinou a fundação da povoação de Porto Covo, junto a Vila Nova de Mil Fontes, «de que pode resultar muita utilidade ao comércio e transportes da província do Alentejo, cuja povoação se obrigou a concluir na conformidade do mapa que apresentou» (1789); fretou um navio para ir carregar trigo a Mogador, no sudoeste de Marrocos (1789)[12]; abastecedor de chapas de cobre que importava do Norte da Europa para a feitura de moeda pela Casa da Moeda de Lisboa (1789); como procurador e conselheiro de D. Francisca Xavier Mariana de Faro Mello e Castro, 3.ª administradora do vínculo de Monserrate, em Sintra, assina a escritura para «arrendar utilmente a quinta» de Monserrate, trespassada a Gerard DeVisme (14 de Janeiro de 1790); director da Companhia de Pernambuco e Paraíba (1792)[13]; proprietário do ofício de escrivão do Desembargo do Paço (1792)[14]; inspector da Contadoria da Real Junta de Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação destes Reinos e Seus Domínios (1792); requerimento de Joaquim Pedro Quintela e Jacinto Fernandes Bandeira apresentado à Contadoria Geral da África, Maranhão e Bahia no qual solicitam a prorrogação da propriedade do Contrato de Arrematação da pesca das baleias (17 de Julho de 1792)[15]; administrador dos arrendamentos dos dízimos reais da Capitania de São Paulo, Brasil (1792 – 1804)[16]; financiador das obras de construção em Lisboa do Teatro Nacional de São Carlos (Dezembro de 1792)[17]; contratador dos estancos do pau-brasil, tabaco e saboaria, dízimos da Bahia, direitos dos escravos e do Paço da Madeira; tesoureiro geral da Mesa da Santa Casa de Misericórdia e Hospitais Reais dos Enfermos e Expostos; «movido d’um zelo verdadeiramente patriótico, e digno da imitação» colocou os seus navios «que se achão neste porto» ao serviço da Secretaria de Estado da Repartição da Marinha para servirem de transporte gratuito de tropas, de hospitais «ou de qualquer outro ministério que requerer o Real serviço», como «prova de lealdade exemplar» (25 de Abril de 1793)[18]; decreto pelo qual foi agraciado com o foro fidalgo da Casa Real, «com moradia ordinária», pelas «importantes comissões do Real serviço» e por «ter gratuitamente oferecido os seus dous navios, denominados Santos Martyres e Santo Antonio Olinda, prontos e equipados á sua custa, para levarem, como levaram, tropas portuguezas á Bahia e porto de Rosas, e haver principiado uma povoação no sitio de Porto Covo», tudo sem dispêndio para o Estado (31 de Maio de 1794)[19]; carta de mercê do foro de fidalgo-cavaleiro da Casa Real, com o 1$600 réis de moradia por mês e 1 alqueire de cevada por dia «pelos seus importantes serviços» (12 de Julho de 1794); alvará para «poder meter certa pressão de águas livres para a sua casa» de morada (25 de Agosto de 1794)[20]; era o maior consignatário de navios franceses dirigidos para Lisboa; real ordem pela qual foi nomeado Comissário da Marinha para o fornecimento dos Reais Armazéns «com jurisdição sobre tudo o que dissesse respeito a provisões do Arsenal e da frota nacional», «atendendo ao distinto serviço que Jacintho Fernandes Bandeira lhe tem feito» (24 de Janeiro de 1795); 1.º Senhor de Porto Covo, «em consideração da actividade com que promove o estabelecimento e povoação de Porto Covo, em benefício da agricultura, da pesca e do provimento da Corte, além de diversas comissões que tem desempenhado com satisfação» (13 de Junho de 1796); agraciado com o grau de comendador da Comenda do Forno do Paço do Conselho da Ordem de Sant’Iago, em sua vida (decreto de 13 de Junho de 1796); capitalista; financeiro; agente financeiro da Coroa em situações de aval e empréstimo; proprietário da instituição bancária Casa Jacinto Fernandes Bandeira; em audiência com o Príncipe Regente, conjuntamente com outros comerciantes, oferecem os seus préstimos «á proporção dos seus cabedaes, e até com as sus pessoas em massa, sacrificando mesmo as próprias vidas, se tanto pedir a defensa da Nação Portugueza, e a segurança da Coroa» (4 de Janeiro de 1797)[21]; nomeado recebedor, depositário e claviculário da soma destinada ao pagamento do Juro e Capital do Empréstimo por via de Subscrição debaixo da hipoteca para construção do Hospital da Real Armada, no valor de 150.000 cruzados (alvará de 27 de Setembro de 1797)[22]; renovação do trato de arrematante do contrato dos dízimos da Capitania de São Paulo por mais seis anos e pelo preço de 89.200.000 réis, propinas costumeiras e condições anteriores (24 de Novembro de 1798)[23]; concessionário e administrador das Fábricas de Lanifícios da Covilhã, Fundão e Portalegre, «por espaço de vinte anos» (alvará de 23 de Janeiro de 1799)[24]; deputado e tesoureiro da Junta da Arrematação das Rendas para o Pagamento dos Juros do Novo Empréstimo e da Real Loteria (alvará de 18 de Junho de 1799)[25]; emite um parecer sobre o pedido de Zimberto Arnsink para a criação de um lugar de cônsul na Cidade do Cabo da Boa Esperança (8 de Agosto de 1799)[26]; detentor das rendas do contrato do tabaco e do produto da venda de diamantes do Reino (1800); nomeado recebedor e claviculário do empréstimo de «40 contos de réis» para a obra do Lazareto de Lisboa, do qual tinha sido um dos treze subscritores, «os quaes movidos de hum puro, e ardente amor do Meu Real Serviço» eram accionistas das apólices das ditas acções (resolução de 19 de Novembro de 1800)[27]; administrador geral do estabelecimento de Depósito para Porto Franco de Lisboa[28], estabelecido no Forte de São João da Junqueira (1800 – 1806); fornecedor de chapas de cobre que importava da Suécia para abastecimento da Casa da Moeda de Lisboa (1800)[29]; nomeado recebedor, depositário e claviculário da soma destinada ao pagamento do Juro e Capital do Empréstimo ampliado para construção do Hospital da Real Armada, agora no valor de 250.000 cruzados (alvará de 2 de Setembro de 1801)[30]; sócio fundador e administrador da Real Companhia do Novo Estabelecimento para as Fiações e Torcidos das Sedas, tendo na ocasião instituído quatro prémios de 1$600 réis cada para «aquellas pessoas, que mais se distinguirem na plantação de amoreiras, e creação de casulos» (alvará de 6 de Janeiro de 1802)[31]; trata com D. José Maria de Sousa Botelho acerca da questão relativa ao empréstimo de 2.000.000 de libras feito pelo governo francês (15 de Junho de 1802)[32]; sócio accionista e fundador da Real Fábrica de Papel da Ponte da Couraça, na vila de Alenquer (alvará de 2 de Agosto de 1802)[33]; alcaide-mor de Vila Nova de Mil Fontes, em duas vidas (decreto de 14 de Novembro de 1802); conselheiro honorário do Conselho Real da Fazenda[34] (14 de Dezembro de 1802); foi encarregado, com outros financeiros, de amortizar e fazer os pagamentos do empréstimo contraído na Holanda e do empréstimo feito pelo governo francês (1802 – 1806)[35]; arrematante do contrato geral das Saboarias destes Reinos e seus Domínios, com a duração de nove anos (Janeiro de 1804)[36]; 1.º Barão de Porto Covo da Bandeira, em duas vidas, por decreto do Príncipe Regente Dom João (15 de Agosto de 1805)[37]; carta de assentamento da mercê do título de Barão de Porto Covo da Bandeira (12 de Setembro de 1805); manda reedificar a Ermida de Nossa Senhora da Graça da Graciosa, no Solar da Quinta do Bandeira, no Monte da Caparica, que tinha sido transferida da aldeia de Porto Covo[38] (1805); declara seu sobrinho Jacinto Fernandes da Costa Bandeira como herdeiro universal e testamenteiro (Maio de 1806); o seu nome consta da toponímia de Porto Corvo (Sines).
Faleceu em 30 de Maio de 1806, no estado de solteiro.
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ÁRVORE DE COSTADOS DE JACINTO FERNANDES BANDEIRA |
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Próprio |
Pais |
Avós |
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Jacinto Fernandes Bandeira
* Viana do Castelo 1745 +Lisboa 1806
1.º Barão de Porto Covo da Bandeira |
Luís Fernandes
* Valença do Minho 1715 |
João do Vale * Paróquia de Sárdoma, Reino da Galiza 1680 |
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Maria Fernandes * Gandra, Valença |
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Domingas Antunes * São Martinho de Crasto, Ponta da Barca |
Domingos Francisco * Crasto, Ponte da Barca |
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Simoa Antunes * Crasto, Ponte da Barca |
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[1] Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, volume XXII, Lisboa, 1950, p. 689.
[2] Albano da Silveira Pinto e Visconde de Sanches de Baena, Resenha das Famílias Titulares e Grandes de Portugal, tomo II, Lisboa, 1883, p. 334.
[3] ANTT, Mesa da Consciência e Ordens, Habilitações para a Ordem de Cristo, letra J, maço 57, n.º 5.
[4] ANTT, Registo Geral de Mercês, Dom José, livro 28, fl. 77v.
[5] ANTT, Registo Geral de Mercês, Dom José, livro 28, fl. 77v.
[6] Manuel Felgueiras Gayo, Nobiliário de Famílias de Portugal, II volume, tomo V, Braga, 1989, p. 384.
[7] Jorge Miguel Pedreira, Tratos e Contratos: Actividades, Interesses e Orientações dos Investimentos dos Negociantes da Praça de Lisboa (1755-1822), in Análise Social, volume XXXI, Lisboa, 1996, p. 363.
[8] Joaquim José Caetano Pereira e Sousa, Diccionario Juridico, Theoretico e Practico, Remissivo ás Leis Compiladas e Extravagantes, tomo III, Lisboa, 1827; Arquivo Histórico Ultramarino, Catálogo de Documentos Manuscritos Avulsos Referentes a Contratos do Sal, Lisboa, p. 18.
[9] Almanach para o Anno de MDCCLXXXVIII, Lisboa, p. 208.
[10] Manuel Lopes de Almeida, Notícias Históricas de Portugal e Brasil (1751-1800), Coimbra, 1964, p. 185.
[11] Jacome Ratton, Recordações de Jacome Ratton Sobre Occurencias do Seu Tempo em Portugal, Durante o Lapso de Sessenta e Tres Annos e Meio, Londres, 1813, p. 268.
[12] ANTT, Cartório 2, livro 94, fl. 72, e livro 136, fl. 106.
[13] José Aníbal Marinho Gomes, Para a História da Nobreza Titulada de Viana do Castelo: Barões, Viscondes e Condes de Porto Covo da Bandeira, in A Falar de Viana, volume XV, Viana do Castelo, 2009, p. 245.
[14] Afonso Eduardo Martins Zúquete, Nobreza de Portugal e do Brasil, volume III, Lisboa, 1961, p. 169.
[15] Documentos Manuscritos Avulsos da Capitania da Bahia 1604-1828, p. 9.
[16] Maria Lucília Viveiros Araújo, A Arrematação dos Direitos Régios de São Paulo, São Paulo, 2009, p. 7.
[17] Manuel Ivo Cruz, O Teatro Nacional de S. Carlos, Porto, 1992, p. 10.
[18] Manuel Lopes de Almeida, Notícias Históricas de Portugal e Brasil (1751-1800), p. 247.
[19] Albano da Silveira Pinto e Visconde de Sanches de Baena, Resenha das Famílias Titulares e Grandes de Portugal, tomo II, p. 333.
[20] ANTT, Registo Geral de Mercês, Dona Maria I, livro 21, fl. 322v.
[21] Manuel Lopes de Almeida, Notícias Históricas de Portugal e Brasil (1751-1800), p. 350.
[22] António Delgado da Silva, Collecção da Legislação Portugueza Desde a Ultima Compilação das Ordenações, Lisboa, 1828, pp. 460-462.
[23] Fernando Dores Costa, Capitalistas e Serviços: Empréstimos, Contratos e Mercês no Final do Século XVIII, in Análise Social, volume XXVII, 1992, p. 457.
[24] António Delgado da Silva, Collecção da Legislação Portugueza, p. 519.
[25] António Delgado da Silva, Collecção da Legislação Portugueza, pp.563-565.
[26] AHM, Divisão 3, Assuntos Militares Gerais, cx. n.º 5; o parecer foi assinado por Jacinto Fernandes da Bandeira, Domingos Vandelli, Geraldo Venceslau Braamcamp, Jacome Ratton e Francisco Soares de Araújo.
[27] Manuel Lopes de Almeida, Notícias Históricas de Portugal e Brasil (1751-1800), p. 432.
[28] Jacome Ratton, Recordações de Jacome Ratton, p. 108.
[29] Isabel Cruz, Cobre na Amoedação em Portugal – O Exemplo da Casa da Moeda de Lisboa, sítio na Internet visitado em 12 de Março de 2013: http://triplov.com/isabel_cruz/cobre/moe
[30] António Delgado da Silva, Collecção da Legislação Portugueza, p. 744-745.
[31] Gazeta de Lisboa, Suplemento, n.º V, 5 de Fevereiro de 1802, p. 4.
[32] Arquivo Histórico Militar, Comando do Conde de Goltz (1801-1807): Inventário de Documentos, Lisboa, 2007, p. 7.
[33] Gazeta de Lisboa, n.º 37, 14 de Setembro de 1802, p. 4.
[34] Luís da Silva Pereira de Oliveira, Privilegios da Nobreza e Fidalguia de Portugal, Lisboa, 1806, p. 97.
[35] David Rabello, Os Diamantes do Brasil na Regência de Dom João (1792-1816): Um Estudo de Dependência Externa, São Paulo, 1997, pp. 161, 168, 171, 175, 190, 191, 192, 210 e 211.
[36] Foram co-arrematantes os seguintes indivíduos: Joaquim Pedro Quintela, Jacinto Fernandes Bandeira, Geraldo Venceslau Braamcamp de Almeida Castelo Branco, João Pereira Caldas, Francisco Pedro Quintela, António Francisco Machado, António José Ferreira, Jacinto Fernandes da Costa Bandeira e os herdeiros de Anselmo José da Cruz Sobral.
[37] Gazeta de Lisboa, Segundo Suplemento, n.º XL, 5 de Outubro de 1805, p. 3.
[38] Sara Andrade, Solar da Quinta do Bandeira, 2001, sítio da Internet visitado em 12 de Março de 2012: http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesU
NATURAIS DO CONCELHO DE VALENÇA DO MINHO FALECIDOS EM FRANÇA
Segunda Parte
Por: Jofre de Lima Monteiro Alves
José Rodrigues, soldado da 2.ª Companhia do Regimento de Infantaria n.º 3; nascido em 30 de Maio de 1893 na freguesia de São Miguel de Fontoura, filho de António Rodrigues e Maria Vaz; casado e morador em Fontoura; embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à 4.ª Brigada de Infantaria; falecido em 12 de Março de 1918; sepultado no Cemitério Militar Português em França.
António Joaquim Álvarez, soldado servente da 3.ª Bateria do Batalhão de Artilharia de Guarnição; nascido em 20 de Fevereiro de 1894 em Soutilho, lugar da freguesia de São Salvador de Ganfei, filho de Manuel Joaquim Álvarez e de Cândida Joaquina Fernandes; solteiro e morador em Ganfei; embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 27 de Agosto de 1917, onde pertenceu ao Corpo de Artilharia Pesada; falecido em combate a 9 de Abril de 1918; sepultado no Cemitério Militar Português em França.
Manuel Gonçalves Vila Boa, soldado da 3.ª Companhia do Regimento de Infantaria n.º 3; nascido em 18 de Fevereiro de 1892 na Pedreira, lugar da freguesia de Santiago de Boivão, filho de João Gonçalves Vila Boa e de Rosa Pedreira; solteiro e morador em Boivão; embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à 4.ª Brigada de Infantaria; falecido em combate a 9 de Abril de 1918.
José Vaz Brito, soldado da 4.ª Companhia do Regimento de Infantaria n.º 3; nascido em 13 de Julho de 1895 na Riba, lugar da freguesia de São Mamede de Friestas, filho natural de Rosa Vaz de Brito, solteiro e morador em Friestas; embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 22 de Abril de 1917, onde pertenceu à 4.ª Brigada de Infantaria; falecido em combate a 9 de Abril de 1918.
Alfredo Francisco Guia da Silva Branco, primeiro-sargento da 3.ª Companhia do Regimento de Infantaria n.º 3; nascido em 26 de Dezembro de 1875 na freguesia de Valença do Minho, filho natural de Rosa Maria da Guia da Silva; casado e morador em Valença; embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à 4.ª Brigada de Infantaria; falecido em combate a 18 de Setembro de 1918; sepultado no Cemitério Militar Português em França, em Richebourg.
Floriano Augusto Ferreira, soldado da 4.ª Companhia do Regimento de Infantaria n.º 3; nascido em 27 de Janeiro de 1895 no lugar de Lamas, freguesia de São Salvador de Arão, filho de João Pires Ferreira e de Ana Felgueiras; solteiro e morador em Arão; embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 22 de Abril de 1917, onde pertenceu à 4.ª Brigada de Infantaria; falecido em combate a 3 de Outubro de 1918; sepultado no Cemitério Militar Português em França, em Richebourg.
Telmo Esteves, soldado da 4.ª Companhia do Regimento de Infantaria n.º 3; nascido em 6 de Dezembro de 1893 na freguesia de Santiago de Boivão, filho de António Esteves e de Ana de Sousa; solteiro e morador em Boivão; embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 22 de Abril de 1917, onde pertenceu à 4.ª Brigada de Infantaria; falecido em combate a 6 de Novembro de 1918; sepultado no Cemitério Militar Português em França, em Richebourg.
Soldados do Corpo Expedicionário Português a bordo dum transporte e a caminho da França em Abril de 1917.
