Terça-feira, 15 de Abril de 2014

VIANA DO CASTELO, CIDADE MONUMENTAL XXIV – Casa dos Medalhões

    Na fachada da Casa dos Medalhões, na cidade Princesa do Lima, na pedra da frontaria virada para a Matriz está gravada a seguinte inscrição epigráfica, a qual tem dado origem a leituras diversas, devido ao seu texto complexo, pelas letras inclusas e por estar encurtada por muitas abreviaturas, que aqui desdobro:

 “ESTA CAZA MANDOU FAZER JACOME RODRIGUEZ CAVALEIRO FIDALGO DA CASA DEL REI NOSSO SENHOR E COMENDADOR DE BRITO NA ORDEM DE CRISTO E SUA MULHER MARIA BARBOSA BISNETA DE FERNÃO GONÇALVES BARBOSA E BISNETA DE MARTIM DA ROCHA, FIDALGO DO SENHOR INFANTE DOM PEDRO”.

 

    Porém, o que o lapicida escreveu foi isto, bom, mais ou menos, pois alguns pictogramas não são reproduzíveis em computador, até porque algumas letras estão incluídas dentro de outras:

“E. C. M. F. IACOME ROIZ. CAVALRO. FIDALGVO. DA CASA. DELREI. NOSO SNOR. E COMEDA DOB. DE. BRIENBIO DOR DLVNA. ARCE BSPO

E. S. M. MA. BARBOSA. BISNETA. DE FERNÃO. GL̃Z. BARBOSA. E BISNETA. DE. MARTĨ DA. ROCHA. FIDICO DOSĨ. DO ĨFÃ DÕ. PEDRO”.

 

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Segunda-feira, 7 de Abril de 2014

TENENTE-GENERAL GONÇALO JOSÉ PEREIRA CALDAS

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

Gonçalo José Pereira Caldas ou Gonçalo Pereira Caldas, filho do brigadeiro Gonçalo Pereira Lobato e Sousa e de D. Joana Maria Pereira de Castro, nasceu a 9 de Abril de 1738 em Sende, lugar da freguesia de Cambeses, concelho de Monção, faz agora 276 anos.

 

ÁRVORE DE COSTADOS DE GONÇALO JOSÉ PEREIRA CALDAS

Próprio

Pais

Avós

Gonçalo José Pereira Caldas

 

N. Cambeses, Monção 1738

 

F. Viana 1809

Brigadeiro Gonçalo Pereira Lobato e Sousa

 

N. Cambeses 1688

Tenente-general João Pereira de Caldas

 

N. Monção 1632

D. Mariana Catarina de Castro Pereira de Lanções e Azevedo

 

N. Cambeses 1663

D. Joana Maria Pereira de Castro

 

N. Viana 1707

Mestre-de-campo de Infantaria João Gomes Pereira de Castro

N. Monção

D. Antónia Teresa de Vilas Boas Rego Quezado

N. Viana do Minho

 

Foi baptizado na Igreja Matriz de São Salvador por frei Vasco Bacelar, religioso conventual da Ordem de Santo Agostinho, que serviu também como padrinho, e como madrinha D. Teresa Pereira de Castro, moradora na Casa da Andorinha, na freguesia de São Paio, vila de Arcos de Valdevez, por procuração que deu a sua sobrinha D. Mariana Josefa Pereira de Castro Caldas, irmã do neófito (17 de Abril de 1738)[1]; alvará do foro de fidalgo-cavaleiro da Casa Real (25 de Fevereiro de 1744)[2]; proprietário; Senhor da Quinta São Martinho de Alvaredo; tenente com exercício de ajudante na Praça de Caminha (1 de Outubro de 1752); decreto pelo qual foi promovido ao posto de capitão do Regimento de Infantaria do Pará (4 de Maio de 1753); comissão de serviço militar no Brasil (1753 – 1762); carta patente de sargento-mor de Infantaria da Praça de São Luís do Maranhão (17 de Julho de 1759)[3]; carta patente de sargento-mor agregado no Regimento de Infantaria de Monção (1762); decreto pelo qual foi promovido ao posto de sargento-mor do Regimento de Infantaria de Monção (5 de Junho de 1763); carta patente de tenente-coronel do 1.º Regimento do Porto (13 de Novembro de 1765); carta do tenente-coronel Gonçalo José Pereira Caldas para seu tio tenente-general João de Almada e Melo (Maio de 1766)[4]; decreto pelo qual foi promovido ao posto de coronel do Regimento de Infantaria de Chaves (28 de Julho de 1768); comandante do Regimento de Infantaria de Valença (26 de Fevereiro de 1778 – Novembro de 1796); governador militar da Praça de Valença do Minho (1780)[5]; provedor da Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Monção (1782); decreto pelo qual foi promovido ao posto de brigadeiro de Infantaria (23 de Junho de 1789); decreto pelo qual foi promovido ao posto de marechal-de-campo dos Reais Exércitos (13 de Maio de 1791); governador militar da Praça de Valença do Minho (Maio de 1791 – Novembro de 1796); ofícios de Gonçalo Pereira Caldas, como governador da Praça de Valença e depois como governador das Armas do Minho, para Luís Pinto de Sousa Coutinho, secretário de Estado dos Negócios da Guerra, sobre o contrato do tabaco, funcionamento do Hospital de Vila do Conde, situação de peste na Galiza e questões militares (Janeiro de 1797 – Janeiro de 1801)[6]; 9.º Senhor da Casa de Sende, em Cambeses, por sucessão (Outubro de 1794); 6.º administrador da Capela de Nossa Senhora da Misericórdia, anexa à Casa de Sende, por sucessão (1794); requer a mercê de despacho de remuneração dos serviços prestados por si, pelo seu irmão brigadeiro João Pereira de Caldas, de seu pai brigadeiro Gonçalo Pereira Lobato e Sousa e de seu tio e padrinho marechal-de-campo Bento Pereira de Castro e Azevedo, a fim de se livrar da «indigência a que se acha quase reduzida a sua família» e «por meio da merecida remuneração de tantos serviços, prosseguir mais comodamente com maior crédito no Real Serviço» (1794)[7]; alvará de comendador da Comenda de São Mamede de Troviscoso, na Ordem de Cristo (28 de Maio de 1795); carta de comendador da Comenda de São Mamede de Troviscoso (22 de Dezembro de 1795)[8]; apostila de mercê de 8$000 réis de pensão para suas filhas D. Rosa Inácia, D. Inácia Delfina Cândida, D. Ana Joaquina e filho João (18 de Agosto de 1796)[9]; decreto pelo qual foi promovido ao posto de tenente-general graduado dos Reais Exércitos, com o soldo da sua graduação (20 de Novembro de 1796)[10]; apostila de mercê de 27$000 réis de tença para sua filha D. Inácia Delfina Cândida (12 de Setembro de 1799)[11]; decreto pelo qual foi nomeado governador do Governo das Armas da Província do Minho e comandante da 3.ª Divisão do Exército de Entre Douro e Minho (25 de Novembro de 1800); membro do Estado-Maior do Exército de Entre Douro e Minho (1800); juiz presidente da Irmandade de Nossa Senhora dos Milagres de Cambeses (1803 – 1807); Senhor do Palácio do Campo da Penha, em Viana do Minho, por compra (Julho de 1807)[12]; cumprindo ordens do Governo do Reino, determina quais conventos dos religiosos e casas particulares sejam usadas «para o aquartelamento e fornecimentos da mesma Tropa» francesa que ia entrar em Viana do Minho (5 de Dezembro de 1805)[13]; ordem pela qual manda desarmar o corpo de Ordenanças de Viana do Minho, determinado que sejam entregues «todas as armas de fogo, curtas ou cumpridas, espadas, chuços» (16 de Fevereiro de 1808)[14]; presidente da Junta Provisional do Governo Supremo do Reino em Viana do Minho ou Junta do Governo Provisional da Província do Minho, em consequência da revolta contra a invasão francesa (19 de Junho de 1808 – 12 de Maio de 1809); carta enviada pela Câmara Municipal de Viana e pelo governador do Governo das Armas da Província do Minho às câmaras da Província, onde se anunciava a restauração das autoridades nacionais, e se dava a conhecer os artigos que passavam a regular a jurisdição das autoridades constituídas em Viana em nome do Príncipe Regente (20 de Junho de 1808)[15]; carta pela qual nomeia frei Francisco de São Luís Saraiva como membro da Junta Provisional do Governo Supremo do Reino em Viana do Minho (26 de Junho de 1808)[16]; assina a proclamação “EM NOME DO PRINCIPE REGENTE NOSSO SENHOR. A JUNTA PROVISIONAL DE VIANA UNIDA AO GOVERNO DAS ARMAS DA PROVINCIA DO MINHO. AOS LEAES E GENEROSOS PORTUGUEZES” (26 de Julho de 1808)[17]; motim popular em Viana do Minho exigindo «sem mais delongas, a defeza da terra», por estar doente o general Governador das Armas da Província do Minho, em face da iminente II Invasão Francesa e exigindo a constituição dum Conselho de Defesa de Viana (10 de Abril de 1809); em virtude da «sua prolongada moléstia», nomeia José Carlos Mardel, coronel do Real Corpo de Engenheiros e governador substituto das Armas da Província do Minho, para presidir a uma deputação que devia ir ao encontro das tropas francesas, declarando que a vila de Viana «por pacifica e indefeza», não oferecia estorvo ao exército napoleónico (13 de Abril de 1809)[18]; decreto pelo qual foi exonerado do cargo de governador do Governo das Armas da Província do Minho, a seu pedido (6 de Junho de 1809).

 

Faleceu em 1809, aos 71 anos de idade.

 

Casou a 1 de Dezembro de 1779 com D. Inácia Antónia Micaela de Castro Bacelar e Vasconcelos, nascida a 3 de Julho de 1753 na freguesia de Santo Estêvão, vila de Valença do Minho, filha do sargento-mor Francisco Pereira de Castro Pacheco da Gama, natural da vila de Valença do Minho, e de D. Rosa Luísa de Lima e Melo, natural de Santa Eulália de Cerdal, freguesia do concelho de Valença.

 

Filhos:

1 – JOÃO PEREIRA CALDAS, nasceu a 30 de Setembro de 1781 na vila de Valença do Minho[19].

2 – D. CLARA MARIA XAVIER DE CASTRO PEREIRA CALDAS, nasceu na vila de Valença do Minho a 29 de Setembro de 1782[20].

3 – D. JOANA MARGARIDA PEREIRA DE CASTRO CALDAS, nasceu a 9 de Janeiro de 1784 na vila de Valença do Minho[21].

4 – D. FRANCISCA INÁCIA DE CASTRO BACELAR E VASCONCELOS PEREIRA DE CALDAS, nasceu a 15 de Dezembro de 1785 na vila de Valença do Minho.

Casou em primeira núpcias com João José Lopes de Azevedo Pinheiro Pereira e Sá, nascido em Barcelos em 1786, filho de João Lopes de Azevedo e de D. Maria Teresa Pereira de Faria Vilas Boas.

Casou pela segunda vez, a 30 de Dezembro de 1809, com JOÃO DA CUNHA SOTTOMAYOR, nascido em Viana do Minho em 1767, filho do dr. Manuel António da Cunha Sottomayor Rebelo e de D. Vicência Luísa Pereira Malheiro de Sottomayor; com sucessão.

5 – D. ROSA INÁCIA DE CASTRO BACELAR VASCONCELOS DE LIMA E MELO, nasceu na vila de Valença do Minho a 24 de Maio de 1788[22].

6 – JOÃO PEREIRA DE SOUSA E CALDAS CASTRO, nasceu a 14 de Junho de 1789 na vila de Valença do Minho[23].

7 – D. INÁCIA DELFINA CÂNDIDA DE CASTRO PEREIRA CALDAS BACELAR E VASCONCELOS, nasceu na vila de Valença do Minho a 29 de Setembro de 1790[24].

Casou a 27 de Novembro de 1815 com o general António Lobo Teixeira de Barros de Barbosa, nascido no Porto em 1770, filho do dr. José António de Barros Correia Teixeira Lobo Barbosa e de D. Rita Quitéria Correia Teixeira de Azevedo; com sucessão.

8 – D. ANA JOAQUINA PEREIRA DE CASTRO CALDAS, nasceu em 1791.

9 – D. ANTÓNIA MADALENA PEREIRA CALDAS, nasceu a 7 de Dezembro de 1793 na vila de Valença do Minho[25].

10 – D. MARIA DA FELICIDADE PEREIRA CALDAS E VASCONCELOS, nasceu em 1795.

Casou com José Maria da Veiga Cabral da Gama, filho de Luís Monteiro Correia Pinto e de D. Margarida Barbosa da Veiga Cabral; com geração.

 



[1] ADVC, Registos Paroquiais de Cambeses, Livro de Nascimentos n.º 1, 1731-1751, fl. 25, cota 3.7.4.27.

[2] ANTT, Registo Geral de Mercês, Dom João V, livro 34, fl. 470v.

[3] ANTT, Registo Geral de Mercês, Dom José, livro 13, fl. 455v.

[4] AHM, Cartas, 1766, cx. 20, cota PT/AHM/DIV/1/20/53.

[5] Identificado como coronel do Regimento de Infantaria e Governador da Praça de Valença nos Registos Paroquiais de Santa Maria dos Anjos, vila de Valença do Minho. Cf. ADVC, Registos Paroquiais de Valença, Livro de Nascimentos n.º 2, 1776-1793, fl. 52, cota 3.17.6.29.

[6] AHM, cx. n.º 2, cota PT/AHM/DIV/1/11/02/01.

[7] ANTT, Ministério do Reino, Decretos (1745–1800), pasta 56, n.º 26.

[8] ANTT, Registo Geral de Mercês, Dona Maria I, livro 19, fl. 140; Registo Geral de Mercês, Dona Maria I, livro 19, fl. 296.

[9] ANTT, Registo Geral de Mercês, Dona Maria I, livro 28, fl. 140 e 140v.

[10] Universidade de Coimbra, Notícias Históricas de Portugal e Brasil (1751–1800), Coimbra, 1964,  p. 345.

[11] ANTT, Registo Geral de Mercês, Dona Maria I, livro 29, fl. 224.

[12] O general Gonçalo Pereira de Caldas comprou o Palácio do Campo da Penha por 13.000 cruzados, vendido pelo seu proprietário D. João Corrêa de Sá por provisão régia de 13 de Julho de 1807.

[13] Arquivo Municipal de Viana do Castelo, Livro das Sessões de 1806–1810, fl. 73v.

[14] Arquivo Municipal de Viana do Castelo, Livro das Sessões de 1806–1810, fl. 84.

[15] Henrique José Martins Matos, As Juntas Minhotas de 1808 na Reacção à Ocupação Francesa, Revista da Faculdade de Letras HISTÓRIA, III Série, volume 10, Porto, 2009, p. 52.

[16] José Caldas, História de Um Fogo-Morto (Subsídios Para Uma História Nacional; 1258–1828, 2.ª edição, Viana do Castelo, 1990, p. 447.

[17] Collecção de Papeis Officiaes da Junta Provisional do Governo Supremo, e de Varias Pastoraes, e Proclamaçõens, Desta Cidade do Porto, e de Outras Partes do Reino, e Ainda dos Estrangeiros, Porto, 1808.

[18] Arquivo Municipal de Viana do Castelo, Livro dos Acórdãos da Câmara (1809–1815), fl. 2 e seguintes.

[19] ADVC, Registos Paroquiais de Valença, Santo Estêvão, Livro de Nascimentos n.º 3, 1775-1790, fl. 91, cota 3.17.6.18.

[20] ADVC, Registos Paroquiais de Valença, Santo Estêvão, Livro de Nascimentos n.º 3, 1775-1790, fl. 104v, cota 3.17.6.18.

[21] ADVC, Registos Paroquiais de Valença, Santo Estêvão, Livro de Nascimentos n.º 3, 1775-1790, fl. 123, cota 3.17.6.18.

[22] ADVC, Registos Paroquiais de Valença, Santo Estêvão, Livro de Nascimentos n.º 3, 1775-1790, fl. 173, cota 3.17.6.18.

[23] ADVC, Registos Paroquiais de Valença, Santo Estêvão, Livro de Nascimentos n.º 3, 1775-1790, fl. 181, cota 3.17.6.18.

[24] ADVC, Registos Paroquiais de Valença, Santo Estêvão, Livro de Nascimentos n.º 4, 1808-1840, fl. 31v, cota 3.18.1.2, assento lavrado a 20 de Junho de 1814 por «se ter desencaminhado o livro delles na entrada dos franceses nesta vila».

[25] ADVC, Registos Paroquiais de Valença, Santo Estêvão, Livro de Nascimentos n.º 4, 1808-1840, fl. 31v, cota 3.18.1.2, assento lavrado a 20 de Junho de 1814 pelo padre Gaspar José da Silva Pereira.

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Quarta-feira, 26 de Março de 2014

Lançamento do Livro PADORNELO: DICIONÁRIO BIOGRÁFICO DE PERSONAGENS - Vídeo

    Começo pelo fim, pela conclusão, pois a sessão de lançamento do livro PADORNELO: DICIONÁRIO BIOGRÁFICO DE PERSONAGENS ILUSTRES foi um caso sério de sucesso, mais uma magistral lição de bairrismo e da arte de bem-fazer das gentes e das instituições da nossa santa terrinha. Padornelo mostrou, assim e de forma bem clarividente, que é um caso especial no contexto do concelho e, atrevo-me a afirmar sem qualquer receio, do distrito. Tudo planeado e executado com rigor, método e perfeição, uma conduta quase a raiar o profissionalismo, um profissionalismo levado a cabo por amadores que amam o seu rincão. Uma tarde notável e uma cerimónia marcante nos alvores dos dias alegres!

 

    A sala onde decorreu a sessão pública estava repleta até ao tecto de gente que acudiu dos quatro cantos da freguesia, mas também da vila e do concelho de Paredes de Coura. Muitos vieram de paragens mais longínquas, de Valença, de Ponte da Barca, de Braga, do Porto, de Abrantes, de Lisboa e outras regiões. O anfiteatro da Associação Cultural Recreativa e Desportiva de Padornelo, sita na Valinha, lugar da freguesia de Padornelo, foi insuficiente para albergar todos, tal foi a massa humana que ocorreu para participar e testemunhar o evento, mais uma ocasião para solidificar os laços afectuosos desta comunidade, povo e freguesia de Padornelo todos irmanados como os dedos da mão, a conter o coração aos saltos.

 

    O ribombar estridente dos bombos do Grupo de Zés-Pereiras Os Amigos da Farra de Padornelo, tal como o alarido das trombetas do rei David, marcou o início do vasto programa, criteriosamente estabelecido e rigorosamente cumprido. A mesa de honra formou-se com a presença de Carla Cristina Soares Lima, presidente da Direcção da Associação Cultural Recretiva e Desportiva de Padornelo, Maria Gorete Fernandes Barreiro, presidente da Mesa da Assembleia de Freguesia de Padornelo, Amâncio Barbosa Lourenço, ex-presidente da Junta de Freguesia de Padornelo e convidado de honra do autor, Jofre de Lima Monteiro Alves, autor da obra, Vítor Paulo Pereira, presidente da Câmara Municipal de Paredes de Coura, padre José Domingos Meira da Rocha, pároco da Igreja Matriz de Santa Marinha de Padornelo, e Manuel Fernando Vaz Barbosa, presidente da Junta de Freguesia de Padornelo.

 

    Para além do numeroso público, estiveram presentes inúmeras entidades e individualidades, sendo difícil elencar todas, embora tenha sido perceptível a presença do padre Alcino da Cunha Pereira, antigo pároco da Igreja Matriz de Santa Marinha, vereadores da Câmara Municipal de Paredes de Coura, arcipreste do Arciprestado de Paredes de Coura, autarcas de diversas freguesias, dirigentes de várias Associações Culturais, mais este e aquele e tais e tais.

 

    Não cabia nem mais uma palhinha em qualquer lado. No fundo da sala largas dezenas de pessoas assistiam de pé, outras do lado de fora a vislumbrar pela nesga da porta ou penduradas nas arribas das janelas pelo exterior. Coisa extraordinária, um mar sereno de gente mortinha por ver e absorver! O ar andava pincelado por um sentimento sublime emanado de criaturas embevecidas com toda aquela calorosa e carinhosa manifestação de unidade do povo da freguesia em torno dum objectivo comum que foi assumido por todos: o nosso livro.

 

    Os discursos feitos com alma, pitada de humor, muito emotivos e tão-cheios de brilhantismo, tiveram a cargo de Manuel Barbosa, Carla Lima, Vítor Paulo Pereira, Amâncio Barbosa e Jofre de Lima Monteiro Alves. Todos falaram com o coração nas mãos. A determinada altura foi guardado um minuto de silêncio em honra de Tiago Pereira, recentemente falecido e que consta de pleno direito nas páginas do livro. O Grupo Infanto-Juvenil e o Grupo de Cantigas da Associação Cultural de Padornelo, com as suas vozes celestiais e instrumental sublime, delícia das delícias, abrilhantaram a tarde, como é timbre desta maravilhosa colectividade e como só eles sabem fazer, com insuperável categoria e maviosa qualidade. O Eduardo Daniel Cerqueira serviu como mestre-de-cerimónias de quatro assobios, a fazer a ponte entre isto e aquilo e coisas e loisas, sempre com mestria!

 

    Depois, por profunda amabilidade da Junta de Freguesia de Padornelo e de Jofre de Lima Monteiro Alves foi entregue um exemplar a cada um dos membros que compunham a mesa de honra (Carla Lima, Gorete Barreiro, Amâncio Barbosa, Vítor Paulo Pereira, padre José Domingos Meira e Manuel Barbosa) e às pessoas e empresas que tiveram a amabilidade de patrocinar a edição do livro (António da Costa Barbosa e Sandra Tinoco, António Dantas da Cunha, António de Lima Rodrigues, José Sílvio Barbosa, Simão da Costa, Porfírio Loureiro e Ana Gomes Loureiro, Ilídio Barreiro, Ilídio Dantas Gomes, José da Costa Pereira, José Fernandes Rodrigues, Manuel Veloso, Conceição Barbosa da Silva, Custódia Pereira e Fernando Pedrosa, Os Amigos da Farra de Padornelo, Zulmira Dantas de Lima, José Luís Barbosa e Vidal Dias).

