A Sabedoria Popular Sobre as Mulheres
Segunda Parte
Namorados do Minhos, em traje tradicional.
Por: Jofre de Lima Monteiro Alves
A 14 de Dezembro de 1918 o major dr. Sidónio Bernardino Cardoso da Silva Pais, Presidente da República Portuguesa, foi assassinado a tiro, ao badalar da meia-noite. A partir daqui tudo se complicou e precipitou, quase às claras. A 13 de Janeiro de 1919 estoura em Santarém uma rebelião militar republicana, prontamente esmagada pelo general Fernando Tamagnini de Abreu e Silva e pelo Ministro da Guerra, tenente-coronel José Alberto da Silva Basto. O poviléu, atrito e gemebundo, assistia a tudo de olho esbugalhado fora da órbita.
Logo de seguida, num domingo radioso de sol, eclodiu a revolta monárquica na cidade do Porto, «agora ou nunca». Durante a parada militar do Monte Pedral, com contingentes de Infantaria, Cavalaria, Artilharia, Metralhadoras e da Guarda Nacional Republicana, às 13 horas do dia 19 de Janeiro de 1919, foi desfraldada a bandeira azul e branca, por entre vivas a Portugal, à Monarquia, ao Exército e a El-Rei Dom Manuel II, tudo sem disparar um único tiro.
Secundada por outros movimentos sediciosos, rapidamente levaram à proclamação da Restauração da Monarquia e a instauração da Junta Governativa do Reino de Portugal sob a presidência de Henrique de Paiva Couceiro, que exerceu, na realidade, o poder nas províncias do Minho, Douro, Trás-os-Montes, parte da Beira Alta e da Beira Litoral até à linha do Vouga.
Formou-se um ministério, o Governo Nacional, com figuras gradas e espírito couraçado com as razões celestes:
Coronel Henrique Mitchell de Paiva Cabral Couceiro como Ministro da Presidência, Negócios da Fazenda e Subsistências;
Capitão de Cavalaria António Adalberto Sollari Allegro, Ministro dos Negócios do Reino;
Dr. Júlio Girão Faria de Morais Sarmento (Visconde do Banho), Ministro dos Negócios Eclesiásticos, Justiça e Instrução;
Coronel João de Almeida, Ministro da Guerra, Marinha e Comunicações;
Conselheiro dr. Luís Cipriano Coelho de Magalhães, Ministro dos Negócios Estrangeiros;
Coronel eng.º Artur da Silva Ramos, Ministro das Obras Públicas, Correios e Telégrafos;
Dr. Pedro de Barbosa Falcão de Azevedo e Bourbon (Conde de Azevedo), Ministro da Agricultura, Comércio, Indústria e Trabalho.
O coronel João de Almeida, comandante militar de Aveiro, nunca chegou a tomar posse e não tardou a desmarcar-se da «restauração monárquica na presente conjuntura». Tal motivo originou a redistribuição das pastas ministeriais.
A Junta Governativa do Reino de Portugal tentou reorganizar a administração do território nomeando governadores civis para diversos distritos, cujas posse decorreram, na maioria dos casos, a 20 de Janeiro:
Tenente-coronel Fernando de Almeida Cardoso de Albuquerque (Conde de Mangualde) para o distrito do Porto;
Major Martinho José Cerqueira para Viana do Castelo;
Major Egas Ferreira Pinto Basto para Aveiro;
Capitão Arnaldo Ribeiro de Andrade Piçarra para Braga;
Tenente-coronel Carlos Leitão Bandeira para Bragança;
Capitão Victor Alberto Ribeiro de Menezes para Coimbra;
António de Sampaio da Cunha Pimentel para Vila Real;
Tenente-coronel Patrício Xavier de Almeida e Brito para Viseu;
Dr. António Maria de Sousa Sardinha para o distrito de Portalegre;
Coronel Firmino Teixeira da Mota Guedes como governador militar de Braga.
Ao mesmo tempo revogou inúmera legislação aprovada pelo fervor republicano desde Outubro de 1910, criou um órgão oficial, restabeleceu os símbolos da Monarquia Constitucional, a bandeira, o hino, a moeda, os selos, os feriados, a Carta Constitucional da Monarquia Portuguesa de 1826 e reintroduziu o Código Administrativo de 1896.
O Diário da Junta Governativa do Reino de Portugal, logo no seu primeiro número publicado a 19 de Janeiro, despachou os decretos que restabeleceram a bandeira com as cores reais, o Hino da Carta e revogou «toda a legislação promulgada desde 5 de Outubro de 1910». Entrementes, prosseguiu o afã legislativo da Junta Governativa do Reino de Portugal, com o estabelecimento do livre-trânsito dos géneros alimentícios e a regulação de preços.
Os oficiais, militares e funcionários que tinham sido saneados após o 5 de Outubro foram readmitidos, promulgou uma amnistia para os exilados políticos. À frente da Divisão Militar do Porto foram mantidos o coronel João Gomes Espírito Santo e o capitão António Maria Homem de Sampaio e Mello. A maioria esmagadora das autarquias do Entre-Douro-e-Minho aceitou o facto consumando sem perturbação da ordem e proclamou a Monarquia, sem haver necessidade de nomear novas vereações. Ainda a 19 de Janeiro a restauração da Monarquia foi solenemente proclamada em Viseu, São Pedro do Sul, Lamego e em Braga.
A 20 de Janeiro de 1919 o dr. José Maria Nogueira, que já era presidente da Câmara Municipal de Paredes de Coura, aclamou a mudança do regime em sessão solene realizada nos Paços do Concelho. Com mais ou menos entusiasmo, e por entre vivas ao Rei e estralejar de fogo-de-artifício, a bandeira azul e branca foi içada em Ponte da Barca, Ponte de Lima, Arcos de Valdevez, Melgaço, Vila Nova de Cerveira, Caminha, Guimarães, Barcelos, Vieira do Minho, Fafe, Póvoa de Lanhoso, Cabeceiras de Basto, Esposende e demais localidades minhotas, reconhecendo ipso facto a mudança de regime.
As únicas excepções registaram-se em Viana do Castelo e Valença do Minho, devido à forte presença de guarnições infectadas pelo credo republicano. Formou-se em Braga uma intrépida coluna militar comandada pelo capitão António de Sá Guimarães Júnior, acompanhado do major Martinho José Cerqueira, governador civil indigitado, e pelo coronel Alfredo Ernesto Dias Branco, comandante militar da cidade do Lima, marchou para o Alto Minho e impôs a instauração da Monarquia em Viana do Castelo, ainda a 20 de Janeiro, e em Valença no dia imediato, sem encontrar, afinal, qualquer resistência ou disparar um cartucho. Contudo, a 22 de Janeiro, as canhoneiras da Marinha republicana bombardearam a cidade de Viana do Castelo e Vila Praia de Âncora, acto intimidatório, para inglês ver.
De seguida a «coluna relâmpago» do capitão Sá Guimarães marchou para o Nordeste e proclamou a restauração da realeza em Vila Real (24 de Janeiro) e em Vidago (30 de Janeiro) e, quando planeava atacar Chaves, retrocedeu primeiro para Mirandela, onde já fora antes restaurada a República, e ali sofreu o primeiro revés, sendo gravemente ferido.
A Coluna Militar Mista do Sul, comandada pelo tenente-coronel de Artilharia João Carlos da Cunha Corte-Real Machado partiu do Porto a 22 de Janeiro e proclamou a Monarquia em Ovar (23 de Janeiro), Estarreja e Albergaria-a-Velha (24 de Janeiro), sendo travada às portas de Águeda, exaurida de reforços, munições, calçado e pitança.
Por isto ou por aquilo, a Monarquia nunca foi instaurada na região Centro do País, o que tornou muito difícil a sua sobrevivência. Somente a 22 de Janeiro de 1919 a rebelião alastrou a Lisboa, com as tropas monárquicas e civis comandados pelo conselheiro Aires de Ornelas e Vasconcelos a acantonarem-se no reduto da serra de Monsanto, donde foram desalojados após violentíssimos combates e gritaria da turba espavorida, que ditaram a derrota monárquica na capital, a 24 de Janeiro. A rebelião no Sul fracassara perante a Escalada de Monsanto, sem rei nem roque.
Para operar na Régua e Lamego foi enviada a coluna monárquica capitaneada pelo major Joaquim César de Araújo Rangel, depois transferido para Trás-os-Montes e ali substituído pelo tenente-coronel Augusto de Sousa Dias, porém, já não era possível sustar o açoite das forças republicanas por muito tempo, a mata-cavalo por trancos e barrancos. A 10 de Fevereiro, apesar do denodo praticado, os republicanos conquistaram Lamego.
A Coluna Mista do Norte, agora liderada pelo major Joaquim Rangel, marchou em direcção a Mirandela, trupe que trupe, depois de receber informações que reforços republicanos iam de rota batida a caminho de Vila Flor, por meio de montes fragosíssimos. A 9 de Fevereiro de 1919 iniciou-se o feroz combate pela travessia do rio Tua e tomada de Mirandela, nove horas a ferro e fogo e terminou num feroz assalto corpo a corpo nas vielas da localidade, ao cair da noitinha. Com pesadas baixas de ambos os lados, a bandeira real foi ali novamente hasteada. No dia seguinte a Monarquia foi proclamada em Vila Flor.
Vitoriosos em Lisboa, os republicanos e o Governo da República apertaram o cerco, mobilizando voluntários civis e colunas militares comandadas pelos generais Abel Hipólito e Alberto Mimoso da Costa Ilharco em marcha forçada com destino ao Norte do País. Depois de fugazes escaramuças e recontros, em especial em Águeda e em Angeja, a breve Guerra Civil iria terminar com a derrota da hoste monárquica, com numerosos actos de valentia de parte a parte.
Os republicanos reocuparam Estarreja (11 de Fevereiro) e Oliveira de Azeméis e Ovar (12 de Fevereiro), e os combates prosseguiam ainda na Ponte de Entre-os-Rios e Paços de Ferreira. Apesar dos últimos esforços na frente de batalha em Lamego e no Vouga de Paiva Couceiro, esforçado paladino dos seus ideais, com tão parcos meios e sem bocado de pão para trincar pela soldadesca, a defesa da Monarquia e do Porto era caso de extrema complexidade, percebeu de salto que a causa estava perdida. A manta era curta, destapava os pés quando cobria a cabeça.
Porém, a Monarquia do Norte ainda persistiu até 13 de Fevereiro, altura em que o capitão de Cavalaria João Maria Ferreira Sarmento Pimentel e o capitão de Infantaria Jaime Rodolfo Novais e Silva, com razões astutas, restauraram a República na cidade do Porto, aproveitando a ausência de Paiva Couceiro e de Sollari Allegro, o que precipitou a marcha dos acontecimentos, ainda com alguns focos esporádicos de resistência monárquica aqui e ali. Aos poucos e pouco, fruto da enorme diferença de recursos, o sonho desmoronou-se e a bandeira rubra e verde foi alçada nas demais localidades.
Ainda a 13 de Fevereiro as forças realistas abandonam Vila Flor, a 14 deixaram Mirandela, retirando em direitura a Bragança. A 17 de Fevereiro foi arvorada o pendão republicano em Vila Real e no dia seguinte terminou a resistência monárquica em Macedo de Cavaleiros. A 19 de Fevereiro de 1919, o conselho de oficiais decidiu abandonar Bragança, o ultimo bastião da Monarquia, e o major Joaquim Rangel, na companha de dez oficiais, cinquenta civis e alguns labregos, atravessou a fronteira e no meio das maiores dificuldades entrou em Espanha a 20 de Fevereiro, depois de andanças por franças e araganças, a descrer da graça divina da Restauração.