Álvaro da Rocha Brito e Aguiã nasceu em berço de oiro nos Arcos de Valdevez a 6 de Abril de 1871, no seio de uma eminente e antiga linhagem, com golfadas de sangue visigótico e pergaminhos de tetraneto dos reis godos. Era quinto e penúltimo filho do tálamo de Jácome de Brito da Rocha e Sousa de Aguiã, Senhor da Casa do Requeijo, em Giela, Arcos de Valdevez, e de D. Maria Guilhermina de Araújo e Azevedo de Brito Soares de Castro; neto pela via paterna de Joaquim da Rocha e Brito de Aguiã e de D. Maria Angelina de Araújo de Sousa e Castro de Brito, da sobredita Casa e Vínculo de Requeijo; neto materno de Luís Maria Cardoso de Araújo e Azevedo, Senhor da Casa da Ponte, na vila de Arcos de Valdevez, e de D. Mariana Joaquina de Brito Soares Pereira de Castro, morgada de São Francisco Xavier de Mei, Arcos de Valdevez. Tudo cepa de fidalgas vaidades e geração desde os fundos dos tempos, segundo asseveram os cartapácios.
Por via paterna entroncava numa remota família originária de Coura. Isto porque seu 4.º avô Jácome de Brito da Rocha, Senhor da Casa da Torre de Aguiã, Morgado de Linhares, capitão-mor de Arcos e mais prosápia, casou na freguesia de Castanheira com uma senhora ali nascida, D. Serafina Maria da Cunha de sua graça, filha herdeira dos cobres de Paio da Cunha Pereira, natural de Castanheira, e de Maria Rodrigues da Cunha, natural de Penim, lugar da freguesia de Cunha.
Voltemos ao nosso Álvaro de Aguiã, abastado proprietário rural, acumulava de ânimo enfastiado a prebenda de escrivão de Direito e notário do Cartório Notarial de Valença do Minho. Nesta localidade fronteiriça, nos intervalos das canseiras dos emolumentos, ocupou-se como vogal da Mesa da Santa Casa da Misericórdia de Valença, a qual seria dissolvida a 1 de Novembro de 1904. Foi igualmente director da Sociedade Recreativa Assembleia Valenciana, eleito em Janeiro de 1911.
Depois de botar inculcas, mira aqui, remisga ali, a 28 de Janeiro de 1905 levou ao altar a prendada morgadinha D. Angelina Joaquina de Azevedo Araújo e Gama, filha de José Maria de Azevedo Araújo e Gama, Senhor da Casa do Terreiro, em Arcos de Valdevez, e de sua mulher e prima D. Emília Delfina de Azevedo Araújo e Gama Peixoto. Gente de arcas doiradas e canastros repletos de milho.
Corria o dia 30 de Abril de 1910, ei-lo pimpão a tomar posse do cargo de Administrador do Concelho de Paredes de Coura, substituindo Manuel Sara de Faria, jura solenemente fazer acatar a Lei e defender o Rei. Havia sido requisitado ao Ministério da Justiça, pelo Ministro do Reino para exercer as funções de magistrado no concelho courense.
Nesta localidade, era já figura conhecida e respeitada, pois seu irmão Luís Maria da Rocha e Brito de Aguiã faleceu na vila de Paredes de Coura em Outubro de 1906, vítima da gadanha da tuberculose, após um ano de estadia e tratamento neste paraíso da natureza mais cristalina, adonde o vinha confortar com frequência, assim alargando o seu âmbito social.
Dos actos da sua incumbência como Administrador do Concelho a história regista a parte gaga da demissão que lavrou em Maio de 1910 contra um tal José Augusto Fontes, que ocupava a regedoria de Formariz, o qual foi exonerado por ser republicano de gema, vogal substituto da Comissão Municipal Republicana e homem de raciocínio reticente e escorregadio.
Conectado com o Partido Progressista, o fidalgote arcuense pediu exoneração do cargo a 1 de Julho de 1910, logo após a queda do governo do prof. Francisco da Veiga Beirão, sendo substituído, interinamente, pelo padre dr. Narciso Alves da Cunha. Ala ligeiro a romper solas em direitura da repartição de Valença.
A 20 de Setembro de 1910, em visita de estilo, veio a Coura o conselheiro Manuel Afonso de Espregueira, famosíssimo político monárquico progressista, e entre os cotovelos dos sequazes que disputam um milímetro de reça de sol naquele prestameiro beija-mão curvilíneo, lá está Álvaro de Aguiã, por entre gentinha pasmada.
Derrubada a Monarquia, um mundo extinto a 5 de Outubro de 1910, segue o princípio de «estar bem com Deus e com o Diabo», servir o novo regime e os seus interesses particulares. Nunca perdeu a tramontana e abandona os anteriores ideais monárquicos. Como milhares de outros, entra na avalancha das adesões à causa republicana, vira apressadamente a casaca. Estes troca-tintas ficaram conhecidos na história pela satírica designação de adesivos, devido a uma acentuada e rápida colagem. A maioria aderiu de supetão ao grupo político de Afonso Costa, lestos a preservar ou mendigar empregos altamente remunerados e lugares pingues na mesa do festim do Orçamento de Estado.
Não foi, contudo, Álvaro de Aguiã um adesivo qualquer. Sobressaiu pelo seu elevado grau de intolerância, fanatismo e ferocidade que passou a ostentar. Deu as mais absolutas garantias de fidelidade canina ao novo regime, como se toda a vida republicano fora, com a cota do partido em dia, a desfraldar a bandeira verde-rubro.
Assim, inscreveu-se a 23 de Outubro de 1910 no Centro Republicano Teixeira de Queiroz, de Arcos de Valdevez e, a 20 de Novembro, para que não restassem dúvidas da vertiginosa adesão correu a arrolar na pauta do Centro Republicano Arcuense. Duas vezes republicano, uma escora do novel regime, a cousa estava no bom caminho.
Surge alcandorado como redactor do jornal Avante, órgão republicano em Arcos de Valdevez e colaborador de A Plebe, semanário republicano independente de Valença, a cobrir com beijos e afagos a República como Terra Prometida. Durante a monarquia constitucional, em Julho de 1910, encarnação passada que pretendia expurgar, fora fervoroso redactor e secretário da redacção do Correio dos Arcos, órgão do Partido Progressista (monárquico), sob direcção do dr. Alberto Lima.
O governo republicano pagou esses paparicos. Em Junho de 1914 foi despachado à fina força pelo governo de Bernardino Machado para o posto de Administrador do Concelho de Arcos de Valdevez, cuja posse sucedeu a 27 de Junho. Do mesmo cargo foi exonerado em finais de Janeiro de 1915 pelo ministério ditatorial do general Joaquim Pimenta de Castro. Reassumiu num fôlego o ofício de Administrador do Concelho de Arcos em Maio de 1915 e manteve-se em exercício até Abril de 1916, quando foi demitido por ter entrado em rota de colisão e choque com o seu correligionário Damião Lourenço, o Governador Civil de Viana do Castelo.
A propósito desse episódio atentemos na palavra dum republicano histórico, João Afonso Viana, escarrapachada em forma de letra no periódico Ecos de Coura[1]:
«Sabemos que o senhor administrador do concelho dos Arcos, que já no tempo da monarquia era um administrador de carreira, continua dentro do novo regimen a exercer o mesmo cargo, porque subsistem as mesmas circunstâncias, e, porque o partido Democrático tem sido por mais tempo o depositário do poder, aí o temos terrível democrata com autoridade».
Em 1915 e 1916 toma assento como vogal da Comissão Política Municipal de Arcos de Valdevez do Partido Republicano Português/Partido Democrático, tendo entre 1917 e 1920 ocupado o cadeirão de presidente para dirigir os destinos desse núcleo e a gastar as molas do engenho. Lançou mão como delegado do Ministério do Trabalho no distrito de Viana do Castelo em 1917 e, em tempo que não sei precisar, foi alçado presidente da Mesa Administrativa da Irmandade de Nossa Senhora da Peneda.
Acusado pelo professorado e monárquicos de cobras e lagartos, de ser um dos maiores fomentadores das perseguições aos professores, responde ao abrigo da legislação aprovada em 1913, reputa os exprobradores de incompetentes e de simpatias de monarquismo. A esses gerifaltes a gritar retorica às do cabo, acossava ele com o látego de ferrabrás, a vergar a cerviz dessa gentalha, a domar o alvoroço dos laparotos. A I República foi tempo de muito arder e muito tremer.
Talvez por isso mesmo, tal como um fura-vidas, foi-lhe concedida a suma responsabilidade de dirigir a Escola Primária Superior de Arcos de Valdevez, em Dezembro de 1919, estando para tal, com licença ilimitada do cargo de escrivão do 1.º ofício da Comarca de Direito de Valença. Em Abril de 1920 o seu nome lustra como director e editor no cabeçalho de A Trombeta, pasquim que se publicou em terra do Vez como “Semanário Republicano”.
Descansou das agruras terrenas passando ao sono eterno em 21 de Agosto de 1926, expirou este passageiro da barca da vida aos 55 anos de idade, ainda não tinha acostado ao pináculo da existência.
Carlos Lobo ou Carlos Lobo de Oliveira, formas literárias que fez regular uso, e Carlos Alberto de Sousa Lobo de Oliveira de seu nome completo, nasceu em Santa Marta de Portuzelo, freguesia do concelho e distrito de Viana do Castelo, filho de José Maria Torres de Oliveira e de D. Carolina Amália de Sousa Lobo (22 de Janeiro de 1895).
Foi aluno do Liceu do Porto; poeta lírico (1912); colaborador da revista A ÁGUIA: Órgão da Renascença Portuguesa, do Porto (1912); colaborador da revista IDEIA LIVRE: Mensário de Ideias, Factos e Comentários, do Porto (1913); monárquico; colaborador da revista GENTE LUSA: Arquivo de Letras e Artes (1916); António Lima desenha o primeiro ex-líbris usado por Carlos Lobo de Oliveira (1917); aluno da Faculdade de Direito na Universidade de Coimbra; cadete da Escola de Guerra; formado com o Curso de Administração Militar da Escola do Exército (1918); participou na instauração da Monarquia do Norte, com o seu amigo António Lima (Janeiro de 1919 – Fevereiro de 1919); emigrou para a Galiza por motivos políticos (Fevereiro de 1919); exilado em Madrid por motivos políticos (1919); exilado político no Brasil, por ser monárquico (1919 – 1924); funcionário superior da Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria do Rio de Janeiro (1921 – 1924); colaborador em várias revistas e jornais do Brasil, tais como ILUSTRAÇÃO BRASILEIRA, MUNDO LITERÁRIO e GAZETA DE NOTÍCIAS; participa no movimento renovador denominado Semana de Arte Moderna de São Paulo (1922); formado em Direito pela Universidade de Lisboa; funcionário do quadro do Ministério da Justiça (1926); ensaísta; publicista; historiador; genealogista; tradutor; ex-librista; heraldista; funcionário superior do Tribunal de Beja; casou na Capela de Nossa Senhora dos Prazeres, em Beja, com D. Maria Judite Carneiro da Fonseca Lobo de Oliveira, filha de João Mendes Lança da Fonseca e de D. Ana Raquel Carneiro da Fonseca (30 de Maio de 1934); patrocina a primeira edição da “Mensagem” de Fernando Pessoa (1934); nasce em Beja seu filho Rui Manuel da Fonseca Lobo de Oliveira, futuro funcionário superior das Alfândegas (21 de Abril de 1935); nasce seu filho Luís Manuel da Fonseca Lobo, futuro engenheiro (1938); nasce em Beja seu filho João Manuel da Fonseca Lobo de Oliveira, futuro capitão-de-mar-e-guerra (29 de Março de 1941); chefe da secretaria da secção do Tribunal da Boa Hora; membro da Associação dos Arqueólogos Portugueses; sócio do Centro de Estudos Regionais do Baixo Alentejo; António Lima desenha o primeiro ex-libris heráldico usado por Carlos Lobo de Oliveira (1950); fundador e sócio n.º 13 da Academia Portuguesa de Ex-Líbris (1952); presidente da Junta Directiva da Academia Portuguesa de Ex-Líbris (Novembro de 1953 – 4 de Fevereiro de 1972); proprietário da Torre do Paço, em Santa Leocádia de Geraz do Lima, por doação de sua madrinha e prima D. Margarida Pinto de Araújo Corrêa Queiroz (1955); director do BOLETIM DA ACADEMIA PORTUGUESA DE EX-LÍBRIS, de Lisboa (1955 – 1972); vencedor do Prémio Antero de Quental, atribuído pelo Serviço Nacional de Informação, pelo seu livro “Alegre Melancolia” (1956); produtor vinícola; secretário do Supremo Tribunal Administrativo (1959); sócio correspondente da Real Academia Galega; sócio do Instituto Português de Heráldica; sócio correspondente da Sociedade Brasileira de Heráldica; director da Casa do Minho; colaborador da revista ROTEIRO DE VIANA (1964 – 1972); presidente da Mesa da Assembleia Geral da Academia Portuguesa de Ex-Líbris (5 de Fevereiro de 1972 – 23 de Março de 1973); agraciado com o grau de Grande Cavaleiro de Mérito da Ordem Militar e Hospitalar de S. Lázaro de Jerusalém (16 de Março de 1973).
Escreveu e Publicou:
– A Bela Infanta: Soneto Musicado, Porto, 1918;
– Roteiro das Saudades: Versos, Rio de Janeiro, 1922;
– O Namoro em Portugal ou a Arte de Amar no Campo: Conferência, Porto, 1924 (com capa desenhada por António Lima);
– Christmas Cake: Bailado em 2 Actos, Lisboa, 1925;
– Uma Família da Areosa, Viana do Castelo, 1934;
– Alegria do Céu – Poemas da Santidade;
– Subsídios Para Um Tombo Genealógico da Província do Baixo Alentejo, Beja;
– Um Poeta Mal Conhecido da Ribeira-Lima, Lisboa, 1953;
– Alegre Melancolia: Poemas, Lisboa;
– Dois Poetas Minhotos (António de Cardielos e João Verde);
– Real da Fonseca e Carneiro de Vasconcelos, Castelo Branco;
– Os Ciganos na Poesia, Viana do Castelo, 1964;
– Meditação do Tempo: Poemas, Braga, 1966 (com capa desenhada por João Paulo de Abreu e Lima);
– O Mundo Poético de Abúndio da Silva, Viana do Castelo, 1967;
– Vida e Poesia de António Nobre, Viana do Castelo, 1968;
– Silêncio Fechado, Braga, 1969;
– Anto e a Poesia das Suas Viagens, Viana do Castelo, 1969;
– Santa Marta de Portuzelo e a Sua Estampa Romântica à Beira Lima, Viana do Castelo, 1969;
– Noite Espiritual, Braga, 1970;
– Os Poetas Modernos e a “Nau Catrineta”: Galeão dos Mareantes de Viana, Viana do Castelo, 1971;
– Monte de S. Silvestre – Esse Desconhecido, Viana do Castelo, 1972;
Faleceu num hospital de Lisboa, faz agora 40 anos (23 de Março de 1973); sepultado no cemitério de Benfica (24 de Março de 1973); o seu nome consta da toponímia das ruas de Oeiras, Santa Marta de Portuzelo e Viana do Castelo.
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ÁRVORE DE COSTADOS DE CARLOS DE SOUSA LOBO |
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Próprio |
Pais |
Avós |
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Carlos Alberto de Sousa Lobo de Oliveira
* Santa Marta de Portuzelo 1895
+ Lisboa 1973 |
José Maria Torres de Oliveira |
José Gonçalves de Oliveira Barbosa |
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Josefa da Torre |
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D. Carolina Amália de Sousa Lobo |
José Maria de Sousa Professor Régio |
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D. Ana Anes Pires Rebelo Lobo |
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Ex-líbris heráldico de Carlos Lobo de Oliveira desenhado por António Lima em 1950 e gravado em 1954.
Por: Jofre de Lima Monteiro Alves
Governadores militares da praça de Valença do Minho na primeira metade da centúria de Setecentos:
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Governadores Militares da Praça de Valença do Minho |
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Nome |
Data |
Cargo |
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Mestre-de-campo de Auxiliares Simão da Rocha de Brito |
1700–1704 |
Governador |
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Mestre-de-campo de Auxiliares Pedro da Cunha Sottomayor |
1705 |
Governador interino |
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Mestre-de-campo António da Silva Pimentel |
1705 |
Governador |
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Mestre-de-campo de Infantaria António Brandão de Castro Ceia |
1706–1708 |
Governador |
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Mestre-de-campo Manuel Pereira de Lacerda |
1709 |
Governador |
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Coronel Vicente Huet Sottomayor |
1713–1714 |
Governador |
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Coronel de Infantaria Manuel da Silva Pereira |
1717–1718 |
Governador |
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Marechal-de-campo Bento Pereira de Castro e Azevedo |
1729–1753 |
Governador |
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Coronel António Brandão Lins de Castro e Ceia |
1740 |
Governador interino |
Fortaleza de Valença do Minho.
MENINA QUE ESTÁS À JANELA
Antiga versão fonética do falar do Minho:
Menina q’está jinela
Cum teu relóijo à cinta,
Diga-me qi hòras sóum
Fale berdade num minta.
Cada bêz de ti mais gósto
P’lo teu desimbaraço,
Por uma noute d’escuro
Num me négues um abraço.
Eu abraço num te négo
Pucarinho num te dou;
Num qéro que tu te gabes
Do que ninguéim se gabou.
Adeus, ó lugar daqui
Pedras aonde m’eu sentaba;
Adeus, amor d’algum dia,
Tudo por tempo s’acaba.
Salgueiro péga d’estaca
Amieiro só de raiz;
Dizes que me num qijéstes
Eu fui o qe te num quis.
Adeus que me bou imbóra
Pera donde num t’o digo;
Se o tu qéres saber
Apronta-te, ianda cumigo.
Eu ir cuntigo num bou
Qe meu pai num é cuntênte,
Qe me pódes por no mundo
C’uma fama pera sempre.
Versão moderna:
Menina que está à janela
Com teu relógio à cinta,
Diga-me que horas são
Fale verdade não minta.
Cada vez de ti mais gosto
Pelo teu desembaraço,
Por uma noite de escuro
Não me negues um abraço.
Eu abraço não te nego
Pucarinho não te dou;
Não quero que tu te gabes
Do que ninguém se gabou.