 

    De seguida a Junta de Freguesia de Padornelo, por via dos seus dinâmicos membros Manuel Barbosa, Luísa Sá e Porfírio Loureiro, procedeu à entrega de uma simbólica lembrança ao autor, no caso vertente uma representação artesanal da Capela de Nossa Senhora das Angústias, que é, consabidamente, a menina dos olhos do homenageado. A parte lúdica colectiva encerrou com um suculento copo-d’água servido a todos os presentes e para acalmar os estômagos mais sensíveis.

 

    O êxito foi tão retumbante que duma penada desapareceram quase 200 livros, entre ofertas oficiais e particulares e vendas! Por fim e durante quase três horas, até às 20 horas, o autor assinou centenas de autógrafos sem qualquer intervalo e nunca esmorecer, um contacto humano proveitoso e de enorme proximidade com o público e com os nossos conterrâneos. Ninguém arredou pé, com paciência de anacoreta! Cada contacto foi personalizado, intimista, tentando saber sempre quem era quem em relação aos pais e avós, referências basilares usadas pelo escritor, trocando incessantemente dois dedos de conversa com os compradores. O autor, nessa tarefa que levou a peito e em espirito de missão, levantou-se sempre para entregar em mão o exemplar rubricado, dar um aperto de mão ou um abraço a cada um. Foi um momento íntimo e cordial.

 

    No âmbito das minhas actividades culturais, como é óbvio, já assisti a diversas e incontáveis sessões de lançamentos de livros e garanto, de certa certeza, que nunca vi nada assim, seja em Paredes de Coura, em Viana do Castelo ou inclusive em Lisboa! Foi inigualável no campo da organização, da presença de assistência, do programa cultural, da oratória, do sincronismo, do calor humano e até da emoção ímpar! Tudo absolutamente extraordinário, um esplendor lucilante! Uma grande manifestação de cultura popular e primoroso bairrismo, vera lição para muita gentinha encafuada em gabinetes alcatifados, longe da realidade e do poviléu!

 

    Padornelo foi mais uma vez pioneira absoluta neste campo, como já havia sido noutras matérias, pois foi a primeira freguesia do concelho a publicar uma monografia e a primeira a nível distrital a trazer à luz do dia um livro destas características, um dicionário biográfico de personagens. Padornelo sempre na linha da frente! Para aquilatar como a nossa terra é deveras peculiar, nada melhor do que tornar público as palavras que o padre Alcino me confidenciou e ao meu filho Ilídio Inocêncio, durante o evento: «Eu vinha de uma terra que achava que era perfeita e quando cheguei a Padornelo é que levei uma ensaboadela e descobri o que era a perfeição». Terra abendiçoada, digo eu!

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Segunda-feira, 17 de Março de 2014

Lançamento do Livro PADORNELO: DICIONÁRIO BIOGRÁFICO DE PERSONAGENS





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Segunda-feira, 10 de Março de 2014

DR. MIGUEL JÁCOME DE LUNA

Um Magistrado do Alto Minho

 

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

    Miguel Jácome de Luna nasceu na vila de Viana da Foz do Lima, hoje cidade de Viana do Castelo, cerca de 1530, filho primogénito e herdeiro de Jácome Rodrigues de Luna e de D. Maria Barbosa de Castro.

 

ÁRVORE DE COSTADOS DE MIGUEL JÁCOME DE LUNA

Próprio

Pais

Avós

Miguel Jácome de Luna

 

N. Viana 1530

Jácome Rodrigues de Luna

Ruy Fernández de Luna

D. Mécia Fernandes Soares de Albergaria

D. Maria Barbosa de Castro

Gonçalo da Rocha Barreto, “o Beiçudo”

D. Isabel Barbosa de Azevedo

 

    Fidalgo; proprietário; 2.º Senhor da Casa do Medalhões ou Casa dos Lunas, em Viana do Castelo, por herança paterna; estudante na Universidade de Coimbra; licenciado em Leis; Juiz dos Cavaleiros (1569 – 1573); alvará pelo qual foi nomeado Juiz Corregedor da Comarca da Cidade de Évora (10 de Novembro de 1573); Juiz Corregedor da Comarca de Évora (Janeiro de 1574 – Dezembro de 1576); como Juiz Corregedor de Évora presidiu ao instrumento de abertura oficial do testamento do Senhor Dom Duarte, Duque de Guimarães (28 de Novembro de 1576)[1]; Juiz Corregedor da Casa do Cível da Corte (2 de Janeiro de 1577); Juiz Desembargador dos Agravos da Casa da Suplicação (8 de Novembro de 1577); Juiz Conservador das Causas da Câmara da Cidade de Lisboa (1580 – 1582); como Juiz Conservador assiste à cerimónia solene da entrega ao «mui alto e mui poderoso e mui catholico rei e senhor nosso» Filipe I da chave da «mui nobre e sempre leal cidade de Lisboa» (29 de Junho de 1581)[2]; nomeado Juiz da Casa do Cível do Porto, «porquanto eu não tenho atee ora prouido de conservador da çidade, que servia o Licenciado Miguel Jacome de Luna, do meu Desembargo, que ora se foi para a çidade do Porto»[3], conforme alvará régio (Dezembro de 1582); seu filho Pedro Barbosa de Luna foi admitido como colegial no Colégio Real de S. Paulo da Universidade de Coimbra (Outubro de 1584); vereador da Câmara Municipal de Lisboa (1585 – 1586); fidalgo de cota d’armas, por carta de brasão com as armas das famílias Luna, Soares de Albergaria, Sousa e Barreto, e «nelle provarão serem filhos, netos, e bisnetos, e  treseiros netos de todos os q ficão referidos»[4] (26 de Março de 1586)[5]; Juiz Conservador da Casa da Moeda (2 de Julho de 1586)[6]; nasce seu neto paterno Miguel de Vasconcelos, que seria tristemente célebre (1590); seu filho António Barbosa de Luna foi admitido como porcionista no Colégio Real de S. Paulo da Universidade de Coimbra (28 de Abril de 1591)[7]; D. Joana Ferrão de Castelo Branco, sua viúva, declara no seu testamento que «perdoa a seu Anteado o D.or Ant.º Barbosa de Luna tudo o q lhe devia»[8] (1610).

 

    Casou em primeiras núpcias, em 1558, com D. Genebra Barbosa Aranha, nascida em Viana da Foz do Lima em 1535, filha de Rui Vaz Aranha, “o Moço”, e de D. Grácia da Cunha da Rocha; com geração.

 

    Casou pela segunda vez com D. Joana Ferrão de Castelo Branco, viúva; sem geração.

 

    Filhos do primeiro casamento:

1 – Dr. PEDRO BARBOSA DE LUNA, nasceu em Viana em 1560.

Foi Desembargador.

2 – Dr. ANTÓNIO BARBOSA DE LUNA, nasceu em Viana em 1562.

Foi deputado do Santo Ofício.

3 – LUÍS BARBOSA DE LUNA, nasceu em Viana em 1564.

Foi cavaleiro da Ordem de Malta.

4 – D. GRÁCIA DE LUNA DA ROCHA, nasceu em Viana em 1566.

Foi proprietária.

Casou com Pedro Pinto de Melo.

 


[1] D. António Caetano de Sousa, Provas da Historia Genealogica da Casa Real Portugueza, tomo II, Lisboa, 1742, p. 638.

[2] Eduardo Freire de Oliveira, Elementos Para a História do Município de Lisboa, tomo II, Lisboa, 1987, p. 44.

[3] ANTT, Chancelaria de Dom Filipe I, livro 1, fl. 28.

[4] Manuel Felgueiras Gayo, Nobiliário de Famílias de Portugal, VI volume, tomo XVII, Braga, 1989, p. 185.

[5] Manuel Artur Norton, “Para o Estudo dos Aranhas e Lunas Vianenes”, in CADERNOS VIANENSES, tomo VIII, Viana do Castelo, 1984, p. 221.

[6] Esteves Pereira e Guilherme Rodrigues, Portugal Dicionário Histórico, Corográfico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico: http://www.arqnet.pt/dicionario/lunamigueljacome.html

[7] Collecçam dos Documentos e Memorias da Academia Real da Historia Portugueza, Lisboa, 1727, p. 266.

[8] Cristóvão Alão de Moraes, Pedatura Lusitana (Nobiliário de Famílias de Portugal), tomo quatro, volume primeiro, Porto, 1946, p. 148.

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Sábado, 1 de Março de 2014

O livro NOSSA SENHORA DA GRAÇA – NA FÉ DOS MAREANTES

    Com apresentação do Prof. Doutor Armando Palavras, ocorreu no passado dia 22 de Fevereiro de 2014, na Biblioteca Municipal de São Lázaro, em Lisboa, o lançamento do opúsculo “Nossa Senhora da Graça – Na Fé dos Mareantes”, de autoria de José da Costa Pereira.

 

    Uma pequena brochura que contém o arrolamento de todas as paróquias de Portugal continental e insular consagradas a Nossa Senhora da Graça e aborda outras que não sendo de culto graciano, este, também ali é fervorosamente festejado. É o caso dos Milagres, em Leiria; de São Mamede de Talhadas, em Sever do Vouga; do Eixo, em Aveiro; de São Vicente de Pereira Jusã, em Ovar; de São Bartolomeu de Vale de Pinta, Cartaxo; de Santo Antão de Padim da Graça, Braga; de São Pedro de Vilar de Ferreiros, Mondim de Basto; ou São Pedro de Manteigas (Manteigas), donde partiu a devoção e a imagem da padroeira da paróquia de Graça, de Benguela (Angola).

 

    Destaque dá-se também a Nossa Senhora da Graça de São Salvador da Baia (Brasil) que graças ao insigne estudioso brasileiro Christovão de Avila soube foi a primeira padroeira de terras de Santa Cruz.

 

    Eis o currículo do autor:

 

    «Este pequeno volume que aqui se apresenta é da autoria de Costa Pereira, um colunista com tarimba que nasceu a 6 de Dezembro de 1938, em Vilar de Ferreiros, Mondim de Basto, onde viveu os primeiros anos, repartidos entre a sua terra e Fermil de Basto.

 

    Por volta dos 14 anos foi para Vila Real onde aprendeu a profissão de barbeiro e nessa profissão trabalhou em terras como VN de Famalicão, Nine, São Mamede do Coronado e Lisboa, onde fixou residência em 1961.

 

    Foi pela mão do seu mestre-escola, o saudoso publicista celoricense José Lopes que inicia a sua caminhada na comunicação social, com um artigo publicado no extinto Notícias de Basto, em 25 de Julho de 1960. Depois foi um nunca mais acabar, com colaboração nos mais diversos jornais da Imprensa Não Diária: o NOTÍCIAS DE CHAVES, VOZ DE TRÁS-OS-MONTES, A ORDEM, TERRAS DE BASTO, MONTE FARINHA, POVO DE BASTO, ECOS DE BELÉM, NOTÍCIAS DO BOMBARRAL, A VOZ DE DOMINGO, O MENSAGEIRO, ELO DA BAJOUCA e outros mais, como o BOLETIM DO GRUPO FOLCLÓRICO E RECREATIVO DE VILARINHO - VILAR DE FERREIROS, de que foi fundador.

 

    Mercê do seu profissionalismo e comportamento no ambiente de trabalho vários são os louvores oficiais que lhe foram conferidos: e por Portaria de 9 de Março de 1998 foi condecorado com a Medalha de D. Afonso Henriques, Patrono do Exército, pelo Chefe do Estado-Maior do Exército.

 

    Neste opúsculo sobre o culto graciano, Costa Pereira dá-nos a conhecer várias facetas do mesmo. E uma delas é a de não haver paróquia graciana nas dioceses de Braga, Bragança e Vila Real quando o culto graciano tem ali forte implantação, por isso a certo passo assinala: “Como no caso dos bragantinos e mirandeses, também a Diocese de Vila Real não tem paróquia graciana na área da sua circunscrição, mas em contrapartida tem o mais famoso santuário mariano de Trás-os-Montes e Alto Douro consagrado a Nossa Senhora da Graça.

 

    De Nossa Senhora da Graça - Na Fé dos Mareantes fez referência o autor, dizendo que o título e a devoção não eram termos estranhos a quem nasceu num dos patamares mais sedutores do “Iteiro” da Senhora. De facto fazendo parte do todo que constitui a freguesia de Vilar de Ferreiros, concelho de Mondim de Basto, distrito e diocese de Vila Real, o Monte Farinha ou Senhora da Graça é local privilegiado de terras de Basto, mas também de todo o Norte de Portugal que não tem outro aspeto paisagístico que, como este, pela forma e dimensão se deixe realçar tanto».

 

 
    José da Costa Pereira, o autor, e Armando Palavras, orador convidado, na sessão pública de apresentação da obra NOSSA SENHORA DA GRAÇA - NA FÉ DOS MAREANTES, que teve lugar no passado dia 22 de Fevereiro de 2014 na Biblioteca Municipal de S. Lázaro, em Lisboa.
 
    Aspecto da mesa redonda da sessão de lançamento da obra de José da Costa Pereira na lindíssima Biblioteca Municipal de S. Lázaro.
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Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2014

ANTÓNIO PEREIRA DE LACERDA

Uma Figura do Alto Minho

 

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

    António Pereira de Meireles Vasconcelos da Rocha Lacerda, filho do dr. António Pereira de Vasconcelos da Rocha Lacerda e Melo e de D. Maria da Conceição de Meireles Teixeira Coelho, nasceu a 28 de Fevereiro de 1917 na freguesia de São João Baptista, vila de Ponte da Barca, faz agora 97 anos.

 

ÁRVORE DE COSTADOS DE ANTÓNIO   PEREIRA DE LACERDA

Próprio

Pais

Avós

Bisavós

António   Pereira de Meireles Vasconcelos da Rocha Lacerda

 

N.   Ponte da Barca 1917

F.   Porto 1975

Dr.   António Pereira de Vasconcelos da Rocha Lacerda e Melo

 

N.   Ponte da Barca 1878

F.   Lisboa 1962

Dr.   António Pereira da Costa de Lacerda e Melo

 

N.   Ponte da Barca 1851

António   Pereira da Costa Calheiros de Lacerda e Melo

D.   Maria Benedita de Gusmão Calheiros

D.   Carlota Ernestina de Paços da Rocha e Vasconcelos

 

N.   1860

José   Nicolau da Rocha de Faria Machado

D.   Mariana Augusta de Paços Vasconcelos de Azevedo Ataíde e Menezes

D.   Maria da Conceição de Meireles Teixeira Coelho

 

N.   Celorico de Basto 1891

F.   Ponte da Barca 1974

Francisco   de Meireles Pereira Leite Teixeira Coelho

 

N.   Celorico de Basto 1844

Dr.   António Maria de Meireles de Sequeira Pereira Leite Rangel de Quadros Soares   de Albergaria

D.   Maria das Dores Teixeira Coelho de Melo Freire de Andrade

D.   Adelaide Augusta Vieira Borges de Castro

 

N.   Porto 1854

Gaspar   Joaquim Borges de Castro

D.   Joaquina Augusta Vieira de Magalhães

 

    Proprietário; fidalgo de cota de armas; licenciado em Engenharia pelo Instituto Superior de Agronomia; engenheiro agrónomo; funcionário público; técnico superior do Quadro da Direcção-Geral dos Serviços Agrícolas; director do Posto Agrário de Braga; inspector dos Serviços Agrícolas da Zona Norte; administrador de empresas; fundador e administrador da Celulose do Norte – CELNORTE (1944); mesário da Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia do Porto; provedor da Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Ponte da Barca; director do Hospital da Misericórdia de Ponte da Barca; director do Asilo Condes da Folgosa, de Ponte da Barca; presidente da Junta Arquidiocesana da Juventude Católica de Braga (1945 – 1951); eleito deputado da Nação pelo círculo de Braga, com 54.198 votos (3 de Novembro de 1957); deputado da Nação à VII Legislatura da Assembleia Nacional (Novembro de 1957 – Junho de 1961); vogal da Comissão Parlamentar de Economia, eleito com 89 votos (27 de Novembro de 1957); Senhor da Casa da Torre de Quintela, em São Romão de Nogueira, Ponte da Barca (1962 – 1975); 7.º Senhor da Casa da Portela de Sampriz, em Sampriz, Ponte da Barca (1962 – 1975); Senhor da Casa da Fonte Velha, em Ponte da Barca (1962 – 1975); representante do título de Conde da Campanhã (1962 – 1975); representante do título de Barão de Grimancelos (1962 – 1975); fundador da Adega Cooperativa de Ponte da Barca (1963); presidente da Comissão Concelhia da União Nacional de Ponte da Barca (1969); vogal da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (1969); eleito deputado da Nação pelo círculo de Viana do Castelo, com 34.961 votos (26 de Outubro de 1969); deputado da Nação à X Legislatura da Assembleia Nacional (Novembro de 1969 – Abril de 1973); vogal da Comissão Parlamentar de Economia, eleito com 96 votos (28 de Novembro de 1969).

   

    Casou na Capela da Casa do Carmo, em Guimarães, com D. Maria Luísa da Conceição Cardoso de Macedo e Menezes, nascida em 16 de Fevereiro de 1932 na freguesia de Santa Maria da Oliveira, Guimarães, filha do dr. Luís Cardoso de Macedo Martins de Menezes (Margaride) e de D. Júlia Leonor Pinheiro Lobo Machado (Pindela) (3 de Janeiro de 1953); com geração.


    Faleceu a 29 de Abril de 1975 na Casa de Saúde da Boavista, na cidade do Porto, aos 58 anos de idade.

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Segunda-feira, 10 de Fevereiro de 2014

VASCO GOMES DE ABREU

UM GRANDE FIDALGO DO ALTO MINHO

 

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

                                    

    Vasco Gomes de Abreu nasceu em Monção, cerca de 1330, filho primo­génito e herdeiro de Lourenço Gomes de Abreu, 7.º Senhor da Torre e Honra de Abreu, e de D. Teresa Cor­rêa de Azevedo.

 

ÁRVORE DE   COSTADOS DE VASCO GOMES DE ABREU

Próprio

Pais

Avós

Vasco Gomes de Abreu

 

N. 1330

Lourenço Gomes de Abreu

 

N. 1300

Gomes Lourenço de Abreu

D. Guiomar Lourenço de Valadares

D. Teresa Cor­rêa de Azevedo

 

N. 1310

Estêvão Pais de Aze­vedo

D. Guiomar Rodrigues de Vasconcelos

 

    Foi fidalgo; proprietário; vassalo d'El-Rei; alcaide-mor de Lapela (18 de Março de 1357); alcaide-mor de Melgaço (19 de Julho de 1357); alcaide-mor de Castro Laboreiro (19 de Julho de 1357); «vasco gomez daureu seu vassallo que lhe delles fez menagem» a el-rei como alcaide dos castelos de Melgaço e Castro Laboreiro; assistiu ao célebre juramento que El-Rei Dom Pedro I fez perante a Corte de haver legitimamente esposado D. Inês de Castro (12 de Junho de 1360); participou nas campanhas da I e II Guerra Fernandina entre Portugal e o Reino de Castela (1369 – 1373); Senhor da Quinta de Paredes, em Paredes de Coura, por carta régia de mercê do rei Dom Fernando I (21 de Abril de 1375); 8.º Senhor da Torre e Honra de Abreu, em São Pedro de Me­rufe, Monção; Senhor da Quinta de Afurada, no Almoxarifado de Gaia (19 de Janeiro de 1382); Senhor da Quintã de Lamoso, em Pias, Monção; Senhor de Valadares, de juro e herdade (16 de Fevereiro de 1383); proprietário de imensas terras em Monção, Melgaço, Arcos de Valdevez, Julgado de Fraião e em Paredes de Coura; proprietário em Padornelo; partidário de Dona Beatriz, Infanta de Portugal e Rainha de Castela, e de D. João I de Castela, durante a Crise Dinástica (1383 – 1385); «o Rey D. João 1.º por elle seguir as partes da Raynha D. Leonor Telles lhe tirou as terras que tinha no julgado de Fraião [Coura] e as deu a Lourenço Filgueira» (1384); exilado político em Castela (1385).

    Casou com D. Maior Anes de Portocarreiro, filha de Fernão Anes de Portocarreiro e de D. Maria Vasques de Azevedo. Filhos:

1 – DIOGO GOMES DE ABREU, nasceu em 1360; foi 9.º Senhor da Torre de Abreu.

2 – D. MÉCIA GOMES DE ABREU, nasceu 1361; casada com Garcia Vaz de Aranha.

3 – D. TE­RESA GOMES DE ABREU, nasceu em 1362; casou com Lopo Gomes de Lira, Senhor de Fraião (Coura) e alcaide-mor de Ponte de Lima.

4 – D. HELENA GOMES DE ABREU, nasceu em 1364; casou com Vasco Gil Bacelar, Senhor das Torres de Ba­celar e de Lanhelas.

5 – ÁLVARO VAZ DE ABREU, nasceu em 1365; casado e com geração.

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Sábado, 1 de Fevereiro de 2014

CARDEAL SARAIVA – Heráldica e Iconografia

    Brasão de armas de D. Frei Francisco de S. Luís Saraiva, Cardeal Patriarca de Lisboa:

 

    Escudo de fantasia em forma de cartela e com moldura, partido (por um traço desde o chefe até à ponta):

 

I – De prata, com um leão de vermelho, lampassado e ungulado do mesmo, rompante (por estar firmado sobre a pata traseira esquerda), segurando nas patas dianteiras um báculo pastoral de vermelho, curvado para fora na extremidade superior.

II – Cortado:

1.º, campo semeado de vieiros azul e prata.

2.º, aguado de sua cor; ambos os campos com uma bordadura de vermelho carregada de quatro flores-de-lis de ouro, uma em chefe, outra invertida em ponta e duas deitadas nos flancos.

 

    Sobre o escudo apresenta a mitra patriarcal, alta e redonda, adornada de pedras preciosas e rematada por um globo e sobrepujada de uma cruz de duas travessas, pousada no aro circular cravejado de pedras preciosas duma coroa aberta de cinco florões, carregados com uma pérola no centro, cada um. Do bocal pende uma estola de duas pontas carregadas com a cruz da paixão.