Curiosamente, somente a 23 de Fevereiro de 1919 a República foi reimplantada nos Paços do Concelho de Paredes de Coura graças ao major Inácio Soares Severino de Melo Bandeira, comandante do 3.º Batalhão do Regimento de Infantaria de Valença, e ao capitão Antero Moreira da Rosa Alpedrinha, administrador do concelho de Paredes de Coura.
Consumada a derrota azul e branca, eis a leva de presos, represálias de monta, alguns assassinatos esporádicos a enviar monárquicos de presente ao Diabo, saneamento de oficiais, expulsão de funcionários, toda a série de «morras» e «mata» da folia rude da populaça urbana de Lisboa e Porto e mais partes-gagas. As enxovias dos cárceres de Lisboa (Penitenciária, Trafaria, Limoeiro, Lazareto e Forte de S. Julião da Barra), Porto (Aljube e Casa da Reclusão), Funchal, Coimbra, Braga, Ponte de Lima, abarrotaram até ao tecto.
Foram criados o Tribunal Militar Especial de Santa Clara (Lisboa) e o Tribunal Militar Especial de S. Bento (Porto) que julgaram dois mil arguidos civis e militares, em julgamentos que se prolongarem até 1921, com muitas sentenças cochichadas ao ouvido e sobrolho carregado, o látego a fustigar a canalha talassa. Ao mesmo tempo procedeu-se a um vasto saneamento da corporação militar com a expulsão de quinhentos oficiais das Forças Armadas. A República topava inimigos a cada passo, até num sorriso alarve.
O major Martinho Cerqueira, governador civil do distrito de Viana do Castelo na Monarquia do Norte, o capitão Benjamim Gomes de Amorim, natural de Arcos de Valdevez, e o sargento de Artilharia Manuel da Mota, de Viana do Castelo, foram condenados a seis anos de prisão maior celular, seguidos de dez anos de degredo ou à pena única de vinte anos de degredo. O padre Domingos Pereira, cabecilha que em Cabeceiras de Basto desfiava padres-nossos enquanto sustinha o arcabuz da guerrilha, foi condenado a tanta soma de anos, quatro em prisão maior celular, seguidos de oito em degredo, ou a quinze anos de degredo opcional.
O alferes Gualdino Ribeiro Guimarães de Passos, natural de Padornelo (Paredes de Coura), foi punido com quatro meses de prisão por despacho de 15 de Agosto de 1919, decisão que contudo foi anulada por despacho de 4 de Janeiro de 1920, «por não provada por unanimidade» as acusações de «tentar restabelecer a forma de Governo Monárquico em Portugal». Revogada em termos administrativos, depois de ter cumprido a punição.
O dr. António Antas de Barros, de Paredes de Coura, detido no Porto a 14 de Fevereiro de 1919 pelo seu envolvimento na Restauração Monárquica, foi pendurado de cabeça para baixo na Ponte Dom Luís e intimado com risco de vida a gritar “Viva a República”. Não se mostrou manso nem cordato e respondia sempre, com brios de bizarria e durante horas, com um heróico e contumaz “Viva o Rei!”. Moídos de tanta berraria, o homúnculo não cedia pela alma do Demo, foi atirado dois anos agrilhoado para o fundo do calabouço em Ponte de Lima.
António Domingos Teixeira Pinto e António de Oliveira Lima, ambos do concelho de Coura, alistaram-se igualmente sob o estandarte real, a satisfizer o dever sagrado dos seus ideais, com louváveis assomos de coragem. Obviamente, estes casos são tão-só evocativos e não esgotam a questão.
Do Alto Minho, entre outros, participaram na Monarquia do Norte o Manuel dos Passos Couta Viana, de Viana do Castelo, comandante duma bateria de artilharia em Monsanto, preso que foi no Forte de Monsanto e sucessivamente transferido para o Lazareto de Lisboa e depois para o Lazareto do Funchal, sendo de seguida demitido do Exército. João Espregueira da Rocha Páris, de Viana do Castelo, foi obrigado a exilar-se pelo seu papel na restauração monárquica. No rescaldo da mesma foram enclausurados, condenados ou saneados o poeta António de Cardielos e o eng.º José Alves Bonifácio, de Castelo de Neiva. O dr. Francisco de Abreu Pereira Maia, de Ponte de Lima, teve homiziado na Galiza durante anos.
Em Abril de 1920 o Tribunal Militar Especial, por entre alarido das trombetas, condenou os réus da Junta Governativa do Reino que estavam detidos, o conselheiro Luís de Magalhães, Visconde do Banho, Conde de Azevedo e coronel Silva Ramos, a quatro anos de ferros em penitenciária e a oitos anos de degredo, ou, em alternativa, a quinze anos de degredo para as possessões ultramarinas.
Outrossim, em Dezembro de 1920, os réus julgados à revelia e que haviam integrado a mesma Junta Governativa do Reino, no caso de Paiva Couceiro e Sollari Allegro, foram sentenciados a oito anos de prisão maior, seguidos de doze anos de degredo, ou, em alternativa a 25 anos de deportação nas colónias.
A lei de 9 de Abril de 1921 aprova uma amnistia para crimes políticos. Contudo, por decreto 29 de Abril de 1921, tais e tais, ficam proibidos de residir em território nacional pelo prazo de oitos anos, acusados de conspiração monárquica, que se viram excluídos do indulto:
Comandante Henrique Mitchell de Paiva Couceiro;
Capitão António Adalberto Sollari Allegro;
Padre Domingos Pereira;
Capitão António de Sá Guimarães Júnior;
Capitão Arnaldo Ribeiro de Andrade Piçarra;
Inspector José Baldaque Guimarães;
Aspirante Rogério Pais da Cunha Prelada;
Coronel António Teixeira da Rocha Pinto;
António Rodrigues.
Assim terminou um dos episódios mais marcantes da história política e militar do século XX português, a consumar o fado vesgo do destino, enquanto os passarinhos chilreavam recados na natureza, a dar ouvidos ao canto da sereia.
Sessão solene da proclamação da Restauração da Monarquia na varanda dos Paços do Concelho de Viana do Castelo, a 20 de Janeiro de 1919, faz agora 93 anos.
A aldeia do Divino Salvador de Bertiandos, na Ribeira Lima, foi elevada a concelho por mercê régia de 1795, ocasião em que foi levantado o seu pelourinho municipal, utilizando para tal um marco miliário romano do século III, do antigo itinerário que ligava Braga a Lugo e que atravessava as terras de Ponte de Lima e Paredes de Coura.
O referido marco miliário fora encontrada soterrado na freguesia do Divino Salvador de Feitosa e levado para o Solar de Bertiandos em 1641 pelo empenho do fidalgo Francisco Pereira da Silva.
O pelourinho é composto por uma coluna monolítica larga no topo, com inscrição latina, ao qual foi acrescido dum chapéu de quatro cones sobrepostos, rematado em coruchéu por uma pinha cónica embolada, tudo erigido sobre uma base rectangular.
Com a extinção do efémero concelho de Bertiandos o pelourinho voltou ao terreiro do solar depois de 1835, como a imagem documenta.
Fotografia dos náufragos do vapor francês Magellan afundado por um torpedo dum submarino alemão nas costas do Minho e que, depois de vários dias à deriva no mar, dentro dum pequeno bote, foram socorridos na praia de Âncora em Janeiro 1918, faz agora 94 anos.
BEIJAI O MENINO
Beijai o Menino
Beijai-o agora;
Beijai o Menino
De Nossa Senhora.
Ó binde pastores
Binde a Belém;
A ber o Menino
Qu’a Senhora tem.
Mas ai, que portento,
Mas ai, que alegria;
Nasceu o menino
Da Birge Maria.
Ó binde pastores
Binde a Belém;
A ber o Menino
Qu’a Senhora tem.
Filhos de homens ricos
Em berço doirado,
Só bós, meu Menino
Em palhinhas deitado.
Ó binde pastores
Binde a Belém;
A ber o Menino
Qu’a Senhora tem.
Em palhinhas deitado,
Em palhas aquecido;
Filho duma rosa
Dum crabo nascido.
Ó binde pastores
Binde a Belém;
A ber o Menino
Qu’a Senhora tem.
Estaba Maria
À beira do rio,
Labando os paninhos
Do seu bento filhinho.
Ó binde pastores
Binde a Belém;
A ber o Menino
Qu’a Senhora tem.
Maria lababa,
José estendia;
Chorava o menino
Cum frio que tinha.
Ó binde pastores
Binde a Belém;
A ber o Menino
Qu’a Senhora tem.
Calai, meu menino,
Calai, meu amor!
As bossas berdades
Me matam com dor!
Ó binde pastores
Binde a Belém;
A ber o Menino
Qu’a Senhora tem.
Beijai-o o Menino,
Beijai-o no pé;
Beijai o Menino
Qu’é de S. José.
Ó binde pastores
Binde a Belém;
A ber o Menino
Qu’a Senhora tem.
Esta antiga cantiga tradicional era cantada em Padornelo na Missa do Galo, nos idos anos da década de 1940, conforme informação prestada pela minha saudosa Mãe, Silvina de Jesus Barbosa Lima. Recolha de Jofre de Lima Monteiro Alves.
Presépio mecânico de Paredes de Coura, em Dezembro de 2006. Fotografia de Eduardo Daniel Cerqueira.
Por: Jofre de Lima Monteiro Alves
Ao longo dos anos fui coligindo alguns apontamentos sobre diversos usos e costumes minhotos, entre os quais avultam umas notas sobre a quadra natalícia, colhidas de levante a poente a ouvir as gentes idosas das nossas aldeias, mas também com recurso a consulta bibliográfica, hoje passadas a pena.
Em Paredes de Coura, mal entrava a aragem do Natal, os lavradores usavam os doze dias antecedentes para fazerem conjunturas sobre o estado do tempo no ano seguinte. Assim, o dia 13 de Dezembro representaria a meteorologia do mês de Janeiro, o dia 14 afigura Fevereiro, sendo o mês de Dezembro vindouro representado pelo próprio dia 24, o da consoada.
Na madrugada do dia 16 de Dezembro começava a Novena de Natal, como processo de purificação e preparação, com missas, ladainhas e cantos litúrgicos, rezando-se nove padre-nossos, nove ave-marias e nove glórias. Esta antiga prática religiosa originou a enfática expressão «semana dos nove dias».
Por sua vez, José Leite de Vasconcelos (Etnografia Portuguesa, vol. VIII, 1982, p. 508) faz referência à “Rezada do Alho”, antiquíssimo costume da freguesia minhota de S. João de Rei, Póvoa de Lanhoso, rezada no adro da igreja, onde se distribuía uma malga de vinho, uma fatia de broa e alhos pelos presentes, por entre padres-nossos e ave-marias.
O presépio era, então, um costume muito radicado, ocupando lugar cimeiro no imaginário popular, no entusiasmo da criançada e na casa do lavrador, com montanhas verdejantes, plantas vicejantes, casinhas maviosas, cascatas cristalinas, esplêndidas fontes, gentis mulheres, laboriosos camponeses, diligentes trabalhadores, pastores, grutas acolhedoras, o cândido menino nas palhinhas bafejado pelo burro e a vaca, a Virgem Maria e o venerável S. José, por entre vultos bíblicos e antigos romanos, tais e tais. Tudo num ambiente bucólico e pueril, mistura tanto do divino como do profano, espectáculo de tamanha excelsitude.
Na antevéspera, a 23 de Dezembro, a tradição alto-minhota exigia de lei a visita ao cemitério, romagem de saudade aos entes queridos falecidos, na crença que os nossos maiores, os antepassados, iriam estar em espírito na Consoada.