Adeus, ó lugar daqui
Pedras aonde eu me sentava;
Adeus, amor de algum dia,
Tudo pelo tempo se acaba.
Salgueiro pega de estaca
Amieiro só de raiz;
Dizes que me não quisestes
Eu fui o que te não quis.
Adeus que me vou embora
Para donde não te o digo;
Se o tu queres saber
Apronta-te, e anda comigo.
Eu ir contigo não vou
Que meu pai não fica contente,
Que me podes por no mundo
Com uma fama para sempre.
Janela da Casa Costa Barros, em Viana do Castelo, em Julho de 2008. Fotografia de Jofre de Lima Monteiro Alves.
Localização:
Ângulo externo da Casa dos Agorretas, na Rua de Manuel de Espregueira, em Viana do Castelo.
Material:
Cantaria.
Classificação:
Heráldica de família.
Época:
Século XIX.
Escudo:
De Fantasia, com ornatos de capricho, correias, elmo, paquife, virol e timbre.
Composição:
Dois escudos conjugados sob o mesmo timbre.
O primeiro, o da direita, escudo partido e cortado com as armas das famílias Agorreta, Pereira e Miranda.
O segundo, da esquerda, escudo esquartelado com as armas de Alpuim, Silva, Sousa (do Prado) e Menezes.
Leitura heráldica:
Primeiro escudo:
I – partido:
Uma torre torreada, aberta, acompanhada e encimada de três estrelas de cinco pontas alinhadas em faixa, tendo à esquerda um braço armado movente do flanco esquerdo empunhando uma espada levantada. As peças não manifestam informação heráldica de cores (Agorreta).
II – cortado:
1.º, campo [de vermelho], com uma cruz [de prata] florenciada e vazia (Pereira).
2.º, campo [de ouro], com aspa [de vermelho] acompanhada de quatro flores-de-lis [de verde] (Miranda).
Segundo escudo:
I – campo [de azul], com cinco flores-de-lis postas em sautor, com uma bordadura com a legenda NOTRE DAME DU PUY (Alpuim, antigo).
II – campo [de prata], com um leão [de púrpura, armado e lampassado de vermelho] (Silva).
III – campo esquartelado, o 1.º e o 4.º [de prata], com cinco escudetes [de azul] postos em cruz, cada escudete carregado com cinco besantes [de prata], posto em sautor; o 2.º e 3.º com campo [de prata] com um leão [de purpura] (Sousa, do Prado).
IV – campo [de ouro], com anel encastoado com um rubi voltado para o cantão direito do chefe (Menezes, moderno).
Elmo:
De prata, gradeado com viseira meia aberta, voltado à dextra e a dois terços de perfil.
Timbre:
Um braço vestido de azul, tendo na mão direita uma filactera de prata com as iniciais a negro N. D. D. P. para significar “Notre Dame Du Puy”.
Comentário:
Sem dúvida um magnífico exemplar da heráldica vianense, estrategicamente colocado no cunhal do casario e com a raridade de conjugar dois escudos distintos de forma muito harmónica.
Trata-se da pedra de armas de José de Alpuim da Silva de Sousa e Menezes e de sua mulher D. Maria Augusta da Agorreta Pereira Miranda de Sá Coutinho, casal fidalgo da centúria de Oitocentos, conforme se vê na sua árvore de costados anexa.
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Árvore de Costados de José de Alpuim e D. Maria Augusta da Agorreta |
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Próprios |
Pais |
Avós |
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José de Alpuim da Silva de Sousa e Menezes
(Viana do Castelo, 1861 + 1923) |
Miguel de Alpuim da Silva Sousa e Menezes
(Braga, 1817 + 1884) |
João de Alpuim da Silva e Menezes
(Braga, 1791 + 1862) |
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D. Teresa Emília de Sousa e Almeida Torres |
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D. Laura Mendes Norton
(Viana do Castelo, 1837 + 1904) |
José Mendes Ribeiro
(Viana do Castelo, 1802 + 1887) |
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D. Rita de Cássia Norton Tavares de Rezende
(Porto, 1808 + 1875) |
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D. Maria Augusta da Agorreta Pereira Miranda de Sá Coutinho
(Viana do Castelo, 1865 + 1887) |
Cândido da Agorreta Pereira de Miranda
(Pombal, 1797 + 1877) |
António José da Agorreta Pereira de Miranda Veloso
(Anha, 1742 + 1800) |
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D. Maria Bárbara Felicíssima de Pádua de Sousa Godinho
(Pombal, 1757 + 1800) |
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D. Maria Augusta de Sá Coutinho
(1841 + 1865) |
José de Sá Coutinho Barreto de Sottomaior
(Ponte de Lima, 1780 + 1873) |
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D. Maria José da Aurora de Sá Coutinho da Costa de Sousa de Macedo
(Ponte de Lima, 1815 + 1845) |
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Pedras de armas da Casa dos Agorretas, na Rua de Manuel de Espregueira, na cidade de Viana do Castelo, em Julho de 2008. Fotografias de Jofre de Lima Monteiro Alves.
A faceta menos reconhecida ou lembrada de Norton de Matos: escritor. No caso vertente, a capa do seu notável livro de memórias intitulado “Memórias e Trabalhos da Minha Vida: Factos, Acontecimentos e Episódios”, publicado em 4 volumes, entre 1944 e 1946.
Eis a lista completa de obras que publicou ao longo de cinco décadas:
– Relatório de Repartição de Agrimensura Relativo à Época de 1899–1900, Nova Goa, 1901.
– Topografia e Geologia do Concelho das Ilhas de Goa, in A Terra: Revista Portuguesa de Geofísica, n.º 14.
– Manual do Agrimensor, Nova Goa, Imprensa Nacional, 1904.
– Carta Agrícola do Concelho das Ilhas de Goa, 1908.
– Os Serviços de Agrimensura e Cadastro na Índia Portuguesa, 1911.
– A Geologia da Índia Portuguesa, 1912.
– A Questão de Ambaca, 1912.
– Projectos de Lei Orgânica e de Organização de Alguns Serviços Provinciais, 1912.
– A Situação Financeira e Económica da Província de Angola, Lisboa, 1914.
– Discurso a Propósito da Redução de Direitos de Exportação e Documentos Elucidativos, Luanda, Imprensa Nacional, 1922.
– A Mentalidade Colonizadora dos Portugueses, Lisboa, 1924.
– A Missão Colonizadora de Portugal em África, 1924.
– A Província de Angola, Porto, Edição Marânus, 1926.
– Província de Angola: Providências Tomadas pelo General J. M. R. Norton de Matos como Alto-Comissário da República e Governador-Geral, Lisboa, 1927.
– Discurso Proferido pelo General Norton de Matos na Sessão Solene do 1.º Congresso de Medicina Tropical da África Ocidental, Luanda, Imprensa Nacional, 1928.
– La Formation de la Nation Portugaise Envisagée au Pointe de Vue Colonial, Lisboa, Agência Geral das Colónias, 1930.
– Memórias da Minha Vida Colonial, in Boletim da Sociedade Luso-Africana do Rio de Janeiro, n.º 4, 1933.
– A Minha Concepção do Império Português, in Boletim da Sociedade Luso-Africana do Rio de Janeiro, n.º 5, 1933.
– A Acção Civilizadora do Exército Português no Ultramar: Conferência, Porto, 1934.
– Verificação dos Levantamentos Fotogramétricos, Lisboa, Anuário Comercial, 1935.
– Fotogrametria, Coimbra, A Terra, 1937.
– A Grande Guerra nas Colónias Portuguesas, 1937.
– Regimento Que El-Rei D. Manuel Deu a Simão da Silva, Quando o Mandou a Manicongo, in I Congresso da História da Expansão Portuguesa no Mundo, vol. 5, Lisboa, 1938.
– Tarefa Ingente, in Revista Militar n.º 6, Lisboa, 1939.
– A Fotogrametria Perante a Urgência de Trabalhos Topográficos e Cadastrais em Portugal, Lisboa, 1939.
– Síntese das Medidas Aconselháveis Para Impulsionar o Povoamento Indígena de Angola, 1940.
– Imperativos Internacionais de Transformação dos Regimes Coloniais, 1943.
– Memórias e Trabalhos da Minha Vida: Factos, Acontecimentos e Episódios, 4 volumes, Lisboa, Editora Marítimo-Colonial, 1944 – 1946.
– Educação e Instrução dos Indígenas, 1946.
– Duas Cartas Célebres, sobre o «Mapa Cor-de-Rosa», Porto, 1947.
– Angola: História e Comentários, Lisboa, Edição Gama, 1948.
– Os Dois Primeiros Meses da Minha Candidatura à Presidência da República, Lisboa, 1948.
– Mais Quatro Meses da Minha Candidatura à Presidência da República, Lisboa, 1949.
– Às Mulheres de Portugal: Colectânea de Alguns Discursos Pronunciados para Propaganda da Candidatura, Lisboa, edição dos Serviços Centrais da Candidatura do General Norton de Matos, 1949.
– Para Onde Nos Leva a Política Económica do Governo?, 1949.
– Angola: Ensaio Sobre a Vida e Acção de Paiva Couceiro em Angola Que se Publica ao Reeditar-se o Seu Relatório de Governo, Lisboa, Edição Gama, 1951.
– Circular do Governador-Geral de Angola, Ponte de Lima, 1952.
– Conferência, Aveiro, 1953.
– A Nação Una: Organização Política e Administrativa dos Territórios do Ultramar Português, Lisboa, 1953.
– África Nossa: O Que Queremos e o Que Não Queremos Nas Nossas Terras de África, Porto, Edição Marânus, 1953.
– Meio Século de Ocupação, in Boletim Cultural do Huambo, volumes 4/8, 1955, em co-autoria com Vicente Ferreira.
– Nova Lisboa, in Boletim Geral do Ultramar, vol. 37, n.º 436-438, 1961.
Por: Jofre de Lima Monteiro Alves
A praça militar de Valença do Minho desempenhou um importante papel na História de Portugal pelo seu incomensurável valor estratégico como fortaleza de guerra, de defesa da fronteira fluvial e pelos acontecimentos históricos que ali tiveram lugar. Não se trata de fazer a história do primitivo castelo que Dom Sancho I aqui ergueu, nem das muralhas dionisianos ou da fortaleza e baluartes levantados após a Restauração de 1640, que é chão de outra História.
Ao longo dos anos fui coligindo aqui e ali, uma vasta compilação de documentos depositados nas catacumbas do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Arquivo Histórico Militar e no Arquivo Distrital de Viana do Castelo. A lista apresentada de governadores e encarregados do Governo da Praça de Valença foi elaborada pacientemente a partir de fontes bibliográficas, assentos paroquiais, testamentos, processos individuais de oficiais e documentação avulsa e dispersa.
Apesar de necessariamente incompleta, devido à lacuna, dispersão da documentação e complexidade do tema, é um importante contributo para o conhecimento da história militar e das personagens que ocuparam o lugar de governador por despacho ou circunstâncias várias. Os militares em causa estão identicados pela patente e nome civil completo, os anos tentam ser os mais exactos do início e fim da funções. A primeira parte desta listagem nominal diz respeito tão-somente à centúria de Seiscentos.
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Nome |
Data |
Cargo |
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Capitão Gabriel Pereira de Castro |
1641 – 1645 |
Capitão-mor |
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Capitão Roque de Barros Rego |
1645 – 1646 |
Governador |
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Capitão Cristóvão Marinho de Vasconcelos |
1646 – 1647 |
Governador |
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Capitão António de Abreu |
1648 – 1659 |
Governador |
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Mestre-de-campo António Brandão de Castro e Ceia |
1659
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Governador Interino |
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Mestre-de-campo Diogo de Brito Coutinho |
1660 – 1661 |
Governador |
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Mestre-de-campo António Jacques de Paiva |
1661 – 1662 |
Governador |
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Mestre-de-campo João Rebelo Leite |
1665 – 1667 |
Governador |
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Capitão Agostinho Soares de Castro |
1668 |
Governador Interino |
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Mestre-de-campo general Roque Pereira de Araújo |
1668 – 1673 |
Governador |
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Mestre-de-campo Miguel de Araújo de Azevedo |
1673 – 1696 |
Governador |
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Coronel João Pereira |
1692 |
Comandante interino |
Fortaleza de Valença do Minho.
EU SOU TÃO FORTE
– Ia eu pela serrinha acima, veio a geada, prendeu-me a perninha.
– Oh neve, tu és tão forte que o meu pé prende?
– Eu sou tão forte que o sol me derrete.
– Oh sol, tu és tão forte que derrete a neve, a neve o meu pé prende?
– Eu sou tão forte que a nuvem me encobre.
– Oh nuvem, tu és tão forte que encobre o sol, derrete a neve, a neve o meu pé prende?
– Eu sou tão forte que o vento me espalha.
– Oh vento, tu és tão forte que espalha a nuvem, encobre o sol, derrete a neve, a neve o meu pé prende?
– Eu sou tão forte que a parede tem mão em mim.
– Oh parede, tu és tão forte que tem mão no vento, espalha a nuvem, encobre o sol, derrete a neve, a neve o meu pé prende?
– Eu sou tão forte que o rato me fura.
– Oh rato, tu és tão forte que fura a parede, tem mão no vento, espalha a nuvem, encobre o sol, derrete a neve, a neve meu pé prende?
– Eu sou tão forte que o gato me caça.
– Oh gato, tu és tão forte, caça o rato, fura a parede, tem mão no vento, espalha a nuvem, encobre o sol, derrete a neve, a neve meu pé prende?
– Eu sou tão forte que o cão me mata.
– Oh cão, tu és tão forte, mata o gato, caça o rato, fura a parede, tem mão no vento, espalha a nuvem, encobre o sol, derrete a neve, a neve o meu pé prende?
– Eu sou tão forte que a água me afoga.
– Oh água, tu és tão forte, afoga o cão, mata o gato, caça o rato, fura a parede, tem mão no vento, espalha a nuvem, encobre o sol, derrete a neve, a neve o meu pé prende?
– Eu sou tão forte que o boi me bebe.
– Oh boi, tu és tão forte, bebe a água, afoga o cão, mata o gato, caça o rato, fura a parede, tem mão no vento, espalha a nuvem, encobre o sol, derrete a neve, a neve o meu pé prende?
– Eu sou tão forte que o homem me mata.
– Oh homem, tu és tão forte que mata o boi, bebe a água, afoga o cão, mata o gato, caça o rato, fura a parede, tem mão no vento, espalha a nuvem, encobre o sol, derrete a neve, a neve o meu pé prende?
– Eu sou tão forte que Deus me mata.
Capela de Nossa Senhora das Angústias e a Carvalheira das Angústias, em Padornelo, freguesia do concelho de Paredes de Coura, coberta com um manto de neve, em Janeiro de 2009.
NATURAIS DO CONCELHO DE VALENÇA DO MINHO FALECIDOS EM FRANÇA
Primeira Parte
Por: Jofre de Lima Monteiro Alves
António Baptista de Araújo, primeiro-cabo da 2.ª Companhia do Regimento de Infantaria n.º 3; nascido em 11 de Setembro de 1895 na Cancelada, lugar da freguesia de São Julião da Silva, filho de Manuel de Araújo e de Maria Benta de Araújo Amorim; casado e morador em São Julião da Silva; embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 22 de Abril de 1917, onde pertenceu à 3.ª Bateria de Morteiros Médios; falecido em combate em 11 de Julho de 1917; sepultado no Cemitério Militar Português de Richebourg, em França.
António da Cunha, soldado da 2.ª Companhia do Regimento de Infantaria n.º 3; nascido a 18 de Julho de 1893 na Lavandeira, lugar da freguesia de São Mamede de Friestas, filho de João da Cunha e de Rosa Vaz de Sousa; casado e morador na freguesia de Verdoejo; embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à 4.ª Brigada de Infantaria; falecido em combate a 9 de Outubro de 1917; sepultado no Cemitério Militar Português de Richebourg, em França.
Manuel José Gomes, soldado da 2.ª Companhia do Regimento de Infantaria n.º 3; nascido em 10 de Agosto de 1892 no lugar do Pardo, freguesia de São Miguel de Fontoura, filho natural de Antónia Maria Gomes; solteiro e morador na freguesia de Cerdal; embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português em 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à 4.ª Brigada de Infantaria; falecido em combate a 30 de Outubro de 1917; sepultado no Cemitério Militar Português de Richebourg, em França.
António Luís da Costa, soldado da 2.ª Companhia do Regimento de Infantaria n.º 3; nascido a 19 de Maio de 1892 na Urgeira, lugar da freguesia e vila de Valença, filho de José Luís da Costa e de Rosa Maria da Silva; casado e morador no lugar da Urgeira; embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à 4.ª Brigada de Infantaria; falecido em 15 de Novembro de 1917; sepultado no Cemitério Militar Português de Richebourg, em França.
Francisco Luís Pereira, segundo-cabo da 4.ª Companhia do Regimento de Infantaria n.º 3; nascido em 1 de Abril de 1893 na Cachada, lugar da freguesia de São Salvador de Ganfei, filho de Lourenço Clementino Pereira da Silva e de Luísa Gonçalves; solteiro e morador na freguesia de Ganfei; embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 22 de Abril de 1917, onde pertenceu à 4.ª Brigada de Infantaria; falecido em combate a 24 de Novembro de 1917; sepultado no Cemitério Militar Português de Richebourg, em França.
António de Sousa, soldado da 2.ª Companhia do Regimento de Infantaria n.º 3; nascido em 14 de Julho de 1895 na Pedreira, lugar da freguesia de Santiago de Boivão, filho de José de Sousa e de Claudina Esteves; solteiro e morador na freguesia de Boivão; embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à 4.ª Brigada de Infantaria; falecido em 10 de Março de 1918; sepultado no Cemitério Militar Português de Richebourg, em França.
Aniceto Domingues, soldado da 2.ª Companhia do Regimento de Infantaria n.º 3; nascido em 28 de Fevereiro de 1893 no Reguengo, lugar da freguesia de São Miguel de Fontoura, filho de Joaquim José Domingues e de Angelina Rosa da Cunha; casado e morador em São Miguel de Fontoura; embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à 4.ª Brigada de Infantaria; falecido em 10 de Março de 1918; sepultado no Cemitério Militar Português em França.