 

    Por detrás do escudo, dois ramos cruzados em aspa, e sobre cada um dos pés da haste, que surgem de trás e ao meio do escudo, repousa uma borla.

 

    A representação policromada que apresentamos tem, óbvios, erros notórios, em especial no que diz respeito ao báculo e à ausência do aguado no 2.º campo.

 

    O dr. D. Frei Francisco de S. Luís Saraiva foi um admirável erudito e grande letrado, sendo considerado como um dos académicos mais notáveis da transição do século XVIII para a centúria de Novecentos, devido aos seus apreciáveis trabalhos nos campos da História dos Descobrimentos, da historiografia, da lexicologia e da filologia. Neste último campo, como filologista dominava em perfeição muitas línguas consideradas essenciais ao saber, sendo cultor fluentíssimo do hebreu, grego, latim e do francês.

 

    Como historiador, legou-nos uma vastíssima obra, fruto da sua inegável capacidade de investigação, um predestinado para desenterrar milhares de documentos nas catacumbas dos arquivos devido à sua sagacidade e perseverança e saber do historicismo científico, por entre milhares de papéis velhos. Abraçou com fervor patriótico a sua missão de historiador e memorialista a fim de desbravar o caminho por onde «a nossa história se fosse alimpando das nódoas e impurezas que tanto a desfeiam e desfiguram».

 

    Felizmente o seu primo em 2.º grau, o conselheiro António Correia Caldeira, procedeu à compilação e edição das OBRAS COMPLETAS DO CARDEAL SARAIVA, editando o I volume em 1855, dez anos depois da sua morte, hercúleo trabalho que se prolongou até à publicação do X volume em 1883.

    Apresentamos, a terminar, dois belissimos retratos de Francisco Luís de S. Luís Saraiva, o primeiro quando ainda era tão-somente frade beneditino, o segundo já como Cardeal Patriarca de Lisboa.
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Segunda-feira, 20 de Janeiro de 2014

CARDEAL SARAIVA

Uma Grande Figura Nacional e do Alto Minho

 

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

    Francisco Manuel Justiniano Saraiva, de seu nome completo e no século, filho de Manuel José Saraiva e de Leonor Maria Correia de Sá, nasceu em Ponte de Lima a 26 de Janeiro de 1766, faz agora 248 anos.

 

     Entrou como noviço no Mosteiro de S. Martinho de Tibães, em Braga, aos 14 anos de idade (6 de Abril de 1780); monge professo da Congregação de S. Bento de Portugal, escolhendo o nome de frei Francisco de São Luís Saraiva (29 de Janeiro de 1782); aluno de Humanidades no Colégio de Santo André de Rendufe, em Amares, da ordem beneditina onde aprendeu filosofia racional e moral, geometria, álgebra e física geral (Novembro de 1782); aluno do Colégio de Nossa Senhora da Estrela, em Lisboa (1783); aluno do Colégio de S. Bento de Coimbra (1785); aluno da Faculdade de Teologia da Universidade de Coimbra (27 de Outubro de 1785), professor substituto de Teologia do Colégio de S. Bento de Coimbra (1788); recebe as ordens sacras de presbítero, aos 23 anos de idade (7 de Março de 1789); bacharel em Teologia (18 de Junho de 1789); secretário-geral do capítulo geral da Congregação de S. Bento (1790); licenciado em Teologia (1790); doutor em Teologia (Julho de 1791); solicita à Real Mesa Censória ou Real Mesa da Comissão Geral sobre o Exame e Censura de Livros a autorização para ler e possuir livros proibidos (1792); professor de filosofia, aritmética, álgebra, geometria e trigonometria no Colégio de S. Bento de Coimbra (Setembro de 1792 – Julho de 1793); sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa (1794); sócio por mérito da Academia Real das Ciências de Lisboa (1 de Abril de 1798); padre companheiro do D. Abade-Geral, com a função de acompanhá-lo nas visitais pastorais aos mosteiros (1801 – 1804); iniciado na Maçonaria (1803); maçónico; abade do Colégio de S. Bento de Coimbra (1804 – 1807); candidato opositor à Faculdade de Teologia de Coimbra (1805); visitador-geral da Congregação de S. Bento de Portugal (1807 – 1810); cronista-mor da Ordem de S. Bento (1807); examinou «todas as livrarias e archivos dos mosteiros, fazendo apontamentos e estractos, copiando documentos, inscripções, letreiros, dísticos»; professor de Filosofia Racional e Moral no Real Colégio das Artes de Coimbra (1807); aderiu à revolta contra os invasores franceses (1808); carta do tenente-general Gonçalo Pereira Caldas, governador do Governo das Armas da Província do Minho, pela qual foi nomeado membro da Junta Provisional do Governo Supremo do Reino em Viana do Minho ou Junta do Governo Provisional da Província do Minho, devido ao «conhecido espirito patriótico e religioso de sua reverendissima, bem como as suas muitas letras e virtudes» (26 de Junho de 1808); visitador-geral da Congregação de S. Bento de Portugal (1814 – 1816); aderiu aos ideais da causa liberal (1817); vogal da Junta Provisional do Governo Supremo do Reino de Portugal, instaurada em consequência da Revolução Liberal do Porto, em representação da Universidade (24 de Agosto de 1820); vogal do Conselho de Regência do Reino, para exercer o poder em nome do rei Dom João VI (30 de Janeiro de 1821 – 3 de Julho de 1821); membro da comissão de redação das bases da Constituição, onde traçou o esboço duma Monarquia Constitucional (1821); Borges Carneiro propõe o seu nome como adjunto do reitor-reformador da Universidade de Coimbra (30 de Junho de 1821); nomeado bispo coadjutor e sucessor do bispo de Coimbra e sucessor do cargo de reitor-reformador da Universidade (19 de Julho de 1821); carta régia pela qual foi nomeado reformador-reitor da Universidade de Coimbra (27 de Agosto de 1821); dirigente do Estado-Maior do Grande Oriente Lusitano da Maçonaria (1821); a Cúria Romana envia a bula de confirmação da sua nomeação como bispo (19 de Abril de 1822); sagrado 53.º bispo de Coimbra, aos 56 anos de idade (15 de Setembro de 1822); 18.º Conde de Arganil, dignidade que andava associada a todos os bispos de Coimbra (15 de Setembro de 1822); deputado às Cortes da Nação Portuguesa, em representação de Lamego e da divisão eleitoral do Porto (15 de Novembro de 1822 – 1823); vice-presidente das Cortes da Nação Portuguesa (28 de Fevereiro de 1823); pediu a demissão do cargo de reitor-reformado da Universidade de Coimbra (20 de Junho de 1823); exonerado do lugar de reitor da Universidade de Coimbra (23 de Junho de 1823); renunciou à diocese de Coimbra (Abril de 1824); bispo-conde reservatário de Coimbra (30 de Abril de 1824); 2.º bispo titular de Dura (30 de Abril de 1824 – 3 de Abril de 1843); desterrado no Convento de Montes Claros, por motivos políticos (1824); recolheu-se ao Mosteiro da Batalha (1824 – 1825); fixa residência em Ponte de Lima (1825 – 1826); deputado na Câmara dos Senhores Deputados da Nação Portuguesa, em representação do Minho (31 de Outubro de 1826 – 13 de Março de 1828); presidente da Mesa da Presidência da Câmara dos Senhores Deputados da Nação (3 de Novembro de 1826 – 13 de Março de 1828); preso e encarcerado incomunicável no Cenóbio dos Eremitas de S. Paulo, do Mosteiro da Serra de Ossa, por ordem do Governo de Dom Miguel I (1828); restituído à liberdade (Maio de 1834); carta régia de mercê do lugar de guarda-mor do Arquivo da Torre do Tombo (27 de Junho de 1834); 41.º guarda-mor do Arquivo da Torre do Tombo (4 de Julho de 1834 – 28 de Setembro de 1836); carta régia pela qual lhe foi atribuída a honra de conselheiro do Conselho de Estado (24 de Julho de 1834); conselheiro de Sua Majestade a Rainha (1834); eleito deputado da Nação em representação do Minho (27 de Junho de 1834); presidente da Câmara dos Deputados (21 de Agosto de 1834 – 24 de Setembro de 1834); ministro do Reino (24 de Setembro de 1834 – 16 de Fevereiro de 1835); carta régia pela qual foi nomeado par da Câmara do Pares do Reino (17 de Fevereiro de 1834); membro do Partido Cartista; deputado nas Cortes Gerais Extraordinárias e Constituintes da Nação Portuguesa, pelo círculo de Viana do Castelo (18 de Janeiro de 1837 – 31 de Março de 1838); grão-mestre da Maçonaria do Sul (1837); pediu demissão do lugar de deputado, que não foi aceite, dando-lhe a Câmara dos Deputados a liberdade de comparecer no parlamento quando quisesse (Janeiro de 1838); vice-presidente da Academia Real das Ciências de Lisboa (1838); presidente da comissão encarregada de propor o restabelecimento das relações diplomáticas amigáveis entre Portugal e a Santa Sé (Junho de 1838); deputado da Nação (1838 – 1840); presidente da Câmara dos Deputados (10 de Dezembro de 1838 – 8 de Janeiro de 1839); colaborador da REVISTA LITERÁRIA DO PORTO (1839); sócio fundador da Associação Marítima e Colonial (Novembro de 1839); indigitado para patriarca arcebispo eleito da Sé de Lisboa (5 de Janeiro de 1840); senador na Câmara dos Senadores da Nação Portuguesa, pelo círculo eleitoral de Viseu (26 de Maio de 1840 – 1842); vice-presidente da Mesa da Câmara dos Senadores (17 de Junho de 1840); presidente da Comissão Senatorial Encarregada do Projecto de Resposta ao Discurso do Trono (17 de Junho de 1840); membro da Comissão de Revisão dos Estatutos da Academia Nacional de Belas Artes; colaborador dos ANNAES MARITIMOS E COLONIAES: Publicação Mensal (1841); carta régia pela qual foi nomeado vice-presidente da Câmara dos Dignos Pares do Reino (5 de Julho de 1842); toma assento como par da Câmara dos Dignos Pares do Reino (10 de Julho de 1842); presidente da Secção de Instrução Pública e Negócios Eclesiásticos da Câmara dos Pares (18 de Julho de 1842); nomeado patriarca de Lisboa (12 de Dezembro de 1842); bula pontifícia pela qual foi confirmado patriarca de Lisboa (3 de Abril de 1843); proclamado cardeal-patriarca de Lisboa pelo Consistório, aos 77 anos (19 de Junho de 1843); recebeu o barrete cardinalício na capela do Palácio das Necessidades, sendo o 8.º cardeal-patriarca de Lisboa (20 de Julho de 1843); agraciado com a grã-cruz da Ordem de Cristo; religioso beneditino; teólogo; erudito; político; bibliófilo; escritor; historiador; linguista; crítico literário; especialista em história, filologia, literatura, arqueologia e antiguidades; conhecedor de diversas línguas como o francês, italiano, latim, grego e hebraico; prelado.

 

    Faleceu a 7 de Maio de 1845 no Palácio da Mitra, em Marvila, cidade de Lisboa, com o nome de D. Frei Francisco de S. Luís Saraiva, aos 79 anos de idade; foi sepultado no Panteão dos Cardeais do Mosteiro de S. Vicente de Fora de Lisboa.

 

    Início da publicação das Obras Completas do Cardeal Saraiva pelo conselheiro António Correia Caldeira, seu sobrinho (1855); publicação do tomo X das “Obras Completas do Cardeal Saraiva” (1883); início da publicação do jornal CARDEAL SARAIVA, fundado em Ponte de Lima pelo dr. António Ferreira, prof. António José de Oliveira, Pelágio Lemos e Avelino Guimarães (15 de Fevereiro de 1910); comemoração em Ponte de Lima do sesquicenteário da morte do Cardeal Saraiva (16 de Junho de 1995); inauguração do monumento ao Cardeal Saraiva em Ponte de Lima (Março de 2009); o seu nome consta da toponímia de Ponte de Lima, Lisboa e Rio de Janeiro.

 

    Escreveu e publicou:

Estudo Comparativo Entre a História de D. João de Castro de Jacinto Freire de Andrade e a Vida de D. Paulo de Lima de Diogo do Couto, 1792.

Tratado Para a Educação do Príncipe, Lisboa, 1801; em co-autoria.

 

Notícias das Guerras Napoleónicas: Dietário do Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro (1807 - 1816), 1818.

Manifesto da Nação Portuguesa aos Soberanos e Povos da Europa, Lisboa, 1820.

Ensaio Sobre Alguns Sinónimos da Língua Portuguesa, Lisboa, 1824.

Nota Sobre as Línguas Vulgares da Hespanha, 1828.

Exemplos de Virtude, Acções e Ditos Memoráveis Coligidos da História de Portugal, 1829.

Nota Em Que se Mostra Que os Portugueses, ao Passo Que Ião Descobrindo as Costas e Terras Africanas, Se Não Descuidavam de Inspirar aos Seus Habitantes Ideias Morais e Princípios de Civilização, 1829.

Nota Sobre a Origem da Escravidão e Tráfico de Negros, 1829.

Memória em Que se Coligem Algumas Notícias Sobre os Progressos da Marinha Portuguesa Até os Princípios do Século XVI, 1830.

Cronologia dos Reis de Portugal, 1830.

Breve Reflexões Sobre o Assento Chamado das Cortes dos Três Estados de 1828, 1830.

Extractos da Primeira Parte do Corpo Cronológico do Real Arquivo, 1830.

Memória Sobre a Expedição de Vasco da Gama ao Descobrimento da India em 1497, 1831.

Memória Sobre o Carácter Que Se Atribui a El-Rei D. Afonso II a Respeito de Seus Irmãos e Sobre a Discórdia Que Com Eles Houve.

Erratas Miúdas na Tradução Portuguesa da História Geral de Portugal de Mr. De La Clede, 1837.

 

 

Glossário de Vocábulos Portugueses Derivados das Línguas Orientais e Africanas, Excepto a Árabe, Lisboa, 1837.

Memória Em Que Se Pretende Mostrar Que a Língua Portuguesa Não é Filha da Latina, Nem esta Foi Em Tempo Algum a Língua Vulgar dos Lusitanos, Lisboa, 1837.

Lista de Alguns Artistas Portugueses Coligida Pelo Autor de Escritos e Documentos no Decurso das Suas Leituras em 1825 (Ponte de Lima) e em 1839 (Lisboa), Lisboa, 1839.

Carta Escrita de Cochim a El-Rei D. Manuel Por Tomé Pires, 1839.

Memória Sobre a Expedição a Tânger no Ano de 1437, Porto, 1839.

Memória Sobre as Viagens dos Portugueses à Índia Por Terra, e ao Interior de África Desde o Princípio do Século XV, 1839.

Reflexões Gerais Acerca do Infante D. Henrique e dos Descobrimentos de Que Ele Foi Autor no Século XV, 1841.

Índice Cronológico das Navegações, Viagens, Descobrimentos e Conquistas dos Portugueses Nos Países Ultramarinos Desde o Princípio do Século XV, Lisboa, 1841.

Notas Acerca de Alguns Descobrimentos Apontados no Índice Cronológico, 1841.

Memórias Cronológicas e Históricas do Governo da Rainha D. Teresa, Lisboa, 1841.

Pastoral, Lisboa, 1841.

Memória Sobre a Instituição da Ordem Militar da Ala, Atribuída a El-Rei . Afonso Henriques, Lisboa, 1843.

Sobre a Instituição da Ordem Militar, Intitulada de Avis em Portugal, 1844.

Notícia de Alguns Escritores Que Tratarão dos Nossos Descobrimentos e Navegações ou das Regiões e Sucessos de Além-Mar, 1844.

Glossário das Palavras e Frases da Língua Francesa, Lisboa, 1846.

Os Portugueses em África, Asia, América e Oceânia: Obra Clássica, Lisboa, 1848.

Sobre a Batalha das Navas de Tolosa, em 1212, e Conquista de Alcácer do Sal, em 1217.

Memória Sobre a Deposição de El-Rei D. Sancho II.

Memória Em Que Se Prova Que El-Rei D. Afonso III, Por Morte de Seu Irmão D. Sancho II, Foi Rei de Portugal Por Sucessão e Não Por Eleição.

Memória Sobre a Conquista do Algarve: Como e Quando Veio a Portugal.

Memória da Infanta D. Branca, Filha de El-Rei D. Afonso III.

Memória Sobre os Negócios de El-Rei D. Dinis com Castela.

Memória Em Que Se Refuta Um Facto, Que Anda Introduzido na História de El-Rei D. Dinis, Acerca da Discórdia Que Teve Com o Infante Seu Filho Herdeiro.

Memória Em Que Se Examina Se El-Rei D. Fernando e o Reino de Portugal Seguiu em Algum Tempo o Partido de Clemente VII no Grande Cisma da Igreja.

Memória Sobre a Elevação do Mestre de Avis ao Trono de Portugal e Razões Por Que Foram Excluídos os Que o Pretendiam.

Memória Em Que Se Apontam Algumas Notícias Para a História de El-Rei D. João I e Se Refutam Outras.

Memória Em Que Se Ajuntam as Notícias Que Nos Restam do Doutor João das Regras.

Memória Em Que Se Corrigem Alguns Erros Que Andam Introduzidos na História de El-Rei D. Duarte.

Memória Em Que Se Retificam as Expressões de Alguns Escritores Acerca do Governo de El-Rei D. João II.

Memória Em Que Se Refutam Alguns Escritores «Que os Portugueses São Propensos a Ajuizar, ou a Suspeitar Mal das Suas Rainhas Viúvas, Principalmente Sendo Estrangeiras e Castelhanas».

Memória Em Que Se Dá Notícia da Colonização do Brasil por El-Rei D. João III.

Memória Sobre os Casamentos Projectados de El-Rei D. Sebastião.

Colecção de Testemunhos Históricos Que Provam a Vinda de Alguns Povos Antigos às Espanhas: Povos da Galiza Antiga, Que Hoje Fazem Parte de Portugal.

Colecção dos Factos e Testemunhos Sobra a Autoridade do Romano Pontífice nas Igrejas de Espanha nos Primeiros Séculos da Igreja.

Ordens Monásticas e Mosteiros em Portugal.

Bispados de Portugal Restaurados ou Criados Desde o Princípio da Monarquia.

Catálogo dos Bispos de Algarve, Formado de Outro Que Vem no Fim das “Constituições do Bispado” e de Vários Documentos Autênticos.

Resumida Notícia Cronológica das Antigas Cortes Portuguesas.

Testemunhos Indubitáveis da Antiguidade da Regra Beneditina nas Espanhas e da Sua Propagação em Outras Partes.

Apontamentos para a História dos reinados de D. João II e D. Manuel.

Notícias das Fábricas e Artes em Portugal.

Cartas Selectas.

Glossário de Vocábulos da Língua Vulgar Portuguesa Que traduzem Origem do Grego.

Lista de Vocábulos Portugueses da Linguagem Comum Que São Juntamente Gregos e Latinos e se Podem Derivar de Qualquer Destes Dois Idiomas.

Lista de Vocábulos Portugueses Derivados do Céltico, Gaulês ou Bretão; do Vasconço; do Gótico, Germânico ou Teutónico; de Outros Idiomas do Norte.

Reflexões Críticas Sobre o Dicionário de Moraes.

Roteiro da Viagem de Fernão Magalhães.

Breves Notas à Vida de D. João de Castro, Escrita Por Jacinto Freire de Andrade, Lisboa, 1835.

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Sexta-feira, 10 de Janeiro de 2014

EX-LÍBRIS DE JOÃO INÁCIO DE ARAÚJO LIMA

    Ex-líbris do padre dr. João Inácio de Araújo Lima, com a seguinte leitura: três árvores em primeiro plano, assentes sobre um solo pujado de um manto de folhas, deixam entrever uma paisagem rural minhota, onde sobressai a torre sineira, contra o picoto duma serra e as nuvens dum céu sereno. A divisa latina “RES NON VERBA”, a significar “actos, não palavras”, separa o motivo bucólico de três janelões ovóides estilizados e separados por motivos florais, dentro dos quais foram colocados uma cruz, uma âncora e um coração de filigrana, todos raiados. Em contrachefe, o nome do possuidor J. I. de Araújo Lima encerra a marca. O desenho foi concebido, provavelmente na década de 1920, por um artista encoberto pelas iniciais R. J.

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Quarta-feira, 1 de Janeiro de 2014

O CANTO DOS REIS NO ALTO MINHO

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

    O povo, antigamente, fazia destrinça entre o cantar das Janeiras, período que decorria desde o primeiro de Janeiro até ao Dia de Reis, e o cantar dos Reis, que se prolongava desde esse dia pelo espaço temporal de mais uma quinzena, festejado com alegria por rapazio e jovens adultos solteiros.

 

    Eis uma dessas antigas cantigas dos Reis, que esteve em moda em tempos de antanho em Paredes de Coura, Ponte de Lima ou Viana do Castelo, conforme consta dos meus apontamentos, ditada por gente antiga, de tal molde que já perdi a noção da ocasião e onde a colhi, porquanto o rascunho não está datado, nem referenciado geograficamente. Assevero, contudo, a sua origem no Alto Minho, isso sim.

 

Binde, santos moradores,

Binde, já eixpressamente;

Binde ber os Reis Magos

Os três Reis d’Oriente.

 

Rei Rodes cumo malbado

Cumo trabêsso malino,

Os santos ensinou

Às abessas o destino.

 

Cum'a eles eram santos

Uma istrela os guiou;

Em cima duma cabana

A istrela se abaixou.

 

A istrela se apousou

Ao pousar botou sinal;

Já era Jasus nacido

Lá na noute de Natal.

 

Todos três l’ofreceram

Oiro, mirra e incenso;

Num lubaram mai nada

Porque o Menino era imenso.

 

Aqui stão os Reis à porta

Dispostos pra açanar;

S’os senhores nos dão licença

Nós os Reis bàmos cantar.

 

Intrai pastores, intrai

Por esse portal sagrado;

bereis Deus Menino

Nas palhinhas deitado.

 

Que Menino será aquele

Q’inda há pouco foi nacido?

É o berbo feito home,

O Messias prometido.

 

Biba lá o sinhor da casa

Aí, adonde põe o tchapéu;

Aí, no meio da sua sala,

Ai, parece um anjo do céu.

Lavrada em Ponte de Lima. 