Para aquecer a noite gélida, um madeiro de carvalho era colocado na lareira. Diziam as santas avós, em sabedoria milenária, que o fumo e as cinzas do “Canhoto de Natal” tinham a miraculosa função de repelir as faíscas e trovoadas, uma espécie de pára-raios campestre, além de eficazes propriedades medicinais em certas doenças, devendo para tal arder da Consoada ao Dia do Ano Novo.
Noutras terras, como Padornelo (Paredes de Coura), guardava-se religiosamente uma acha do cepo queimado para ser lançado à lareira e queimado de novo em dia de grande trovoada ou temporal medonho, dadas as suas sobrenaturais virtudes contra as tempestades. Até onde chegar o fumo do “Canhoto de Natal” não tombaria raio nenhum no ano seguinte (Famalicão, Paredes de Coura).
Em Vila Nova de Famalicão também a borralha da lareira da Consoada era usada para fins curativos na medicina popular. Os cascos das pinhas queimados na noite de Natal para extracção dos pinhões tinham, igualmente, propriedades de protecção contra os trovões, sendo guardados e novamente colocados ao lume em dias de borrasca (Famalicão, Barcelos)
Nalgumas localidades do Baixo Minho mais raiano com Trás-os-Montes (Terra de Bouro, Vieira do Minho, Cabeceiras de Basto e Celorico de Basto), a rapaziada surripiava um cepo de carvalho ou azinheira para ser queimado no adro da igreja durante a noite de 24 para 25 de Dezembro, sem reprovação pública do proprietário a quem retiravam o tronco, que assim “fornecia” o madeiro para a fogueira. O “Canhoto de Natal” era transportado inteiro num carro de bois, em ambiente festivo e de grande algazarra, folia rude dos povos.
Em Padornelo, freguesia do concelho de Paredes de Coura, ainda na década de 1960 fazia-se um delicioso arroz de polvo seco para a Ceia da Consoada, que sei ter sido usual e tradicional em Pias, a compor escolta ao obrigatório bacalhau. Aqui, nesta localidade de Monção, a parte da doçaria era composta por bolos de chila e tostas, designação que davam às rabanadas.
Em Viana do Castelo, para fazer companha ao bacalhau e ao polvo estufado com torradas finas, guarnecia a mesa um terceiro prato de bolinhos de bacalhau com esparregado de nabiças, resguardado por arroz-doce, rabanadas antigas, bolinhos de jerimu ou abóbora-menina, mexidos de mel, terminando ao ceiote – ceia depois da meia-noite – com a “sopa dourada de Natal”. Tudo um manjar dos deuses.
Embora o arroz-doce fosse elemento essencial da doçaria da Páscoa em muitas casas era, ainda, vulgar formar a modesta bateria de doces que vinha adoçar a mesa de Natal, iguaria de fazer rir os olhos, no resto do ano só havia cibo de broa.
Os formigos são, por excelência, o doce natalício da região de Ribeira Lima, feitos com pão de trigo duro, que se esfarela para dentro dum pote ao lume, com água e mel, mexendo-se sempre. Quando a massa borbulhar, mostrar boa catadura e ficar mais consistente, juntava-se-lhe uvas passas, nozes e figos aos pedacinhos, fervendo depois mais uns minutos. Deve servir-se frio, sendo feito dois ou três dias antes da consoada e em grande quantidade, não era tempo de ser somítico de unhas rentes.
Uns dos acepipes mais usados na mesa alto-minhota eram as “bêbedas”, fatias de pão trigo cortadas com um dedo de espessura, levemente torradas e mergulhadas numa calda de vinho, canela e açúcar ou mel. Noutras localidades, como em Padornelo (Paredes de Coura), ou em Riba de Mouro (Monção), as fatias ficavam a embeber, mergulhadas na dita calda de vinho, açúcar e canela, atoladas em gozo gastronómico.
Os pinhões eram presença constante em qualquer mesa, festim ao lado do arroz-doce, as rabanadas minhotas – umas bêbedas em calda de vinho, mel e canela, outras fidalgas –, as fatias-de-paridas polvilhadas de açúcar, os figos, as uvas passas, as nozes e toda a casta de vitualhas. As pinhas estão lembradas nesta quadra maviosa de Viana do Castelo:
Nossa Senhora da Serra
Lá anda no pinheiral,
Apanhando pinha mansa
Para a noite de Natal.
Ao fim do serão, à volta do lume comia-se a “sopa de vinho quente”, adocicada com mel ou açúcar, dentro dum grande malga, entulhada com broa ou pão trigo a fazer a parte sólida. Era a única altura em que se comia sopa, pois o resto do ano somente o caldo vinha à mesa do lavrador.
Em São Lourenço da Montaria, freguesia do concelho de Viana do Castelo, a tradicional consoada com bacalhau, nabos e couves emparelhava ainda com a consoladora “sopa de vinho quente” com açúcar. Tudo de estalo e truz.
Por sua vez, em Monção, umas horas depois da ceia, a família comia a “sopa de trigo”, preparada num grande alguidar, com recurso a vinho verde tinto, açúcar e pão de trigo aos pedaços, de fazer estoirar o cós das calças.
Os filhos dos reis
Em berço doirado,
Só bós, meu menino
Em palhas deitado.
Em qualquer localidade do Alto Minho a mesa, com os seus restos alimentares, ficava posta na noite de 24 para 25 de Dezembro. Não podia ser levantada sob pretexto nenhum, para saciar as alminhas e os “anjinhos”, que vinham comer de noite, enquanto a famelga dormia. No Baixo Minho até se punha um talher suplementar para honrar a memória dos familiares já mortos, e, também, não se levantava a mesa da consoada a fim de servir o repasto às almas.
Natal ao domingo
Venderás os bois
E comprarás, trigo;
Natal à segunda-feira
Enche a eira.
Em suma, a Consoada de Natal do distrito vianense, pese embora as variáveis, era composta por bacalhau cozido com batatas, ovos, cenouras e couve penca curtida pela geada, seguido de polvo estufado ou arroz de polvo meia-cura, rabanadas minhotas, rabanadas antigas, rabanadas fidalgas, formigos ou mexidos do Natal e pão-de-ló, numa mesa adornada por nozes, figos, passas, pinhões e avelãs, tudo bem regado com um odre do bom vinho. Após a “missa do galo”, o estômago era acalmado com a “sopa de vinho quente”, adoçada com mel ou açúcar e reforçada, nas casas mais abastadas, com um calistro de vinho fino (Porto, Madeira ou Moscatel).
Ó meu Menino Jesus
Que é da bossa cabeleira?
– Ficou-me lá no conbento
No colo de uma freira.
Enquanto o canhoto ardia na lareira, as mães e as mãezinhas – tratamento carinhoso para as avós – cantarolavam as seguintes quadras, com o mesmo fervor dos salmos do Rei David cantados no coro da Sé:
Donde vêm os Reis Magos?
Da parte do Oriente
A adorar o Deus menino
Que é Jesus omnipotente.
Foram a casa de Herodes
Por ser o melhor reinado,
Para saber o caminho
Onde Jesus era nado.
Herodes como malvado
Como profeta malino,
Às avessas ensinou
Aos Santos Reis o caminho.
A estrelinha os guiou
Para cima duma cabana,
O menino encontrou
Deitado numa choupana.
A cabana era pequena
Não cabiam todos três,
Mesmo assim adoraram
Cada um por sua vez.
Todos eles ofereceram
Oiro, mirra e incenso,
Ele nada precisava
Porque era já imenso.
No entrementes entoavam esta cantiguinha popular de Natal, com o rapazio a fazer coro, ou a atrapalhar, conforme o sono do adiantado da hora e o monco de palmo, colhida inicialmente em Ponte de Lima:
Ó que noite de lura
Ó que noite de alegria!
Caminhando vai José
Caminhado vai Maria.
Ambos vão para Belém
Mais de noite que de dia,
Quando chegaram a Belém
Já toda a gente dormia.
– Abri-nos essas portinhas
Porteiros da agonia.
– Vinde, vinde senhora
Até ser claro o dia.
S. José foi pelo lume
S. José que fazeria?
Já a Virgem tinha parido
Era agora novo dia.
Desceu um anjo à terra
Paninhos de oiro trazia,
Tornando a subir ao céu
Cantou uma Ave-Maria.
Pai Eterno lhe perguntou
Onde estava Maria,
Maria estava bem
O menino sorria.
Até os aforismos populares fazem alusão directa, ao garantir-nos que «no dia de Natal, já o dia tem mais um saltinho de pardal», mas asseguram que «de Todos-os-Santos ao Natal é Inverno natural».
A noite de Natal marcava de modo determinante a vida das pessoas, pois acreditava-se nessa ocasião que se o luar fosse intenso o linho medraria imenso e a colheita seria boa. Ao invés, a noite escura prenunciava uma produção aziaga.
Também o alho recebe a protecção explícita da quadra festiva, como garante a sabedoria popular que costuma meditar à vontade nestas coisas (Minho, Beira e Trás-os-Montes):
Quem quiser bom alhal
Semeia-o pelo Natal.
Nas horas que antecediam a “Missa do Galo”, à volta da lareira onde o “Canhoto de Natal” tinha a santa função de abrasar toda a noite, brincava-se ao “rapa-tira-deixa e põe”, um jogo de pinhões, enquanto os crescidos jogavam às cartas ou lembravam os familiares e as narrativas de arrepelar os cabelos.
Noite cerrada, os sinos convocavam os fiéis para a “Missa do Galo”, ala que se fazia tarde para beijar a imagem do Menino Deus e uma mó de gente inspirada pelo Altíssimo a entoar, a carnadura retraçada pelo cieiro:
Alegrem-se os céus e a terra
Cantemos com alegria,
Já nasceu o Deus Menino
Filho da Birge Maria.
Em geral eram rezadas três missas de Natal, a “missa do galo” (meia-noite de 24 para 25 de Dezembro), a designada “missa da galinha” – logo na manhã de 25 de Dezembro – e a missa ordinária na tarde deste último dia. Quem assistisse às três liturgias recebia a graça infinita de amparo celestial e mais indulgências do Céu contra maleitas e maus-olhados.
A Santa Noite de Natal escorria beatitude, angra divina a ter dó na humanidade. Era a única do ano em que se podia andar em completo sossego na medonha escuridão, mesmo sem recurso ao santo anjo da guarda, aliviado do pavor das aparições das abantesmas, almas penadas, lobisomens ou coisas-más, conforme crença neste extraordinário prodígio nocturno arreigada em Paredes de Coura e Ponte da Barca.
Na madrugada de 25 de Dezembro, no rescaldo da festança, o Menino Jesus descia pela chaminé para deixar os presentes no sapatinho. A miudagem espertava com as galinhas, mal rompia a alva da manhãzinha, e sem conter o coração aos saltos investia a lareira à cata das modestíssimas prendas em tempos de vacas magríssimas, cotejadas com o despesismo actual, contudo inegavelmente mais preciosas.
Naquela altura o desconforme Pai Natal não existia no imaginário do Minho, nem embocava chaminés adentro, nem tínhamos com ele atenção de lei e mesuras. Os presentes eram trazidos pelo Menino Jesus no dia 25 e nunca na véspera.
Ao almoço – ou jantar como então se dizia naquele torrão de sossego – do dia 25 de Dezembro comia-se a “roupa velha”, uma delícia feita com o sobejo da lauta consoada. Para amanhar a janta da Ceia de Natal, matava-se um soberbo galo da capoeira, preparado com arroz de pica no chão e chouriço de reco cevado a castanhas, um pitéu que suspirava no estômago.