Este convento franciscano foi fundado no ano de 1392 por Frei Gonçalo Marinho. Com a extinção das ordens religiosas em Portugal em 1834, o convento foi ficando gradualmente em ruínas. Despojado e vilipendiado acabou por sucumbir perante a inoperância das entidades oficiais e o silêncio seráfico e cúmplice dos vianenses ao longo de décadas.
Em 1959, alguém previra que dos vianenses não haveria muito a esperar... "As gerações sucedem-se, desatentas e ignorantes, sem um gesto de compreensão ou de respeito por esses legados da história". Desde essa data passaram mais cinquenta anos e nada mudou. Como foi possível deixar o Convento de S. Francisco do Monte (Viana do Castelo) chegar ao ponto onde chegou? O vídeo de Agostinho Correia pode ser visto aqui.
Por: Jofre de Lima Monteiro Alves
Terceira parte da relação de padres nascidos em Padornelo, freguesia do concelho de Paredes de Coura, no distrito de Viana do Castelo.
17 – Padre João Fernandes de Afonseca, nasceu a 18 de Setembro de 1642 em Lamarigo, lugar da freguesia de Padornelo, filho de Afonso Fernandes e de Maria Alves.
Foi cura coadjutor da Igreja Paroquial de Santa Marinha de Padornelo; cura coadjutor da Igreja Matriz de Santa Maria de Paredes de Coura; cura coadjutor da Igreja Paroquial de Santa Marinha de Padornelo; vigário da Igreja Matriz de Santa Marinha de Verdoejo, no Couto de Sanfins; vigário da Igreja Matriz de Santiago de Boivão, no Couto de Sanfins.
18 – Padre Gaspar da Cunha, nasceu a 16 de Outubro de 1643 no lugar de Requião, freguesia de Padornelo, filho de João Barreiros e de D. Maria Fernandes da Cunha.
Faleceu em Padornelo a 28 de Janeiro de 1716.
Foi cura coadjutor da Igreja Matriz de São Pedro de Formariz; cura coadjutor da Igreja Paroquial de Santa Maria de Paredes de Coura; cura coadjutor da Igreja Paroquial de Santa Marinha de Padornelo.
19 – Padre Marcos Barbosa da Cunha, nasceu em Requião, lugar da freguesia de Padornelo, e foi baptizado a 12 de Novembro de 1647, filho de João Barreiros e de D. Maria Fernandes da Cunha.
Faleceu a 21 de Junho de 1722 em Requião.
Foi cura coadjutor da Igreja Paroquial de Santa Marinha de Padornelo; cura coadjutor da Igreja Paroquial de Santa Maria de Paredes de Coura; cura coadjutor da Igreja Matriz de São Cristóvão de Labruja, concelho de Ponte de Lima.
20 – Padre João Barbosa, nasceu em Padornelo e foi baptizado a 27 de Janeiro de 1648, filho de Francisco Barbosa e de Ana Gonçalves.
Faleceu a 20 de Março de 1731 na freguesia de Porreiras.
Foi cura coadjutor da Igreja Paroquial de Santa Marinha de Padornelo; cura encomendado da Igreja Matriz de São Miguel de Porreiras; abade da Igreja Matriz de São Miguel de Porreiras.
21 – Padre João da Cunha Barbosa, nasceu a 10 de Fevereiro de 1653 em Requião, lugar da freguesia de Padornelo, filho de filho de João Barreiros e de D. Maria Fernandes da Cunha.
Clérigo in minoribus.
22 – Padre Manuel Soares de Brito, nasceu do lugar de Alvite, freguesia de Padornelo, e foi baptizado a 5 de Março de 1665, filho de Domingos Soares de Brito e de D. Ana Barreiro de Araújo.
Faleceu em Santiago de Cepões, freguesia do concelho de Ponte de Lima, a 10 de Março de 1735.
Foi cura coadjutor da Igreja Paroquial de Santa Marinha de Padornelo; cura da Igreja Paroquial de Santa Marinha de Padornelo; cura encomendado da Igreja Matriz de Santiago de Cepões, Ponte de Lima.
23 – Padre Domingos Rodrigues Ribas, nasceu em Padornelo, filho de Francisco Rodrigues Ribas e de Isabel Fernandes.
Faleceu a 27 de Julho de 1718 no lugar do Sobreiro.
Clérigo in minoribus.
24 – Padre Manuel Rodrigues de Sousa, nasceu em Padornelo e foi baptizado a 24 de Fevereiro de 1690, filho de Francisco Rodrigues Paços e de Domingas Fernandes.
Faleceu a 28 de Julho de 1725 no Sobreiro.
Clérigo in minoribus.
Igreja Matriz de Santa Marinha de Padornelo, no concelho de Paredes de Coura, distrito de Viana do Castelo, em Setembro de 2005. Fotografia de Jofre de Lima Monteiro Alves.
Por: Jofre de Lima Monteiro Alves
Representação da Adoração dos Reis Magos no Livro de Horas de Dom Manuel I, fólio do século XVI. A iluminura apresenta uma notável colecção de moedas de ouro e prata portuguesa e espanhola, para além, claro, do motivo central.
No primeiro plano do quadro principal da iluminura vemos uma guarda de janízaros (1) e de notáveis ricamente vestidos de brocado e guarnecidos de pérolas e, ainda o habitual cão sempre presente, a fazerem escolta aos três Reis Magos (2), prostrados na adoração que prestam ao Deus Menino e à Sagrada Família, atrás dos quais espreitam a vaca e o burro (3), presença constantes e secular dos presépios. São José (4), de capa vermelha, está à ilharga da Virgem Maria (5), de manto anil puro, que segura o menino no colo. Ao fundo, à esquerda do observador e por detrás das colunas, uma monumental caravana (6) de elefantes, camelos e cavalos, reminiscência da celebérrima embaixada que o Rei Venturoso mandou ao papa, corria o ano de 1514. Dos motivos arquitectónicos que compõem a cena, destaque para as duas gigantescas colunas (7) do pórfiro e o edifício em ruínas (8), que simboliza a Casa de David.
A tarja que serve de cercadura mostra uma esplendorosa constelação de moedas de ouro e prata, pérolas e pedras preciosas. Na orla do lado esquerdo observamos, em reverso e anverso, três moedas espanholas (9) do reinado dos Reis Católicos, Fernando de Aragão e Isabel de Castela, cujas efígies régias representadas nestas “doblas de ouro” estão voltadas um para o outro. Logo abaixo, temos cinco meios-vinténs manuelinos (10), em prata, de quinas redondas e cruz floreada diminuta. As moedas seguintes, um conjunto de quatro cruzados portugueses (11), com a particular irregularidade de ainda apresentarem a flor-de-lis de Dom João I e os escudetes laterais contrários à reforma imposta pelo Rei Dom João II, em 1485. O grupo das três moedas seguintes é formado por dois vinténs de prata e um de ouro de Dom João III (12).
Já na tarja de pé-de-página, o primeiro conjunto representa cinco moedas portuguesas (13), no caso o meio-tostão de Dom João III e do tostão de prata de Dom Manuel I, em primeiro plano, com a Cruz de Cristo e a inscrição IN HOC SIGNO VINCES. No meio, novo conjunto de cinco moedas de ouro, os célebres “portugueses” (14) do reinado de Dom João III, cunhados em Novembro de 1538 a pedido das Cortes Gerais de Torres Novas, com a Cruz de Cristo e a mesma legenda IN HOC SIGNO VINCES. A tarja inferior termina com três moedas (15), o meio-tostão de prata de Dom João III com a Cruz de S. Jorge e o “espadim” de ouro de Dom Afonso V.
A orla lateral direita, apresenta ao alto o “ceitil” de ouro (16), com o escudo sem coroa real, e, por ordem descendente, sempre dois exemplares do vintém de prata de Dom João II (17), da moeda espanhola (18) com a efígie do rei Fernando, do vintém de prata de Dom Manuel I (19), do vintém de ouro de Dom João III (20) e, por fim, três exemplares duma moeda de ouro ainda com a Cruz de Avis e a forma amendoada do escudo, que parece ser o “real de dez soldos” (21) de Dom João I, identificação muito controversa.
Na fachada da Casa da Vedoria, na cidade Princesa do Lima, em cujo edifício está instalado o prestável Arquivo Distrital de Viana do Castelo, perante o olhar distraído do passeante, vemos a seguinte inscrição epigráfica:
NO ANNO DE XPO. DE 1691 IMPERANDO.
NESTE. REINO. D. PEDRO. II N. S. GOVER
NANDO. AS ARMAS. DESTA. PROVINCIA
D. JOÃO. DE SOUZA. SE FES. ESTA. OBRA.
A placa apresenta diversos sinais que são graficamente irreproduzíveis, tais como os caracteres que coloca sobre as palavras XPO e JOÃO, assim como entre as iniciais N.S. e o vocábulo GOVERNANDO, havendo ainda outro sinal a fechar a legenda.
Numa transcrição livre, a laje assegura que: “No ano de Cristo de 1691 imperando [governando o Reino o Rei] Dom Pedro II, Nosso Senhor [e] Governando as Armas Desta Província [como Governador Militar o senhor] D. João de Sousa, se fez esta obra”.
Por: Jofre de Lima Monteiro Alves
D. Leonel de Lima nasceu em 1403 em Giela, freguesia do concelho de Arcos de Valdevez, filho secundogénito de Fernão Eanes de Lima e de D. Teresa da Silva
Foi escudeiro da Casa do Infante Dom Duarte (1428); 8.º Senhor das Terras de Coura e Fraião, por carta do Rei Dom João I, dada em Avis (24 de Janeiro de 1429)[1]; 3.º Senhor de S. Martinho, S. Estêvão, Geraz e Valdevez, e do Paço de Giela, por «uomtade» do rei Dom João I (24 de Janeiro de 1429)[2]; o Rei Dom João I concede a D. Filipa da Cunha a tença de um milhão e duzentas e oitenta e três mil quatrocentas e vinte e três libras (1.283.423) por conta da promessa de dote para ela se casar com Leonel de Lima, a ser paga no Almoxarifado de Ponte de Lima, por carta dada em Almeirim (12 de Abril de 1432)[3]; carta de confirmação da mercê da doação das Terras de Coura e Fraião e outras, por carta do Rei Dom Duarte dada em Santarém (20 de Novembro de 1433)[4]; participou na malograda tentativa de conquista de Tânger, tendo para tal obrigado «quatrocentos lavradores da sua terra de S. Martinho a pagarem quatro alqueires de centeio por pessoa»[5] para custear a expedição ao Norte de África (1437); escudeiro da Casa Real (1439); os procuradores do concelho de Ponte de Lima apresentam queixa nas Cortes de Torres Vedras contra Leonel de Lima, por este desrespeitar o antigo costume que determinava «que nehũu fidalgo nom more nem tenha casa de morada em esta villa»[6] e por «o dito Lionell de Lima por assy nom comssentirmos entrar na dita villa nos ameaça, em tamto que nos mandamos dell segurar»[7] (Abril de 1441); embaixador a Castela, por causa dos conflitos entre o Infante D. Pedro e a Rainha D. Leonor em torno da questão da regência do reino (Setembro de 1442)[8]; carta régia de mercê da tença anual de 20000 reais brancos, pagos pelas verbas do Almoxarifado de Ponte de Lima (23 de Abril de 1443)[9]; recebeu os bens móveis e de raiz que João de Palos tinha em Turcifal, que se tinha exilado em Castela por ser adversário da permanência do Infante D. Pedro nas funções de regente do reino (1 de Maio de 1443)[10]; alvará de mercê das terras e devesas de Beiral de Lima em duas vidas, para Leonel de Lima e, por sua morte, a seu filho, dada em Tentúgal pelo Infante Dom Pedro, tutor e curador do Senhor Rei (3 de Setembro de 1443)[11]; autorizado pela vereação da Câmara de Ponte de Lima a construir uma capela e jazigo na vila de Ponte de Lima (23 de Julho de 1446)[12]; carta régia de mercê da tença anual de 10000 reais brancos (7 de Maio de 1446)[13]; escudeiro fidalgo da Casa Real; membro do Conselho d’El-Rei (1446); autorizado a que «possa husar da jurdiçom de suas terras» na Comarca de Entre-Douro-e-Minho, antes que o Corregedor da Corte entrasse nelas (19 de Janeiro de 1449)[14]; confirmação da mercê da doação das Terras de Coura, Fraião, Valdevez e outras, por carta do Rei Dom Afonso V (7 de Março de 1449); participou na Batalha de Alfarrobeira, nas hostes leais ao Rei Dom Afonso V (20 de Maio de 1449); toma posse da Quinta e Torre da Silva, em São Julião da Silva, e «todallas cousas que a ella pertençem», que havia comparado a Diogo Gomes da Silva por 40000 reais brancos (4 de Abril de 1451)[15]; carta régia de mercê da tença anual de 15000 reais brancos, a serem pagos no Almoxarifado de Ponte de Lima (30 de Julho de 1453)[16]; fidalgo da Casa Real (1454); carta régia de confirmação da mercê para nomear meirinhos nas Terras de Coura, Fraião, Arcos de Valdevez, Geraz, Santo Estêvão e S. Martinho, dada em Viseu (31 de Março de 1454)[17]; guarda-mor dos portos alfandegários e portos secos de Valença do Minho (3 de Abril de 1454)[18]; carta régia de privilégio para os seus caseiros, mordomos, apaniguados, funcionários e lavradores não sejam obrigados pelos corregedores a servirem em ofícios contra as suas vontades (3 de Agosto de 1454)[19]; os procuradores do concelho de Ponte de Lima às Cortes de Lisboa apresentam queixa contra Leonel de Lima por exercer muitas «muytas aprisooes e sojeiçoes» nas suas quintas e terras devesas e assim impedir os lavradores de cuidarem das suas lavouras e gado e de participar abusivamente nas sessões camarárias onde «quer fazer o que lhe apraz e nos torva o que queremos fazer» (Março de 1455)[20]; estabelece residência em Lisboa como dignitário da Corte (1455); assiste ao baptizado do príncipe Dom João, com a primazia de transportar as ofertas feitas ao neófito (28 de Maio de 1455); assiste ao auto de juramento de Dom João como príncipe herdeiro da coroa de Portugal (25 de Junho de 1455)[21]; participou na conquista de Alcácer Ceguer (Outubro de 1458); carta régia de mercê da tença anual de 15000 reais brancos, a serem pagos no Almoxarifado de Ponte de Lima, dada em Ceuta (9 de Novembro de 1458)[22]; patrocina a construção da Ponte de Cabreiro, no concelho de Arcos de Valdevez, conforme a inscrição epigráfica que reza assim: «Esta põte fez Afonso Anes abade de cabreyro cryado de lyonel de lyma e de dona phylypa da cunha Era de myl IIII 6 II ano» (1462)[23]; foi encarregado pelo Rei Dom Afonso V de «fazer e edificar» o castelo de Ponte de Lima, no chão de umas «casas de Leonel de Lima» que ele «deu livremente», situadas «dentro em a dita villa, que é logar assaz conveniente» (1464)[24]; 1.º alcaide-mor do castelo de Ponte de Lima, de juro e herdado com transmissão do cargo, rendas e direitos ao seu filho primogénito e que ficará perpétuo nos seus descendentes legítimos e por linha direita, por carta dada em Elvas (26 de Abril de 1464)[25]; mercê da doação de dois casais localizados em Dairam, na terra de Riba de Lima, com todas as «pertenças» (31 de Agosto de 1464)[26]; os procuradores de Ponte de Lima apresentam queixa às Cortes de Santarém porque dos setecentos habitantes da vila e do seu termo, cerca de quinhentos não prestavam qualquer serviço concelhio devido aos privilégios, isenções e protecção de Leonel de Lima e até nem pagavam a «meia telha» determinada por lei para aqueles que estavam livres do serviço público e concelhio (1468)[27]; mandou construir o Palácio do Alcaide, em Ponte de Lima, mais tarde chamado Paço do Marquês (1469); participou na conquista de Arzila e Tânger (Agosto de 1471); 1.º Senhor de Vila Nova de Cerveira e seu termo, com todas as rendas e direitos, a título vitalício, pelos serviços prestados à Coroa em África e no Reino, por carta do Rei Dom Afonso V, dada em Lisboa (21 de Outubro de 1471)[28]; participou na campanha militar em Castela (1475 – 1476); Senhor da Terra de Beiral de Lima, «para todo o sempre» e «de juro e herdado» com «todallas jurdiçoens e foros e tributos e direitos e pertenças para elle e seus herdeiros por linha direita», pelos «grandes e continuados serviços» prestados «em estes meus Regnos de Castella como nos de Portugal e da África e noutras muitas partes», por carta d’Rei Dom Afonso V, dada em Samora, Castela (25 de Outubro de 1475)[29]; carta régia de mercê da doação do reguengo e direitos de portagem e assentos de casas de Ponte de Lima, para poder suportar as despesas de construção do castelo da localidade de que era alcaide, que foram anexos ao castelo para sempre, por este não ter renda própria (25 de Outubro de 1475)[30]; participa na Batalha de Toro (1 de Março de 1476); 1.º Visconde de Vila Nova de Cerveira, pelos relevantes serviços prestados aos reis Dom Duarte e Dom Afonso V, «quando pera ello fostes chamado quamdo os outros duques, condes e Rycos homẽs de meus Regnos eram e foram chamados e fazemdo grandes gastos de vossa fazemda levar como de feito levastes gramde numero de fidalgos e outras jemtes em meu serviço e assy vindo per vossa pessoa e com vossa casa a me servir em a guerra em que estou em estes ditos meus Regnos de Castella e de Liam», por carta do Rei Dom Afonso V, dada em Toro, Castela (4 de Março de 1476)[31]; mercê do tratamento de Dom (4 de Março de 1476)[32]; mercê da tença anual de 50000 reais brancos (1477); fundador do Convento de Santo António de Ponte de Lima (1481).
Faleceu em 13 de Abril de 1495[33] e foi sepultado na Capela de Nossa Senhora da Piedade do Convento de Santo António de Ponte de Lima.
Casou em 1432 com D. Filipa da Cunha, nascida em 1410 e falecida em 7 de Setembro de 1486, filha de Álvaro da Cunha e de D. Beatriz de Melo. Filhos:
1 – D. JOÃO DE LIMA, nasceu em 1434.