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Domingo, 22 de Dezembro de 2013

PADRE-NOSSO PEQUENINO

Uma Oração da Piedade Popular do Alto Minho

 

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

    As orações populares andaram na boca do povo e das pessoas mais idosas e piedosas até muito tarde no século XX, conhecendo actualmente um período de acelerado apagamento, pronúncio do seu eclipse, pois tudo isso perdeu, entretanto, a sua funcionalidade prática e capacidade protectora. Esta forma de piedade e literatura popular oral, que está preste a desaparecer, era declamada em verso livre ou rezada em certas situações, conforme a sabedoria milenar e os usos e costumes do poviléu das brenhas.

 

    Assim tínhamos orações para quase todos os gostos e situações do dia-a-dia, balbuciadas ao levantar, ao deitar, para esconjurar a noite, para marcar as horas do dia, para determinados dias da semana, para certas alturas do ano, para evocação de certos momentos, para invocação de necessidades especiais e para devoção. Quando havia uma premente necessidade de rezar, sem qualquer motivo, saltava boca fora uma das preces narrativas mais generalizadas, o Padre-Nosso Pequenino.

 

    O chamado Padre-Nosso Pequenino, que trago hoje à memória, está relacionado com a infância e paixão de Cristo, da qual se conhecem inúmeras versões, algumas delas discordes aqui e ali, outras bem distintas. Eis algumas que andaram na boca das nossas avós nas aldeias e campos do Minho, em eras de antanho.

 

    A primeira versão apresentada era corrente em Padornelo, no coração do Alto Minho:

Padre-Nosso Pequenino

Nosso Senhor é meu padrinho,

Nossa Senhora é minha madrinha,

Quando põe a cruz na testa

Pró Diabo não tentar,

Nem de noite, nem de dia,

Nem à hora do meio-dia,

Canta o galo, sai a luz,

Os anjinhos vão com a cruz,

As alminhas vão com elas,

Para sempre amém, Jesus!

 

    Versão usual noutras aldeias de Paredes de Coura:

Padre-Nosso Pequenino

Pelo monte são luzinhas,

Sete candeias a arder

Sete livrinhos a ler.

Senhor meu padrinho,

Senhora minha madrinha,

Que me fez a cruz na testa,

O demónio não me empeça,

Nem de noite nem de dia,

Nem à hora do meio-dia,

Já os galos cantam, cantam,

Já os sinos se alevantam,

Já o Senhor subiu à cruz,

Para sempre amém, Jesus!

 

    Uma versão tradicional em Ponte de Lima:

Padre-Nosso Pequenino

Quando Deus era menino,

Pôs o pezinho no seu altar

O sanguinho a pingar.

 

Tem-te, tem-te, Madalena,

Que o hás-de alimpar;

Pequeninos e grandinhos

Todos hei-de salvar.

 

Pela Rua da Amargura,

Pela Rua da Doçura,

Encontrei Nossa Senhora,

C’o raminho d’oiro na mão.

 

Pedi-lhe uma folhinha

Ela disse-me que não,

Tornei-lhe a pedir,

Ela deu-me o seu cordão.

 

Que desse sete voltas

Ao redor do coração,

Fradinhos de S. Francisco

Aceitai-me este cordão.

 

Que me deu Nossa Senhora,

Sexta-feira da Paixão,

Sábado d’Aleluia,

Domingo da Ressurreição.

 

    Outra versão, desta feita de Ponte da Barca:

Padre-Nosso Pequenino

Quando Deus era menino

Pôs o pé no altar,

O sanguinho a pingar.

 

Tem-te, tem-te, Madalena,

Não no queiras alimpar,

Que estas são cinco chagas

Que o Senhor tem pra passar.

 

    E por fim, ainda esta versão minhota, que é, todavia, muito parecida a uma loa beirã que conheço de ouvido e letra:

Padre-Nosso Pequenino

Quando Deus era menino

Tinha as chaves do Paraíso,

Quem las deu, que las daria,

Foi o filho da Virgem Maria.

Cruz no monte,

Cruz na fonte,

Nunca o Diabo nos encontre

Nem de noite, nem de dia

Nem ao fim do meio-dia.

Já os galos cantam, cantam,

Já os anjos se alevantam,

Já o Senhor vai para a cruz

Para sempre amém, Jesus.

A Virgem e o Menino no Livro de Horas de Turim. 

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Domingo, 15 de Dezembro de 2013

FORAIS NOVOS MANUELINOS DA REGIÃO DO MINHO

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

    A carta de foral era um diploma régio de direito público, usada para cimentar a autonomia municipal, baseada nos foros e costumes de cada terra, a qual era concedida de maneira espontânea pelo soberano ou, então, a pedido dos moradores, embora os bispos, ordens religiosas, ordens militares e senhores feudais também tivessem a mesma prorrogativa. O rei, com a sua autoridade legítima, outorgava, assim, um documento destinado a regular a vida colectiva, económica, fiscal, social e judicial duma povoação, passando a ser a lei orgânica dessa comunidade de homens bons e livres.

 

    A partir de determinada altura, em meados do século XV, os antigos forais, muitos deles datados dos tempos dos reis Dom Afonso Henriques, Dom Afonso III e Dom Dinis, estavam sujeitos a interpretações erradas e falsificações grosseiras. Tudo devido às naturais dificuldades de leitura, pois os mesmos forais estavam escritos em latim ou português bárbaro, outros em mau estado de conservação, outros por desuso de palavras e formas, porém todos escritos com caracteres paleográficos cursivos de difícil leitura, causas para um uma má interpretação do texto em si. A maioria esmagadoríssima dos utentes e beneficiários dos forais já não conseguia ler de boa-fé o que lá estava escrito em forma redonda de lei, nem estipular a cobrança dos direitos e portagens sem guerreia sem fim.

 

    Os povos insurgiam-se contra os abusos, voluntários ou involuntários, cometidos à sombra dos velhíssimos forais. Devido aos sucessivos requerimentos e queixumes das populações, em especial nas Cortes de Coimbra (1472), Évora (1481) e de Montemor-o-Novo (1495), Dom Manuel I, como monarca inovador e reformador, resolveu proceder à reforma dos forais, por ser «couza muy proveitosa». Nessa ocasião o monarca afiançava:

«... que vendo nós quomo offiçio do Rei não he outra cousa senão Reger bem e governar seus subditos em Justiça, e Igualdade ha qual não he somente dar ha cada hum ho que seu for mas aJnda não leixar acquirir nem levar nem tomar ha ninguem senão ho que a cada direitamente pertençe e visto Isso mesmo quomo ho Rei he obrigado por ho carrego que tem nas cousas em que sabe seus vassalos».

 

    A comissão encarregada da reforma era formada pelo dr. Rui Boto, chanceler-mor, dr. João Façanha, desembargador, e Fernão de Pina, cavaleiro, cronista-mor do Reino e guarda-mor da Torre do Tombo. Os desembargadores da Casa da Suplicação e do Cível ficaram com o carrego de dirimir as questões preliminares e legais.

 

    Os chamados Forais Novos de Dom Manuel que interessam à região geográfica do Minho começam, cronologicamente, com o foral de Ponte de Lima concedido a 11 de Junho de 1511 e encerram com o encarte dado a Celorico de Basto em 29 de Março de 1520. Contudo a reforma dos forais decorreu entre os anos de 1497 e 1522, abarcando as comarcas provinciais de então: Dantre Douro e Minho (Entre-Douro-e-Minho), Trallos Montes ou d’Alem Douro (Trás-os-Montes), Beira, Estremadura, Dantre Tejo e Odiana (Entre Tejo-e-Odiana) e Algarves.

 

    Eis os 38 códices em causa, listados por ordem cronológica, com referência à localidade distinguida e ao concelho a que pertencem actualmente:

Localidade

Data da Outorga

Concelho Actual

Vila de Ponte de   Lima

11 de Junho de   1511

Ponte de Lima

Vila de Viana da   Foz do Lima

1 de Junho de   1512

Viana do Castelo

Vila de Caminha

1 de Junho de   1512

Caminha

Vila de Valença   do Minho

1 de Junho de   1512

Valença

Vila de Monção

1 de Junho de   1512

Monção

Terra de   Valadares

1 de Junho de   1512

Monção e Melgaço

Terra da Nóbrega  

23  de Outubro de 1513

Ponte da Barca

Vila de Melgaço

3 de Novembro de   1513

Melgaço

Concelho de   Monte Longo

5 de Novembro de   1513

Fafe

Julgado de   Regalados

13 de Novembro   de 1513

Vila Verde

Vila de Castro   Laboreiro

20 de Novembro   de 1513

Melgaço

Concelho de   Lanhoso

4 de Janeiro de   1514

Póvoa de Lanhoso  

Souto de Rebordões  

8 de Abril de   1514

Ponte de Lima

Terra de Entre   Homem e Cávado

8 de Abril de   1514

Amares

Terra de Penela

20 de Junho de 1514

Vila Verde

Terra de   Cabeceiras de Basto

5 de Outubro de   1514

Cabeceiras de   Basto

Lindoso

5 de Outubro de   1514

Ponte da Barca

Concelho de   Lalim e Vila Chã

6 de Outubro de   1514

Vila Verde

Concelho de   Penela

6 de Outubro de   1514

Vila Verde

Terra do Soajo

7 de Outubro de   1514

Arcos de   Valdevez

Couto de Vadim

12 de Outubro de   1514

Cabeceiras de   Basto

Terra de Bouro

20 de Outubro de   1514

Terras de Bouro

Couto do   Mosteiro de Bouro

20 de Outubro de   1514

Terras de Bouro

Terra de Roças

23 de Outubro de   1514

Guimarães

Terra de Vieira

15 de Novembro   de 1514

Vieira do Minho

Concelho de São   João de Rei

25 de Novembro   de 1514

Póvoa de Lanhoso

Terra de São   Martinho

2 de Junho de   1515

Ponte de Lima

Burral do Lima

2 de Junho de   1515

Ponte de Lima

Geraz

2 de Junho de   1515

Ponte de Lima

Santo Estêvão

2 de Junho de   1515

Ponte de Lima

Terras de Coura

2 de Junho de   1515

Paredes de Coura

Valdevez

2 de Junho de   1515

Arcos de   Valdevez

Concelho de   Ribeira de Soaz

26 de Julho de   1515

Vieira do Minho

Vila de Barcelos

7 de Agosto de   1515

Barcelos

Couto do   Mosteiro de São Martinho de Tibães

4 de Setembro de   1517

Braga

Couto de   Mosteiro de Santa Maria do Vimieiro

4 de Setembro de   1517

Braga

Vila de   Guimarães

20 de Novembro   de 1517

Guimarães

Terra de   Celorico de Basto

29 de Março de   1520

Celorico de   Basto

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Domingo, 8 de Dezembro de 2013

MIGUEL DE VASCONCELOS, “O Defenestrado”

Uma Figura do Alto Minho na História de Portugal

 

Parte II

 

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

  