O Natal era a festa da família, por excelência, que assistíamos de olhos esbugalhados. Época harmoniosa, sinal de mesa farta idêntica ao milagre de Caná, de molde a reconquistar as almas e o Reino de Sião a Satanás, de deslumbrante placidez supraterrestre, como se chovesse sobre todos o maná da fartura, para retemperar forças do corpo moído de pancada na canseira da labuta diária. Mais do tempo a vida era dor e provação, carecida de todo o conforto.
A Sabedoria Popular Sobre as Mulheres
Primeira Parte
Par de namorados em traje regional à Vianesa.
Major José Maria Mendes Ribeiro Norton de Matos, ministro da Guerra do Governo da União Sagrada, assiste à partida para África da expedição de Infantaria, Engenharia e Artilharia, na companhia de sua mulher, D. Ester, de sua filha, D. Rita, do subsecretário de Estado da Guerra, capitão António Correia Mimoso Guerra, e de outras individualidades militares e civis, em Junho de 1916.
Localização: Casa da Lavadoura, na freguesia de Paredes de Coura.
Material: Todo o conjunto é de pedra.
Época: Século XVIII.
Classificação: Heráldica de família.
Escudo: francês, enquadrado por moldura rectangular e com curta aba no topo. As colunas laterais estão ornadas com motivos fitomórficos
Elmo de grades voltado à dextra, paquife, virol, timbre e correias.
Ornatos laterais com motivos florais em cantaria.
Composição: esquartelado.
Leitura Heráldica:
I – Campo [de vermelho], com cinco cotos de asas de águia [de ouro] em sautor. São as armas de Abreu.
II – Campo [de prata], com um leão [de púrpura], armado e lampassado [de azul]. São as armas da família Silva.
III – Campo [de vermelho], com seis lisonjas [de azul] perfiladas [de ouro], apontadas em cruz, quatro em pala e três em faixa. São as armas da família Antas.
IV – Campo [de verde], com cinco lanças [de prata], em banda, hasteadas [de ouro], e alinhadas em contrabanda. São as armas da família Lanções.
Timbre – Um castelo [de prata], rematado por um lobo [de negro], sainte. Pertencem às armas da família Lobato.
Identificação da família:
São as armas de Jerónimo Barreto da Silva Sottomayor, nascido na freguesia de Paredes de Coura a 6 de Maio de 1673.
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Próprio |
Pais |
Avós |
Bisavós |
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Jerónimo Barreto da Silva Sottomayor |
Capitão António Pereira Lobato, da freguesia de Paredes de Coura |
Francisco Soares de Lanções, da vila de Monção |
Manuel Soares de Lanções, de Monção |
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D. Maria Lopez de Tangil, da Galiza |
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D. Guiomar da Rocha Pita, da freguesia de Infesta |
Francisco Barbosa de Antas, da freguesia de Rubiães |
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D. Inês de Ceia, de Infesta |
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D. Felipa Barreto da Silva Sottomayor, da freguesia de Paredes de Coura |
Jerónimo Barreto da Silva, da vila de Monção |
Álvaro de Azevedo Barreto, de Monção |
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D. Ana de Brito Soares, de Monção |
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D. Mariana de Sousa Sottomayor, de Vila Nova de Cerveira |
Amaro Mendes de Abreu, de Vila Nova de Cerveira |
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D. Branca de Sousa Osores, da Galiza |
Comentário:
A execução merece destaque pelo belo trabalho de cantaria, sendo uma bela pedra de armas, sóbria e correcta. Dimensões e proporções relativamente correctas, com o elmo, paquife e todas as peças e figuras do escudo a demonstrar qualidade apurada.
O timbre, por questão de espaço, apresenta somente uma torre ameada em vez do castelo de três torres e o lobo está pouco definido. O desenho e o escudo resistiram bem ao tempo.
Diabetes
Para tratar açúcar no sangue, empregava-se um chá de flor de giesta branca ou chá de folha de eucalipto.
Diarreia
O arsenal terapêutico tradicional continha inúmeras receitas para travar a furrica ou soltura, a começar pelo acto de defumar ou aplicação na barriga de uma cataplasma de papas de farinha de pau misturada com vinagre.
Quando estas medidas primárias falhavam, mais por culpa do enfermo, certamente, recomendava-se uma infusão de cozimento de sementes de marmelos, cozimento de gomos de silva traçado com uma pitada de açúcar mascavado, infusão de folhas do framboeseiro ou, ainda, chá de diabelha com um cálice de aguardente queimada e uma colher de açúcar, mais eficaz no controlo da diarreia. Convém lembrar que a diabelha ou guiabelha é o nome vulgar duma planta da família das Plantagináceas de uso generalizado na antiga medicina popular.
Noutras eras, ainda para atacar o mal da caganeira, usava-se uma pernada de trovisqueira, em especial a sua parte fibrosa, atada à perna durante uns dias até cessar o desarranjo intestinal. Esta medida exigia especial cuidado devido à toxicidade da planta, a fazer baba peçonhenta.
Deus te salbe, trobisqueira,
Deus te queira salbar,
Empresta-me este teu fato.
Quando minhas maleitas me faltar
Eu to birei entregar.
Também a fétida presença de diarreia verde em pirralho de colo até ao ano de idade, muito chorão e lamuriento de noite, era sinal de quebranto da lua, doença influenciada pela exposição inesperada às fases da lua, de chofre na cara do inocente, coisa inventada pelo mafarrico para apoquentar os justos.
Lua, luar,
Leba o ar
Do meu menino
E deixa-mo medrar.
Em Paredes de Coura e em Monção a fase mais maligna para as crianças era a lua nova. Exigia o uso profilático de sino-saimão de meia-lua e um chifre e a aplicação curativa posterior de medidas de defumadoiro de alecrim sobre brasas, acompanhada de rezas de padre-nosso e ave-maria durante o dia, apontado a dedo como ineficaz se o curativo fosse aplicado durante a noite.
Nossa Senhora pelo Egipto passou
E o seu raminho de alecrim tirou,
E o seu bendito Filho defumou
E assim tu sares como ele sarou.
O sol-pôr e o "nascimento da Lua" sobre Lamamá, lugar da freguesia de Paredes de Coura, em Agosto de 2005. Fotografia de Jofre de Lima Monteiro Alves.
Pedro Martins Branco, embora lisboeta pelo berço, era minhoto pela via do sangue paterno e por opção do coração, porquanto seguindo a carreira marítima estabelecera a sua residência na urbe vianense, terra de mareantes, depois de ter recebido a carta de piloto a 26 de Novembro de 1864, a botar rumo à vidinha.
Viana do Castelo, altar admirável da natureza, conheceu um grande incremento no século XIX na actividade marítima, portuária, mercantil, construção naval e piscatória, um porto pujante coalhado de gente capacitada, embora no caso específico dele seja, porém, um retorno às origens e à santa terrinha dos antepassados.
Como capitão da marinha mercante, comanda o palhabote “Independente” que saiu do porto de Viana a 12 de Dezembro de 1866 com destino a Cork, no sul da Irlanda. A 14 de Janeiro de 1867 regressa a Portugal, trazendo no porão o carrego de 1.400 barricas de manteiga irlandesa, cinco barricas de couro salgada, três barricas de tripas de boi secas e duas barricas de presuntos.
A 1 de Abril de 1867 volta à Irlanda, zarpa da barra do Rio Minho com um carregamento de milho, demanda o porto de Cork após oitos dias de viagem serena, ao comando do palhabote “Independente”, propriedade de José Pires Barbosa, com uma tripulação de oito marujos. A 3 de Junho ruma à ilha da Madeira, saindo também de Caminha, com uma carga de milho, regressando ao porto da foz do Rio Lima a 3 de Julho de 1867.
Em 1869 recebeu do Governo de Sua Majestade a Rainha Vitória de Inglaterra um binóculo resguardado em caixa de ébano, gravado com inscrição em inglês, cuja tradução livre é a seguinte:
«Oferecido pelo Governo Britânico ao Senhor Pedro Martins Branco, mestre do navio português “Maria”, reconhecimento da sua humanidade e bondade para com a tripulação da escuna “Ark of Bridwaler” que resgatou no mar no dia 9 de Novembro de 1869».
Em 1875 viaja até Pernambuco, donde retorna a 18 de Abril. Estes exemplos não esgotam a sua carreira marítima, porém a cronologia posterior indica que terminou a vida de capitão e piloto náutico depois da viagem ao Brasil, após onze anos entre o anil puro do mar, de levante a poente, na medida em que surge identificado como negociante, proprietário e empresário de padaria, a fazer pé-de-meia a recato, logo em 1876.
A 22 de Maio de 1885 funda uma sociedade mercantil, por registo lavrado nas notas do tabelião João Caetano da Silva Campos, com assinatura dos sócios José Martins de Matos, João Baptista Correia, capitão Pedro Martins Branco, António da Costa Jácome e capitão Camilo Vieira Ferrinho. Por essa escritura era detentor de 1/4 parte do palhabote mercante “Pimpão” registado na Capitania do Porto de Viana do Castelo a 28 de Maio de 1885. Foi um dos mais activos armadores do Alto Minho.
O cargueiro em causa, destinado ao transporte de vinho, cereais e produtos comerciais entre o Alto Minho e Lisboa, fora construído na doca do Estaleiro do Aterro, em Viana do Castelo, pelo mestre Manuel José da Costa a partir do projecto traçado pelo capitão Pedro Martins Branco, a revelar a sua faceta de construtor naval.
O “Pimpão” esteve em sério risco de naufragar quando foi assolado por gigantesco temporal nos idos de 18 de Março de 1910. Salvou-se, conforme um ex-voto, pelo «milagre que fez Nossa Senhora da Agonia» que foi em socorro do mestre «Francisco Gonçalves Cachina e a sua tripulação lutando contra uma grande tempestade», os olhos esbugalhados de temor. Contudo, o trágico destino do iate estava traçado, na medida em foi torpedeado por um submarino alemão a 23 de Abril de 1918 e afundou-se ao largo da Ericeira, mercê dos erros da Providência.
No entrementes, dotado do génio do trabalho, tornou-se activo empresário industrial e proprietário duma fábrica de moagens e serração, em Santa Marta, sob a égide da sociedade “Martins Branco & Cª”, que já laborava em meados da década de 1890, e duma padaria em pleno burgo vianense, instalada desde 1876.
A 18 de Novembro de 1876, já homem maduro, a cabeça alva de farripas grisalhas, por entre lauto manjar e toda a casta de festejos, levou ao altar da Igreja de Santa Maria Maior a sobrinha D. Rosa da Purificação Branco, nascida a 28 de Janeiro de 1861 em Monserrate, freguesia de Viana do Castelo.
A noiva era filha de Manuel Martins Branco, natural de Lisboa, e de Marquesa das Dores Freitas, natural de Viana do Castelo, neta pela via paterna de Domingos Martins Branco e de Geminiana Rosa, e neta materna de Juan Francisco González, natural de A Guarda, na Galiza, e de Francisca Josefa de Freitas, de Viana do Castelo.
Pelo seu casamento, feliz e grato aos olhos do Senhor, foi pai dos seguintes filhos:
1 – Eng.º João Filipe Martins Branco, nasceu em Viana do Castelo a 25 de Maio de 1878 e faleceu em Viana do Castelo a 11 de Julho de 1949; engenheiro mecânico e oficial na Grande Guerra; com descendência.
2 – D. Etelvina Martins Branco, nasceu a 24 de Fevereiro de 1880 em Viana do Castelo e faleceu a 24 de Junho de 1945; casada com o coronel Gaspar Cerqueira; com geração.
3 – Pedro Martins Branco, nasceu em Viana do Castelo a 25 de Agosto de 1881 e faleceu a 9 de Outubro de 1881.