2 – D. INÊS DE SOTTOMAYOR E LIMA, nasceu em 1435.
3 – D. FERNÃO DE LIMA, nasceu em 1436.
4 – D. MARIA DE LIMA, nasceu em 1438.
5 – D. ÁLVARO DE LIMA, nasceu em 1440.
6 – D. BRITES DA SILVA, nasceu em 1442.
7 – D. PEDRO ÁLVARES DE SOTTOMAYOR, nasceu em 1444.
8 – D. RODRIGO DE MELO E LIMA, nasceu em 1446.
9 – D. DUARTE DA CUNHA DE LIMA, nasceu em 1448.
10 – D. ISABEL DA SILVA, nasceu em 1450.
Filhos bastardos de D. Leonel de Lima:
11 – JOÃO LOPES DE LIMA, sem mais notícias.
12 – BARTOLOMEU LOURENÇO DE LIMA, filho de Leonel de Lima e de Brianda da Cunha, nasceu em 1423.
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ÁRVORE DE COSTADOS DE D. LEONEL DE LIMA |
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Próprio |
Pais |
Avós |
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D. Leonel de Lima
*Giela, Arcos de Valdevez 1403 +Ponte de Lima 1495
8.º Senhor de Coura
1.º Alcaide-mor de Ponte de Lima
1.º Visconde de Vila Nova de Cerveira |
Fernão Eanes de Lima
*Galiza 1370 +1420
1.º Senhor da Casa de Giela
6.º Senhor de Coura |
Álvaro Rodrigues de Lima
*Galiza 1340
Alcaide-mor de Melgaço |
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D. Inês Fernandes de Sottomayor
*Galiza 1345 |
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D. Teresa da Silva
*1380 +1442 |
Rui Gomes da Silva
*1344 |
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[1] ANTT, Chancelaria de Dom João I, livro 4, fl. 110.
[2] Anselmo Braamcamp Freire, Brasões da Sala de Sintra, III volume, Lisboa, 1973, p. 79.
[3] ANTT, Chancelaria de Dom João I, livro 4, fl. 134.
[4] ANTT, Chancelaria de Dom Duarte, livro 1, fl. 16.
[5] Humberto Baquero Moreno, Um Fidalgo Minhoto de Ascendência Galega: Leonel de Lima, in I.º Colóquio Galaico-Minhoto, I volume, Ponte de Lima, 1981, p. 261.
[6] ANTT, Chancelaria de Dom Afonso V, livro 2, fl. 24v; ANTT, Livro 2 de Além Douro, fl. 15v.
[7] Humberto Baquero Moreno, A Vereação do Concelho de Ponte de Lima em 1446, in Revista de Ciências do Homem, vol. VI, Lourenço Marques, 1974, p. 6.
[8] Humberto Baquero Moreno, A Batalha de Alfarrobeira: Antecedentes e Significado Histórico, volume I, Coimbra, 1979, p. 162.
[9] ANTT, Chancelaria de Dom Afonso V, livro 27, fl. 141.
[10] ANTT, Chancelaria de Dom Afonso V, livro 27, fl. 118v.
[11] ANTT, Arquivo dos Viscondes de Vila Nova de Cerveira, cx 12, n.º 5.
[12] ANTT, Livro 2 de Além Douro, fl. 46v.
[13] ANTT, Chancelaria de Dom Afonso V, livro 5, fl. 70.
[14] ANTT, Chancelaria de Dom Afonso V, livro 34, fl. 105.
[15] Jaime Cepa de Miranda, Quinta e Torre da Silva, Valença, in Cadernos Vianenses, volume VI, p. 152.
[16] ANTT, Chancelaria de Dom Afonso V, livro 4, fl. 14.
[17] ANTT, Chancelaria de Dom Afonso V, livro 10, fl. 35v.
[18] ANTT, Chancelaria de Dom Afonso V, livro 10, fl. 38.
[19] ANTT, Chancelaria de Dom Afonso V, livro 10, fl. 38.
[20] Humberto Baquero Moreno, Um Fidalgo Minhoto de Ascendência Galega: Leonel de Lima, Ponte de Lima, 1981, p. 264.
[21] D. António Caetano de Sousa, Provas da História Genealógica da Casa Real Portuguesa, tomo II, 2.ª parte, Coimbra, 1947, p. 105.
[22] ANTT, Chancelaria de Dom Afonso V, livro 36, fl. 103v.
[23] José da Silva Ferreira, A Ponte Medieval de Cabreiro (Arcos de Valdevez): Homenagem a Félix Alves Pereira, in Revista Portugália, Nova Série, vol. VI/VII, 1985/1986, p. 120.
[24] Anselmo Braamcamp Freire, Brasões da Sala de Sintra, III volume, Lisboa, 1973, p. 81.
[25] ANTT, Chancelaria de Dom Afonso V, livro 8, fl. 111; ANTT, Livro 3 de Além Douro, fl. 181.
[26] ANTT, Chancelaria de Dom Afonso V, livro 8, fl. 182.
[27] Humberto Baquero Moreno, Um Fidalgo Minhoto de Ascendência Galega: Leonel de Lima, Ponte de Lima, 1981, p. 266.
[28] ANTT, Chancelaria de Dom Afonso V, livro 22, fl. 50v.
[29] ANTT, Livro 3 de Além Douro, fl. 183.
[30] Humberto Baquero Moreno, A Batalha de Alfarrobeira: Antecedentes e Significado Histórico, volume II, Coimbra, 1980, p. 836.
[31] ANTT, Livro 2 de Místicos, fl. 59v.
[32] Afonso Eduardo Martins Zuquete, Nobreza de Portugal e do Brasil, volume III, Lisboa, 1961, p. 506.
[33] Anselmo Braamcamp Freire, Brasões da Sala de Sintra, III volume, Lisboa, 1973, p. 85.
Paço de Giela, em Arcos de Valdevez, onde nasceu D. Leonel de Lima em 1403.
Palácio do Alcaide, em Ponte de Lima, fundado por Leonel de Lima, mais tarde chamado Paço do Marquês.
Presos políticos na Torre de São Julião da Barra, oriundos da Província do Minho, com a respectiva naturalidade, profissão e a pena a que foram condenados, durante o reinado do Rei Dom Miguel I, conforme a “História do Cativeiro dos Presos de Estado na Torre de S. Julião da Barra de Lisboa Durante a Desatrosa Época da Usurpação (1833 e 1834)”, de João Baptista da Silva Lopes.
Adriano Augusto da Silva Pereira; estudante; natural de Valença do Minho; foi degredado para o Estado da Índia.
Capitão António Augusto de Almeida Quaresma; capitão do Regimento de Infantaria n.º 8; de Vizela; foi degredado para Lourenço Marques.
António Ferreira da Costa; escrivão do geral e notas; natural de Guimarães; foi degredado para o Estado da Índia.
Cabo António Francisco Diagalves, cabo do Regimento de Infantaria n.º 15; natural de Guimarães.
António José Rodrigues Guimarães; tabelião de notas; natural de Guimarães; foi degredado para Bissau, na Guiné Portuguesa.
António José Vieira Mendes; ourives e feirante de ouro; natural de Guimarães; foi degredado para Benguela, em Angola.
António Pereira da Costa Escarlate; natural de Viana do Minho; foi degredado para Cacheu, na Guiné Portuguesa.
António Teixeira Torga; lavrador; natural de S. Fins; foi degredado para Caconda, em Angola; faleceu.
Padre António Xavier de Seixas e Vasconcelos; Abade de Budiosa, termo de Ranhados; de Cancelos; faleceu.
Capitão Belchior Machado Paes de Araújo Gayo; capitão do Regimento de Infantaria n.º de 21; natural de Valença do Minho; foi degredado para o Estado da Índia.
Clemente José Ferreira; violeiro; natural de Braga; foi degredado para Angola; faleceu.
Domingos Francisco de Abreu; capelista; de Serzedelo, Guimarães.
Domingos José dos Reis; criado de servir; de Guimarães.
Prof. Felisberto Joaquim Dantas Guerreiro de Castro e Meneses; professor régio.
Frei Fortunato Santa Rosa de Vasconcelos; frade dominicano; natural de Guimarães; foi degredado para Pedras Negras, em Angola.
Dr. Francisco António de Abreu e Lima; Corregedor de Aveiro; natural de Viana do Minho; foi degredo para Pondo Andongo, em Angola.
Padre Francisco da Boa Memória; capelão da Misericórdia; de Melgaço.
Dr. Francisco Diogo de Magalhães Araújo e Costa; advogado e perito em paleografia; natural do Arcebispado de Braga.
Brigadeiro Francisco Joaquim Carreti; Brigadeiro de Infantaria; natural de Valença do Minho; aplicada a pena de reformado.
Francisco José Correia de Brito; guarda da portagem; natural de Valença do Minho.
Francisco José de Caldas Brito; proprietário; de Ponte de Lima.
Dr. Francisco Luís de Antas Coelho; Juiz Desembargador; natural de Arcos de Valdevez.
Dr. Gaspar José de Antas Coelho; Juiz Desembargador; natural de Arcos de Valdevez.
Sargento Gregório José Varela; sargento de Cavalaria n.º 5; natural de Barcelos.
Inácio José da Rocha; sapateiro; natural de Caminha; degredado para Benguela, em Angola.
Capitão Inácio Moniz Coelho; capitão de Milícias de Guimarães; natural de Guimarães; degredado para Moçambique.
Alferes Januário José Dantas; alferes do Exército do Ultramar.
João António dos Reis; negociante; de Nine.
João António Teixeira Torga; trabalhador; natural de S. Fins; degredado para São Tome.
Frei João de Santa Rita da Barca; frade franciscano; natural da Barca; degredado para a Ilha do Príncipe, em São Tomé e Príncipe.
Capitão João José de Queirós; capitão do Regimento de Infantaria n.º 21; de Valença do Minho; degredado para o Estado da Índia.
Tenente João Pinto de Araújo Correia; tenente do Regimento de Infantaria n.º 9; natural de Viana do Minho.
Tenente Joaquim José Alves; tenente do Batalhão de Caçadores n.º 1; degredado para Moçambique.
Joaquim Manuel de Faria Abreu e Lima; empregado na Secretaria de Estado da Guerra; degredado para Pedras Negras, em Angola.
José António Caseiro; guarda dos campos; de Ázere, Arcos de Valdevez; degredado para Cacheu, na Guiné Portuguesa.
Padre José António de Sampaio; presbítero do hábito de S. Pedro; de Guimarães; degredado para São Tomé.
José de Sousa; sapateiro; natural de Viana do Minho.
José de Sousa Bandeira; escrivão em Guimarães; natural de Lisboa; degredado para Pondo Andongo, em Angola.
José Dias Homem; fanqueiro; natural de Ázere, Arcos de Valdevez.
Padre José Ferrão de Mendonça e Sousa; prior dos Anjos; natural de Ranhados.
José Francisco dos Santos; boticário; natural de Ponte de Lima; degredado para Cabo Verde.
José Gonçalves; criado de servir; natural de Basto.
José Joaquim Alves de Carvalho; negociante; natural de Basto; faleceu.
Padre José Lopes de Faria; capelão de freiras em Guimarães; natural de Guimarães; foi degredado para a Ilha do Príncipe, em São Tomé e Príncipe; faleceu.
Tenente José Maximino da Cunha Sotto-Mayor; tenente; natural da Cumieira.
José Miguel de Magalhães; alfaiate; natural de Valença do Minho.
Capitão José Perestrelo Marinho Pereira; capitão do Regimento de Infantaria n.º 22; natural de Ponte de Lima.
José Teixeira Torga; trabalhador; de S. Fins; degredado para Moçambique.
Sargento Luís Manuel Teixeira Guimarães; sargento de Infantaria; de Valença do Minho.
Luís Maria Pereira de Sousa Canavarro; empregado da Casa da Índia; de Monção; faleceu.
Manuel de Abreu Brandão de Castro e Vasconcelos; continuo da Secretaria das Cortes do Reino; natural de Arcos de Valdevez.
Manuel de Sá Osório; proprietário; de Celorico.
Padre Manuel Joaquim Forte; cura coadjutor da freguesia da Lapa; de Barcelos.
Alferes Manuel José de Carvalho; alferes do Exército do Ultramar; de Basto.
Sargento Manuel José Dias; sargento de Veteranos; de Darque.
Manuel José Osório; caixeiro; de Melgaço.
Manuel José Teixeira; soldado da polícia; natural de Viana do Minho; degredado para Moçambique
Policarpo José da Silva Pessoa; capelista; natural de S. Martinho de Lanhelas, Caminha; degredado para Caconda, em Angola;
Padre Rodrigo Joaquim Lobo de Menezes; presbítero do hábito de S. Pedro; natural de Guimarães; degredado para Caconda, em Angola.
O Cortejo Histórico das Feiras Novas de Ponte de Lima 2012, que teve lugar em Setembro de 2012, contou com a brilhante actuação do Grupo de Zés-Pereiras “Os Amigos da Farra” de Padornelo, conforme se vê neste vídeo que também se pode ver aqui.
Por: Jofre de Lima Monteiro Alves
I – ANTÓNIO GOMES DE ALMENDRA, nasceu em 1685 em Vilas Boas, concelho de Vila Flor.
Casou com Ana Maria da Silva Lobão[1], nascida em 1690 na freguesia de Samões, concelho de Vila Flor. Filhos:
II – MANUEL DA SILVA LOBÃO, que segue.
II – GONÇALO JOSÉ DA SILVA LOBÃO, nasceu em Samões em 1725.
Casou em 13 de Abril de 1768 na Igreja Paroquial de Nossa Senhora dos Mosteiros com Rosa Maria de Almeida, nascida em 18 de Abril de 1751 na freguesia de Nossa Senhora dos Mosteiros, concelho de Arronches, filha de Manuel de Almeida Nogueira Barrão e de Maria Martins Mourato; com geração.
II – MANUEL DA SILVA LOBÃO, filho de António Gomes de Almendra, nasceu em 1720 na freguesia de Samões, concelho de Vila Flor.
Moleiro no Moinho da Torre, Arronches (1752); lavrador na Herdade da Soeira, Arronches (1766).
Faleceu em 16 de Julho de 1774 na freguesia de S. Bartolomeu, termo da vila de Arronches.
Casou em 1751 com Cecília Maria Mourato, nascida em 1733 na vila de Monforte do Alentejo e falecida em 9 de Janeiro de 1767 na freguesia de S. Bartolomeu de Arronches, filha de João Mourato e de Joana Maria Rodrigues, ambos da freguesia de S. Gregório, termo da cidade de Portalegre.
Casou em 1768 em segundas núpcias com Maria da Vide Machado, nascida em 27 de Fevereiro de 1741 na freguesia de Nossa Senhora dos Mosteiros, termo de Arronches, filha de Diogo Paes Martins e de Maria do Espírito Santo Abrantes.
Filhos do primeiro casamento de Manuel da Silva Lobão:
III.1 – FRANCISCO DA SILVA LOBÃO TELO, que segue.
III.2 – JOSÉ DA SILVA LOBÃO, filho de Manuel da Silva Lobão, nasceu no Moinho da Torre, vila de Arronches, em 6 de Dezembro de 1757 em foi baptizado na Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Mosteiros a 18 de Dezembro de 1757.
Faleceu em 16 de Janeiro de 1766 na Herdade da Soeira, freguesia de S. Bartolomeu, termo da vila de Arronches.
III.3 – ANTÓNIO DA SILVA LOBÃO, filho de Manuel da Silva Lobão, nasceu em 5 de Dezembro de 1759 na freguesia de Nossa Senhora da Assunção, vila de Arronches.
Faleceu em 1 de Janeiro de 1766 na freguesia de S. Bartolomeu, termo da vila de Arronches.
III.4 – MARIA DA SILVA LOBÃO, filha de Manuel da Silva Lobão, nasceu no Moinho da Torre, lugar da freguesia de Nossa Senhora da Assunção, vila de Arronches, em 17 de Novembro de 1761.
Faleceu na Herdade da Soeira, freguesia de S. Bartolomeu, termo da vila de Arronches, em 1 de Janeiro de 1766.
III.5 – ANA DA SILVA LOBÃO, filha de Manuel da Silva Lobão, nasceu em 23 de Agosto de 1764 na Herdade da Soeira, freguesia de Nossa Senhora da Assunção, vila de Arronches.
Faleceu em 19 de Outubro de 1764 na Herdade da Soeira, freguesia de S. Bartolomeu, termo da vila de Arronches.
Filho do segundo casamento de Manuel da Silva Lobão com Maria da Vide Machado:
III.6 – RODRIGO DA SILVA LOBÃO, filho de Manuel da Silva Lobão, nasceu em 21 de Janeiro de 1769 na Herdade da Soeira, freguesia de S. Bartolomeu, termo da vila de Arronches.
III – Sargento-mor FRANCISCO DA SILVA LOBÃO TELO, filho de Manuel da Silva Lobão, nasceu a 19 de Fevereiro de 1753 no Moinho da Torre, freguesia de Nossa Senhora da Assunção, vila de Arronches, e foi baptizado em 4 de Março de 1753 na Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Mosteiros.
Lavrador na Herdade de Revelhos, concelho de Arronches (1774); capitão de Ordenanças (1800); capitão-mor da Companhia de Ordenanças de Arronches (3 de Julho de 1804); sargento-mor da Companhia de Ordenanças de Arronches (1807); reformado com o posto de sargento-mor de Ordenanças (1812).
Faleceu em 1 de Março de 1820 na Herdade de Revelhos, freguesia de S. Bartolomeu, termo da vila de Arronches, aos 67 anos de idade.
Casou em 18 de Setembro de 1774 na Igreja Paroquial de S. Bartolomeu de Arronches com D. Vitória Brites Nunes, nascida a 8 de Março de 1755 na Herdade de Sancha Ruiva, freguesia de S. Bartolomeu, concelho de Arronches, e falecida em 21 de Janeiro de 1831 na freguesia de S. Bartolomeu, filha de José Nunes Louzadas, natural da freguesia de Nossa Senhora da Assunção de Arronches, e de Leonor Pires Velez, natural da freguesia de Nossa Senhora da Esperança da Serra, concelho de Arronches. Filhos:
IV.1 – D. MARIA DO CARMO DA SILVA LOBÃO TELO, filha de Francisco da Silva Lobão Telo, nasceu na Herdade de Revelhos, freguesia de S. Bartolomeu, termo da vila de Arronches, em 4 de Julho de 1775.