Secretário de Estado do Conselho de Portugal em Lisboa (Janeiro de 1635 – Dezembro de 1640); despacho do secretário de Estado Miguel de Vasconcelos e Brito ordenando que se pague os recrutados que estão sob a ordem do sargento-mor Ettore della Calce e se dêem os socorros devidos e que se conservem de prontidão (13 de Janeiro de 1635)[1]; ofício do secretário de Estado Miguel de Vasconcelos e Brito a D. Diogo Lopes de Sousa, Conde de Miranda e presidente do Conselho da Fazenda, sobre as manifestações de alegria que devem ser feitas nas repartições públicas, pelo bom parto que teve a rainha e nascimento de mais uma infanta (26 de Janeiro de 1635)[2]; ofício do secretário de Estado Miguel de Vasconcelos e Brito ao presidente do Conselho da Fazenda, Conde de Miranda, remetendo carta do corregedor da comarca de Tavira, Pedro Barbosa Homem, acerca dos marinheiros do Algarve, destinados à armada que vai socorrer o Brasil, para que se resolva a forma como serão alojados e como serão mantidos quando saírem do sul de Portugal (30 de Janeiro de 1635)[3]; avisos do secretário Miguel de Vasconcelos e Brito, ao presidente do Conselho da Fazenda, Conde de Miranda, determinando os últimos ajustes para a partida da armada que vai ao Brasil e solicitando o envio de informações sobre os últimos aprestos, sobre os papéis de D. Álvaro de Melo, e o terceiro sobre o que falta fazer nos galeões da armada do Brasil e o estado das naus (10 de Fevereiro de 1635)[4]; ofício do secretário de Estado do governo de Portugal, Miguel de Vasconcelos e Brito Barbosa, ao Conde de Miranda, sobre os soldados que algumas comarcas do Reino ofereceram para o socorro do Brasil (17 de Fevereiro de 1635)[5]; tornam-se extensivos a todo o Reino o imposto do real da água e o aumento das sisas (16 de Março de 1635)[6]; avisos do secretário Miguel de Vasconcelos e Brito ao Conde de Miranda, que era governador da Relação do Porto e presidente do Conselho da Fazenda, ordenando que se veja no Conselho da Fazenda se é necessário enviar ordens ao corregedor de Elvas para passar a Badajoz por conta dos reais, e o segundo sobre uma consulta do Desembargo do Paço acerca do juiz de fora de Vila Franca, Diogo Lopes de Almeida (20 de Março de 1635)[7]; escrito do secretário Miguel de Vasconcelos ao Conselho da Fazenda sobre a informação que requer a Duquesa de Mântua acerca do dinheiro necessário para se despachar com brevidade a armada que vai ao socorro da capitania de Pernambuco (27 de Março de 1635)[8]; despachos do secretário Miguel de Vasconcelos e Brito ordenando ao Conselho da Fazenda que mande se alojar em Alhandra a gente vinda de Elvas e Évora para a armada do Brasil e que dê lugar nas naus do ano que vem a gente do mar que se assentar para as armadas (27 de Março de 1635)[9]; aviso do secretário de Estado, Miguel de Vasconcelos e Brito, ao presidente do Conselho da Fazenda, Conde de Miranda, determinando que se faça uma folha pelos armazéns e se conceda a Manuel Mateus e seu irmão, pólvora a determinado preço, bem como a Filipe Pinheiro (24 de Abril de 1635)[10]; mandado do secretário de Estado do Governo de Portugal, Miguel de Vasconcelos e Brito Barbosa, sobre se buscarem 10 pilotos muito práticos da navegação do Brasil, para as galeras que vêm de Cádis com D. Jerônimo de Sandoval, governador da armada de Castela (26 de Abril de 1635)[11]; mandado do secretário de Estado do Governo de Portugal, Miguel de Vasconcelos e Brito Barbosa, ao Conselho da Fazenda sobre o apresto da Armada do socorro ao Brasil (30 de Abril de 1635)[12]; mandado do secretário de Estado Miguel de Vasconcelos e Brito Barbosa ao Conselho da Fazenda para se verem os papéis dados por D. Álvaro de Melo, sobre os capitães, soldados e tripulações dos navios que levam o socorro ao Brasil (18 de Maio 1635)[13]; aviso do secretário de Estado Miguel de Vasconcelos e Brito, ao Conde de Miranda como governador da Relação do Porto e presidente do Conselho da Fazenda, ordenando que todo e qualquer soldado da armada que estivesse em terra fosse preso e perdesse seus soldos e socorros (5 de Junho de 1635)[14]; despacho do secretário Miguel de Vasconcelos e Brito Barbosa, ordenando ao Conselho da Fazenda que mande o tesoureiro das Terças emprestar uma quantia em dinheiro a António Gomes de Elvas (25 de Junho de 1635)[15]; mandado do secretário Miguel de Vasconcelos e Brito Barbosa, sobre a expedição da armada de socorro ao Brasil, de maneira que parta até o Dia da Visitação de Santa Isabel, 2 de Julho (27 de Junho de 1635); mandado do secretário Miguel de Vasconcelos e Brito Barbosa, mandando ver no Conselho da Fazenda a cópia de alguns capítulos do regimento que se dá ao governador da armada que vai de socorro ao Brasil (27 de Junho de 1635)[16]; assinatura do instrumento de instituição dum morgadio, nos aposentos «dos Paços de Sua Magestade em que vive o Secretario Miguel de Vasconcellos e Brito», em Lisboa, pelo qual o instituidor D. Luís de Noronha, fidalgo da Casa Real, cavaleiro da Ordem de Cristo e morador na cidade de Portalegre, elegeu «primeiro administrador sucessor e governador principal» do seu morgado «a Pedro de Vasconcellos e Brito filho legitimo do dito Secretario Miguel de Vasconcellos por ser seu parente», chamando para segunda e terceira linha de sucessão a Diogo de Vasconcelos e Brito e D. Antónia de Melo, respectivamente, filhos de Miguel de Vasconcelos, «em razão dos Parentescos que com elle tem, e haver recebido delle e de seu Pay muito e boas obras» (27 de Julho de 1635)[17]; mandado do secretário Miguel de Vasconcelos de Brito e Barbosa ao Conselho Ultramarino para dar parecer sobre a nau de Lubeque, que foi ao Brasil, em companhia de Francisco de Vasconcelos da Cunha (3 de Outubro de 1635)[18]; mandado do secretário Miguel de Vasconcelos de Brito e Barbosa, ao Conselho da Fazenda, sobre a escolha das três pessoas a que se hão-de encarregar as três caravelas que hão-de ir ao Brasil (17 de Novembro de 1635)[19]; mandado do secretário Miguel de Vasconcelos e Brito Barbosa ao Conselho da Fazenda sobre os soldados que se devem arranjar pelas comarcas para a armada de socorro ao Brasil, que está para partir de Cádis (29 de Dezembro de 1635); mandado do secretário Miguel de Vasconcelos de Brito e Barbosa ao Conselho da Fazenda, sobre o tesoureiro-mor entregar ao tesoureiro dos armazéns, todo o dinheiro para o apresto das caravelas que hão-de ir ao Brasil (29 de Dezembro de 1635)[20]; o Governo de Portugal tinha «como secretario Miguel de Vasconcelos, português, agente querido do conde-duque e sempre pronto a lançar tributos pesados, ferindo os seus patrícios, com insultos aos homens fidalgos, extorsões aos mercadores e vexames ao povo»[21] (1635 – 1640); «Miguel de Vasconcelos que, com seu feitio autoritário e sua devoção a Olivares, se torna autêntico ditador de Portugal à sombra da Duquesa de Mântua»[22]; Comendador do Pinheiro, na Ordem de Cristo (1635); conselheiro de capa e espada do Conselho da Fazenda[23] (1635); transmite a ordem de sujeitar a nobreza ao «repartimento» ou contribuição de impostos como fonte de receita do Erário Régio (1635)[24]; acusado pelo povo e nobreza de ser o instrumento da tirania castelhana (1635 – 1640); circulavam por Lisboa e pelo Reino inúmeros pasquins anónimos com doestos e injúrias gravíssimas contra o Secretário de Estado, devido ao seu nome se tornar odioso, onde era acusado de vícios, embriaguez e peculato[25] (1635 – 1640); Miguel de Vasconcelos era «en effecto ministro absoluto é independente», pois «recibia imediatamente las ordenes del conde de Olivares, primer ministro del rey Phelipe IV», sendo «dotado de admirable talento para el manejo de los negócios, muy laborioso y fecundo en inventar modos y expedientes para sacar dinero de los pueblos; y por outra parte desapiadado, inflexible y duro hasta inhumano», porquanto era pessoa «sin amigos, y sin respeto alguno […], incapaz de dexarse mover á compassion ó terneza», e nesses anos «juntó imenso caudal» de terras e dinheiro, «valiendose de qualquer medio para amplificar su fortuna»[26] (1635 – 1640); apropriou-se da capela instituída na vila de Almada por João Gonçalves, da qual tomou posse por falecimento de Manuel Soares Barbosa (1636); cédula real pela qual o rei ordena que Miguel de Vasconcelos apresente um relatório das suas actividades no Governo de Portugal, depois de algumas queixas apresentadas pelo Marquês de la Puebla (13 de Janeiro de 1636); envia o seu relatório ao rei Filipe III, onde declara que a animosidade do Marquês de la Puebla de devia ao desejo deste em substituir a princesa Margaria de Saboia no vice-reinado de Portugal, relatando «algunas cousas que o Marques de la Puebla fez em Portugal contra o serviço de Sua Magestade» (26 de Janeiro de 1636)[27]; mandado do secretário de Estado Miguel de Vasconcelos de Brito e Barbosa ao Conselho da Fazenda sobre o que se há-de dar de fretamento aos mestres de navios de particulares que hão-de ir com o socorro ao Brasil (27 de Janeiro de 1636)[28]; D. Francisco Dávila y Guzmán, 1.º Marquês de la Puebla, como presidente do Conselho da Fazenda e superintendente de todas as coisas do Governo de Portugal, queixava-se com «espanto mucho» que a princesa Margarida de Mântua não despachava os assuntos da governação, nem com ele nem com Gaspar Ruiz de Ezcaray, secretário do Conselho da Guerra de Portugal, pois a vice-rainha só confiava em especial em Miguel de Vasconcelos e acusava este de «haçer bandos» (4 de Fevereiro de 1636)[29]; apontamento de carta de Miguel de Vasconcelos e Brito Barbosa sobre capelas e bens de raiz (25 de Fevereiro de 1636)[30]; aviso do secretário Miguel de Vasconcelos e Brito a Tomás de Ibio Calderón, conselheiro do Conselho da Fazenda e capitão-de-mar-e-terra, sobre as obras nos fornos da Telha e do Vale de Zebro (29 de Março de 1636); aviso do secretário Miguel de Vasconcelos e Brito para João Pereira Corte Real, general da armada, transmitindo as ordens reais para que partisse com sua armada que iria dar guarda à frota do Brasil e naus da Índia (25 de Junho de 1636)[31]; despacho do secretário de Estado Miguel de Vasconcelos e Brito Barbosa, ordenando ao Conselho da Fazenda que informe o cumprimento do decreto concedendo pagamento ao capitão João Guedes Alcoforado para ir levantar gente de guerra (14 de Outubro de 1636)[32]; mandado do secretário de Estado Miguel de Vasconcelos e Brito Barbosa ao Conselho da Fazenda, sobre a necessidade de socorrer o Brasil, ver que navios estarão prontos para partir e das levas de soldados que convirá mandar fazer (14 de Outubro de 1636)[33]; carta régia pela qual manda não se conceder privilégio de estancos a «pessoas poderosas» (12 de Novembro de 1636)[34]; mandado do secretário de Estado Miguel de Vasconcelos e Brito Barbosa ao Conselho da Fazenda, sobre a refundição dos tostões e meios tostões que há no Reino e a forma de arranjar dinheiro para o socorro do Brasil (27 de Novembro de 1636)[35]; mandado do secretário de Estado Miguel de Vasconcelos e Brito Barbosa ao Conselho da Fazenda para se entregar ao executor-mor, Bartolomeu Dias Ravasco, uma relação de todos os efeitos e taxas que há-de cobrar para o apresto da armada de socorro do Brasil (30 de Dezembro de 1636)[36]; portaria do secretário de Estado Miguel de Vasconcelos e Brito mandando o tesoureiro-mor entregar ao tesoureiro da Casa da Índia uma quantia em dinheiro referente dos direitos das fazendas da primeira nau ou navio que vier da Índia ou do dinheiro da pimenta para pagar a Francisco Botelho Chacon e Álvaro da Silveira (1636)[37]; mandado do secretário Miguel de Vasconcelos e Brito Barbosa ao Conselho da Fazenda, dando conta do que está feito sobre capitães, soldados, navios e mercadores para o apresto da armada do socorro do Brasil (23 de Março de 1637)[38]; mandado do secretário Miguel de Vasconcelos e Brito Barbosa ao Conselho da Fazenda sobre as caravelas que se acham em Peniche e outros portos, para o socorro do Brasil, para que saiam por toda a semana (30 de Maio de 1637)[39]; mandado do secretário Miguel de Vasconcelos e Brito Barbosa ao Conselho da Fazenda, sobre o apresto das caravelas que hão-de ir de socorro ao Brasil (3 de Junho de 1637)[40]; mandado do secretário de Estado Miguel de Vasconcelos e Brito Barbosa ao Conselho da Fazenda para consultar sobre o provimento das armas para a armada do Brasil, que será feito por Jorge Lopes de Negreiros, trazendo-as da Biscaia, e preços que há-de levar (30 de Junho de 1637)[41]; ordena o imposto único, fixado em 200 contos de réis anuais, que, apesar do nome, não era imposto único (1637); mandado do secretário Miguel de Vasconcelos e Brito Barbosa ao Conselho da Fazenda, sobre o frete que se há-de dar aos mestres dos navios que vão ao Brasil (18 de Agosto de 1637)[42]; eclode em Évora a Revolta do Manuelinho, contra o aumento dos impostos e que rapidamente alastrou a outras zonas do País (21 de Agosto de 1637); mandado do secretário de Estado Miguel de Vasconcelos e Brito Barbosa ao Conselho da Fazenda para passar as ordens necessárias para o capitão Francisco de Vila Gomes ir no patacho São Rafael e ao capitão D. Álvaro de Buitrago na caravela Nossa Senhora dos Anjos, na armada do socorro do Brasil (12 de Setembro de 1637)[43]; padre dr. João Salgado de Araújo escreve ao Conde Duque de Olivares a criticar a presença de Diogo Soares e Miguel de Vasconcelos no Governo de Portugal, pois considera que nenhum deles tinha condições para o exercício de funções devido à sua condição de elementos da pequena nobreza rural, pois «los goviernos y magistrados devem conferirse a la prudencia y nobleza y dejar la plebe idiotez» de fora, na medida em que em Portugal «con estos dos hombres forma un gobierno oligárchico a que Aristóteles llama péssimo y abominable», devido à presença destes «dos criaturas suias» (Novembro de 1637); tenta menosprezar os efeitos do «alboroto» do “Manuelinho” de Évora, dizendo que os tumultos populares «se viam cada dia sem nenhum inconveniente» (3 de Dezembro de 1637)[44]; carta régia de Filipe III, pela qual concebe ao seu «Gintil homem da boca» Álvaro de Sousa, a faculdade de poder renunciar a fortaleza de Malaca numa das pessoas citadas no seu requerimento anterior, autenticada em Lisboa com a assinatura do Secretário de Estado, Miguel de Vasconcelos e Brito Barbosa (2 de Março de 1638)[45]; avistou-se em Lisboa com D. Duarte, irmão do Duque de Bragança (1638); o Marquês de La Puebla denuncia em Madrid a actuação de Diogo Soares e Miguel de Vasconcelos, a quem acusa de, por modos violentos e escandalosos, tentarem apoderar-se da fortuna de D. Luís de Noronha, demente e de Portalegre (1638)[46]; Diogo Soares e Miguel de Vasconcelos granjearam a «inimizade da maior parte da nobreza portuguesa» (1638)[47]; dizia-se que o Governo de Portugal estava «reduzia a aparencia sen governar ninguen», pois Diogo Soares e Miguel de Vasconcelos estavam tal mal vistos que «sino tienen brazo poderoso que los defenda, los han de tratar trabajosamente» (1638)[48]; ofício do secretário de Estado Miguel de Vasconcelos e Brito ao Conde de Miranda como governador da Relação do Porto e presidente do Conselho da Fazenda, sobre a carta do juiz de fora de Setúbal, que envia 29 marinheiros à ordem do provedor dos Armazéns (23 de Janeiro de 1639)[49]; escrito do secretário Miguel de Vasconcelos e Brito ao escrivão da Fazenda, Afonso de Barros Caminha, sobre a ordem para que se informe o provimento pelo qual servem os almoxarifes das armas (28 de Fevereiro de 1639)[50]; os conspiradores apresentam, em Almada, o plano da revolta ao Duque de Bragança, que consistia em neutralizar o corpo da guarda «com o menor rumor possível», apoderarem-se do Paço da Ribeira, aclamar o Duque de Bragança como Rei de Portugal e matar Miguel de Vasconcelos (Junho de 1639)[51]; carta d’el-rei Filipe III para Miguel de Vasconcelos e Brito, secretário de Estado, mandar preparar duas galés em segredo e conduzir os degredados às galés, e que «tenhais em todo o segredo a ordem que vos mando» e «q ate 15 de Agosto q vem hão deestar em ordem de poder navegar», e nessa ocasião «façais» a «toda a pressa a condução dos prezos q esteverem sentenciados a galès nas cadeas do Reyno, e dos siganos porque estes ainda q não estejão sentençiados, são degradados a ellas polas leys do Reyno» (27 de Julho de 1639)[52]; carta de D. Francisco de Almeida, governador de Ceuta, expondo a Miguel de Vasconcelos e Brito, Secretário de Estado, a falta de guarnição em que ficara aquela praça, pelo embarque de 200 soldados que, por ordem d’el-rei Filipe III, fez numas naus inglesas que municiara à sua custa, pedindo representasse à Senhora Princesa para o socorrer com gente e munições por estar desguarnecida a praça (7 de Agosto de 1639)[53]; carta do dr. Francisco Monteiro Monterroio, corregedor de Viana do Minho, a Miguel de Vasconcelos e Brito Barbosa em que lhe dá conta de como chegara aquele rio Lima a caravela arribada a Vigo, que a mandara buscar para se consertar por não se poder fazer na Galiza por faltarem todos os aparelhos para navegar, do custo que se fez mandara clareza e pede se lhe mande passar letras para ser pago o tesoureiro dos armazéns e a caravela (6 de Fevereiro de 1640)[54]; carta do dr. Afonso Monteiro Montarroio, corregedor de Viana do Minho, para Miguel de Vasconcelos e Brito Barbosa dando-lhe conta de ter partido a caravela com bom sucesso, que pelo mestre dava conta do que tinha feito nela, escrita em Viana (7 de Fevereiro de 1640)[55]; parecer de Miguel de Vasconcelos e Brito, Secretário de Estado, sobre «o socorro cõ mayor brevidade» da Praça de Mazagão (9 de Junho de 1640)[56]; a Junta de Nobres reunida no Palácio de D. Antão Vaz de Almada, em Lisboa, decidiu avançar com o plano de restauração e resolveu enviar Pedro de Mendoça como delegado a Vila Viçosa para contactar D. João, Duque de Bragança (12 de Outubro de 1640); Miguel de Vasconcelos foi informado pelo provedor Manuel Mansos da Fonseca sobre os rumores duma conspiração que se preparava, mas poucas medidas tomou confiado na guarnição castelhana do castelo e por achar pouco possível tal acção restauracionista por parte dos portugueses (Novembro de 1640); durante a revolução da Restauração da Independência escondeu-se num armário da Casa do Forte, «que servia de papeis», sendo denunciado por uma escrava[57] que apontou o armário aos conjurados, depois de abertas as portas «logo D. Antonio Tello de Menezes lhe disparou hum tiro de pistola, que o fez sahir quasi morto, e depois de lhe darem ainda algumas estocadas, o lançarão por huma janella fóra para o Terreiro do Paço» (1 de Dezembro de 1640)[58]; o corpo do infeliz Miguel de Vasconcelos, enquanto jazia no solo, «por sua maldade tão aborrecido de todos, que este mizeravel espectaculo e lastimozo milagre da fortuna, em vez de enternecer, provocou a ira, e excitou a colera dos circunstantes, de tal modo, que como se ouvera ali ainda que matar, concorrerão todos ao precipitado cadaver, e competindo sobre quem seria o primeiro no rigor, e sobre quem lhe faria a maior afronta, executárão nelle varios e estupendos modos de inclemencia: hum lhe tirava os olhos, outro lhe arrancava a barba: este a couces despedaçando-lhe o rostro o fazia mais enorme: aquelle despojando-o do vestido; mostrava aos caens, e ás aves o mantimento que a fortuna alí lhe oferecia: dentre a vingativa plebe, saio furiozo hũ Mouro que havia sido seu cativo, e sentado no seu peito, dizendolhe temerarias injurias, causou rizo geral, e deu entretenimento grande ao auditorio» (1 de Dezembro de 1640)[59]; depois da morte de Miguel de Vasconcelos, os restauradores dirigiram-se aos aposentos da Duquesa de Mântua, na Casa da Galé, onde ela tentou dissuadir os conspiradores com promessa de perdão, ao mesmo tempo que reconhecia as culpas e os «excessos» de Miguel de Vasconcelos, dizia a vice-rainha que «já o Ministro culpado pagou os delitos cometidos, não passe adiante o furor, que não merece entrar em peitos tão nobres! Eu me obrigo a que El Rei Católico não só perdoe, mas agradeça livrar-se este Reino dos excessos do Secretário!» (1 de Dezembro de 1640)[60]; a pedido de Gaspar de Faria Severim, escrivão da Santa Casa, os seus despojos foram escondidamente transportados num esquife da Misericórdia e «mandado por D. Gastão Coutinho enterrar pobremente ao cemiterio» (2 de Dezembro de 1640); genealogista, matéria «pela qual se fez odioso a grande parte da Nobreza»[61]; poeta; carta do juiz de fora da vila de Abrantes, Domingos Esteves de Vasconcelos, ao rei sobre a notificação que fez a Miguel de Almeida para que este desse contas do dinheiro recebido de Miguel de Vasconcelos, remetendo o auto da diligência efetuada (19 de Dezembro de 1640)[62]; carta a Jerónimo Garcia de Castro, colaço de Dom João IV, da mercê da administração de uma capela na vila de Almada, a qual tinha sido administrada por Miguel de Vasconcelos, a quem foram confiscados os bens (11 de Março de 1641)[63]; mercê a Jerónimo Garcia de Castro, funcionário da Casa do Duque de Bragança e colaço de Dom João IV, de alguns bens que tinham pertencido a Miguel de Vasconcelos, entre os quais uma casa em São João da Praça, uma casa em Barcarena, um olival na Graça, campo de Monção de Baixo e de Cima, terra em Casal de Mouro, moinhos em Montemor e herdade do Silveira (27 de Agosto de 1641)[64]; mercê a D. Joana de Vasconcelos, viúva de António da Mota, em sua vida, da administração das herdades do Outeiro e Vale de Rei, no termo de Évora, que foram de Miguel de Vasconcelos (20 de Outubro de 1643)[65]; mercê a Diogo Rodrigues de Sousa de consignação de 40$000 réis no rendimento dos bens que teve Miguel de Vasconcelos em Évora (27 de Novembro de 1654)[66].

 

Escreveu:

Rimas Varias, manuscrito[67].

Nobiliário de Famílias Portuguesas, manuscrito.

 

Faleceu a 1 de Dezembro de 1640 no Terreiro do Paço, em Lisboa.

 

Casou em Santarém, em 1614, com D. Catarina de Macedo Leite, filha de Diogo Leite Pacheco e de D. Isabel Soares de Melo. Filhos:

1 – PEDRO DE VASCONCELOS E BRITO BARBOSA, nasceu em 1615.

Foi irmão mesário da Mesa da Irmandade de Santo António dos Portugueses da Corte de Madrid (1635 – 1636); 1.º administrador do Morgado de D. Luís de Noronha, em Portalegre, de quem era distante parente por via de sua avó D. Antónia de Melo e Vasconcelos (1638 – 1640); escrivão da Mesa da Irmandade de Santo António dos Portugueses da Corte de Madrid (1638 – 1639); irmão mesário da Mesa da Irmandade de Santo António dos Portugueses da Corte de Madrid (1640 – 1641)[68]; ficou em Castela por causa da aclamação d’El-Rei Dom João IV; ele e seu irmão Diogo foram destituídos dos cargos e propriedades em Portugal por «se acharem ausentes no Reyno de Castella» (Dezembro de 1640).

Faleceu solteiro em Madrid, «estando concertado e dispensado» para casar com sua prima D. Leonor de Vasconcelos, filha de Diogo Soares e de sua 2.ª mulher D. Mariana de Eça[69].

2 – D. ANTÓNIA DE MELO, nasceu em 1617.

Casou com Diogo Soares, viúvo, de quem foi terceira mulher, filho de João Álvares Soares e de D. Paula da Silva; com geração.

3 – DIOGO DE VASCONCELOS E BRITO DE MELO, nasceu em 1620.

Casou pela primeira vez, em Madrid, com sua prima D. Leonor de Vasconcelos, filha de Diogo Soares e de sua 2.ª mulher D. Mariana de Eça; sem geração.

Casou em segundas núpcias, em Madrid, com D. Maria Tinoco, filha de Diogo Tinoco; sem geração.

4 – LUÍS MENDES DE ANDRADE E VASCONCELOS, nasceu em 1622.

5 – D. MARIA DE BRITO, filha bastarda de Miguel de Vasconcelos de Brito e de D. Catarina Lobo Correia.

Casou com António Correia de Baharem, filho de Jerónimo Correia Barbosa e de D. Maria de Alcáçovas; com geração.



[1] AHU, Conselho Ultramarino, Reino, cx. 7, pasta 15.

[2] AHU, Conselho Ultramarino, Reino, cx. 7, pasta 27.

[3] AHU, Conselho Ultramarino, Reino, cx. 7, pasta 33.

[4] AHU, Conselho Ultramarino, Reino, cx. 7, pasta 39.

[5] AHU, Conselho Ultramarino, série 005-02, cx. 4, doc. 533.

[6] Mário Domingues, A Revolução de 1640 e as Suas Origens: Evocação Histórica, Lisboa, 1970, p. 357.

[7] AHU, Conselho Ultramarino, Reino, cx. 7-A, pasta 11.

[8] Maria do Socorro Ferraz Barbosa, Documentos Manuscritos Avulsos da Capitania de Pernambuco, Catálogo I (1590-1757), Recife, 2006, p. 1636.

[9] AHU, Conselho Ultramarino, Reino, cx. 7-A, pasta 14.

[10] AHU, Conselho Ultramarino, Reino, cx. 7-A, pasta 22.

[11] AHU, Conselho Ultramarino, série 005-02, cx. 5, doc. 558.

[12] AHU, Conselho Ultramarino, série 005-02, cx. 5, doc. 560.

[13] AHU, Conselho Ultramarino, série 005-02, cx. 5, doc. 577-580.

[14] AHU, Conselho Ultramarino, Reino, cx. 8, pasta 4.

[15] AHU, Conselho Ultramarino, Reino, cx. 1-A, pasta 63.

[16] AHU, Conselho Ultramarino, série 005-02, cx. 5, doc. 616-617.

[17] Arquivo Distrital de Portalegre, Provedoria da Comarca de Portalegre, Tombo de Capela e Morgados, liv. 14, cx. 22, fl. 156, cota PT/ADPTG/PCPTC/2/14/00022.

[18] AHU, Conselho Ultramarino, série 005-02, cx. 6, doc. 668.

[19] AHU, Conselho Ultramarino, série 005-02, cx. 6, doc. 673.

[20] AHU, Conselho Ultramarino, série 005-02, cx. 6, doc. 679.

[21] Rocha Martins, Historia de Portugal (Obra Patriotica), 2.ª edição, Lisboa, 1930, p. 222.

[22] João Ameal, História de Portugal das Origens Até 1940, 7.ª edição, Porto, 1974, 374.p.

[23] Manuel Artur Norton, “Para o Estudo dos Aranhas e Lunas Vianenses”, in CADERNOS VIANENSES, tomo VIII, Viana do Castelo, 1984, p. 222.

[24] Joaquim Veríssimo Serrão, História de Portugal: Governo dos Reis Espanhóis (1580-1640), volume IV, Lisboa, 1979, p. 128.

[25] Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, volume XXXIV, Lisboa, 1957, p. 304.

[26] Luis Moreri, El Gran Diccionario Historico, o Miscellanea Curiosa de la Historia Sagrada y Profana, tomo VIII, 2.ª parte, Paris, 1753, p. 438.

[27] Archivo de los Condes de Bornos, Madrid, Variarum XXX, Miguel de Vasconcelos a D. Filipe III.

[28] AHU, Conselho Ultramarino, série 005-02, cx. 6, doc. 714.

[29] Archivo General de Simancas, Marqués de La Puebla para o Conde Duque de Olivares, Estado, Legajo 4047, 7.

[30] ANTT, Armário Jesuítico, liv. 13, fl. 297, cota PT/TT/AJCJ/AJ013/00297.

[31] AHU, Conselho Ultramarino, Reino, cx. 8-A, pasta 16.

[32] AHU, Conselho Ultramarino, Reino, cx. 365, pasta 3.

[33] AHU, Conselho Ultramarino, série 005-02, cx. 6, doc. 705.

[34] José Justino Andrade e Silva, Collecção Chronologica da Legislação Portugueza (1633-1640), p. 109.

[35] AHU, Conselho Ultramarino, série 005-02, cx. 6, doc. 711.

[36] AHU, Conselho Ultramarino, série 005-02, cx. 6, doc. 712.

[37] AHU, Conselho Ultramarino, Reino, cx. 2, pasta 88.

[38] AHU, Conselho Ultramarino, série 005-02, cx. 6, doc. 721.

[39] AHU, Conselho Ultramarino, série 005-02, cx. 6, doc. 727.

[40] AHU, Conselho Ultramarino, série 005-02, cx. 6, doc. 728.

[41] AHU, Conselho Ultramarino, série 005-02, cx. 6, doc. 729-730.

[42] AHU, Conselho Ultramarino, série 005-02, cx. 6, doc. 739.

[43] AHU, Conselho Ultramarino, série 005-02, cx. 6, doc. 743.

[44] José Justino Andrade e Silva, Collecção Chronologica da Legislação Portugueza (1633-1640), p. 134.

[45] Edvino Steckel, O Brasil e a América Latina, do Padroado à Globalização, Rio de Janeiro, 2002, p. 5.

[46] António de Oliveira, “Oposição Política em Portugal nas Vésperas da Restauração”, in Cadernos de Historia Moderna, n.º 11, Universidade Complutense, Madrid, 1991, p. 86.

[47] Fernando Bouza Álvarez, Portugal no Tempo dos Filipes: Política, Cultura, Representações (1580-1668), Lisboa, 2000, p. 233.

[48] Real Academia de La Historia, Memorial Historico Español, volume XV, Madrid, p. 169.

[49] AHU, Conselho Ultramarino, Reino, cx. 10, pasta 3.

[50] AHU, Conselho Ultramarino, Reino, cx. 10, pasta 4.

[51] Biblioteca Nacional de Portugal, Fundo Geral, n.º 241, fl. 348v.

[52] ANTT, Corpo Cronológico, Parte I, maço 120, doc. n.º 32, n.º 16142.

[53] ANTT, Corpo Cronológico, Parte I, maço 120, doc. n.º 33, n.º 16143.   

[54] ANTT, Corpo Cronológico, Parte I, maço 120, doc. n.º 51, n.º 16161.

[55] ANTT, Corpo Cronológico, Parte I, maço 120, doc. n.º 25.

[56] ANTT, Corpo Cronológico, Parte I, maço 120, doc. n.º 61, n.º 16171.

[57] Ou pelo restolhar duns papéis dentro do armário, conforme outra versão.

[58] Roque Ferreira Lobo, Historia da Feliz Acclamação do Senhor Rei D. João O Quarto, Lisboa, 1803, pp. 170 e 171.

[59] Padre Nicolau da Maia de Azevedo, Relação de Tudo o que Passou na Felice Aclamação do Mui Alto e Mui Poderoso Rei Dom João O Quarto, Nosso Senhor, Lisboa, 1641.

[60] D. José Manuel de Noronha e Brito de Menezes de Alarcão, “Dom Tomás de Noronha, III Conde dos Arcos na Restauração de Portugal”, in A NOBREZA NA RESTAURAÇÃO DE PORTUGAL: Documentação Inédita de Seus Feitos, tomo I, Lisboa, 1940, p. 101.

[61] Diogo Barbosa Machado, Bibliotheca Lusitana, Historica, Critica, e Cronologica, tomo III, Lisboa, 1752, p. 487.

[62] AHU, Conselho Ultramarino, Reino, cx. 10, pasta 48.

[63] ANTT, Inventario dos Livros das Portarias do Reino, volume I, Lisboa, 1909, p. 31.

[64] Joaquim Veríssimo Serrão, História de Portugal: A Restauração e a Monarquia Absoluta (1640-1750), 2.ª edição, Lisboa, 1982, p. 128; ANTT, Inventario dos Livros das Portarias do Reino, vol. I, p. 32.

[65] ANTT, Portarias do Reino, Livro I, fl. 432.

[66] ANTT, Portarias do Reino, Livro II, fl. 511v.