4 – Pedro Martins Branco, nasceu a 27 de Fevereiro de 1883 em Viana do Castelo e faleceu na primeira infância.
5 – Manuel dos Passos Martins Branco, nasceu em Viana do Castelo a 23 de Novembro de 1884 e faleceu a 26 de Novembro de 1884.
6 – D. Margarida Martins Branco, nasceu a 17 de Dezembro de 1885 em Viana do Castelo; casada com José Cerqueira; com sucessão.
7 – D. Geminiana Martins Branco, nasceu em Viana do Castelo a 1 de Novembro de 1887 e faleceu a 19 de Janeiro de 1962; casada em primeira núpcias na Igreja Paroquial de Santa Cristina de Meadela a 21 de Outubro de 1903 com António de Morais Cerqueira Lima, nascido a 16 de Julho de 1857 na freguesia de Santa Maria Maior, cidade de Viana do Castelo, filho de António Fernando Zamith de Morais e de D. Maria do Carmo Cerqueira Lima; casou pela segunda vez a 23 de Janeiro de 1918 com Rodrigo Luciano de Abreu de Lima, nascido a 6 de Abril de 1884 e falecido a 24 de Dezembro de 1966, filho de José Maria de Abreu de Lima e de D. Joaquina Maria da Conceição de Abreu e Lima; com sucessão somente do primeiro matrimónio.
8 – D. Marta Martins Branco, nasceu a 18 de Maio de 1889 em Viana do Castelo e faleceu em Lisboa a 5 de Julho de 1962; casada em Viana do Castelo a 15 de Julho de 1915 com o vice-almirante João Carlos da Silva Nogueira, nascido a 26 de Março de 1872 no Fundão e falecido em Lisboa a 20 de Maio de 1954; com descendência.
9 – Mário Martins Branco, nasceu em Viana do Castelo a 14 de Março de 1891 e faleceu no Porto a 9 de Julho de 1980; funcionário administrativo; casou em Viana do Castelo a 6 de Janeiro de 1921 com D. Branca Julieta Pires Marçal, nascida em Elvas a 19 de Março de 1900 e falecida em Lisboa em 1990, filha de João Marçal e de Armanda das Mercês Alves Pires; com geração.
10 – D. Florinda Martins Branco, nasceu a 16 de Março de 1893 em Viana do Castelo.
11 – Pedro Martins Branco Júnior, nasceu em Viana do Castelo a 14 de Setembro de 1894 e faleceu em Agosto de 1896.
O capitão Pedro Martins Branco faleceu a 20 de Novembro de 1919, dia amassagado de chuva e vento, na sua casa situada na Rua de Mateus Barbosa, na freguesia de Santa Maria Maior, cidade Princesa do Lima, faz agora 92 anos. Contava 83 primaveras de idade, consumidas como distinto piloto de navios, capitão da marinha mercante, armador, construtor naval, empresário, negociante, proprietário e vianense do coração, corcovado de trabalhos mouros. A viúva recolheu ao eterno descanso a 15 de Janeiro de 1954, aos 93 anos de idade.
Nascera a 20 de Março de 1836 numa casa sita na Rua do Amparo, freguesia de Santa Justa e Santa Rufina, cidade de Lisboa, filho de Domingos Martins Branco, natural de Santa Cristina de Meadela, freguesia do concelho de Viana do Castelo, e de Geminiana Rosa, natural da freguesia de São Miguel de Ferreira do Zêzere, distrito de Santarém, bispado de Coimbra; neto pela via paterna de Francisco Martins Branco e de Maria Teresa Soares, da Meadela; neto materno de António Antunes e de Maria Joaquina, de Ferreira do Zêzere.
Recebeu as águas lustrais do baptismo na pia da Igreja Paroquial de Santa Justa a 28 de Março de 1836, administradas pelo prior José António Durães, ao colo do padrinho Pedro Afonso de Carvalho, invocado a devoção de Nossa Senhora como madrinha.
Nos registos paroquiais de Lisboa, mas também nos da capital do Alto Minho, o exótico nome de sua mãe, e depois duma filha, surge estropiado em inúmeras grafias, algumas bem distintas, por coisas e loisas: Gemiana, Geminiana, Germiniana, Juliana, Jumeniana e Juminiana.
Nota: agradeço ao genealogista Casimiro Puga, de Afife, a prestimosa pesquisa referente aos filhos de Pedro Martins Branco.
Postal de propaganda da Junta Revolucionária que levou a peito a Revolução de 14 de Maio de 1915 contra o governo do general Joaquim Pereira Pimenta de Castro, a fim de «restituir a República aos republicanos, completando nesta hora de triunfo a alta missão patriótica dos revolucionários de 5 de Outubro».
Em consequência dos ferocíssimos combates, violentas pelejas e intensos duelos de artilharia, a carnificina atingiu o exorbitante número de mais de duzentos mortos, quatrocentos feridos e inúmeras deportações dos vencidos, uma torrente de sangue, a mais sangrenta revolta ou Golpe de Estado nos anais da História de Portugal.
A Junta Revolucionária, afecta ao Partido Democrático, era composta pelo capitão-de-fragata Jaime Daniel Leote do Rego, capitão-tenente José de Freitas Ribeiro, major Alfredo Ernesto de Sá Cardoso, major José Maria Mendes Ribeiro Norton de Matos, capitão dr. Álvaro Xavier de Castro e engenheiro António Maria da Silva.
NATURAIS DO CONCELHO DE PONTE DE LIMA FALECIDOS EM FRANÇA
Segunda Parte
Por: Jofre de Lima Monteiro Alves
António de Sá Leones, soldado de Infantaria da Brigada do Minho, falecido em combate na Batalha de La Lys, em França.
Por: Jofre de Lima Monteiro Alves
Dr. Bernardino António Gomes, nasceu na freguesia de Paredes, concelho de Paredes de Coura, faz agora 243 anos; era filho do dr. José Manuel Gomes, médico municipal do concelho de Paredes de Coura, e de D. Josefa Maria Clara de Sousa; neto paterno de José Gomes e de Mariana Josefa Rosa, e neto pela via materna neto de José Coimbra e de Clara Maria, todos de Coimbra (29 de Outubro de 1768).
Foi baptizado na Igreja Paroquial de Santa Maria de Paredes pelo abade João Bento de Brito de Araújo e Castro, ao colo dos padrinhos, o sargento-mor Bernardino José de Castro e Sousa Barreto de Menezes e sua mulher D. Maria Antónia da Cunha de Antas Brandão Pereira, moradores em São Paio de Agualonga, freguesia do concelho de Paredes de Coura, e assistiram como testemunhas António de Castro Sousa e Menezes, filho dos padrinhos, António Inácio José Pereira da Cunha Lobo e Castro, Sebastião Luís Pereira da Cunha Lobo e Castro e Francisco José Pereira de Castro (3 de Novembro de 1768).
Foi doutor em Medicina (21 de Maio de 1793); médico municipal interino em Aveiro (Setembro de 1793–Março de 1795); médico efectivo do partido médico municipal da cidade de Aveiro (20 de Março de 1795–Janeiro de 1797); capitão-de-fragata médico da Real Armada (9 de Janeiro de 1797–22 de Setembro de 1810); capitão-de-fragata médico da Esquadra Naval do Brasil (16 de Janeiro de 1797–21 de Outubro de 1801); nomeado médico municipal da vila de Sintra, por carta de provisão da Rainha D. Maria I, que não surtiu efeito por servir como médico da Real Armada (26 de Fevereiro de 1798); estuda as propriedades da canela e da caneleira do Brasil (1798); louvado pelo Senado da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, pelos seus trabalhos científicos (21 de Novembro de 1798); casou na Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Encarnação de Lisboa com D. Leonor Violante Rosa Mourão, viúva, nascida a 5 de Fevereiro de 1775 em Lisboa, filha do dr. João Carlos Mourão Pinheiro, advogado da Casa da Suplicação, e de sua segunda mulher D. Leonor Violante Rosa do Vale Mourão (15 de Outubro de 1801); apresenta a ipecacuanha fusca, que descobrira no Brasil (1801); capitão-de-fragata médico da Esquadra Naval de Gibraltar (2 de Abril de 1802–31 de Março de 1803); investigador do tratamento da febre infecciosa pela água fria (1802).
Louvado pelos seus serviços durante a epidemia de febre infecciosa na Esquadra Naval de Gibraltar, pelo ministro da Marinha Visconde de Anadia (carta de 21 de Agosto de 1802); médico do Hospital da Marinha (6 de Abril de 1804); D. Leonor Violante Rosa Mourão saiu de casa e recolheu-se numa moradia no Campo Grande por alegado adultério de seu marido (1805); D. Leonor Violante Rosa Mourão regressou ao lar depois de pedir «perdão pelos seus desatinos» (1805); médico principal do Hospital Militar da Corte de Lisboa (Setembro de 1805); descobriu a chinchonina (1806–1810); sócio correspondente da Academia Real das Ciências de Lisboa (28 de Fevereiro de 1810); médico do Lazareto da Trafaria (26 de Julho de 1810); comunica à Academia Real das Ciências de Lisboa os resultados das suas pesquisas sobre a casca de quina, onde refere o isolamento do alcalóide que denominou “chinchonino”, tornando-se assim o primeiro investigador mundial a obter um alcalóide da quina e no isolamento de constituintes de fármacos vegetais (7 de Agosto de 1810); exonerado a seu pedido do serviço de médico da Real Armada, por portaria do Príncipe Regente (6 de Setembro de 1810).
Dispensado da diligência de inquirição de geração para receber o hábito de cavaleiro da Ordem de Cristo (11 de Março de 1812); fundador e director da Instituição Vacínica da Academia Real das Ciências de Lisboa, destinada a estabelecer a vacinação gratuita (8 de Abril de 1812); sócio efectivo da Academia Real das Ciências de Lisboa, pela classe das Ciências Naturais (6 de Junho de 1812); agraciado com o hábito de Cavaleiro da Ordem de Cristo (17 de Novembro de 1812); colaborador do JORNAL DE COIMBRA (1812); polémica com o professor dr. José Feliciano de Castilho acerca da descoberta da chinchonina (Agosto de 1812–Janeiro de 1817); vogal da Junta de Saúde do Reino (28 de Agosto de 1813); D. Leonor Violante Rosa Mourão volta a insistir na tese do adultério do marido, tendo-se retratado novamente (1814); presidente da Instituição Vacínica (1814–1816); sócio de mérito da Academia Real das Ciências de Lisboa (1 de Dezembro de 1814); investigador sobre o valor de vários desinfectantes químicos profiláticos, como o ácido acético e o gás sulfuroso (1815); investigar das moléstias de pele, chamadas as boubas (1815).