Faleceu em 1800 na freguesia de Lameira, concelho de Arronches.
Casou em 24 de Janeiro de 1797 na Capela de Revelhos, freguesia de S. Bartolomeu de Arronches, com José Militão de Carvalho e Lima, nascido a 10 de Março de 1775 na freguesia de Nossa Senhora dos Remédios da Lameira, concelho de Arronches, filho do sargento-mor José António de Carvalho e de D. Joaquina Cândida de Lima; com geração.
IV.2 – D. LEONOR PIRES DA SILVA LOBÃO TELO, filha de Francisco da Silva Lobão Telo, nasceu em 17 de Fevereiro de 1777 na Herdade de Revelhos, freguesia de S. Bartolomeu, termo da vila de Arronches.
Faleceu em 11 de Janeiro de 1808 na freguesia de S. Bartolomeu, aos 31 anos incompletos.
Casou em 15 de Novembro de 1802 na Igreja Paroquial de S. Bartolomeu de Arronches, com o seu cunhado José Militão de Carvalho e Lima, natural da freguesia de Lameira, concelho de Arronches, filho do capitão José António de Carvalho e de D. Joaquina Cândida de Lima.
José Militão de Carvalho e Lima foi lavrador no Monte das Furadas; proprietário; capitão de Ordenanças da Companhia de Éguas de Arronches (23 de Janeiro de 1804); sargento-mor de Ordenanças de Arronches (29 de Setembro de 1812); lavrador na Herdade do Reguengo (1820); major reformado de Ordenanças; com geração.
IV.3 – Capitão FRANCISCO DA SILVA LOBÃO TELO, filho de Francisco da Silva Lobão Telo, nasceu na Herdade de Revelhos, freguesia de S. Bartolomeu, termo da vila de Arronches, em 15 de Setembro de 1778.
Capitão da Companhia de Ordenanças de Santa Eulália, aldeia do termo de Elvas (12 de Fevereiro de 1807).
Faleceu em 18 de Dezembro de 1838 na freguesia de S. Bartolomeu de Arronches e foi sepultado na freguesia de Santa Eulália, aldeia do termo de Elvas, a 19 de Dezembro de 1838.
Casou com D. Ana Isabel Florência de Lima Picão, falecida em 22 de Fevereiro de 1822 na freguesia de Santa Eulália, termo de Elvas, filha de Amaro José de Bastos Picão e de Francisca Faustina de Lima; com geração.
IV.4 – MANUEL FRANCISCO DA SILVA LOBÃO TELO, filho de Francisco da Silva Lobão Telo, nasceu em 16 de Março de 1780 na Herdade de Revelhos, freguesia de S. Bartolomeu, termo da vila de Arronches.
IV.5 – Capitão ANTÓNIO DA SILVA LOBÃO TELO, filho de Francisco da Silva Lobão Telo, nasceu na Herdade de Revelhos, freguesia de S. Bartolomeu, termo da vila de Arronches, em 13 de Março de 1781.
Capitão da Companhia de Ordenanças de Arronches (17 de Outubro de 1806).
Casou com D. Josefa da Graça da Fonseca Patrão, natural da aldeia de Santa Eulália, termo de Elvas, filha de Vicente Martins e de Francisca dos Santos; com geração.
IV.6 – CEZÍLIA JOSEFA DA SILVA LOBÃO TELO, filha de Francisco da Silva Lobão Telo, nasceu em 16 de Abril de 1783 na Herdade de Revelhos, freguesia de S. Bartolomeu, termo da vila de Arronches.
Faleceu em 8 de Junho de 1783 na freguesia de S. Bartolomeu, concelho de Arronches.
IV.7 – JOSÉ DA SILVA LOBÃO TELO, filho de Francisco da Silva Lobão Telo, nasceu na Herdade de Revelhos, freguesia de S. Bartolomeu, termo da vila de Arronches, em 14 de Junho de 1784.
Faleceu em 10 de Novembro de 1786 na freguesia de S. Bartolomeu, concelho de Arronches, aos dois anos de vida.
IV.8 – MANUEL JOSÉ DA SILVA LOBÃO TELO, filho de Francisco da Silva Lobão Telo, nasceu em 28 de Maio de 1786 na Herdade de Revelhos, freguesia de S. Bartolomeu, concelho de Arronches.
Faleceu em 29 de Setembro de 1786 na freguesia de S. Bartolomeu, termo da vila de Arronches, aos 4 meses de vida.
IV.9 – CECÍLIA JACINTA DA SILVA LOBÃO TELO, filha de Francisco da Silva Lobão Telo, nasceu na Herdade de Revelhos, freguesia de S. Bartolomeu, termo da vila de Arronches, em 14 de Agosto de 1787.
IV.10 – JACINTA MARIA DA SILVA LOBÃO TELO, filha de Francisco da Silva Lobão Telo, nasceu em 26 de Setembro de 1789 na Herdade de Revelhos, freguesia de S. Bartolomeu, termo da vila de Arronches.
Faleceu em 21 de Junho de 1790 na freguesia de S. Bartolomeu, concelho de Arronches, aos 9 meses de vida.
IV.11 – JOSÉ DA SILVA LOBÃO TELO, que segue.
IV.12 – JACINTA FRANCISCA DA SILVA LOBÃO TELO, filha de Francisco da Silva Lobão Telo, nasceu em 23 de Junho de 1793 na freguesia de S. Bartolomeu
Faleceu em 3 de Outubro de 1802 na freguesia de S. Bartolomeu, concelho de Arronches, aos 9 anos de idade.
IV.13 – MANUEL FRANCISCO DA SILVA LOBÃO TELO, filho de Francisco da Silva Lobão Telo, nasceu na freguesia de S. Bartolomeu, termo da vila de Arronches, em 18 de Fevereiro de 1795.
IV.14 – MANUEL DA SILVA LOBÃO TELO, filho de Francisco da Silva Lobão Telo, nasceu em 17 de Outubro de 1798 na freguesia de S. Bartolomeu, termo da vila de Arronches.
IV – Major JOSÉ DA SILVA LOBÃO TELO, nasceu em 19 de Maio de 1791 na Herdade de Revelhos, freguesia de S. Bartolomeu, termo da vila de Arronches, e foi baptizado em 29 de Maio de 1791.
Alferes da Companhia de Ordenanças de Arronches (1813); capitão da 6.ª Companhia do Batalhão do Corpo de Voluntários Realistas de Portalegre (5 de Fevereiro de 1830); major de milícias; lavrador.
Faleceu em 13 de Dezembro de 1859 na freguesia de Nossa Senhora da Assunção, vila de Arronches.
Casou com D. Guiomar Vicência Sardinha Mergulhão, nascida em 22 de Janeiro de 1793 na freguesia de Assumar e falecida em 4 de Janeiro de 1857 na freguesia de Nossa Senhora da Assunção, vila de Arronches, filha do capitão Cosme Damião Sardinha e de D. Teodósia Catarina de Sena Mergulhão. Filhos:
V.1 – D. TEODÓSIA ANGÉLICA DE SENA DA SILVA LOBÃO, filha de José da Silva Lobão Telo, nasceu em 17 de Junho de 1821 na freguesia de Nossa Senhora da Assunção, vila de Arronches.
Faleceu em 28 de Novembro de 1853 na freguesia de Nossa Senhora da Assunção, vila de Arronches
V.2 – D. ANA ISABEL DA SILVA LOBÃO, que segue.
V.3 – D. JACINTA VITÓRIA DA SILVA LOBÃO, filha de José da Silva Lobão Telo, nasceu em 1 de Abril de 1825 na freguesia de Nossa Senhora da Assunção, vila de Arronches.
V – FRANCISCO DA SILVA LOBÃO TELO, filho de José da Silva Lobão Telo, nasceu na vila de Arronches em 1827.
Escrivão de notas.
Casou com Febrónia Rita Gonçalves, natural da vila de Arronches, filha de José Gonçalves Monicório e de Maria Jacinta; com geração.
V.4 – MIGUEL DA SILVA LOBÃO TELO, filho de José da Silva Lobão Telo, nasceu na freguesia de Nossa Senhora da Assunção, vila de Arronches, em 8 de Fevereiro de 1829.
V.5 – D. MARIA AUGUSTA DA SILVA LOBÃO TELO, filha de José da Silva Lobão Telo, nasceu em 16 de Setembro de 1830 na freguesia de Nossa Senhora da Assunção, vila de Arronches.
Casou em 5 de Outubro de 1857 na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção, vila de Arronches, com José Gomes, nascido em 1824 na freguesia do Espírito Santo, vila de Niza, filho de Martinho Gonçalves e de Águeda do Carmo; com geração.
V.5 – AUGUSTO DA SILVA LOBÃO TELO, filho de José da Silva Lobão Telo, nasceu na freguesia de Nossa Senhora da Assunção, vila de Arronches, em 18 de Dezembro de 1832.
Lavrador.
Casou em 9 de Janeiro de 1861 na Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Assunção, vila de Arronches, com Teodora Maria Gonçalves da Silva, nascida em 1841 em Marvão, filha natural de Esteban Galván Escudero e de Basilissa Gonçalves; com geração.
V – D. ANA ISABEL DA SILVA LOBÃO SARDINHA, filha de José da Silva Lobão Telo, nasceu a 3 de Janeiro de 1823 em Arronches e foi baptizada na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção em 20 de Janeiro de 1823.
Faleceu em 20 de Junho de 1862 na freguesia de Nossa Senhora da Assunção, vila de Arronches, aos 39 anos de idade.
Casou em 19 de Maio de 1845 na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção, vila de Arronches, com o seu primo dr. António Maria da Trindade Sardinha, nascido em Portalegre e baptizado a 2 de Outubro de 1819 na freguesia da Sé, filho de Lourenço Félix Sardinha Mergulhão, natural da vila de Assumar, e de Guiomar Hipólita da Trindade, natural da vila de Borba.
António Maria da Trindade Sardinha foi médico-cirurgião; médico do partido municipal da vila de Arronches. Filhos:
VI.1 – D. RITA ADELAIDE DA SILVA SARDINHA, filha de D. Ana Isabel da Silva Lobão, nasceu na freguesia de Nossa Senhora da Assunção, vila de Arronches, em 25 de Janeiro de 1846.
Faleceu em 25 de Abril de 1861 na freguesia de Nossa Senhora da Assunção, vila de Arronches.
VI.2 – JOSÉ MANUEL DA SILVA SARDINHA, filho de D. Ana Isabel da Silva Lobão, nasceu em 6 de Janeiro de 1849 na freguesia de Nossa Senhora da Assunção, vila de Arronches.
Faleceu em 29 de Maio de 1849 na freguesia de Nossa Senhora da Assunção, vila de Arronches.
VI.3 – MANUEL DA SILVA SARDINHA, filho de D. Ana Isabel da Silva Lobão, nasceu na freguesia de Nossa Senhora da Assunção, vila de Arronches, em 16 de Março de 1850.
VI.4 – JOSÉ MARIA DA SILVA SARDINHA, que segue.
VI.5 – D. MARIA AUGUSTA DA SILVA SARDINHA, filha de D. Ana Isabel da Silva Lobão, nasceu em 29 de Outubro de 1852 na freguesia de Nossa Senhora da Assunção, vila de Arronches.
VI.6 – D. MARIA AMÁLIA DA SILVA SARDINHA, filha de D. Ana Isabel da Silva Lobão, nasceu na freguesia de Nossa Senhora da Assunção, vila de Arronches, em 29 de Outubro de 1852.
Faleceu em 5 de Março de 1853 na freguesia de Nossa Senhora da Assunção, vila de Arronches.
VI.7 – FRANCISCO ANTÓNIO DA SILVA SARDINHA, filho de D. Ana Isabel da Silva Lobão, nasceu em 2 de Dezembro de 1853 na freguesia de Nossa Senhora da Assunção, vila de Arronches.
Faleceu em 10 de Setembro de 1855 na freguesia de Nossa Senhora da Assunção, vila de Arronches.
VI.8 – D. VITÓRIA ANA DA SILVA SARDINHA, filha de D. Ana Isabel da Silva Lobão, nasceu na freguesia de Nossa Senhora da Assunção, vila de Arronches, em 14 de Agosto de 1855.
Faleceu em 9 de Julho de 1856 na freguesia de Nossa Senhora da Assunção, vila de Arronches.
VI.9 – D. VITÓRIA DA SILVA SARDINHA, filha de D. Ana Isabel da Silva Lobão, nasceu em 24 de Maio de 1857 na freguesia de Nossa Senhora da Assunção, vila de Arronches.
VI – JOSÉ MARIA DA SILVA SARDINHA, filho de D. Ana Isabel da Silva Lobão, nasceu em 16 de Maio de 1851 na vila de Arronches e foi baptizado na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção a 7 de Agosto de 1851.
Escrivão da Fazenda em Monforte do Alentejo.
Casou com D. Maria do Rosário de Sousa Sardinha, natural de Monforte do Alentejo, filha de José Romão de Sousa e de Maria Lúcia. Filhos:
VII – ANTÓNIO MARIA DE SOUSA SARDINHA, que segue.
VII – JOSÉ MARIA DE SOUSA SARDINHA, nasceu em 1889.
Aspirante de finanças.
Faleceu a 28 de Dezembro de 1952 em Monforte.
VII – Tenente ISAÍAS DE SOUSA SARDINHA.
Tenente de Infantaria.
VII – ANTÓNIO MARIA DE SOUSA SARDINHA, filho de José Maria da Silva Sardinha, nasceu em Monforte do Alentejo a 9 de Setembro de 1887.
Foi aluno do Liceu nacional de Portalegre (1898 – 1903); poeta (1902); aluno do Liceu Nacional de Évora (1903 – 1904); aluno da Universidade de Direito (1906 – 1911); editor de O TRIPEIRO: Repositório de Notícias Portucalenses (Julho de 1908); sócio correspondente da Sociedade Arqueológica Santos Rocha (20 de Outubro de 1908); arqueólogo (1908 – 1909); vencedor dos Jogos Florais Hispano-Portugueses de Salamanca, com o seu poema “Lírica de Outubro”, com o pseudónimo António de Monforte (15 de Setembro de 1909); formado em Direito (25 de Julho de 1911); advogado; oficial conservador da Conservatória do Registo Civil de Monforte; sócio da Associação dos Arqueólogos Portugueses (29 de Abril de 1912); declara a sua adesão aos ideais da Monarquia (1912); concorrente não aprovado ao concurso de admissão ao lugar de professor assistente do Grupo de Ciências Históricas da Faculdade de Letras de Lisboa (1913); participa na reunião preparatório na Figueira da Foz, com Alberto Monsaraz e Hipólito Raposo, para lançar as bases da filosofia que estaria na origem do Integralismo Lusitano (Setembro de 1913); fundador da revista NAÇÃO PORTUGUESA: Revista de Filosofia Política (Abril de 1914 – 1916); fundador do Integralismo Lusitano (1914); jornalista; ensaísta (1915); historiador; político; polemista; doutrinador político-social; erudito; intelectual; cronista; conferencista; pensador; escritor; monárquico; dirigente da Junta Central do Integralismo Lusitano (Abril de 1916 – Janeiro de 1925); redactor principal do jornal A MONARQUIA (Fevereiro de 1917); eleito deputado pelo círculo de Elvas, nas listas da Comissão Eleitoral Monárquica (28 de Abril de 1918); deputado da Nação (22 de Julho de 1918 – Janeiro de 1919); nomeado governador civil do distrito de Portalegre, durante a Monarquia do Norte, cargo de que não chegou a tomar posse (20 de Janeiro de 1919); nomeado representante da Junta Governativa do Reino de Portugal em Badajoz, Espanha (26 de Janeiro de 1919); exilado em Espanha (Fevereiro de 1919 – Maio de 1921); colaborador de A REVOLUÇÃO (Fevereiro de 1922 – Agosto de 1922); director da NAÇÃO PORTUGUESA: Revista de Cultura Nacionalista, II Série (Julho de 1922 – 1923); colaborador da imprensa, nomeadamente nos jornais ÉPOCA, NOVIDADES, DIA e DIÁRIO NACIONAL; Senhor da Quinta do Bispo, em Elvas, pelo seu casamento; presidente da Câmara Municipal de Elvas (1924 – 1925); director da III Série da NAÇÃO PORTUGUESA (1924 – 1925).
Escreveu e publicou:
– Serão Ducal (Século XVI): Entreacto Dramático, Coimbra, 1903;
– Cálix de Amargura, Évora, 1904;
– Túrris Ebúrnea: Sonetos, Évora, 1905 ;
– Cartas de Amor: Guia de Correspondência Amorosa, Porto, 1905;
– Tronco Reverdecido: 1906-1908, Lisboa, 1910;
– Jogos Florais de Salamanca: Poesias Premiadas, Coimbra, 1910; em co-autoria;
– O Sentido Nacional Duma Existência: António Tomaz Pires e o Integralismo, Elvas, 1914;
– A Epopeia da Planície: Poemas da Terra e do Sangue, Coimbra, 1915;
– O Valor da Raça: Introdução a Uma Campanha Nacional, Lisboa, 1915;
– A Teoria da Nobreza, Vila Nova de Famalicão, 1916;
– A Questão Ibérica, Lisboa, 1916; em co-autoria;
– Versos, Lisboa, 1916; em co-autoria;
– Três Canções Tristes, Para Canto e Piano, Lisboa, 1919; em co-autoria;
– Estudo para “Uma Campanha Tradicionalista”, Lisboa, 1919;
– Pratiquemos um Acto de Inteligência!, Lisboa, 1919;
– A Roca, Lisboa, 1920;
– Quando as Nascentes Despertam: Poemas da Turbação e da Boa-Estrela, Lisboa, 1921;
– Na Corte da Saudade: Sonetos de Toledo, Coimbra, 1922;
– Chuva da Tarde: Sonetos de Amor, Lisboa, 1923;
– A Aliança Peninsular: Antecedentes e Possibilidades, Porto, 1924;
– Carta para Perto, Estremoz, 1924;
– Ao Princípio Era o Verbo: Ensaios e Estudos, Lisboa, 1924;
– Estudo para as “Memórias e Alguns Documentos para a História e Teoria das Cortes Gerais que em Portugal se Celebraram pelos Três Estados do Reino, Ordenadas e Compostas em 1824 pelo 2.º Visconde de Santarém”, Lisboa, 1924;
– Teses Apresentadas ao Congresso Nacional Municipalista do Porto, Lisboa, 1924;
– Ao Ritmo da Ampulheta: Crítica e Doutrina, Coimbra, 1925;
– A Teoria das Cortes Gerais, 1925;
– Era Uma Vez Um Menino: Elegias, Lisboa, 1926;
– Na Feira dos Mitos: Ideias e Factos, Lisboa, 1926;
– À Sombra dos Pórticos: Novos Ensaios, Lisboa, 1927;
– Durante a Fogueira: Páginas da Guerra, Lisboa, 1927;
– Da Hera nas Colunas: Novos Estudos, Coimbra, 1928;
– Purgatório das Ideias: Ensaios de Crítica, Lisboa, 1929;
– Roubo de Europa: Poema, Lisboa, 1931;
– De Vita et Moribus: Casos e Almas, Lisboa, 1931;
– A Prol do Comum…: Doutrina e História, Lisboa, 1934;
– Pequena Casa Lusitana: Sarcasmos, Esperanças e Elegias, Porto, 1937;
– Processo Dum Rei, Porto, 1937;
– Glossário dos Tempos, Porto, 1942;
– À Lareira de Castela: Estudos Peninsulares, Vila Nova de Famalicão,1943;
– Antologia Poética, Lisboa, 1960;
– Doze Sonetos, Elvas, 1973.