[67] Bento José de Sousa Farinha, Summario da Bibliotheca Lusitana, tomo III, Lisboa, 1787, p. 227.

[68] Fernando Bouza Álvarez, Portugal no Tempo dos Filipes: Política, Cultura, Representações (1580-1668), Lisboa, 2000, pp. 246, 248 e 250.

[69] Cristóvão Alão de Moraes, Pedatura Lusitana, volume IV, tomo 1.º, Braga, 1998, p.78.

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 01:00
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Domingo, 1 de Dezembro de 2013

MIGUEL DE VASCONCELOS, “O Defenestrado”

Uma Figura do Alto Minho na História de Portugal

 

Parte I

 

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

Miguel de Vasconcelos e Brito Barbosa[1], de seu nome completo, nasceu, como «é voz corrente»[2], na vila de Viana da Foz do Lima, hoje cidade de Viana do Castelo, cerca de 1590, filho primogénito do dr. Pedro Barbosa de Luna, natural de Viana, e de D. Antónia de Melo e Vasconcelos.

 

ÁRVORE DE COSTADOS DE MIGUEL DE VASCONCELOS

Próprio

Pais

Avós

Miguel de Vasconcelos e Brito Barbosa

 

N. Viana 1590

F. Lisboa 1640

Dr. Pedro Barbosa de Luna

 

N. Viana 1560

F. Lisboa 1621

Dr. Miguel Jácome de Luna

N. Viana 1530

D. Genebra Barbosa Aranha

D. Antónia de Melo e Vasconcelos

 

N. 1570

Dr. Miguel da Franca Moniz

D. Guiomar de Vasconcelos

 

Foi «persona de notória calidad y nobleza»[3]; usou os apelidos Vasconcelos e Brito, que eram obrigatórios usarem os Senhores «do Couto de Cerzedello e Morgado de Fonte com a obrigação de seus descendentes se apelidaram Vasconcellos e Britos foi conforme»[4]; fidalgo de cota d’armas, com as armas das famílias Barbosa, Brito, Luna e Vasconcelos; 4.º Senhor da Casa do Medalhões ou Casa dos Lunas, em Viana do Castelo, por herança paterna (1621); 7.º Senhor Donatário do Couto de Serzedelo, como herdeiro de sua mãe; 7.º Senhor do Concelho de Alvarenga, como herdeiro de sua mãe; 8.º Senhor do Morgadio de Fonte Boa, por herança materna; morador numa casa situada «em o chafariz delRey em Lisboa», que herdara de seu pai (1621)[5]; proprietário em Viana do Castelo, Lisboa, Almada, Alvarenga, Barcarena, Évora, Montemor, Portalegre, Serzedelo, etc.; serviu alguns anos nas armadas e galeras do Reino de Portugal e de Espanha[6]; carta régia de Filipe III sobre o requerimento de Miguel de Vasconcelos sobre a dívida da Fazenda Real para com seu pai, Pedro Barbosa (11 de Junho de 1625)[7]; escritura do «dote de Migel de Vazcomçellos e arras e instituyção de morgado da D. Marianna daça sua Irmaã em q tamautorga Pedro Barbosa Deça filhos todos do Doutor Pedro Barbosa e de D. Antonia de Vascomçellos e D. Catarina de Macedo molher do dito Miguel de Vasconcellos para a dicta D. Marianna casar com o Dicto Diogo Soarez fidalgo e escrivão da fazenda», ficando «fiador deste dote o dito Pedro Barbosa, q̃ com procuraçam de Luis de Mello outros seu irmão ambos dão outorga a esta escrytura» (18 de Setembro de 1625)[8]; proprietário duma quinta em Lisboa; manda publicar, em Lisboa, a obra de seu pai intitulada “Memorial de la Preferencia, Qve Haze El Reyno de Portvgal, y Sv Conseio, al de Aragon, y de Las Dos Sicilias” (1627)[9]; valido do conde duque de Olivares; secretário da Junta da Fazenda para apresto das armadas e socorro do Brasil e das conquistas, por ser «persona inteligente y confidente que dará buena cuenta de los negócios que alli se tractaren»[10] (Junho de 1631 – Abril de 1633); vogal do Conselho Superior dos Apetrechos das Armadas do Reino (1631); escrivão da Fazenda do Reino de Portugal, em substituição de Diogo Soares, seu cunhado e, depois, genro (Setembro de 1631)[11]; secretário da Junta do Assentamento da Renda Fixa e Sobre o Negocio do Desempenho das Tenças[12], para dinamizar o processo de aceitação das tenças e renda fixa e arrecadar 500.000 cruzados anuais de tributação em Portugal (Junho de 1633); vítima dum atentado a tiro de arcabuz quando, em companhia de seu irmão padre Pedro Barbosa de Eça, Prior-Mor de Avis, saía duma reunião da Junta do Assentamento da Renda Fixa, tendo ambos escapado «milagrosamente» de três ou quatro balas que «passarão a liteira», no Vale de Cavalinhos de Santo António, em Lisboa (1 de Maio de 1634)[13]; o rei Filipe III decretou que, pelo «Conde Viso Rey» e pelo Governo de Lisboa, fossem feitas «extraordinarias diligencias sobre o cazo» do atentado, porquanto a «Miguel de Vasconcellos faço estimação assi pello como me serve, como por ser cunhado do secrettario Diogo Soarez», «pues no es rezon padezçam los parientes de quien me sirbe bien» (1 de Junho de 1634)[14]; o rei manda apregoar a concessão da «mercè do habito de Christo com quarenta mil reis de pensão, a quem der noticia dos delinquentes» que atentaram contra a sua vida e a promessa ao corregedor que descobrisse os autores e implicados no atentado de fazer-lhe a mercê de o «adiantar nos lugares de sua profissão» (1 de Junho de 1634)[15]; nomeado Secretário de Estado do Conselho de Portugal em Lisboa, durante o governo da princesa Margarida de Saboia, Duquesa de Mântua (Dezembro de 1634).

 

 


[1] Conheço, pelo menos cinco documentos depositados no Arquivo Nacional da Torre do Tombo e quase duas dezenas no Arquivo Histórico Ultramarino, onde surge identificado com o nome completo de Miguel de Vasconcelos e Brito Barbosa e, por vezes, Miguel de Vasconcelos de Brito e Barbosa.

[2] Maria Augusta d’Alpuim e Maria Emília de Vasconcelos, Casas de Viana Antiga, Viana do Castelo, 1983, p. 71.

[3] Diogo Ramada Curto, “A Restauração de 1640, Nomes e Pessoas”, in PENÍNSULA: Revista de Estudos Ibéricos, n.º 0, 2003, p. 327.

[4] Manuel Felgueiras Gayo, Nobiliário de Famílias de Portugal, X volume, tomo XXVIII, Braga, 1990, p. 71.

[5] Diogo Barbosa Machado, Bibliotheca Lusitana, tomo III, Lisboa, 1752, p. 563.

[6] Biblioteca da Universidade de Coimbra, ms. 1551, doc. 17.

[7] Arquivo Histórico Ultramarino (AHU), Conselho Ultramarino, Reino, cx. 5, pasta 35.

[8] Biblioteca Nacional de Lisboa, Index das Notas de Vários Tabeliães de Lisboa entre os anos de 1580 e 1747, tomo II, 1937.

[9] Alexandrina Cruz, Tipografia Portuguesa do Séc. XVII: A Colecção da Biblioteca Nacional (Letras A e B), volume I, Lisboa, 1999.

[10] Archivo General de Simancas, SP, Portugal, liv. 1477, fl. 9v.

[11] Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, volume XXIX, Lisboa, 1954, p. 314.

[12] Conde da Ericeira, História de Portugal Restaurado, volume I, Porto, 1945, p. 80; Biblioteca da Universidade de Coimbra, ms. 1551, doc. 17.

[13] António de Oliveira, “O Atentado Contra Miguel de Vasconcelos em 1634”, in O INSTITUTO: Revista Científica e Literária, volumes CXL-CXLI, Coimbra, 1980-1981, pp. 34 e 35.

[14] ANTT, Colecção de S. Vicente, vol. 17, fl. 57; Archivo General de Simancas, Guerra Antigua, leg. 1325, doc. 239.

[15] ANTT, Colecção de S. Vicente, vol. 17, fl. 57.

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Quarta-feira, 20 de Novembro de 2013

PADRE DR. JOÃO INÁCIO DE ARAÚJO LIMA:

Professor, Deputado e Gastrónomo

 

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

    João Inácio de Araújo Lima, filho de Manuel José de Araújo Lima, alfaiate e natural da freguesia de Santa Maria de Refóios do Lima, e de sua mulher Ana Maria da Conceição Monteiro, doméstica e natural da vila de Ponte de Lima, nasceu numa casa situada na Rua do Cardeal Saraiva, na freguesia e vila de Ponte de Lima, a 28 de Novembro de 1868, faz agora 145 anos.

 

ÁRVORE DE   COSTADOS DE JOÃO INÁCIO DE ARAÚJO LIMA

Próprio

Pais

Avós

João Inácio de   Araújo Lima

 

N. 1868

F. 1941

Manuel José de   Araújo Lima

 

N. Refóios do   Lima

João Manuel de   Araújo

N. Refóios do   Lima

Joana Maria de   Lima

Ana Maria da   Conceição Monteiro

 

N. Ponte de   Lima

Francisco António   Mendes Monteiro

N. São Vicente   de Fornelos

Caetana Maria

 

    Foi batizado na pia da Igreja Paroquial de Santa Maria dos Anjos de Ponte de Lima pelo reverendo coadjutor João Luís Rodrigues de Sousa, ao colo dos padrinhos João Inácio da Cunha e Sousa e D. Júlia Virgínia da Cunha Carvalhais Malheiro, solteiros e proprietários (6 de Dezembro de 1868); estudante; habilitou-se para receber ordens sacras de presbítero por processo de inquirição de genere (17 de Janeiro de 1883); aluno do Curso de Teologia do Seminário de Braga; fundador do Club Recreativo Diogo Bernardes, de Ponte de Lima (1888); presbítero do hábito de S. Pedro (1891); bacharel em Teologia pela Universidade de Coimbra; estabelece residência em Lisboa (1895 – 1935); habilitado com o Curso Superior de Letras, em Lisboa, com o grau de bacharel em Letras; professor liceal (1898 – 1935); professor do Liceu de Camões, em Lisboa; militante do Partido Progressista (1900 – 1910); colaborador do JORNAL DE VIANA; colaborador do semanário O COMÉRCIO DO LIMA (1906); deputado na Câmara dos Deputados da Nação, pelo círculo plurinominal de Viana do Castelo (2 de Outubro de 1906 – 1908); vogal da Comissão Parlamentar da Instrução Primária e Secundária (Outubro de 1906); participa no debate parlamentar acerca dos sucessivos concursos para o caminho-de-ferro do Alto Minho e sobre a linha do Vale do Lima (Novembro de 1906); capelão da Casa Real e d’El-Rei Dom Manuel II; confessor da rainha Dona Amélia; deputado da Nação (8 de Maio de 1908 – 27 de Junho de 1910); secretário da Comissão Parlamentar de Instrução Primária e Secundária (1908 – 1910); vogal da Comissão Parlamentar de Negócios Eclesiásticos (1908 – 1910); vogal da Comissão Parlamentar Especial para analisar os decretos ditatoriais do Governo João Franco (1908 – 1909); vogal da Comissão Interparlamentar de Colonização (1909); secretário da Comissão Parlamentar de Inquérito à Instrução (1909); apresenta um projecto de lei que autoriza a Câmara Municipal de Ponte de Lima aplicar à compra do prédio denominado de São João de Deus, pertencente à Misericórdia da mesma vila, a quantia de 1.444$423 réis, que tem em depósito, podendo ser aplicado às modificações e reparações a fazer no mesmo prédio o saldo que fique da compra (26 de Junho de 1909); apresenta um projecto de lei para o governo ser autorizado a construir e explorar o ramal do caminho-de-ferro da estação de Viana do Castelo, na linha do Minho, até à doca de flutuação do porto daquela cidade, nos mesmos termos e condições que legalmente vigoram para a rede dos caminhos-de-ferro do Estado (1 de Setembro de 1909); secretário da Mesa da Presidência da Câmara dos Deputados (3 de Janeiro de 1910); sócio n.º 3141 da Sociedade de Geografia de Lisboa (1910); colaborador do jornal CARDEAL SARAIVA (1910); cozinheiro e gastrónomo; o seu famoso bife à padre Araújo Lima era muito afamado em Lisboa nas décadas passadas (1910 – 1930); muito estimado em Lisboa e figura singular pela sua indumentária, sendo conhecido historicamente como o último indivíduo a usar chapéu alto de cartola e sobrecasaca na capital; colaborador e responsável pela publicação da 2.ª edição do Grande Dicionário Francês-Português e Português-Francês, de Domingos de Azevedo (1918); colaborador do ALMANAQUE DE PONTE DE LIMA (1927); desenvolve uma campanha para que o cadáver do poeta António Feijó, seu particular amigo, fosse trasladado para Ponte de Lima (1930); membro da Comissão Executiva Local Pró-Monumento ao Poeta António Feijó em Ponte de Lima (1932 – 1936); possuía uma valiosa e volumosa colecção de cartas particulares e inéditas de António Feijó, que se extraviaram; professor liceal reformado, por limite de idade (Novembro de 1935); regressa definitivamente a Ponte de Lima (1935); nunca teve paróquia, nem tão-pouco confessou ninguém, mas dizia a missa das 7 horas da manhã em Lisboa e, depois, na Igreja Matriz de Ponte de Lima; proprietário; bibliófilo, sendo os livros marcados com o seu ex-líbris ou com a rúbrica JIALima; legou a sua casa em Ponte de Lima para residência paroquial (1941); legou a sua biblioteca e estantes à Confraria do Divino Espírito Santo de Ponte de Lima (1941).

 

    Faleceu a 25 de Outubro de 1941, numa casa da Rua de Vieira Lisboa, na freguesia de Santa Maria dos Anjos, vila de Ponte de Lima, aos 73 anos de idade e foi sepultado no cemitério municipal de Ponte de Lima.

 

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Domingo, 10 de Novembro de 2013

AS VOZES DE ANIMAIS: As Aves

Parte III

 

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

BEIJA-FLOR: arrulha, rufla, trissa;

 

BEM-TE-VI: assobia, canta, estridula, pia, pio;

 

BOIEIRA ou boeirinha: cicia;

 

BUFO: corujar;

 

CATATUA: clama;

 

CAGARRA ou pardela de-bico-amarelo: berra; cá, grita, garrulhada;

 

CALAU-TROMPETEIRO: grita, pia;

 

CALHANDRA-REAL: ária, canta, cantilena, chilreia, ci-ci, trina;

 

CALHANDRO: chilra, grinfa;

 

CANÁRIO: canta, chilra, chilreia, chilrida, corruchia, dobrar, estalar, estralar, estridula, gorjeia, gralheia, grazina, modula, pia, pipia, pipila, trila, trilado, trina, trinado;

 

CAPÃO: cacareja;

 

CARDEAL: assobia;

 

CARRIÇA: canta; pipila; trila; zi-zi;

 

CARTAXO-COMUM: pia.

Calhandra-real.

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Sexta-feira, 1 de Novembro de 2013

GOVERNADORES E COMANDANTES DA PRAÇA MILITAR DE VALENÇA III

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

Governadores militares da praça de Valença do Minho na segunda metade da centúria de Setecentos:

Coronel Francisco Gomes Pereira

1761

Governador

Brigadeiro Sebastião Pinto Roby de Barros Sottomayor

1764–1768

Governador

Sargento-mor de Infantaria Manuel da Silva Pereira Bezerra

1768

Governador interino

Tenente-coronel   Jean Victoire Miron de Sabione

1768

Governador   substituto

Coronel de Infantaria Francisco da Gama Pereira

1768

Governador

Brigadeiro Diogo Ferrier

1776–1780

Governador

Coronel de Infantaria Gonçalo José Pereira de Caldas

1780

Governador

Brigadeiro João Telles de Menezes e Mello

1785–1789

Governador

Marechal-de-campo Gonçalo José Pereira Caldas

Maio de 1791–Novembro de 1796

Governador

Coronel D. Diogo Xavier de Almeida

Novembro de 1796–Novembro de 1797

Governador

Tenente-general   Jean Victoire Miron de Sabione

19 de Outubro de 1798–1801

Governador

Valença: vista parcial da vila e da fortaleza. 

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Domingo, 20 de Outubro de 2013

DR. D. LUÍS DO PILAR PEREIRA DE CASTRO:

FIGURA DO ALTO MINHO

 

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

    D. Luís do Pilar Pereira de Castro, filho de Caetano José Pereira de Castro, nasceu em Monção a 24 de Outubro de 1809, faz agora 204 anos. Foi individualidade de alto-relevo do segundo e terceiro quartel do século XIX, ocupando então por merecimento um lugar de destaque a nível local e nacional, varão de valor até cair soterrado na bruma do esquecimento presente.

 

    Entrou no mundo da religião ao receber no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra as ordens sacras e o hábito da Congregação dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. Já homem maduro, frequentou a Universidade de Coimbra entre 1838 e 1844, onde alcançou com distinção os graus de bacharel (1842), licenciado (1843) e Doutor em Direito em 25 de Julho de 1844. Nas margens do Mondego colaborou nas páginas da CRÓNICA LITERÁRIA DA NOVA ACADEMIA DRAMÁTICA, em 1841.

 

    Dedicou-se com igual devoção às questões políticas. Eleito deputado pela província do Minho para a legislatura de 1848 – 1851, toma assento nas cadeiras de S. Bento através do juramento prestado a 26 de Janeiro de 1848. Conhecido pelo jargão de Castro Pilar e apontado a dedo de ser retrógrado em certas questões, está couraçado com as razões celestes. Parlamentar activo, participa em imensas iniciativas legislativas e debates parlamentares, ocupando também o lugar de secretário da Comissão Parlamentar dos Negócios Eclesiásticos (1848-1850) e vogal da Comissão Parlamentar de Instrução Pública (1848-1849).

 

    Ainda em 1848 apresenta um projecto de lei para a reintrodução do ofício de escrivão dos órfãos e outro para reorganizar as colegiadas eclesiásticas do Reino, pronuncia-se sobre o uso e portes de armas, intervém na questão da suspensão dos professores tidos como desafectos à causa constitucional, discursa sobre a circulação da moeda no País, recomenda a restituição das «dignidades, cónegos, beneficiados das catedrais e párocos colados» aos beneficiários que estavam ainda «suspensos por motivos políticos» e sem qualquer culpa formada, solicita uma revisão geral das côngruas arbitradas aos párocos, por fim debateu a revisão da lei eleitoral, o recenseamento eleitoral e mais coisas e loisas. Fiquemos por aqui, pois seria moroso e fastidioso escrutinar, mesmo resumidamente, toda a sua carreira tribunícia na primeira linha das Cortes dos Deputados da Nação Portuguesa.

 

    Entrementes na carreira eclesiástica, depois da extinção das ordens religiosas e como padre egresso, ei-lo investido no cargo capitular de mestre-escola da Sé Catedral do Porto por carta régia de mercê de 25 de Abril de 1845. Mais tarde seria ornado com o capelo de Deão da Sé Catedral do Porto por carta de 1 de Julho de 1850 e, posteriormente, apresentado na dignidade de Deão da Sé Primacial de Braga, por força da carta régia de mercê datada de 18 de Junho de 1862, múnus que desempenhou dedicadamente e com grande distinção.

 

    Escrevinha em estilo elegante no semanário ATALAIA CATHOLICA, de Braga (1854) e no jornal O DEFENSOR DO CATOLICISMO, de Braga, em 1864. Foi, por períodos, advogado do Tribunal Metropolitano Bracarense e mais coisas inventadas pelo Senhor para recompensar a êxtase dos justos.

 

    Orador sagrado de reconhecidos méritos vocais, vastas tiradas e puxavante à lágrima, pronunciou os elogios fúnebres de três monarcas cujos reinados atravessou e serviu com zelo apreciável, Dom Pedro I do Brasil (1834), Dona Maria II (1853) e Dom Pedro V, este último recitado na Igreja Catedral do Porto a 19 de Dezembro de 1861, para além doutras peças de brilhante oratória e notáveis pela elevação.

 

    Escreveu e publicou as seguintes obras em forma de letra:

Elogio Funebre de Sua Magestade Imperial e Real O Senhor D. Pedro, Lisboa, 1850.

Sermão da Immaculada Conceição de Nossa Senhora, Prégado na Sua Festividade na Capella da Veneravel Ordem Terceira de São Francisco, Porto, 1851.

Elogio Funebre de Sua Magestade Fidelissima A Muito Alta e Poderosa Rainha de Portugal, Senhora Dona Maria Segunda, Porto, 1855.

Elogio Funebre de Sua Magestade Fidelissima, O Rei Muito Amado, Senhor Dom Pedro Quinto, Porto, 1862.

Discurso que na Ceremonia da Collocação da Primeira Pedra Fundamental para o Monumento da Immaculada Conceição de Maria Santissima, no Monte Sameiro, Junto a Braga, Pronunciou Luiz do Pilar Pereira de Castro, Braga, 1863.

 

    No peito garboso exibia os fulgurantes galardões de cavaleiro da Real Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e oficial cavaleiro da Ordine dei Santi Maurizio e Lazzaro da Sardenha (Itália). Entregou a alma ao criador, falecendo inesperadamente em Braga a 30 de Setembro de 1864, aos 55 anos de idade. Cumpriu com aprumo e perfeito espírito de dedicação os seus deveres temporais e divinos com o Rei, a Nação e a sua Igreja. Atravessou a vida corcovado em admirável aliança de infatigável eclesiástico, advogado, jornalista, político, deputado, orador e publicista.

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Quinta-feira, 10 de Outubro de 2013

JORNALEIRO MINHOTO

Jornaleiro minhoto a trabalhar num alambique de destilação de bagaço na década de 1920.

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Terça-feira, 1 de Outubro de 2013

GENERAL NORTON DE MATOS XVII

    Proclamação  do “MOMENTO POLÍTICO: A ELEIÇÃO DE PRESIDENTE DA REPÚBLICA”, de apoio à Candidatura do Senhor General Norton de Matos, de 15 de Janeiro de 1949.