Médico do Hospital de S. Lázaro, de Lisboa (Março de 1817–Julho de 1817); médico honorário da Real Câmara (1817); fidalgo-cavaleiro da Casa Real (1817); médico privativo da Princesa Real D. Leopoldina, Arquiduquesa de Áustria, na Corte Real do Rio de Janeiro (Julho de 1817-Janeiro de 1818); louvado pela Condessa de Kunburg, camareira-mor da Princesa Imperial pela «maneira tão delicada» como desempenhou as funções de médico privativo da Princesa D. Leopoldina de Áustria (Janeiro de 1818); D. Leonor Violante Rosa Mourão patrocina a ideia do casamento da filha Henriqueta Leonor com um contratador de tabaco, «um homem de uma grande fortuna» (Fevereiro de 1818); fundador da Dermatologia em Portugal (1817); médico do Hospital de S. Lázaro, de Lisboa (1819); dr. Bernardino António Gomes recolhe a sua filha D. Henriqueta Leonor à custódia do Real Mosteiro da Encarnação para impedir o casamento desta, patrocinado pela mulher (Fevereiro de 1819); libelo de divórcio entre D. Leonor Violante Rosa Mourão e o dr. Bernardino António Gomes (Março de 1819); D. Leonor Violante Rosa Mourão foi internada no Mosteiro de Sant’Ana, Lisboa, por aviso dirigido ao Intendente Geral da Polícia da Corte e Reino (13 de Abril de 1819); negado o pedido de divórcio perpétuo intentado por D. Leonor Violante Rosa Mourão por Acórdão do Patriarcado, por a autora não provar as acusações de adultério e de maus-tratos (11 de Abril de 1820); D. Leonor Violante Rosa Mourão recorre da sentença para o Tribunal da Nunciatura (Maio de 1820); fundador da psicoterapia empírica em Portugal; investigador sobre o tratamento das ténias (1822); criou o Horto Botânico da Escola Médica de Lisboa; escreveu o seu testamento pelo qual declarou como herdeiro universal seu filho dr. Bernardino António Gomes (26 de Novembro de 1822); botânico; cientista; latinista; químico; parasitologista; higienista; escritor científico.
Faleceu na sua residência, na Praça da Alegria, freguesia de S. José, cidade de Lisboa (13 de Janeiro de 1823).
Faleceu sua viúva D. Leonor Violante Rosa Mourão, em Lisboa (28 de Março de 1864); homenageado pela Academia Real das Ciências de Lisboa (20 de Junho de 1901); homenageado pela Secção de História da Medicina da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa (8 de Março de 1924); homenageado em sessão extraordinária pela Câmara Municipal de Lisboa (21 de Março de 1924); aprovada a proposta para colocação duma lápide na frontaria da casa onde residiu em Lisboa, por proposta da Câmara Municipal de Lisboa (18 de Junho de 1924); a Comissão Executiva da Câmara Municipal de Paredes de Coura deu 100$00 escudos à comissão de médicos de Lisboa e Porto que festejou o centenário do falecimento do dr. Bernardino António Gomes e determinou que se abrisse uma subscrição pública para ajudar ao pagamento do subsídio camarário e colocar o seu retrato na Sala das Sessões (16 de Outubro de 1924); oficialmente inaugurado o retrato do dr. Bernardino António Gomes no Salão Nobre da Câmara Municipal de Paredes de Coura, com discurso de Júlio de Lemos sobre a vida do cientista, sendo descerrado o pano pelo dr. João Luís Afonso Viana (12 de Setembro de 1925).
Por proposta do vice-presidente Francisco Alexandre de Sousa Mata, a Câmara Municipal de Paredes de Coura atribuiu a nova designação de Rua do Dr. Bernardino António Gomes ao arruamento que parte do Largo do Visconde de Mozelos à Feira do Gado (12 de Novembro de 1925); colocada uma lápide na casa onde viveu na Praça da Alegria, n.º 21, cidade de Lisboa (24 de Junho de 1926); inauguração do monumento em sua honra no Jardim Botânico da Faculdade de Ciências de Lisboa (14 de Novembro de 1926); atribuída a designação de Largo do Dr. Bernardino António Gomes, situado na freguesia de S. Vicente de Fora, por edital da Câmara Municipal de Lisboa (27 de Agosto de 1930); declarado fundador da Dermatologia portuguesa (1968); declarado patrono da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia, que atribui o Prémio Bernardino António Gomes; aprovada a proposta do vereador Mário Montenegro para mandar erigir um busto assente em pedestal numa praça pública de Paredes de Coura (6 de Fevereiro de 1984).
Escreveu e publicou:
- Observações Sobre a Canela do Rio de Janeiro Escritas a Rogo do Senado da Câmara da Câmara da Mesma Cidade, em 8 de Maio de 1798, e Ultimamente Rectificadas, Adicionadas e Oferecidas ao Mesmo Senado, manuscrito, Rio de Janeiro, 1798;
- Memória Sobre a Ipecacuanha Fusca do Brasil ou Cipó das Nossas Boticas, Lisboa, 1801;
- Memória Sobre a Canela do Rio de Janeiro, Brasil, 1802;
- Método de Curar o Tifo ou Febres Malignas Contagiosas pela Efusão da Água Fria, com a Teoria do Tifo, Segundo os Principio da Zoonomia de Darwin e Explicação do Modo de Obrar da Efusão Fria e Uma Carta ao Dr. James Currie com Reflexões e Observações Sobre Este Método, Lisboa, 1806;
- Ensaio Sobre o Chinchonino e Sobre a Sua Influência na Virtude da Quina e Doutras Cascas, Lisboa, 1812;
- Observações Botânico-Médicas Sobre Algumas Plantas do Brasil, Escritas em Latim e Português, Lisboa, 1812;
- Carta de Bernardino António Gomes, Dirigida aos Redactores do «Jornal de Coimbra», Coimbra, Outubro de 1812;
- Segunda e Última Réplica aos Senhores Redactores do «Jornal de Coimbra» por Bernardino António Gomes, Dezembro de 1812;
- Carta aos Redactores do «Investigador Português», Seguida de um Artigo em Resposta ao que a seu Respeito Dissera o «Jornal de Coimbra» n.º XII, Janeiro de 1813;
- Conta Dada na Congregação dos Membros da Instituição Vacínica da Academia Real das Ciências pelo Director Bernardino António Gomes em 15 de Outubro de 1812, Lisboa, 1813;
- Conta da Instituição Vacínica à Academia Real das Ciências de Lisboa, Respectiva ao Trimestre de Março, Abril e Maio [de 1813], Lisboa, 1814;
- Experiências Químicas Sobre a Quina do Rio de Janeiro Comparada com Outras, Lisboa, 1814;
- Recopilação Histórica dos Trabalhos da Instituição Vacínica, Durante o Seu Primeiro Ano, Pronunciada em Sessão Pública em 14 de Junho de 1813, Lisboa, 1814;
- Carta de Bernardino António Gomes de 15 de Dezembro de 1814, no «Investigador Português», Fevereiro de 1815;
- Carta de Bernardino António Gomes de 28 de Fevereiro de 1815, no «Investigador Português», Abril de 1815;
- Conta Anual da Instituição Vacínica da Academia Real das Ciências de Lisboa, Pronunciada na Sessão Pública de 1815, Lisboa, 1868;
- Ensaio Sobre as Boubas, Lisboa, 1815;
- Memória Sobre a Desinfecção das Cartas, Lisboa, 1815;
- Resposta ao Papel de José Feliciano de Castilho, Intitulado «Reflexões», no «Investigador Português», Janeiro de 1816;
- Resposta às denominadas «Reflexões» de José Feliciano de Castilho, por Bernardino António Gomes, no «Investigador Português», Janeiro de 1817;
- Ensaio Dermosográfico ou Sucinta e Sistemática Descrição das Doenças Cutâneas Com Indicação dos Respectivos Remédios, Lisboa, 1820;
- Memória Sobre os Meios de Diminuir a Elefantíase em Portugal e de Aperfeiçoar o Conhecimento e a Cura das Doenças Cutâneas, Oferecida às Cortes de Portugal de 1821, Pedindo a Sua Atenção Para o Estado da Elefantíase em Portugal, Lisboa, 1821;
- Carta aos Médicos Portugueses Sobre a Elefantíase Noticiando-lhes Um Novo Remédio Para a Cura Dessa Enfermidade, Lisboa, 1821;
- Memória Sobre a Virtude Tenífuga da Romeira, Com Observações Zoológicas e Zoonómicas Relativas à Ténia, Lisboa, 1822;
- Memória Sobre a Casca da Raiz da Romeira, Lisboa, 1822;
- Análise das Sentenças Proferidas Pelo tribunal da Nunciatura no Pleito de Divórcio Proposto por D. Leonor Violante Rosa Mourão a Bernardino António Gomes, Lisboa, 1822;
- Ensaio Dermosográfico ou Sucinta e Sistemática Descrição das Doenças Cutâneas Com Indicação dos Respectivos Remédios, 2.ª edição, Lisboa, 1823;
- História de Uma Oftalmia Epidémica Observada a Bordo de Um Navio Hospital, Coimbra;
- Memória Sobre a Enfermidade de que Faleceu o Desembargador José Viana Godinho, na Qual se Refuta a Opinião … Sobre a Sua Causa, s.d.
Filhos do dr. Bernardino António Gomes de D. Leonor Violante Rosa Mourão:
1 – Bernardino José Gomes, baptizado na igreja paroquial da Encarnação em 1802, faleceu na tenra idade.
2 – D. Henriqueta Leonor Gomes Mourão de Araújo nasceu na freguesia da Encarnação, Lisboa, a 12 de Março de 1804; benemérita e fundadora do Asilo de D. Pedro V, da vila do Barreiro; casada com Joaquim José de Araújo, Senhor da Quinta da Verderena, Barreiro. Faleceu no Barreiro a 23 de Abril de 1882.
3 – Doutor Bernardino António Gomes (1806+1877), nasceu a 22 de Setembro de 1806. Foi doutor em Medicina, bacharel em Matemática, médico, escritor, lente catedrático de Medicina da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, capitão-de-fragata graduado da Real Armada, director do Hospital da Marinha, médico da Real Câmara, fidalgo-cavaleiro da Casa Real, presidente da Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa, presidente do Conselho de Saúde Naval, médico do Hospital Real de S. José, fundador e redactor da GAZETA MÉDICA, etc. Faleceu a 8 de Abril de 1877. O dr. Bernardino António Gomes (Filho), casou na igreja paroquial da Encarnação, Lisboa, a 14 de Outubro de 1837 com D. Maria Leocádia Fernandes Tavares de Barros Gomes, filha de Francisco José Ribeiro Fernandes e de D. Leocádia Teresa Tavares.
4 – Dr. Custódio Manuel Gomes (1810+1881), nasceu em Lisboa a 22 de Maio de 1810. Foi bacharel formado em Matemática, bacharel em Filosofia, secretário do Governo Geral da Índia, administrador do Montepio das Alfândegas do Reino, deputado da Nação (1848-1856), comendador da Ordem de Cristo, escritor. Faleceu a 31 de Janeiro de 1881.
5 – António Maria Gomes (1814+1896), fidalgo-cavaleiro da Casa Real, filantropo e protector das associações de beneficência, chefe da Repartição Central do Ministério da Guerra, fundador da revista PANORAMA. Faleceu vítima de tuberculose a 28 de Agosto de 1896.
Major José Maria Mendes Ribeiro Norton de Matos, governador-geral de Angola, com a sua esposa D. Ester Newton Pereira de Matos, a filha D. Rita Newton Norton de Matos, a esposa do administrador do Huambo e a professora particular de sua filha, vendo-se na parte de trás, de pé, o tenente Coelho, ajudante-de-campo do governador-geral, Goes Pinto, governador do distrito de Benguela, Castro Soromenho, administrador do Huambo, e Tomás Fernandes, chefe do gabinete do governador-geral, numa fotografia tirada no Huambo em Novembro de 1913.
Casa dos Alpuim, situada na antiga Rua de Sant’Ana, actual Rua de Cândido dos Reis, na cidade de Viana do Castelo, anexa ao Palácio dos Távora, construída em terrenos que pertenceram à família Fagundes.
É uma construção dos finais do século XVI, em estilo Manuelino decadente ou de resistência, em boa cantaria, enriquecida dum torreão lateral ameiado, acrescentado nos primeiros anos do século XVIII.
A harmoniosa fachada apresenta cinco janelas rematadas por flor-de-lis, fruto da tendência revivalista para imitar a arquitectura Quinhentista. Apresenta no cimo da janela de sacada central uma pedra de armas de estilo rococó com escudo picado, encimada por uma coroa de coronel de nobreza.