Faleceu em Elvas a 10 de Janeiro de 1925.
Casou em 18 de Agosto de 1912 com D. Ana Júlia Nunes da Silva Sardinha, natural de Elvas, filha de David Nunes da Silva e de Ana Margarida Nunes da Silva. Filho:
VIII – LOPO DA SILVA SARDINHA, filho de António Maria de Sousa Sardinha, nasceu em 14 de Julho de 1914.
Faleceu em 29 de Junho de 1915.
[1] Ana Maria da Silva Lobão seria irmã de Clemente de Lobão Telo, nascido em Samões, freguesia do concelho de Vila Flor, a 28 de Dezembro de 1679, sendo este filho de Manuel Lobão Montes e de Maria de Almendra, neto pela via paterna de Lopo Machado Pereira e de Catarina Lobão do Sil, neto materno de Pedro de Bairros e de Isabel Lopes. O apelido Silva vinha-lhe por sua bisavó Guiomar da Silva Pereira, casada com Manuel Machado, pais do referido Lopo Machado Pereira.
António Sardinha
Ex-líbris heráldico do dr. Francisco Carneiro de Assis Teixeira, desenhado por António de Oliveira Lima em 1927 e gravado a buril põe André Victor Edouard Devambez. Escudo de fantasia esquartelado, com as armas de: I – Magalhães, II – Teixeira, III – Coelho e IV – Cunha; com coronel de Conde e timbre de Magalhães, por debaixo do listel com a divisa “DUM SPIRO SPERO”, tudo envolto por uma elegante cartela de belíssimo efeito decorativo.
Francisco Carneiro de Assis Teixeira Coelho de Magalhães e Menezes, de seu nome completo, nasceu a 12 de Setembro de 1890 em São João da Foz, Porto, filho segundogénito de António de Assis Teixeira de Magalhães e Menezes, 1.º Conde de Felgueiras, e de D. Mariana Porfíria Ribeiro Carneiro; foi bacharel formado em Direito pela Universidade de Coimbra; proprietário; Senhor da Casa do Colégio, na vila de Gouveira, pelo seu casamento. Faleceu em Lisboa a 7 de Março de 1931.
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Árvore de Costados de Francisco Carneiro de Assis Teixeira |
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Próprio |
Pais |
Avós |
Bisavós |
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Francisco Carneiro de Assis Teixeira Coelho de Magalhães e Menezes
* Porto, 1890
+ Lisboa, 1931 |
António de Assis Teixeira de Magalhães e Menezes
1.º Conde de Felgueiras
* Felgueiras, 1850
+ Coimbra, 1914
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Francisco de Assis Teixeira
* 1820
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Capitão José Teixeira da Cunha Carneiro |
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D. Angélica Margarida da Silva Furtado de Bulhões |
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D. Margarida Júlia Leite de Magalhães
* 1821
+ 1900 |
Manuel Joaquim Leite de Freitas
* 1780 |
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D. Inês de Sampaio Magalhães Álvares Lanhas |
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D. Mariana Porfíria Ribeiro Carneiro
* Brasil, 1866
* Trouxemil, Coimbra, 1935 |
António Bernardo Teixeira da Cunha Carneiro |
Capitão José Teixeira da Cunha Carneiro |
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D. Angélica Margarida da Silva Furtado de Bulhões |
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D. Mariana Porfíria Beder Ribeiro
* Brasil, 1831 |
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Por: Jofre de Lima Monteiro Alves
Segunda parte da relação de padres nascidos em Padornelo, freguesia do concelho de Paredes de Coura, no distrito de Viana do Castelo.
9 – Padre João Gonçalves Pereira, nasceu em Padornelo em 1575, filho de Afonso Dias.
Faleceu em Padornelo a 3 de Maio de 1648.
Foi cura coadjutor da Igreja Matriz de Santa Marinha de Padornelo; cura coadjutor da Igreja Matriz de São Paio de Mozelos; cura da Igreja Paroquial de Santa Marinha de Padornelo; abade da Igreja Matriz de São Miguel de Porreiras.
10 – Padre João Gonçalves Capão, nasceu em Padornelo em 1580.
Foi cura da Igreja Matriz de São Miguel de Cristelo.
11 – Padre João Antunes Pacheco, nasceu em 1590 no lugar do Sobreiro, freguesia de Padornelo, filho de António Alves e de Branca Lourenço.
Faleceu no Sobreiro a 18 de Março de 1668.
Foi cura coadjutor da Igreja Paroquial de Santa Marinha de Padornelo.
12 – Padre Pascoal Rodrigues nasceu em 1600 em Padornelo.
Foi cura da Igreja Matriz de Santa Marinha de Padornelo.
13 – Padre António Veloso de Caldas, nasceu em Padornelo e foi baptizado a 8 de Agosto de 1619, filho de Gaspar de Caldas de Abreu e de D. Ana Veloso Bacelar.
Faleceu a 2 de Setembro de 1646 em Padornelo.
14 – Padre Francisco Barreiros, nasceu no lugar de Requião e foi baptizado na Igreja Matriz de Santa Marinha de Padornelo a 23 de Fevereiro de 1620, filho de Francisco Rodrigues e de Francisca Fernandes.
Foi cura coadjutor da Igreja Paroquial de Santa Marinha de Padornelo; coadjutor da Igreja Paroquial de Santa Marinha de Padornelo; cura coadjutor da Igreja Matriz de Santa Maria de Paredes de Coura; coadjutor da Igreja Matriz de Santa Maria de Paredes de Coura; cura coadjutor da Igreja Matriz de São Cristóvão de Labruja, concelho de Ponte de Lima.
15 – Padre Francisco Rodrigues Pereira, nasceu em Padornelo e foi baptizado a 20 de Maio de 1621, filho de Francisco Fernandes da Veiga e de Leonor Rodrigues Pereira.
Faleceu a 30 de Junho de 1653 em Padornelo.
16 – Padre Miguel Barbosa, nasceu no lugar de Alvite e foi baptizado a 21 de Novembro de 1621 em Padornelo, filho de Francisco Rodrigues e de D. Catarina de Sequeiros e Caldas.
Faleceu a 4 de Março de 1643 em Padornelo.
Igreja Paroquial de Santa Marinha de Padornelo, freguesia do concelho de Paredes de Coura.
Por: Jofre de Lima Monteiro Alves
Quando nasceu a feira de Coura? Não temos a resposta definitiva, mas no início do século XVI o Rei Dom Manuel I concedeu autorização ao Visconde de Vila Nova de Cerveira, senhor donatário da Terra de Fraião e do concelho de Coura, para este nomear fiscais para a “feira de Coira”. Isto significa que a mesma já se realizava, provavelmente desde os tempos de antanho.
Tendo inicialmente a periodicidade mensal, realizava-se a cada dia 9, mas passou a quinzenal por força do alvará régio de Dom Pedro II, datado de 8 de Novembro de 1689, sendo fixadas as datas de 9 e 24 de cada mês para a sua realização.
Todavia, os povos de Coura, impelidos pelos sujeitos de negócios, queriam mais, e para tal alcançaram do Rei Dom João V a autorização para se levantar nova feira no lugar de S. Roque, na freguesia de Rubiães, por mercê de 20 de Janeiro de 1712, aqual seria transferida posteriormente para o Cascalhal, lugar da freguesia de Romarigães, por carta régia do mesmo monarca, lavrada na Chancelaria a 19 de Fevereiro de 1726. Teve, porém, vida breve.
O espaço feirante nesta zona concelhia nascera sobre triste signo, problemática a existência que levou a constantes supressões e reactivações inúmeras vezes. Não houve fabulário milagreiro que lhe desse bom caminho, vagueando num babaréu façanhudo bafejado pelos foles do inferno, como veremos mais adiante.
No reinado de Dona Maria II seria criada outro mercado, este de reminiscência e tradição mais perdurável até aos meados do século XX. Por graça da carta régia de 16 de Julho de 1792, os administradores da Real Confraria e Santuário do Senhor Ecce Homo, os moradores de Padornelo e demais povo do concelho de Coura foram autorizados a realizarem uma nova feira naquela freguesia.
Na petição, a bater à porta da estância soberana, naquele português macarrónico da centúria de setecentos, alegavam com o coração aos saltos que «tinham desejo e necessidade de que naquele sítio que estabelecessem algumas feiras», pois o foral manuelino previa a existência e a «faculdade para duas» no espaço concelhio.
Numa retórica melodramática, carregada de tintas negras a fim de inspirar a magna piedade da rainha, alegavam que «muitas vezes» não se realizava a feira de Paredes «por causa das chuvas e inundações, por ser no Inverno», o que causava «comum prejuízo» e fazia aquele «Povo viver em indigência por falta de negociações e estarem distância de três léguas os termos mais circunvizinhos».
Ao mesmo tempo, condoídos de dores e penúrias, como causa maior acrescentavam o facto «ter esfriado a devoção e ocorrência a que costumava haver de muitas partes ao dito Santuário» do Senhor Ecce Homo, que entrava, assim, em estado de calamitosa decadência, o que não convinha ao serviço de Deus. Parece, a fazer fé, que antes acudia povo dos quatro cantos.
Assim, para melhor abastecimento dos povos, escoar a produção agrícola, renovar a grandeza da Real Capela e por coisas e loisas, naquela letra miudinha e pressurosa, pediam a graça real de ser criada «uma feira no primeiro dia de cada mês e uma a vinte e seis e vinte e sete do mês de Julho de cada ano, todas no Terreiro do dito Santuário». Com se disse, foi despachado favoravelmente por provisão régia de 16 de Julho de 1792. Naquelas eras recuadas, os reis e governantes ainda queriam o bem explícito dos povos.
Atraiu a rédea dos almocreves e tornou-se um entreloiço de festim. Teve vasta duração e era afamada como feira de predilecção especial para gado, cereais, hortaliças e não faltava de premeio a boroa de truz. Ocupava o rossio vizinho à Capela do Senhor Ecce Homo, nos Tojais, lugar da freguesia de Padornelo, classificada como «a segunda, em importância, do concelho» na ordem natural da grandeza, sólida e cumpridora dum destino benigno. Pedia meças a muitas feiras do Alto Minho.
Durante o século XIX e primeiro terço da centúria de 1900 ganhou fama e proveito de ser «boa para gados, e acorrem a ela cereais, hortaliças, peixe fresco e salgado, galinhas ovos, frutas», e, em contraponto, nunca teve tenda para venda de ourivesaria. Os negociantes elegiam a Feira dos Tojais como lugar de eleição, corria a fama de feirão porque o terreno inclinado e os ares favoráveis acentuavam as condições ideias, «o gado feirava bem» e tudo encaminhava para preços competitivos e razoáveis.
Em Junho de 1958, devido a uma epidemia de febre aftosa malina, foram «proibidas as feiras dos animais em todo o distrito de Viana», o que causou «um grande prejuízo, não só aos lavradores, assim como a todos em geral, pela falta de transações». Tal facto, um agravo infligido que se prolongou em demasia, arruinou a pujança da praça mercantil de Padornelo, que não conseguiu sobrevir sem a sua componente de Feira do Gado, dando ainda a última demão do estertor em finais de 1958.
O povo de claro engenho, olho fino e afeiçoado às coisas do labirinto sobrenatural, que nunca foi gente de meias tintas, prefere atribuir a morte da feira a uma maldição que teve origem no facto de se ter cortado o adro do Senhor Ecce Homo para a construção duma estrada, desviada de propósito para não entrar em terrenos duma senhora de estadão e etiqueta. A ser assim, os espectros acusadores pesaram imenso na balança da justiça divina.
Extinguiu-se naturalmente no início da década de 1960, depois de uma curtíssima tentativa de a fazer renascer, após 170 anos de actividade. A Feira dos Tojais ou Feira de Padornelo é, coração ao largo, uma saudosa referência, a engrossar a memória cristalina, que os acidentes históricos e sociais empurram com recalcos de inteligência para os gélidos campos sem regresso.
Como entretanto desaparecera a Feira do Cascalhal, foi fundada uma nova no intuito de substituí-la, desta feita no lugar de Antas, freguesia de Rubiães, por provisão de 1831 do Rei Dom Miguel I. Votada ao insucesso, ou por ser considerada nefasta obra do absolutismo, escassos seis anos depois seria extinta pelo Governo Liberal, «por ser prejudicial», conforme menciona a portaria de 11 Maio de 1837 da Rainha Dona Maria II, e, quiçá, um despautério absurdo.
A própria Câmara Municipal de Coura, de sobrolho carregado e a chapinhar odioso sobre os feirantes, solicitara a sua extinção por rogo de 9 de Abril de 1837, porquanto arguia que na Feira de Antas «se praticavam nelas muitos furtos e constantes desordens», apontada a dedo de todas as velhacarias. Grassava a desordem, espectáculo desmoralizador, pois a cada passo irrompiam rixas desvairadas e batalhas campais de monda, corria sangue como num regato de inverno, mesmo nos dias mansos.
A plebe ofereceu instintiva, mas melindrosa, resistência sem lhe amolecer a alma, tendo, por isso, o Governo Civil do Distrito de Viana do Castelo reforçado a ordem de extinção em Junho do mesmo ano, por questões de lana-caprina e artilhado de toda a jurisprudência.
De quando em quando, o poviléu assentava arraiais por ali, assobiava para o lado e reactivava clandestinamente a Feira de Antas, armando as tendas à revelia dos poderes instituídos, de modo obstinado, enquanto fazia escolta aos canjirões de vinhaça e caldo-verde divinais, por não querer tão-pouco acatar o capricho das autoridades.
Em 1846 ocorreram ali graves distúrbios durante a Patuleia, apesar da Câmara Municipal de Coura agravar posturas nas quais determinava a multa de 1$000 réis aos feirantes e usuários da Feira de Antas. Os tempos eram turvos, como turbada a água do tanque do Inferno, ameaçava terra e céu.
Para impor a liquidação definitiva e a ordem da lei, o Governo Civil de Viana do Castelo enviou em 1847 uma coluna militar de Valença armada até os dentes, ocupou o sítio com manápula de ferro, enquanto a edilidade aumentava a coima aos transgressores para 2$000 réis, e outros gravames a enterrar a unha na fazenda. A feira morreu, então, sacrificada no altar da força, perante a populaça de olhos rasos de lágrimas, atrita e gemebunda.
Contudo a edilidade, por caminhos ínvios, decidiu reactivar a desaparecida Feira de Antas, desta feita no lugar da Chã, freguesia de Rubiães, erecta agora por decisão do presidente José Brandão Pereira de Castro a 10 de Novembro de 1859. Acto administrativo que não foi sancionado pela Junta Geral do Distrito de Viana
Mas como aquilo que torto nasce, torto vegeta, a feira foi transferida aos trambolhões por motivos operacionais para junto da Capela do Senhor do Amparo, freguesia de Linhares, onde, pese embora a promessa duma bênção celestial mais protectora, também não prosperou e cresciam as ervas ruins para além da medida. Logicamente, foi abolida por alvará do Governo Civil de 5 de Outubro de 1875, por proposta emanada da edilidade courense em 1873. A feira deste lado das brenhas do concelho andou, sempre, de Ceca em Meca com a tenda às costas.
Entretanto, o campo da feira do gado, em Paredes de Coura, repimpado de eira nova, foi inaugurado a 9 de Janeiro de 1884, onde permaneceu até a introdução de novas regras que levaram à sua extinção em data recente. Por isso mesmo, deu origem ao topónimo popular, ainda persistente, que designa aquela área por “Largo da Feira do Gado”, à revelia da denominação oficial.
A 24 de Agosto do mesmo ano os espaços denominados “feira dos cereais” e “feira das mulheres”, hoje unificados no Largo de Hintze Ribeiro, foram oficialmente inaugurados. As obras de beneficiação e o chafariz são da lavra do mestre José Joaquim Guerreiro, de Lanhelas.
Em ambas as ocasiões era presidente da autarquia o Comendador Miguel Dantas, que aliás, foi quem idealizou esta renovação da feira, e negociou a respectiva expropriação de terrenos com António Pereira da Cunha, Senhor da “Casa Grande”, a cuja quinta fidalga pertencia a maioria dos campos onde depois de instalaram os novos recintos.
A autarquia, por resolução emanada a 23 de Janeiro de 1897, e sugestão do seu presidente, o dr. José Maria Nogueira, filho do falecido Visconde de Mozelos, deliberou alterar as datas da realização das feiras concelhias, transferindo-se para os sábados, alternados quinzenalmente, que deu origem aos famosos «sábados de Paredes» e «sábados dos Tojais», conforme decorriam as feiras na vila ou em Padornelo.