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Domingo, 15 de Setembro de 2013

GENERAL NORTON DE MATOS XVI

    Capa da VIDA MUNDIAL ILUSTRADA: Semanário Gráfico de Actualidades, de 15 de Novembro de 1945, com «UMA SENSACIONAL ENTREVISTA COM O GENERAL NORTON DE MATOS».

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Domingo, 1 de Setembro de 2013

PAUSA


Uma pausa nos trabalhos agrícolas para comer o caldo, no Minho, durante a década de 1920.
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Terça-feira, 20 de Agosto de 2013

PADRE BARTOLOMEU PEREIRA: Uma Figura Ilustre do Alto Minho

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

    Padre Bartolomeu Pereira, filho de João Pereira de Mesquita e de D. Helena Gomes Soares de Castro, nasceu em Monção e foi baptizado na Igreja Matriz de Santa Maria dos Anjos a 29 de Agosto de 1597[1], faz agora 416 anos.

 

    Foi noviço da Companhia de Jesus, em Coimbra (20 de Março de 1603)[2]; padre jesuíta; mestre de Retórica no Colégio das Artes, em Coimbra; mestre leitor de Sagrada Escritura durante oito anos; insigne latinista; orador sagrado de estilo brilhante[3]; escreveu a oração de sapiência dedicada à canonização da Rainha Santa Isabel (1626); poeta; compôs e escreveu a vida do padre Francisco Pacheco em verso latino (1640); compôs e escreveu um tomo de COMENTÁRIOS AO LIVRO DE TOBIAS, o qual sendo enviado para França a fim de ser impresso «por descuido do mercador se perderão»[4].

 

    Escreveu e publicou:

IN APOTHEOSI SANCTISSIMAE ELISABETHAE REGINAE, ORATIO ENCOMIASTICA (Coimbra, 1626)[5];

PACIECIDOS LIBRI DOUDECIM: DECANTATUR CLARISSIMUS P. FRANCISCUS PACIECUS, LUSITANUS (Coimbra, 1640)[6];

COMENTÁRIOS AO LIVRO DE TOBIAS.

 

    Faleceu em Coimbra a 18 de Novembro 1650.

 

Árvore de Costados do Padre Bartolomeu   Pereira

Próprio

Pais

Avós

Bisavós

Padre Bartolomeu Pereira

 

* Monção, 1597

 

+ Coimbra, 1650

João Pereira de Mesquita

 

* Correlhã, Ponte de Lima, 1545

Damião Pereira do Lago

 

* Ponte de Lima

Padre Lopo Felgueiras

D. Isabel Pereira do Lago

D. Leonor de Alvarenga de Mesquita

 

* Mesão Frio

Pedro Borges Pinto

 

D. Helena de Alvarenga Monteiro

D. Helena Gomes Soares de Castro

 

* Monção, 1560

Nuno Vasques Lasso e Aldão

 

* Galiza

D. Nuno Vázquez   Lasso de La Veja

D. Constança Vázquez de Aldão

D. Constança Soares de Castro

 

* Monção

Lopo Gomes de Lira, “o Moço”

D. Guiomar Soares do Lago

 


[1] ADVC, Registos Paroquiais de Monção, Livro Misto n.º 2, 1585–1607, fl. 25v.

[2] Amadeu Torres, A «PACIECIDOS LIBRI XII» E A SUA VERSÃO FRANCESA DE 1887, revista HUMANITAS, volume XLVII, 1995, p. 862.

[3] João Francisco Marques, A Perenética Portuguesa e a Restauração (1640–1668), 2 volumes, Porto, 1989.

[4] Padre António Franco, Imagens da Virtude em o Noviciado da Companhia de Jesus no Real Collegio de Jesus de Coimbra, tomo II, Coimbra, 1719, p. 614.

[5] Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, tomo XXI, Lisboa, 1950, p. 124.

[6] Carlota Miranda Urbano, A MITIFICAÇÃO DA HISTÓRIA E O PACIECIDOS DE BARTOLOMEU PEREIRA SJ, revista HUMANITAS, n.º 61, 2009, p. 213.

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Sábado, 10 de Agosto de 2013

Lengalenga Tradicional do Minho: OS DEZ MANDAMENTOS DOS PADRES

    Antiga versão minhota e satírica dos Dez Mandamentos dos Padres, documentada no século XIX e de uso corrente até aos meados do século passado:

 

Primeiro, amar a Deus por dinheiro;

Segundo, a melhor igreja de todo o mundo;

Terceiro, guardar a vaca e não guardar o carneiro;

Quarto, jejuar quando se está farto;

Quinto, beber o vinho branco e não deixar o tinto;

Sexto, guardar o preceito enquanto se está satisfeito;

Sétimo, não furtar, mas sim arrebanhar quanto se puder apanhar;

Oitavo, não levantar cedo, antes gozar a cama e a sesta devagar;

Nono, não cobiçar somente uma mulher, pois o lagarto de uma só toca não entra quando quer;

Décimo, não cobiçar as coisas alheias, mas sim usar delas como nada tendo e de tudo comendo.

 

Na Beira Alta havia no princípio do século XX esta versão acerca do vinho, a qual era atribuída à sabedoria báquica de um abade de Travanca:

 

O primeiro bebe-se inteiro;

O segundo, até ao fundo;

O terceiro, como o primeiro;

O quarto como o segundo;

O quinto, se está cheio não fica em meio;

O sexto, para provar;

O sétimo, para começar;

O oitavo, para ultimar;

O nono, para tombar.

E o décimo para acabar.

 

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Quinta-feira, 1 de Agosto de 2013

JOÃO PEREIRA DE CALDAS: Um Minhoto na Construção do Brasil

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

    João Pereira de Caldas, nono filho do brigadeiro Gonçalo Pereira Lobato e Sousa, natural da freguesia de Cambeses, concelho de Monção, e de D. Joana Maria Pereira de Castro, natural de Viana do Minho nasceu em Sende, lugar da freguesia de Cambeses, concelho de Monção, faz agora 277 (4 de Agosto de 1736).

 

    Foi baptizado na Igreja Matriz de São Salvador de Cambeses pelo vigário José Machado, servindo de padrinhos o marechal-de-campo Bento Pereira de Castro e Azevedo, governador militar da Praça de Valença, e D. Filipa Maria Pereira de Castro e Azevedo, moradora na vila de Ponte de Lima (13 de Agosto de 1736)[1]; proprietário; militar; governador colonial; alvará do foro de fidalgo-cavaleiro da Casa Real (25 de Fevereiro de 1744)[2]; tenente com exercício de ajudante na Praça de Valença do Minho (1749); cavaleiro professo do hábito da Ordem de Cristo, com «dispensa das provanças e da menoridade» (1753)[3]; decreto pelo qual foi nomeado capitão do Regimento de Infantaria do Pará, no Brasil (4 de Maio de 1753); embarcou para o Brasil em companhia de seu pai (Agosto de 1753); ajudante-de-ordens do capitão-general Francisco Xavier de Mendonça Furtado, governador do Estado do Grão-Pará e Maranhão, pela «qualidade se sua pessoa como por ser filho do brigadeiro Gonçalo Pereira Lobato e Sousa»[4] (1753–1758); carta de mercê de alcaide da alcaidaria-mor de Montalegre, a qual não surtiu efeito (2 de Outubro de 1753)[5]; carta de comendador da Comenda de São Mamede de Troviscoso, na Ordem de Cristo (26 de Junho de 1754)[6]; embarca na expedição ao Rio Negro, no Brasil, para a demarcação do Tratado de Madrid (2 de Outubro de 1754); carta patente de sargento-mor de Infantaria do Piauí (11 de Junho de 1757)[7]; o capitão-general Francisco Xavier de Mendonça Furtado, em carta dirigida a seu pai, diz a seu respeito que «lhe rendi justiça e o seu procedimento é tão notório que não há uma única pessoa a quem deixe de edificar, e V.S.ª tem que dar infinitas graças a Deus, de lhe dar semelhante filho» (13 de Outubro de 1757)[8]; adquire duas cotas na Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão (1757); nomeado governador da Capitania do Piauí, no Brasil, com a «patente de coronel» e «soldo de dois contos de reis em cada ano» (decreto de 31 de Julho de 1759 e carta patente de 21 de Agosto de 1758)[9]; oficio de capitão-general Francisco Xavier de Mendonça Furtado a informar que «tenho dele [João Pereira de Caldas] todo o bom conceito que pode ser, porque servindo de ajudante de sala deste governo há perto de seis anos, ainda não vi neste oficial ação que não fosse de quem não tem imaginação alguma que não seja de honra, e de cristandade; Deus Nosso Senhor queira conservá-lo no mesmo estado, para que sirva à Sua Majestade como deve, e como eu me persuado a que ele o há de fazer» (12 de Fevereiro de 1759)[10]; 1.º governador-geral da Capitania do Piauí, no Brasil (20 de Setembro de 1759–3 de Agosto de 1769); coronel comandante do Regimento de Cavalaria Auxiliar da Vila da Mocha, no Piauí (1761); eleva a vila da Mocha à cidade com o nome de Oeiras (13 de Novembro de 1761); fundou seis novas vilas no Piauí: São João da Parnaíba, Jerumenha, Nossa Senhora do Livramento de Parnaguá, Marvão, Valença e Campo Maior[11]; 8.º Senhor da Casa de Sende, em Cambeses, Monção (1761); 5.º administrador da Capela de Nossa Senhora da Misericórdia de Cambeses, anexa à Casa de Sende (1761); Senhor da Quinta de Cerdeira, em Cambeses (1761); Morgado de São Martinho de Alvaredo, na comarca de Valença do Minho[12] (1761); ajustado o seu casamento com D. Maria Engrácia de Almada e Mendonça[13], filha natural de Francisco de Almada e Mendonça, 1.º Visconde de Vila Nova de Souto de El-Rei, casamento que nunca se realizou (1766); autorizado a ter confessionário particular na Capela de Nossa Senhora da Misericórdia, anexa à Casa de Sende, como «os pais delle, suplicante, tinham licensa para sua família se podesse confessar na Capella de sua Quinta» (provisão de 2 de Março de 1769); regressa a Portugal (1769); carta de padrão da mercê de 50$000 réis de tença efectiva cada ano, tal como tiveram seu avô e pai (7 de Abril de 1770)[14]; coronel do Regimento de Cavalaria de Bragança (decreto de 18 de Maio de 1770); governador e capitão-general do Estado do Grão-Pará e Rio Negro, no Brasil (21 de Novembro de 1772–4 de Março de 1780); governador do Maranhão, Brasil (21 de Novembro de 1772–29 de Julho de 1775); autorização régia para vender nove prazos na vila de Monção, dos quais sete eram aforados ao Mosteiro de São João de Longos Vales, um ao Mosteiro de Sanfins e outro ao Colégio de São Paulo, tendo em atenção que «há mais de 20 anos ausente da dita sua casa e ocupado no Real Serviço» (11 de Julho de 1774); agraciado com o título de conselheiro do Conselho de Sua Majestade (11 de Julho de 1774)[15]; carta patente pela qual foi nomeado governador e capitão-general da Capitania de Mato Grosso e Cuyabá, no Brasil, que não surtiu efeito (16 de Dezembro de 1779)[16]; decreto pelo qual foi nomeado coronel de Cavalaria da Primeira Plana da Corte, com antiguidade da sua patente (30 de Dezembro de 1779)[17]; primeiro comissário da 4.ª divisão para a demarcação do Rio Negro e encarregado da execução do Tratado Preliminar de Limites e Demarcação dos Reais Domínios do Brasil (Janeiro de 1780–Novembro de 1788); carta de padrão da mercê de 12$000 réis de tença a título de hábito da Ordem de Cristo (20 de Dezembro de 1784)[18]; dirige a campanha de conversão «autopacificação» dos índios Mura (1784–1786)[19]; cessa funções de primeiro comissário para a demarcação do Rio Negro e limites das fronteiras do Brasil (25 de Novembro de 1788); embarca para Lisboa (Agosto de 1789); brigadeiro dos Reais Exércitos (decreto de 10 de Outubro de 1789)[20]; conselheiro de capa e espada do Conselho Ultramarino (decreto de 25 de Abril de 1790 e carta de 31 de Maio de 1790)[21]; marechal-de-campo dos Exércitos de Sua Majestade (1791); concedida licença de dois meses do serviço de conselheiro do Conselho Ultramarino (27 de Março de 1794)[22]; fez testamento pelo qual deixou como «universal herdeiro» seu irmão, o tenente-general Gonçalo José Pereira Caldas, registado no Juízo da Provedoria dos Resíduos e Cativos e aberto depois da sua morte (7 de Outubro de 1794)[23].

 

    Faleceu em Lisboa, aos 58 anos de idade (7 de Outubro de 1794)[24].

 

Árvore   de Costados do Marechal João Pereira de Caldas

Próprio  

Pais

Avós

João   Pereira de Caldas

 

* Cambeses,   Monção1736

+   Lisboa 1794

Brigadeiro   Gonçalo Pereira Lobato e Sousa

 

* Cambeses,   Monção 1688

+   Brasil 1761

Tenente-general   João Pereira de Caldas

 

* Monção   1632

+   Cambeses 1702

D.   Mariana Catarina de Castro Pereira de Lanções e Azevedo

 

* Monção   1663

+   Cambeses 1751

D.   Joana Maria Pereira de Castro

 

* Viana   do Castelo 1707

+ Cambeses   1768

Mestre-de-campo   de Infantaria João Gomes Pereira de Castro

 

*   Monção

D.   Antónia Teresa de Vilas Boas Rego Quezado

 

* Viana   do Castelo

 


[1] ADVC, Registos Paroquiais de Cambeses, Livro de Nascimentos n.º 1, 1731-1751, fl. 21, cota 3.7.4.27.

[2] ANTT, Registo Geral de Mercês, Dom João V, livro 34, fl. 470v.

[3] ANTT, Habilitações da Ordem de Cristo, letra J, maço 4, doc. n.º 2.

[4] Fabiano Vilaça dos Santos, Uma Vida Dedicada ao Real Serviço – João Pereira Caldas, dos Sertões do Rio Negro à Nomeação para o Conselho Ultramarino (1753 – 1790), in VÁRIA HISTÓRIA, vol. 26, n.º 44, Belo Horizonte, 2010, p. 502.

[5] ANTT, Registo Geral de Mercês, Dom José, livro 6, fl. 378.

[6] ANTT, Registo Geral de Mercês, Dom José, livro 6, fl. 377v.

[7] ANTT, Registo Geral de Mercês, Dom José, livro 6, fl. 377v; Chancelaria da Ordem de Cristo, livro 264, fl. 431v; Ministério do Reino, Decretos (1750–1800), pasta 4, n.º 107.

[8] Marcos Carneiro de Mendonça, A Amazônia na Era Pombalina: Correspondência Inédita do Governador e Capitão-General do Estado do Grão-Pará e Maranhão Francisco Xavier de Menonça e Furtado (1751–1759), tomo 3, São Paulo, 1963, p. 1153.

[9] ANTT, Registo Geral de Mercês, Dom José, livro 6, fl. 378v.

[10] Arquivo Histórico Ultramarino, Manuscritos Avulsos do Pará, caixa 44, doc. 4013.

[11] Renata Araújo, O Piauí e Sua Cartografia, Porto, 2011, p. 9.

[12] Fabiano Vilaça dos Santos, Os Governadores do Estado do Grão-Pará e Maranhão: Perfis Sociais e Trajetórias Administrativas (1751–1780), p. 155.

[13] D. Maria Engrácia de Almada de Almada e Mendonça casaria no Porto a 7 de Maio de 1769 com Gonçalo da Silva Alcoforado Rebelo e Lencastre, filho de Francisco de Sousa da Silva Alcoforado Rebelo e de D. Margarida Isabel de Lencastre Moscoso Portugal de Almeida e Sousa.

[14] ANTT, Registo Geral de Mercês, Dom José, livro 23, fl. 270; Ministério do Reino, Decretos (1745–1800), pasta 22, n.º 54.

[15] ANTT, Registo Geral de Mercês, Dom José I, livro 23, fl. 336.

[16] ANTT, Registo Geral de Mercês, Dona Maria I, livro 8, fl. 30; Chancelaria de Dona Maria I, livro 15, fl. 191v.

[17] Universidade de Coimbra, Notícias Históricas de Portugal e Brasil (1751–1800), Coimbra,1964,  p. 113.

[18] ANTT, Registo Geral de Mercês, Dona Maria I, livro 5, fl. 301.

[19] Francisco Jorge dos Santos, Dois Governadores, Duas Políticas Indigenistas Diferenciadas Sob o Mesmo Diploma Legal na Segunda Metade do Século XVIII, na Amazônia Portuguesa, 2009, p. 5.

[20] Coronel Alberto Ribeiro Soares, Os Generais do Exército Português: Da Restauração às Invasões Francesas, volume I, Lisboa, 2003, p. 375.

[21] Notícias Históricas de Portugal e Brasil (1751–1800), p. 204; ANTT, Registo Geral de Mercês, Dona Maria I, livro 25, fl. 205v; Chancelaria de Dona Maria I, livro 32, fl. 358v.

[22] Arquivo Histórico Ultramarino, Avulsos, caixa 10, doc. 919.

[23] ANTT, Feitos Findos, Registo Geral de Testamentos, livro 336, fl. 215.

[24] A 7 de Outubro conforme as Notícias Históricas de Portugal e Brasil (1751–1800), p. 285; ou «faleceu na cidade de Lisboa no dia 1 ou 2 de Outubro de 1794 por constar», conforme escreve o vigário José António de Carvalho e Castro. Cf. ADVC, Registos Paroquiais de Cambeses, Livro de Óbitos de 1751-1859, fl. 62, cota 3.7.4.33.

Prospecto do novo Lugar das Caldas, estabelecido na margem oriental e no princípio da primeira Cachoeira do Rio Cauabury, pelo tenente Marcelino José Cordeiro, comandante da Fortaleza de São Gabriel, por ordem imediata do Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor João Pereira de Caldas, em carta de 27 de Julho de 1781, não tendo o governador defunto executado até então a primeira ordem de 17 de Dezembro de 1773, ao mesmo respeito. Em ofício de 21 de Julho de 1781, ordenou ao governo interino desta Capitania o Ilmo. e Exmo. Sr. José de Nápoles Telo de Menezes, Governador e Capitão-General do Estado, que em obséquio ao Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor João Pereira de Caldas, desse ao novo lugar a denominação de Caldas.

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Sábado, 20 de Julho de 2013

DOIS SÉCULOS DA ILUSTRE FAMÍLIA SOARES, DE MONÇÃO

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

I – PAIO RODRIGUES DE ARAÚJO, o Grande, filho de Rodrigo Eanes de Araújo e de D. Inês Rodrigues Pereira, nasceu em 1460.

Foi «hum dos principais fidalgos do seu tempo»[1]; senhor de dois morgados na vila de Monção; foi mandado pelo Rei Dom Manuel I em socorro da Praça de Arzila; enviado extraordinário do Rei Dom Manuel às ilhas de Maiorca e Minorca, «para cuja expedição mandou fazer hũa embarcação a sua custa, e a guarneceu de todo»; fidalgo da Casa Real; provisão para se lhe pagar 10$000 réis de graça separada da sua tença (24 de Julho de 1509)[2].

Casou com D. Isabel Alves Bacelar, filha de Álvaro Vaz Bacelar e de D. Maria Soares Pereira. Filhos:

II.1 – ÁLVARO RODRIGUES DE ARAÚJO, nasceu em Monção em 1489.

Foi copeiro-mor da Infanta Dona Beatriz, Duquesa de Saboia[3].

Casou com D. Guiomar Correia, filha de João Martins Ferreira; com geração.

II.2 – PEDRO VAZ DE ARAÚJO, nasceu em Monção em 1491.

Foi pagem da Casa do Condes de Vila Real.

III.3 – JOÃO RODRIGUES DE ARAÚJO, nasceu em Monção em 1493.

Foi funcionário da Casa do Condes de Vila Real; funcionário da Casa do Infante Dom Luís.

Casou com D. Grimanesa Pereira de Castro, filha de Gomes Correia e de D. Inês Vaz de Castro; com geração.

III.4 – D. GUIOMAR SOARES DO LAGO, que segue.

III.5 – D. CONSTANÇA SOARES DE CASTRO, nasceu em Monção em 1497.

Casou pela primeira vez com Álvaro Rodrigues de Azeredo; com geração.

Casou em segundas núpcias com Pedro da Cunha; com geração.

III.6 – D. MARIA SOARES DO LAGO, nasceu em Monção.

Casou com João Sanches de Moscoso, filho de Álvaro Sanches de Moscoso e de D. Mécia Anes de Sotomayor; com geração.

 

II – D. GUIOMAR SOARES DO LAGO, filha de Paio Rodrigues de Araújo, nasceu em Monção em 1495.

Casou em 1515 em Monção com Lopo Gomes de Lira, o Moço, filho de Lopo de Lira Bermudes e de D. Grimanesa Pereira de Castro. Filhos:

III.1 – PEDRO VAZ PEREIRA, nasceu em Monção em 1516.

Casou com D. Catarina de Barros.

III.2 – CRISTÓVÃO SOARES PEREIRA, nasceu em Monção em 1517.

Casou com D. Lucrécia Lobo.

III.3 – D. ANA GOMES DE LIRA, nasceu em Monção em 1519.

Casou com Francisco Sanches.

III.4 – D. CONSTANÇA SOARES DE CASTRO, que segue.

III.5 – LOPO SOARES DE LIRA, nasceu em Monção em 1522.

Foi fundador do Mosteiro das Freiras de São Francisco de Monção.

III.6 – D. ISABEL ALVES SOARES, nasceu em Monção em 1524.

Casou com Simão Ribeiro de Macedo, filho de Rui Palhares de Avale e de D. Senhorinha de Macedo Ribeiro; com geração.

 

III – D. CONSTANÇA SOARES DE CASTRO, filha de D. Guiomar Soares do Lago, nasceu em Monção em 1520.

Casou em 4 de Abril de 1543[4] na Igreja Matriz de Santa Maria dos Anjos, vila de Monção, com Nuno Vasques Lasso e Aldão, filho de D. Nuno Vázquez Lasso de La Veja e de D. Constança Vázquez de Aldão.