Aqui funcionou a Biblioteca Municipal de Viana do Castelo e estão instalados alguns serviços administrativos e técnicos da autarquia vianense. O edifício sofreu obras de remodelação na década de 1990, mas mostra ainda o esplendor da arte arquitectónica apalaçada do Alto Minho e da urbe de Viana, em particular.
Minha mãe dá-me conselhos
Em lágrimas embrulhados;
Que bom presente me dá
Para eu dar aos namorados.
O cravo depois de seco,
Significa amor perdido:
Inda que eu queira não posso
Tirar de ti o sentido.
Quem quer bem, anda de noite,
Dorme à porta do amor;
Das pedras faz travesseiro,
Das estrelas cobertor.
O coração e os olhos
São dois amantes leais:
Quando o coração está triste,
Os olhos dão os sinais.
Poço e fontanário da Santa Casa da Misericórdia, em Valença do Minho.
NATURAIS DO CONCELHO DE PONTE DE LIMA FALECIDOS EM FRANÇA
Primeira Parte
Por: Jofre de Lima Monteiro Alves
Carro de tracção animal dos Serviços de Saúde do Corpo Expedicionário Português em França, em 1917.
José Maria Mendes Ribeiro Norton de Matos
Faleceu em Ponte de Lima a 2 de Janeiro de 1955.
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ÁRVORE DE COSTADOS DO GENERAL NORTON DE MATOS |
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Próprio |
Pais |
Avós |
Bisavós |
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José Maria Mendes Ribeiro Norton de Matos
* Ponte de Lima 1867
+ Ponte de Lima 1955 |
Dr. Tomás Mendes Norton
* Viana do Castelo 1839
+ Queijada, Ponte de Lima 1920 |
José Mendes Ribeiro
* Viana do Castelo 1802
+ Viana do Castelo 1887 |
Coronel Domingos Mendes Ribeiro
* Viana do Castelo 1771 |
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D. Ana Ventura Leonor dos Santos
* 1775 + 1843 |
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D. Rita de Cássia Tavares de Resende Norton
* Porto 1808
+ Viana do Castelo 1875 |
Andrew Warren Norton
* Inglaterra 1775 |
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D. Ana Rosa Tavares de Resende
* Estarreja 1780 |
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D. Emília da Conceição de Matos Prego e Sousa
* Queijada, Ponte de Lima 1847
+ Moreira do Lima, Ponte de Lima 1933 |
Dr. Manuel José de Matos Prego e Sousa
* Moreira do Lima, Ponte de Lima 1805
+ Ponte de Lima 1860 |
Capitão Francisco José de Matos Prego
* Moreira do Lima, Ponte de Lima 1770 |
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D. Maria Rosa de Sousa e Silva |
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D. Joaquina Rosa dos Reis Martins de Carvalho Correia
* Queijada, Ponte de Lima 1824
+ Queijada, Ponte de Lima 1862 |
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Major Norton de Matos, governador-geral de Angola, inaugura os primeiros 200 quilómetros da estrada de Malange, em 1912, na presença do tenente Utra Machado, governador do distrito da Lunda, e do Visconde de Pedralva, director dos Serviços de Agricultura de Angola.
Por: Jofre de Lima Monteiro Alves
Prof. Doutor Bernardino António Gomes, nasceu em Lisboa a 22 de Setembro de 1806, filho do dr. Bernardino António Gomes, natural da vila e freguesia de Paredes de Coura, e de D. Leonor Violante Rosa Mourão, natural da cidade de Lisboa.
Faleceu em Lisboa a 8 de Abril de 1877.
Foi agraciado com o título de Fidalgo-Cavaleiro da Casa Real (alvará de 26 de Maio de 1818)[1]; morre seu pai Bernardino António Gomes na freguesia de S. José, cidade de Lisboa (13 de Janeiro de 1823)[2]; alferes da 6.ª Companhia do Batalhão Académico de Voluntários de Coimbra (1826); bacharel em Matemática pela Universidade de Coimbra; emigra para França por motivos políticos (1828); doutor em Medicina pela Universidade de Paris (1831)[3]; tenente da 4.ª Companhia do Regimento de Milícias de Trancoso (1832); nomeado Chefe dos Serviços de Saúde do Exército Libertador por Sua Majestade Imperial o Duque de Bragança (1832)[4]; participa no desembarque de Mindelo e no Cerco do Porto (1832–1833); combate a epidemia de cholera morbus asiatica que grassava durante o Cerco do Porto (1832–1833)[5]; agraciado com o hábito de Cavaleiro da Antiga e Mui Nobre Ordem da Torre e Espada (29 de Agosto de 1833); presidente da Comissão de Melhoramentos do Hospital Real da Marinha (Outubro de 1833); director do Hospital Real da Marinha (Outubro de 1833–Julho de 1847); médico do Hospital Real de S. José (1834); tenente médico do Hospital Militar da Corte; lente substituto de Medicina da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa (1834–1837); lente catedrático de Medicina da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa (1837–1857); co-fundador e colaborador do JORNAL DAS CIÊNCIAS MÉDICAS DE LISBOA (Janeiro de 1835)[6]; presidente do Conselho de Saúde Naval (15 de Dezembro de 1836–Julho de 1847); casou na Igreja Paroquial da Encarnação, Lisboa, com D. Maria Leocádia Fernandes Tavares de Barros Gomes, filha de Francisco José Ribeiro Fernandes e de D. Leocádia Teresa Tavares (14 de Outubro de 1837); nasce seu filho primogénito Bernardino António de Barros Gomes (30 de Setembro de 1839); criou a primeira enfermaria moderna para tratar as doenças mentais no Hospital da Marinha (1840); nasce seu sobrinho Augusto Gomes de Araújo, filho de Joaquim José de Araújo e de D. Henriqueta Leonor Gomes Mourão de Araújo (2 de Agosto de 1842); encarregado pela Rainha Dona Maria II da criação de um hospital para alienados, que estará na origem do Hospital de Rilhafoles, o actual Hospital Miguel Bombarda (1842)[7]; presidente da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa (1843–1844)[8]; nasce seu filho Henrique de Barros Gomes (14 de Setembro de 1843); presidente e sócio emérito da Academia Real das Ciências de Lisboa; funda a Escola Médico-Cirúrgica de Goa (1847); exonerado, a seu pedido, das funções de director do Hospital Real da Marinha e de presidente do Conselho de Saúde Naval (Julho de 1847); usou pela primeira vez em Portugal o clorofórmio para anestesiar um doente durante uma intervenção cirúrgica (12 de Janeiro de 1848)[9]; colaborador da GAZETA MÉDICA DE LISBOA (1848–1861); capitão-de-fragata graduado da Real Armada; co-autor do CATALOGUM PLANTARUM HORTI BOTANICI MEDICAE-CHIRURGICAE SCHOLAE OLISIPONENSIS (1851–1852); readmitido como médico do Hospital Real de S. José (5 de Abril de 1852); fundador, redactor e colaborador da GAZETA MÉDICA (1853); morre sua mulher D. Maria Leocádia Fernandes Tavares de Barros Gomes (10 de Março de 1854); agraciado com o título de Conselheiro do Conselho de Sua Majestade; agraciado com o grau de Comendador da Ordem de Cristo; agraciado com o grau de Comendador da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito; agraciado com a Real Ordine di Francesco I delle Due Sicilie (Nápoles); agraciado com a Ordine Cavalleresco e Religioso di San Maurizio da Sardenha; agraciado com o grau de Oficial da Legião de Honra de França; acompanha a viagem do Rei Dom Pedro V pela Europa, como médico da Real Câmara (1855)[10]; exonerado das funções de médico do Hospital Real de S. José (1857); polémica com o Duque de Saldanha sobre a medicina homeopática (1858–1859); membro da comissão encarregada de escolher o projecto para a construção do Hospital da Bemposta, actual Hospital de Dona Estefânia (1859–1860); faleceu sua mãe D. Leonor Violante Rosa Mourão (29 de Março de 1864); primeiro médico da Real Câmara (1864); presidente da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa (1864–1866); presidente da Comissão Provisória para Socorro a Feridos e Doentes em Tempo de Guerra, antecessora da Cruz Vermelha Portuguesa (1865)[11]; representante de Portugal na Conferência Sanitária Internacional de Constantinopla (1866); agraciado com a Grã-Cruz da Orden de Isabel la Católica, de Espanha (1867); presidente da Sociedade Farmacêutica Lusitana; presidente da Comissão para a Farmacopeia Nacional[12] (1871–1876); agraciado com o grau de Comendador da Ordem de Santiago; nasce em Lisboa seu neto António Pessoa de Barros Gomes, filho de Henrique de Barros Gomes e de D Rita Pessoa de Barros e Sá Gomes (20 de Janeiro de 1876); colaborador da FARMACOPEIA PORTUGUESA (1876); nasce em Lisboa seu neto Bernardino António de Barros Gomes, filho de Henrique de Barros Gomes e de D Rita Pessoa de Barros e Sá Gomes (20 de Fevereiro de 1877); publicista; conferencista; hidrologista; botânico; geólogo; especialista em termalismo; especialista em higiene social; cientista.
– Dissertations Sur Les Vers Plats Articulés qui Existent chez l’Homme, Paris, 1831.
– Sobre a Epidemia de Cólera que Grassou na Cidade do Porto Durante o Sítio de 1832-1833, in Jornal das Ciências Médicas de Lisboa, tomo I, 1835.
– Análise das Águas Sulfúricas do Arsenal da Marinha, in Jornal das Ciências Médicas de Lisboa, tomo II, 1835; em co-autoria com A. P. Cardoso.
– Considerações Históricas Acerca da Água Sulfúrica do Arsenal da Marinha, Lisboa, 1836; em co-autoria com A. P. Cardoso.
– Memória Sobre a Epidemia da Cólera-Morbus que Grassou na Cidade do Porto Desde 1832 a 1833, Lisboa, 1842.
– Discurso Recitado na Sessão Solene da Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa em 21 de Maio de 1843, na Presença de Sua Majestade o Rei, Lisboa, 1843.
– Dos Estabelecimentos de Alienados nos Estados Principais da Europa, Lisboa, 1844.
– Ópio Português, Sua Riqueza em Morfina, in Jornal da Sociedade das Ciências Médicas, tomo XXIII, Lisboa, 1846.
– Ensaios Práticos Sobre o Ópio Indígena, Lisboa, 1848.
– Elementos de Farmacologia Geral ou Princípios Gerais de Matéria Médica e Terapêutica, Lisboa, 1851.
– Notícia de Alguns Casos da Moléstia de Bright Observados no Hospital de S. José e Resumo das Doutrinas Mais Modernas Acerca Desta Doença, Lisboa, 1854.
– Notícia da Vida e Trabalhos Científicos do Médico Bernardino António Gomes, Lisboa, 1857.
– O Marechal Duque de Saldanha e os Seus Médicos, Lisboa, 1859.
– Ao Il.mo e Ex.mo Senhor Marechal Duque de Saldanha: Uma Explicação, Lisboa, 1859.
– Breves Considerações Acerca da Memória Sobre o Estado da Medicina em 1858, Lisboa, 1859.
– A Instrução Médica em Portugal, in Gazeta Médica de Lisboa, tomo III, 1861.
– Notícia da Doença de que Faleceu Sua Majestade El-Rei O Senhor Dom Pedro V e das que na Mesma Ocasião Atacaram Suas Altezas os Senhores Infantes D. Fernando, D. Augusto e D. João no Ano de 1861, Lisboa, 1862.