Entretanto, aquele nado-morto era teimosamente ressuscitado, pois a 20 de Dezembro de 1906 a Câmara Municipal de Paredes de Coura, sob proposta do vice-presidente José António Martins, restabeleceu a Feira de Antas, na freguesia de Rubiães, nas segundas-feiras imediatas à de Paredes de Coura.
Como pela proximidade de ambas era nefasta e não trazia qualquer benefício, foi a mesma transferida a 26 de Dezembro de 1908 para o domingo seguinte à de Padornelo, mas pouco proveito lhe trouxe tal mudança.
A 12 de Março de 1913 foi a dita Feira de Antas deslocada, agora para o espaço adjacente à Capela de S. Bento da Porta Aberta, na freguesia de Cossourado. Mas pouco subsistiu aí, tudo é finito, tudo é efémero. Seria extinta definitivamente, sem provento, nem lembrança e rebate. Nascera tolhiça e prenha de vida negra.
O mercado municipal tem um relambório mais modesto e minguado. Já existia há algum tempo quando o presidente da Câmara Municipal de Coura, Miguel de Antas Bacelar e Barbosa, fidalgo de costados e sangue azul, a 11 de Outubro de 1834 determinou mandar reconstruir o antigo alpendre de madeira onde funcionava a praça, situado no terreiro público fronteira aos antigos Paços do Concelho, a fim de nele serem vendidos os géneros alimentícios de primeira necessidade.
Mas o espaço devia estar deveras decadentes e degradado, porquanto a municipalidade solicitou ao Governo da Nação a devida autorização para levantar uma nova área destinada ao mercado semanal, numa petição assinada a 15 de Julho de 1876 pelo presidente Comendador José Luís Nogueira, mais tarde ornado com o título de Visconde de Mozelos.
Foi posteriormente demolido para ser substituído por uma nova praça, inaugurada a 23 de Dezembro de 1892, por decisão do Conselheiro Miguel Dantas, patrono dos voejos para romper noções concretas de civilização neste sertão, com providência autorizada.
Sobre os recentes padecimentos e tratos de polé submetidos à Feira de Paredes, com a transferência para uma cova funda e outros dislates, nem vale a pena esgrimir risinhos e trejeitos, pese embora os tempos modernos não estarem para estas mercancias, foi erro de monta e estoira-vergas. Um absurdo inconcebível, que convém rectificar e fazê-la regressar ao local de origem!
Março de 2006
A Sabedoria Popular Sobre as Mulheres
Quarta Parte
Costumes do Minho: cena de lavagem de roupa num antigo postal. Coleccção de Jofre de Lima Monteiro Alves.
Talvez seja interessante dar a conhecer a relação nominal de todos os presbíteros ou clérigos nascidos em Padornelo, freguesia do concelho de Paredes de Coura, no distrito de Viana do Castelo, desde os tempos imemoriais. A lista, embora exaustiva, até por conter o nome de 53 ordinandos, não é, contudo, completa, principalmente para as eras mais recuadas.
Os nomes em causa foram recolhidos após intensa pesquisa nos diversos livros de registos paroquiais da Igreja Matriz de Santa Marinha de Padornelo, depositados no Arquivo Distrital de Viana do Castelo, mas também nos requerimentos apresentados à Arquidiocese Primaz de Braga para ingresso na carreira eclesiástica, consultados no Arquivo Distrital de Braga.
Para não tornar esta rubrica cansativa pelo aluvião de dados e datas, por opção, a informação respeitante à carreira e cargos desempenhados é reduzida ao mínimo essencial. Pelo mesmo motivo e devido a ser muito extensa, a listagem vai ser apresentada fragmentada em seis listas, sempre ordenadas por ordem cronológica de nascimento.
1 – D. Sancho Pires de Froião, nasceu em 1230 em Padornelo, filho de Pedro Pires Homem e de D. Teresa Anes Redondo. Faleceu em Janeiro de 1300 na cidade do Porto.
Foi chantre da Sé do Porto; deão da Sé do Porto; cónego da Sé de Tui; bispo do Porto.
2 – Padre João Ferraz, nasceu em Padornelo, cerca de 1400.
Foi beneficiado na Igreja Paroquial de São Salvador de Sabadim, concelho de Arcos de Valdevez.
3 – Padre João Gonçalves, nasceu em Padornelo em 1400.
Foi pároco da Igreja Matriz de Santa Marinha de Padornelo.
4 – Padre João Esteves, nasceu cerca de 1410.
Foi pároco da Igreja Matriz de Santa Marinha de Padornelo.
5 – Padre João Fernandes, nasceu em Padornelo em 1427, filho de Fernão Pires e de Aldonça Afonso.
Foi abade da Igreja Paroquial de Santa Marinha de Padornelo.
6 – Padre Afonso Martins, nasceu em Padornelo em 1430.
Foi pároco da Igreja Paroquial de Santa Marinha de Padornelo.
7 – Padre Francisco Fernandes, nasceu em Padornelo em 1560.
Foi cura da Igreja Paroquial de Santa Marinha de Padornelo.
8 – Padre João Gonçalves Barreiro, nasceu em Padornelo em 1572, filho de Gonçalo Alves e de Madalena da Loureira.
Foi cura da Igreja Paroquial de São Salvador de Resende; cura da Igreja Matriz de São João Baptista de Bico.
Igreja Paroquial de Santa Marinha de Padornelo, na freguesia de Padornelo, em Paredes de Coura, concelho do distrito de Viana do castrelo, numa imagem tirada a 25 de Abril de 2006. Fotografia de Jofre de Lima Monteiro Alves.
Nas antigas tradições existiam muitas lengalengas acerca da semana, versando diversos temas muito ao gosto popular. A ladainha seguinte enquadra-se nas chamadas “lengalengas do amor” tradicional do Minho e que minha Mãe me transmitiu certa vez, na já longínqua década de 1980, embora da mesma se conheça inúmeras variantes regionais:
À segunda te amo,
À terça te quero bem,
À quarta digo que morro,
À quinta digo por quem,
À sexta por meu amor,
Ao sábado por mais ninguém,
Ao domingo na igreja,
Vejo a quem quero bem.
Em Trás-os-Montes, na boca do povo corria uma lengalenga muito similar, que rezava assim:
Na segunda-feira te amo,
Na terça te quero bem,
Na quarta por ti espero,
Na quinta por mais ninguém,
Na sexta dou um suspiro,
No sábado digo por quem,
No domingo vou à missa,
Para ver quem me quer bem.
Costumes do Minho: Grupo de Lavradoras em traje à vianesa, em 1908.
No Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa, desenterrei um singular documento, retrato fiel de como era verdadeiramente o País há 39 anos. Com data de 28 de Junho de 1973, o povo de Gondelim, lugar da freguesia de Cerdal, no concelho de Valença, coração do Alto Minho, dirigiu ao então Presidente do Conselho, prof. dr. Marcello Alves Caetano, uma sentida petição na qual são descritas de forma concreta as dramáticas condições de vida do «lugar mais esquecido e mais desprezado». Estavam persuadidos que havia ali uma providência que, em última instância, vela por eles.
O testemunho em causa descrevia a pequena comunidade rural, abandonada e desprovida de tudo, pois «não tem estrada; não tem luz; não tem escola; não tem telefone; não tem correio. Não tem nada de nada», cercada no mais absoluto isolamento pelo frondoso matagal e urze com «metros de altura». Decerto que o olho vivo do Diabo não dava com gente por aquelas bandas, pois o povoado era um poço de lástima em quinto grau.
A aterradora exposição dum funeral ou a simples ida dalgum paciente ao médico no leito duma padiola é, indubitavelmente, uma página acusadora da fereza e da miséria mais miseranda, e tão medonha como o dilúvio bíblico que afogou a raça de brutos. O caixão do morto, chamado ao Céu, era transportado «em cima de uma escada» até ao cemitério vizinho, através dum caminho por onde nunca passou Cristo.
Os doentes eram levados «em cobertores» por trilhos de cabras até ao primeiro sinal de civilização e, depois, no sobrado dum «carro de bois». Nas situações mais complicadas, as parturientes eram conduzidas aos tombos «numa cadeira» ou à força de «braços». Tudo isto, devido ao facto do lugarejo estar tal e qual como na época de Noé e Matusalém, sem qualquer estrada ou caminho rudimentar para a aldeola mais próxima, porquanto a ligação era feita por «carreiros estreitos, onde duas pessoas não podem caminhar a par uma da outra por causa do mato e do tojo».
Pediam tão-somente mera justiça para a sua justíssima reclamação e o mais humano direito à dignidade. Pese embora a sua extensão, dói dizê-lo, o impressionante documento é um libelo que vale a pena ler, apesar dos floridos da imaginação e da elegias de berimbau que enfeitiçam o toutiço e nos quer fazer crer que antigamente a vida era uma pachorrenta maravilha.
«Exmo. Senhor Presidente do Conselho:
Não vêm queixar-se de quem quer que seja; vêm somente expor em poucas palavras o estado de atraso em que se encontra o lugar em que nasceram e as condições desumanas em que nele vivem. Reconhecem ser grande atrevimento dirigirem-se a V.ª Ex.ª, roubando-lhe tempo precioso, de que tanto carece para gerir os negócios da Nação, mas fazem-no em estado de desespero, porque já não acreditam em promessas. De promessas estão fartos, como já fartos deles se fizeram seus pais e seus avós.
Estão, porém, certos e seguros de que V.ª Ex.ª, lhes perdoará tal atrevimento, por julgá-lo justificado, e fará por que lhes seja concedida alguma coisa das muitas que necessitam. É nisso confiados que passam a dizer e a solicitar o seguinte: o lugar de Gondelim é um dos 15 aglomerados urbanos de que se compõe a freguesia de Cerdal, a freguesia mais populosa e a mais rica do concelho de Valença. Alcandorada na serra, a 500 metros de altitude, dista 18 kms. da fronteiriça vila de Valença. É o lugar habitado mais alto do concelho e o que mais dista da sua sede. Talvez por estas duas circunstâncias – e outras não há que possam apontar-se como causa – é em todo o concelho de Valença o lugar mais esquecido e mais desprezado. Até hoje ainda a ele não chegou qualquer manifestação de progresso. Nisso bate o recorde, não só no concelho de Valença, mas, certamente, em todo o País. Pois, não tem estrada; não tem luz; não tem escola; não tem telefone; não tem correio. Não tem nada de nada.
Não tem estrada de acesso; e, não tem mesmo um simples caminho público a ligá-lo a qualquer centro urbano, por onde possa transitar, não se diz já um veículo automóvel, mas um rudimentar carro de tracção animal. A sua comunicação com os lugares da freguesia dela mais próximos, os de Mosteiró e de Bade, respectivamente, a 3 e 4 kms., faz-se por carreiros estreitos, onde duas pessoas não podem caminhar a par uma da outra por causa do mato e do tojo, que os marginam e que, por há anos não serem roçados, atingem metros de altura. São esses carreiros, que as crianças do lugar de Gondelim calcorreiam para frequentarem a escola no lugar de Bade. É por esses carreiros que, são conduzidos os mortos, para se lhes dar sepultura no cemitério desta freguesia, sito no lugar da Igreja, a 9 kms. de distância. O funeral de um habitante do lugar de Gondelim é um espectáculo, a que se não pode chamar tétrico, porque é macabro. Até ao lugar de Mosteiró o ataúde é transportado em cima de uma escada de azeitona, esta aos ombros de 4 homens, em fila indiana, pois o mato e o tojo, que ladeiam o carreiro, não permitem que seja transportado de outro modo.
O Inverno é, no lugar de Gondelim, uma estação de pesadelo. Durante os nevões, que lá são frequentes e, por vezes, se prolongam por semanas, fica completamente isolado do resto do mundo e sem possibilidade de pedir ou receber socorros. Os médicos recusam-se então a lá ir, e com razão, porque, só a pé e à custa de esgotantes esforços, os próprios moradores, já habituados às inclemências do tempo, conseguem percorrer os carreiros que os ligam à civilização, os quais, quando neva durante dias seguidos, chegam a não apresentar sinais da sua existência. Ainda no Inverno último passado, em pleno nevão, encontrando-se gravemente enfermo um seu habitante, Anselmo da Costa, e não se conseguindo médico, que se abalançasse a ir visitá-lo, teve ele que ser transportado, embrulhado em cobertores, num carro de bois para a vila de Paredes de Coura, donde o médico, que o examinou, o mandou seguir de urgência para o Hospital de Braga. Esse doente foi levado para Paredes de Coura e não para Valença, não por uma questão de preferência ou simpatia para com o médico, mas porque, embora para se ir do lugar de Gondelim, para aquela vila seja ainda necessário subir muito para atravessar a serra que os separa, só para lá existe um caminho que permite o trânsito de carros de bois. Mas casos, como o que se acaba de narrar, são, infelizmente, bastantes. Quando em Gondelim uma mulher está para dar à luz e o parto se apresenta difícil e, portanto, a necessitar de intervenção médica, tem que ser transportada numa cadeira ou em braços até ao lugar de Baixo, da vizinha freguesia de Taião, donde é depois conduzida de automóvel ou de ambulância ao Hospital de Valença. Algumas vezes o estado do tempo não consente tal transporte e, então, vivem-se lá horas de angustiante espectativa que já têm terminado em tragédia.
O lugar de Gondelim não tem luz. A freguesia do Cerdal vai em breve ser electrificada, mas não o será o lugar de Gondelim, porque, feitos prévios cálculos, verificou-se que, mesmo que em todos os seus fogos fosse metida a luz – e seria-o de certeza absoluta – o consumo de energia não compensava a despesa a fazer com a extensão até ele, em alta tensão. Esta anomalia já está a servir para na escola de Bade, as crianças deste e de outros lugares privilegiados, que a frequentam, fazerem chacota dos seus condiscípulos do lugar de Gondelim.
O lugar de Gondelim não tem telefone; e, no entanto, tem telefone o mencionado lugar de Bade e o mencionado lugar de Baixo, da dita freguesia de Taião, também do concelho de Valença, que ambos dele distam apenas 4 escassos quilómetros.
O lugar de Gondelim não tem um simples depositário de correio. A correspondência dirigida aos seus habitantes fica no posto de correios do lugar de Gondim, também da freguesia de Cerdal, onde, por vezes, permanece esquecida durante semanas e meses.
É este o lugar de Gondelim da freguesia de Cerdal, do concelho de Valença, e assim vivem os seus habitantes: isolados do mundo e do mundo abandonados e esquecidos. E, contudo, o lugar de Gondelim não é dos lugares menos populosos nem mais pobres da freguesia; tem 23 fogos e uma população que ultrapassa os cem habitantes; é de 7 a média anual das crianças que frequentam a escola; e, desde que começou o terrorismo em Angola, tem sido a média anual dos homens que, como soldados, de lá têm ido para o Ultramar e defender a nossa soberania.
Embora seja a agricultura a única actividade lucrativa, que nele se exerce, não há pobreza em Gondelim, pois abunda em férteis terras de cultivo, que produzem o suficiente para todos viverem, com modéstia sim, mas sem privações. Não tem ricos, mas também não tem necessitados. A sua gente é pacífica e ordeira. Não há memória de em Gondelim ter sido cometido um crime violento e passam-se décadas sem no Tribunal da comarca aparecerem de lá outros processos que não sejam inventários orfanológicos. O lugar é rude, mas a sua rudeza é só devida ao seu primitivismo, ao seu lamentável atraso resultante do abandono e do esquecimento a que tem sido votado.
Está hoje como estava há cem anos e há duzentos anos. Não progride nem pode progredir por não ter qualquer comunicação com o mundo exterior. Pelo contrário, se é que isso é possível, antes retrocede, porque se está depauperando populacionalmente, pois os jovens, sobretudo os que de lá saiem para o serviço militar, cumprido este, já não se sujeitam a lá viver, por o lugar lhes não oferecer um mínimo das comodidades, que fora dele conheceram.
Não se explica que ao aproximar-se o último quartel do século vinte o lugar de Gondelim não tenha uma simples estrada de acesso. É certo que há muitos anos, muitíssimos anos lhe vem sendo repetidamente prometida, mas as promessas é que não há maneira nem vontade de se concretizarem. E, no entanto, para ligar o lugar de Gondelim à sede do concelho, à vila de Valença, bastaria prolongar-se a estrada camarária que finda no lugar de Baixo, da freguesia de Taião. Separam os dois lugares 4 kms., de monte baldio, por onde, com a maquinaria moderna, é possível e fácil abrir uma estrada em poucas semanas e com pouca despesa, e para o ligar com relativa comodidade aos mencionados lugares de Mosteiró e Bade, haveria somente que alargar os carreiros que já a eles o unem, o que também poderia ser feito em pouco tempo e com pouco dinheiro. São estas as necessidades mais prementes do lugar de Gondelim. Sem uma estrada de ligação à sede do concelho e sem bons caminhos de ligação àqueles lugares de Mosteiró e Bade, a vida é lá quase impossível. Necessita também o lugar de Gondelim de luz eléctrica e de um telefone e os signatários, pedindo que se lhos conceda, não pedem luxos, pedem apenas que se lhes facultem meios de atenuarem o isolamento em que vivem.
Nesta hora de verdadeiro ressurgimento nacional, nesta hora em que o País de norte a sul conhece a acção renovadora do Governo nas grandiosas obras por ela espalhadas, nesta hora em que os meios rurais se vêem particularmente defendidos e acarinhados, os signatários vêm pedir-lhe que ao seu lugar de Gondelim, que muito o amam porque lá nasceram e lá se criaram, faça também chegar num futuro próximo os melhoramentos que acabam de indicar».
Igreja Paroquial de Santa Eulália de Cerdal, em Valença.
General José Maria Mendes Ribeiro Norton de Matos, numa imagem com avental maçónico. Iniciado na Maçonaria, na “Loja Pátria e Liberdade” do Grande Oriente Lusitano Unido em 17 de Maio de 1912, foi elevado ao grau de Mestre da Maçonaria Portuguesa (18 de Abril de 1914), ascendendo ao cargo de grão-mestre adjunto do Grande Oriente Lusitano Unido – Maçonaria Portuguesa (6 de Dezembro de 1928) e, por fim, ao posto máximo de Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano Unido – Maçonaria Portuguesa (30 de Abril de 1930), do qual se demite em 21 de Maio de 1935.
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