Nuno Vasques Lasso foi Juiz Perpétuo de Vigo[5]; veio para o Reino de Portugal «fugido de D. Pedro Sotomayor contra quem veio com hum exercito por se ter levantado» por ter «prezo o Bispo de Tuy»[6]; Senhor da Quinta da Boavista, em Monção, por compra. Filhos:

IV.1 – LOPO SOARES LASSO, nasceu em Monção em 1545.

Foi Secretário de Estado do Conselho de Portugal no tempo de Felipe II; alcaide-mor de Ervededo, com a renda de 700$000 réis e «que lhe foi dado em dote pelo Santo Arcebispo» D. Frei Bartolomeu dos Mártires[7]; fidalgo da Casa Real; comendador de Santa Maria da Vila de Monção; comendador de São Cosme de Azere; reedificou o Convento de Santa Clara de Monção.

Casou com D. Joana Correia, filha de Francisco Vaz Telo e de D. Catarina Correia; sem geração.

IV.2 – GARCIA SOARES LASSO, nasceu em Monção em 1547.

VI.3 – ÁLVARO SOARES LASSO, nasceu em Monção em 1549.

IV.4 – CRISTÓVÃO SOARES LASSO, nasceu em Monção em 1552.

Foi capitão em África; Secretário de Estado do Conselho de Portugal; membro do Conselho de Estado dos reis Filipe I e Filipe II[8]; comendador de São Cosme de Azere; comendador de São Pedro de Merelim, na Ordem de Cristo[9].

Casou em Lisboa com D. Catarina de Noronha Pereira, filha de D. Francisco Pereira e de D. Mécia de Noronha; com geração.

IV.5 – D. Frei MANUEL BAPTISTA SOARES BACELAR, nasceu em Monção em 1555.

Foi frade de São Francisco[10]; Bispo do Congo e de Angola (25 de Maio de 1609 – Abril de 1620)[11].

Faleceu em Abril de 1620.

IV.6 – D. HELENA GOMES SOARES DE CASTRO, que segue.

 

IV – D. HELENA GOMES SOARES DE CASTRO, filha de D. Constança Soares de Castro, nasceu em Monção em 1560.

Senhora do Morgado da Barca da Boavista, em Monção[12]; Senhora da Quinta da Boavista, em Monção.

Casou em 1584 com João Pereira de Mesquita, natural da freguesia da Correlhã, concelho de Ponte de Lima, filho de Damião Pereira do Lago e de D. Leonor de Alvarenga de Mesquita.

João Pereira de Mesquita foi cavaleiro da Ordem de Cristo; capitão da Armada Real no tempo do Rei Dom Sebastião; participou nas armadas de Diogo Lopes e Jorge de Lima (1568 – 1569)[13]. Filhos:

V.1 – LOPO SOARES LASSO, nasceu em Monção em 1585.

Foi capitão-mor do Presídio de São Filipe de Benguela, em Angola; capitão-mor e Governador da Conquista das Terras de Benguela (24 de Abril de 1627 – 1639)[14]; realiza a primeira expedição ao planalto do Lubango (1627); fundador da vila de Caconda-a-Velha; foi o primeiro europeu a chegar ao Rio Cunene, no Sul de Angola[15].

Faleceu vítima duma emboscada perto de Caconda (1639).

V.2 – D. LEONOR BAPTISTA DE ALVARENGA MESQUITA, nasceu em Monção em 1587.

Freira no convento de São Francisco de Monção.

V.3 – D. MARIA DA MADRE DE DEUS DE MESQUITA, nasceu em Monção em 1588.

Freira no convento de São Francisco de Monção.

V.4 – D. CONSTANÇA DOS SERAFINS SOARES DE CASTRO, nasceu em Monção em 1590.

Freira no convento de São Francisco de Monção. Teve um filho bastardo, gerado pelo padre Matias da Silva Meneses, arcediago de Braga:

VI – MANUEL DE MAGALHÃES DE MENESES, filho do padre Matias da Silva e da madre Constança dos Serafins.

Foi arcediago de Braga; desembargador do Paço[16]; Inquiridor da Mesa Grande do Santo Ofício.

V.4 – Frei PAULO DE MONÇÃO, nasceu em Monção e foi baptizado na Igreja Matriz de Santa Maria dos Anjos a 20 de Janeiro de 1591.

Frade capucho e visitador geral da Província da Piedade.

V.5 – FELIPE DE MESQUITA PEREIRA, nasceu em Monção e foi baptizado na Igreja Matriz de Santa Maria dos Anjos a 7 de Maio de 1592.

Foi deputado do Santo Ofício da Inquisição da Cidade de Lisboa; Secretário de Estado do Conselho de Portugal em Madrid (1630).

Faleceu em Madrid.

V.6 – Frei MANUEL PEREIRA, o Galego, nasceu em Monção e foi baptizado na Igreja Matriz de Santa Maria dos Anjos a 18 de Junho de 1593.

Frade de São Francisco; guardião do convento do Porto.

Faleceu na cidade do Porto em 1658.

V.7 – D. JOANA BAPTISTA SOARES PEREIRA, nasceu em Monção e foi baptizada na Igreja Matriz de Santa Maria dos Anjos a 30 de Junho de 1596.

Freira no convento de São Francisco de Monção.

V.8 – Padre BARTOLOMEU PEREIRA, nasceu em Monção e foi baptizado na Igreja Matriz de Santa Maria dos Anjos a 29 de Agosto de 1597[17].

Padre da Companhia de Jesus, em Coimbra (20 de Março de 1603)[18]; mestre de Retórica no Colégio das Artes; mestre leitor de Sagrada Escritura durante oito anos, em Coimbra; insigne latinista; orador sagrado de estilo brilhante[19]; escreveu a oração de sapiência dedicada à canonização da Rainha Santa Isabel, intitulada IN APOTHEOSI SANCTISSIMAE ELISABETHAE REGINAE, ORATIO ENCOMIASTICA (Coimbra, 1626)[20]; poeta; compôs e escreveu a vida do padre Francisco Pacheco em verso latino, com o título PACIECIDOS LIBRI DOUDECIM: DECANTATUR CLARISSIMUS P. FRANCISCUS PACIECUS, LUSITANUS (Coimbra, 1640)[21]; compôs e escreveu um tomo de COMENTÁRIOS AO LIVRO DE TOBIAS, o qual sendo enviado para França a fim de ser impresso «por descuido do mercador se perderão»[22].

Faleceu em Coimbra a 18 de Novembro 1650.

V.9 – CRISTÓVÃO SOARES DE MESQUITA, nasceu em Monção e foi baptizado na Igreja Matriz de Santa Maria dos Anjos a 8 de Dezembro de 1599.

Foi Morgado da Barca da Boavista, em Monção; Senhor da Quinta da Boavista, em Monção; cavaleiro da Ordem de Cristo; teve alvará de queixa contra Nicolau de Lemos, Governador da Conquista de Benguela, que se apossou de uma fazenda que lhe pertencia por testamento de seu tio Lopo Soares Lasso (13 de Julho de 1641)[23].

Casou em 1642 com D. Ana de Noronha e Lima, filha de D. Manuel de Lima e de D. Isabel da Costa; sem geração.

V.10 – D. HELENA SOARES PEREIRA DE MESQUITA, nasceu em Monção em 1601.

Casou na Galiza com D. Rodrigo Trancoso de Lira, filho de D. Rodrigo Trancoso de Lira e de D. Ana Borges Zuniga. Filhos:

VI.1 – D. JOÃO TRANCOSO DE LIRA

Casou com D. Teresa Salgado e Alvace, filha de D. João salgado e de D. Inês de Alvace e Acuña; sem geração.

VI.2 – D. BARTOLOMEU TRANCOSO DE LIRA

Senhor do Solar de Lira.

Casou D. Maria Jacinta Pereira de Castro, filha de Luís Pereira e de D. Jacinta de Castro; com geração.

VI.3 – D. HELENA TERESA PEREIRA DE SOTOMAIOR

Casou com João de Seabra e Sousa, filho de Bento de Aguiar Caldeira e de D. Antónia de Seabra e Sousa; com geração.

VI.4 – D. ANA DO NASCIMENTO

Freira no Mosteiro de São Francisco de Monção.

VI.5 – D. ANTÓNIA TRANCOSO DE LIRA

Casou com D. Carlos Osório Mendes de Soto-Mayor, filho de D. Afonso Ozores Mendes de Soto-Mayor e de D. Inês de Guissade e Lasso; com geração.

V.11 – PEDRO GOMES DE MESQUITA, em Monção e foi baptizado na Igreja Matriz de Santa Maria dos Anjos a 25 de Janeiro de 1603.

Participou na Jornada dos Vassalos, integrando a armada enviada para a Restauração da Bahia (1625).

Faleceu em alto mar quando regressava da Bahia ao Reino (1626).

 


[1] Manuel Felgueiras Gayo, Nobiliário de Famílias de Portugal, II volume, tomo IV, Braga, 1989, p. 76.

[2] ANTT, Corpo Cronológico, parte II, maço 18, n.º 51.

[3] Cristóvão Alão de Moraes, Pedatura Lusitana, volume I, tomo 1.º, Braga, 1997, p. 147.

[4] ADVC, Registos Paroquiais de Monção, Livro Misto n.º 1, 1537–1563, fl. 57.

[5] Manuel Felgueiras Gayo, Nobiliário de Famílias de Portugal, VI volume, tomo XVII, Braga, 1989, p. 379.

[6] Manuel Felgueiras Gayo, Nobiliário de Famílias de Portugal, II volume, tomo V, Braga, 1989, p. 137.

[7] D. António Caetano de Sousa, Agiologio Lusitano dos Santos e Varões Ilustres em Virtude do Reino de Portugal, tomo IV, Lisboa, 1744, p. 202.

[8] Cristóvão Alão de Moraes, Pedatura Lusitana, volume V, tomo 2.º, Braga, 1998, p. 337.

[9] Padre António Carvalho da Costa, Corografia Portugueza e Descripçam Topografica do Famoso Reyno de Portugal, tomo III, Lisboa, 1712, p. 273.

[10] Ilídio do Amaral, Relações Externas Congolesas na Primeira Década do Século XVII, em Tempo de D. Álvaro II: A Embaixada de D. Garcia Baptista e D. António Manuel, in Revista Finisterra, tomo XXXII, 1997, pp. 115-131; Felgueiras Gayo, op. cit., vol. II, p. 361.

[11] The Hierarchy of the Catholic Church: Bishop Manuel Baptista; página visitada em 12 de Abril de 2013: http://www.catholic-hierarchy.org/bishop/bbaptis.html

[12] Manuel Felgueiras Gayo, Nobiliário de Famílias de Portugal, II volume, tomo V. Braga, 1989, p. 361.

[13] Cristóvão Alão de Moraes, Pedatura Lusitana, volume IV, Braga, 1998, p. 70.

[14] Damião Peres, Novas Conquistas em Benguela, 1967, p. 4; visita em 12 de Abril de 2013: http://museu.rtp.pt/app/uploads/dbEmissoraNacional/Lote%2056/00020704.pdf

[15] Júlio Alves Victor, As Colónias do Namibe: Anuário da Origem Abolicionista da Colonização do Sul de Angola, 2004, p. 3.

[16] Manuel Felgueiras Gayo, Nobiliário de Famílias de Portugal, VI volume, tomo XVII, Braga, 1989, p. 137.

[17] ADVC, Registos Paroquiais de Monção, Livro Misto n.º 2, 1585–1607, fl. 25v.

[18] Amadeu Torres, A «PACIECIDOS LIBRI XII» E A SUA VERSÃO FRANCESA DE 1887, revista HUMANITAS, volume XLVII, 1995, p. 862.

[19] João Francisco Marques, A Perenética Portuguesa e a Restauração (1640–1668), 2 volumes, Porto, 1989.

[20] Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, tomo XXI, Lisboa, 1950, p. 124.

[21] Carlota Miranda Urbano, A MITIFICAÇÃO DA HISTÓRIA E O PACIECIDOS DE BARTOLOMEU PEREIRA SJ, revista HUMANITAS, n.º 61, 2009, p. 213.

[22] Padre António Franco, Imagens da Virtude em o Noviciado da Companhia de Jesus no Real Collegio de Jesus de Coimbra, tomo II, Coimbra, 1719, p. 614.

[23] ANTT, Registo Geral de Mercês, Mercês da Torre do Tombo, livro 3, fl. 353-354.

 

Igreja Matriz de Santa Maria dos Anjos, na vila de Monção.

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Quarta-feira, 10 de Julho de 2013

AS VOZES DE ANIMAIS: As Aves

Parte II

 

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

AVES (em geral): aflauta, agloterar, amiudar, apita, arensa, árias, arremedar, arrolar, arrulha, assobia, atita, bufa, cacareja, caquerejar, carcarejar, chalra, chalrei, chia, chiado, chilida, chilrada, chilra, chilreada, chilreia, chilrido, chilro, chirear, chirrear, chirria, chora, clarina, cocoriar, cocoricar, cocoricó, cocorocó, corruchia, corujar, corvejar, crocita, crujar, cuarlar, cucar, cucula, cucurica, cucurita, dobrar, engabricha, esgalricha, estalar, estralhar, estribilha, farfalha, fraquejar, gaguear, galheiar, galra, galrear, galreja, ganizar, gargalhada, gargalhar, gargantear, garganteio, garre, garrir, garrula, gazea, gazeia, gazilar, gazinar, gazular, geme, gloterar, glotorar, gorgoleja, gorjeia, gracita, gralha, gralheada, gralhear, grasnada, grasna, grasnido, grassita, grazina, gri-gri, grinfa, grita, grugruja, grugruleja, grugrulha, grugrureja, gruguleja, grugulha, grugureja, gruir, grulhada, grulha, guincha, modilha, modula, murmurinha, palra, papear, pia, pio, pipiar, pipila, pissita, pistar, pupila, ralha, redobra, redobre, regorjeia, remedar, restridular, retinir, risada, rouxinoleia, serrar, sibila, silva, soa, suspira, sussurra, taralha, taramelar, taramelear, tartarear, tentenar, tinir, trilado, trila, trinado, trina, trinfa, trissa, trucila, turtureja, turturinar, turturinhar, ulula, ululação, ululo, vozeia, zinzilular.

 

AVES NOCTURNAS: corujar, grita, guincha, pia, chia, estridula, flauteia, garrita, trila, zenir, zoa, zuir, zunga, zunita.

 

AVESTRUZ: grasna, grasnado, grasnido, ronca, ruge, rugido.

 

AZULÃO-BICUDO: canta; gorjeia, trina.

 Castelo do Lindoso, no concelho de Ponte da Barca, em 2009.

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 01:01
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Segunda-feira, 1 de Julho de 2013

TOMAZ DE FIGUEIREDO: Um Grande Escritor Minhoto

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

    Tomaz Xavier de Azevedo Cardoso de Figueiredo nasceu «acidentalmente» em São Vítor, freguesia da cidade de Braga, filho de Gustavo de Araújo e Silva Figueiredo, natural de Braga, e de D. Maria da Soledade de Azevedo Araújo Costa Lobo e Mendonça de Figueiredo, natural de Arcos de Valdevez, faz agora 111 anos (6 de Julho de 1902).

 

    Estabelece residência com sua família na Casa de Casares, em Arcos de Valdevez, que sempre considerou a sua terra, pois «considero-me e quero-me de Arcos de Valdevez, para onde fui de poucos meses, terra minha pela memória e pelo amor» (1903); inicia os estudos primários em Arcos de Valdevez (1908); aluno do Externato de Arcos de Valdevez (1912 – 1914); aluno do Curso Preparatório do Colégio Jesuíta de Los Placeres e de A Guarda, ambos na Galiza (1914 – 1917); poeta (1917), aluno do Curso de Ciências Jurídicas da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (1920 – 1925); colaborador do jornal O REALISTA, de Arcos de Valdevez (1925); aluno da Faculdade de Direito de Lisboa (Outubro de 1925); formado em Direito pela Universidade de Lisboa (Outubro de 1928); casa em Lisboa com D. Maria Antónia Teixeira de Queiroz de Castro Caldas, filha do dr. Eugénio Pereira de Castro Caldas e de D. Laura Teixeira de Queiroz Castro Caldas (23 de Janeiro de 1930); nasce, em Lisboa, seu filho Tomaz Xavier Pereira de Castro de Azevedo Cardoso de Figueiredo (15 de Novembro de 1930); oficial notário do Cartório Notarial de Tarouca (Novembro de 1931 – 1934); nasce, em Lisboa, sua filha Maria Antónia de Figueiredo de Santos Loureiro (12 de Novembro de 1932); colaborador da revista FRADIQUE (Abril de 1934); escritor; contista; novelista; oficial notário do Cartório Notarial da Nazaré (Dezembro de 1934 – Março de 1935); notário do Cartório Notarial de Ponte da Barca (Março de 1935 – Abril de 1941); proprietário da Quinta da Cheira, em Bravães, Ponte da Barca (1935); morre seu pai Gustavo de Araújo e Silva Figueiredo (1935); colaborador do semanário ACÇÃO (1936); começa a escrever em Arcos de Valdevez o seu romance Nó Cego (1936); presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Ponte da Barca (Maio de 1937 – 1940); começa a escrever em Ponte da Barca o romance Fim (1940); proprietário da Casa de Casares, em Arcos de Valdevez; começa a escrever em Arcos de Valdevez a novela Procissão dos Defuntos (1941); estabelece residência em Lisboa (1941); vice-presidente da Junta Nacional dos Resinosos, em Lisboa, em comissão de serviço requisitado pelo Ministério da Economia (Maio de 1941 – Setembro de 1947); António Dacosta pinta o seu retrato a óleo (1941); colaborador regular da revista ALÉO: Boletim das Edições Gama (1942); colaborador do jornal DIÁRIO POPULAR (1943); crítico literário (1943); nasce, em Lisboa, sua filha Maria Rosa (2 de Março de 1945); começa a escrever em Lisboa o seu romance A Toca do Lobo (Março de 1945); colaborador da revista RUMO (1946); romancista (1947); notário do Cartório Notarial de Estarreja (Outubro de 1947 – Outubro de 1960); vencedor do Prémio Eça de Queiroz com o romance A Toca do Lobo (Janeiro de 1948); começa a escrever em Estarreja a sua obra Uma Noite na Toca do Lobo – Fuga Romântica (Fevereiro de 1950); começa a escrever em Lisboa o romance A Gata Borralheira (1952); tradutor (1953); membro do júri do Prémio Delfim de Guimarães, constituído por Vitorino Nemésio, Branquinho da Fonseca, Álvaro Lins e Tomaz de Figueiredo (1953); adoece gravemente, vítima duma doença do foro psicológico (1957 – 1959); começa a escrever a sua obra A Má Estrela, que termina onze anos depois (1958); colaborador da revista TEMPO PRESENTE (1959); dramaturgo (1959); começa a escrever o romance Noite das Oliveiras (1959); reformado a seu pedido (Novembro de 1960); restabelece residência em Lisboa (1960 – 1970); começa a escrever a sua obra Dom Tanas de Barbatanas – O Doutor Geral (Abril de 1960); colaborador do BOLETIM DA ACADEMIA PORTUGUESA DE EX-LÍBRIS (1961); vencedor do Prémio Diário de Notícias com o romance A gata Borralheira (1963); vencedor do Prémio Nacional de Novelística com a obra Tiros de Espingarda, atribuído pelo Secretariado Nacional de Informação (1966); membro do júri do Prémio Revelação, do Secretariado Nacional de Informação (1968).

 

Faleceu em Lisboa, vítima de ataque cardíaco (29 de Abril de 1970); foi sepultado no cemitério de São Bento, em Arcos de Valdevez (30 de Abril de 1970); inauguração oficiosa da Casa de Casares – Casa-Memória de Tomaz de Figueiredo; inauguração da Casa das Artes/Biblioteca Municipal Tomaz de Figueiredo, em Arcos de Valdevez (11 de Julho de 2001); o estabelecimento de ensino secundário com 3.º ciclo ensino básico de Arcos de Valdevez passou a designar-se Escola Secundária Tomaz de Figueiredo; o seu nome consta da toponímia das ruas de Benfica (Lisboa), Braga e Estarreja.

 

Publicou:

A Toca do Lobo, Lisboa, 1947;

Carta ao Júri do Prémio Eça de Queiroz, Estarreja, 1950;

Nó Cego: Romance, Lisboa, 1950;

Uma Noite na Toca do Lobo – Fuga Romântica, Lisboa, 1952;

Procissão dos Defuntos – Novela Bastante Moral e Também Policial, Lisboa, 1954;

Guitarra – Treze Romances: Poesia, Lisboa, 1956;

Os Lírios Brancos ou a Salvação Universal – Teatro (Tragédia em 3 Actos), 1959;

O Visitador Extraordinário – Teatro (Fábula em Dois Actos), 1960;

Conversa com o Silêncio, Coimbra, 1960;

A Gata Borralheira – Romance, Lisboa, 1961;

Dom Tanas de Barbatanas: O Doutor Geral – Crónica Heróica, Lisboa, 1962;

Dom Tanas de Barbatanas: O Magnífico e Sem Par – Crónica Heróica, Lisboa 1964;

Vida de Cão: Novelas, Lisboa, 1963;

O Gavião – Conto Infantil, Lisboa, 1964;

Teatro I: A Rapariga da Lorena, O Visitador Extraordinário, a Barba do Menino Jesus, Lisboa, 1965;

Monólogo em Elsenor I: Noite das Oliveiras, Lisboa, 1965;

Tiros de Espingarda – Novelas, Lisboa, 1966;

Monólogo em Elsenor II: A Má Estrela, 1969;

Viagens do Meu Reino – Poesia, Lisboa, 1968;

A Outra Cidade – Contos, Lisboa, 1970;

Dicionário Falado: Variações Linguísticas, Lisboa, 1970;

Monólogo em Elsenor III: Túnica de Nesso, seguido de Conversa com o Silêncio, Lisboa, 1989;

Dez Quilos de Trutas – Contos, Lisboa, 1998;

O Homem do Quiosque – Teatro, Lisboa, 2003;

Poesia I, Lisboa, 2003;

Poesia II, Lisboa, 2003;

Fim, Lisboa, 2005;

Memorial de Ariel, Lisboa, 2007.

Tomaz Xavier de Azevedo Cardoso de Figueiredo

 

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