– “On Welwitschia a New Genus of Gnetaceae by Joseph Dalton Hooker”, Extracto e Notícia no Diário de Lisboa, Lisboa, 1863.
– Relatório Sobre o Herbário da Madeira e das Ilhas Canárias Oferecido à Academia Real das Ciências de Lisboa pelo seu Sócio o Barão de Castelo de Paiva, Lisboa, 1863.
– Questão Vacínica, Lisboa, 1864.
– Elogio Histórico do P.e João de Loureiro: Lido na Sessão Solene da Academia Real das Ciências de Lisboa em 30 de Abril de 1865, Lisboa, 1865.
– Vegetais Fósseis: Flora Fóssil do Terreno Carbonífero das Vizinhanças do Porto, Serra do Buçaco e Moinho d’Ordem Próximo a Alcácer do Sal, Lisboa, 1865.
– As Epidemias no Asilo da Ajuda, nos Anos de 1860-1864, Lisboa, 1865.
– A Cultura da Quina, in Jornal da Sociedade das Ciências Médicas, tomo XXIX, 1865.
– Aperçu Historique sur les Epidémies de Cholére-Morbus et de Fiévre Jaune en Portugal, Dans les Années de 1833-1865, Constantinopla, 1866.
– Relatório Sobre os Trabalhos da Conferência Sanitária Internacional, Reunida em Constantinopla em 1866, Lisboa, 1867.
– O Esgoto, a Limpeza e o Abastecimento das Águas em Lisboa: O que foram ou são e o que devem ser, Considerado Tudo à Luz das Boas Práticas e Doutrinas, Lisboa, 1871.
– Breve Notícia Sobre a Composição Química e Propriedades Terapêuticas das Águas Minerais das Pedras Salgadas, Coimbra, 1871; em co-autoria com José Bettencourt Rodrigues.
– As Árvores que Dão a Quina nas Nossas Possessões de África, in Jornal da Sociedade das Ciências Médicas, tomo XXXVI, Lisboa, 1872.
– A Monograph of Ebenaceae on Physotrichia a New Genus of Umbelliferae From Angola, Lisboa, 1873; tradução.
– As Explorações Fito-Geográficas da África Tropical e em Especial as da Guiné Inferior, Ordenadas pelo Governo Português e Executadas pelo Dr. Friederich Welwitsh nos Anos 1853 a 1861, Lisboa, 1873.
Inauguração do busto e monumento em sua honra, no Jardim Botânico da Faculdade de Ciências de Lisboa (14 de Novembro de 1926); o seu nome consta da toponímia de Lisboa.
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Árvore de Costados de Bernardino António Gomes |
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Próprio |
Pais |
Avôs |
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Dr. Bernardino António Gomes
Nasceu em Lisboa em 1806
Faleceu em Lisboa em 1877 |
Dr. Bernardino António Gomes
Nasceu em Paredes de Coura em 1768
Faleceu em Lisboa em 1823 |
Dr. José Manuel Gomes
Nasceu em Coimbra em 1733
Médico municipal em Paredes de Coura em 1766-1774 |
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D. Josefa Maria Clara de Sousa |
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D. Leonor Violante Rosa Mourão
Nasceu em Lisboa em 1775
Faleceu em Lisboa em 1864 |
Dr. João Carlos Mourão Pinheiro
Advogado |
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D. Leonor Violante Rosa do Vale Mourão |
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[1] Visconde de Sanches de Baêna, Dicionário Aristocrático, Lisboa, 1867, p. 21.
[2] Jofre de Lima Monteiro Alves, Genealogia de Bernardino António Gomes, Lisboa, 2009.
[3] M. Ferreira de Mira, História da Medicina Portuguesa, Lisboa, 1948, p. 396.
[4] Rui Abreu, Hospital da Marinha: Resumo Histórico de 200 Anos de Actividade (Continuação), in AORN Boletim Informativo, ano II, n.º 5, Julho de 1997, p. 15.
[5] Manuela Lobo da Costa Simões, Um Divórcio na Lisboa Oitocentista, Lisboa, 2006, p. 54.
[6] Página oficial da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa, consultada a 6 de Setembro de 2011: http://www.scmed.pt/np4/28.html
[7] Página oficial da Junta de Freguesia da Pena, consultada a 6 de Setembro de 2011: http://www.jf-pena.pt/index.php?/por/Org
[8] Jornal da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa, tomo CXXXII, Dezembro de 1968, n.º 9-10.
[9] Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, volume XII, Lisboa, 1945, p. 517.
[10] Francisco António Martins Bastos, Nobiliarquia Médica: Notícia dos Médicos e Cirurgiões da Real Câmara, dos Físicos Mores e Cirurgiões Mores do Reino, Lisboa, 1858, p. 75.
[11] Rogério Bordalo da Rocha e José Carlos Kullberg, A Geologia na Toponímia e na História da Cidade de Lisboa, p. 7. Os autores dão-lhe o nome de Comissão Portuguesa de Socorros a Feridos e Doentes Militares. Contudo o Decreto-Lei n.º 164/91, de 7 de Maio de 1991, do Ministério da Defesa Nacional, atribui-lhe a designação de Comissão Provisória para Socorro a Feridos e Doentes em Tempo de Guerra.
[12] Faziam parte da Comissão para a Farmacopeia Nacional, para além do prof. dr. Bernardino António Gomes, os seguintes elementos: José de Sousa Martins, Cunha Viana e Carlos May Ferreira, como médicos do Hospital de São José; Agostinho Vicente Lourenço e António Augusto de Aguiar, como professores de Química da Escola Politécnica; José Tedeschi e Claudino Leitão, como professores de Farmácia; Costa Azevedo e Urbano Veiga, como farmacêuticos; e Pedro José da Silva, como professor do Instituto Agrícola e Veterinário.
[13] M. Ferreira de Mira, História da Medicina Portuguesa, Lisboa, 1948, pp. 107, 374, 400, 412 e 422.
[14] Biblioteca Nacional, PORBASE: Base Nacional de Dados Bibliográficos, consultada a 6 de Setembro de 2011: http://porbase.bnportugal.pt/ipac20/ipac.j
AGAITAR, verbo transitivo. Imitar o som da gaita.
AGALEIRAR, verbo intransitivo. Grelar; criar galeiros a batata.
AGANÃO, substantivo masculino. Ratazana; rato grande.
AGÁNO, substantivo masculino. Coleóptero de cor preta e do tamanho de uma joaninha, que expele um líquido avermelhado. Termo de Arcos de Valdevez.
AGANOEIRO, substantivo masculino. Buraco por onde se some parte da água das levadas. Termo de Monção.
AGANTADO, adjectivo. Agarrado.
AGANTAR, verbo transitivo. Aguentar; segurar.
AGARABATIL, substantivo masculino. Cepo de carpinteiro para rasgar o forro de macho e fêmea. Corruptela de “esgaravatil”. Termo de Vila Nova de Cerveira.
AGARANTADO, adjectivo. Bem medido; avantajado. Termo de Arcos de Valdevez.
AGARDECER, verbo transitivo e intransitivo. Agradecer.
AGARIMADO, adjectivo. Sítio abrigado. Termo de Melgaço.
AGARIMAR, verbo transitivo. Dar pousada a alguém.
AGARRAFA, substantivo feminino. Garrafa [Forma prostética].
AGARRANCHADO, adjectivo. Agarrado.
AGASALHAR, verbo transitivo. Lançar comida ao gado na manjedoura, antes dele entrar na corte. Termo do Alto Minho.
AGEOLHAR, verbo intransitivo. Ajoelhar.
AGODELHAR, verbo transitivo. Confundir; embaraçar; atrapalhar.
Paço da Giela, Arcos de Valdevez, em 1983. Fotografia de Jofre de Lima Monteiro Alves.
Desmame
O prazo social para a desmama é muito irregular, varia de terra em terra, sempre ao redor do ano de idade, que pode ir até aos vinte e quatro meses ou mais, em situações extremas de aleitação retardada.
Leite quente tira-mo da frente.
No Alto Minho e Baixo Minho a norma do desmame ronda os doze a dezoito meses, embora se conheça casos pontuais de meninas de escola e meninos que guardavam gado que ainda mamavam pendurados na mama materna, entrados já nos seis anos.
Ó minha descoradinha
Roubaste a cor ao leite;
Quem te comeu o melhor
Agora que te aproveite.
As próprias mães região de Entre-Douro-e-Minho e das Beiras fomentavam o uso tardio do aleitamento como método anticoncepcional, pois confiavam piamente não engravidar durante o período defeso da amamentação, devido à ausência das regras ou menstruação, facto que varia muito de pessoa para pessoa e que era muitas das vezes desmentido por gravidezes de surpresa.
A criança e o gatinho vão a quem lhe dá leitinho.
Na Ponte da Barca e em Paredes de Coura, em eras de antanho, o poviléu acreditava que uma criança que mamava persistentemente depois do ano e meio seria de siso pouco inteligente e a sua dentição pouco sadia.
Ó vida da minha vida,
Cara de leite amassado;
Eu já te dei de comer
Pelas ripas do telhado.
Para a mãe produzir mais leite, a tradição recomendava uma alimentação à base de caldo de couves e azeitonas. Já a pitança para secar o leite era ferocíssima, pois a mulher tinha que comer cebola crua e colocar uma argamassa de rabaças amassadas sobre o peito.
Por cima do leite não há fruta que deleite.
As mães colocavam azebre ou pimenta nos meios para apartar as crianças que persistiam em mamar até muito tarde, pois «logo que lhe toca o beiço da criança e gosta o sabor amargoso, já toma antojo ao leite», no dizer sábio de D. Francisco Manuel de Melo[1].
Castelo do Lindoso, Ponte da Barca, em 1981. Fotografia de Jofre de Lima Monteiro Alves.
Actuação do Grupo Etnográfico da Associação Cultural Recreativa e Desportiva de Paredes de Coura na Festa em Honra a Nossa Senhora das Angústias, que teve lugar nas Angústias, lugar da freguesia de Padornelo, concelho de Paredes de Coura, a 3 de Julho de 2011.
António de Melo Pinto de Gusmão Calheiros nasceu em Castelões de Cepeda, freguesia do concelho de Paredes[1], distrito do Porto, a 18 de Agosto de 1878, filho segundogénito do dr. António Augusto de Gusmão Calheiros[2], natural de Ponte da Barca, e de D. Maria Angélica Gromwell de Melo Vaz Pinto Calheiros[3], natural de Arouca; neto pela via paterna do capitão António Manuel da Costa Pereira Calheiros[4], natural de Ponte da Barca, e de D. Maria Amália Pimenta de Gusmão da Gama e Castro, natural de Arcos de Valdevez; neto materno do dr. José Augusto Vaz da Fonseca Pinto[5], natural de Arouca, e de D. Emília Augusta Gromwell de Mello Pinto, natural de Oliveira de Frades.
Casou em 9 de Agosto de 1905 na freguesia de Nossa Senhora da Glória, cidade de Aveiro, com D. Clementina Ferreira Pinto Basto, nascida em Aveiro a 31 de Janeiro de 1884 e falecida a 20 de Julho de 1931, filha de Gustavo Ferreira Pinto Basto e de D. Maria José de Almeida Azevedo Ferreira Pinto.
SUA VIDA DURANTE A MONARQUIA CONSTITUCIONAL:
Morre seu pai António Augusto de Gusmão Calheiros (9 de Outubro de 1884); Senhor da Casa de Quintela[6], em São Lourenço de Cabrão, Arcos de Valdevez (Outubro de 1884); proprietário na Ponte da Barca e Arcos de Valdevez; morre José Augusto Vaz da Fonseca Pinto, seu avô materno (1887); assentou praça como soldado voluntário da 5.ª Companhia do Regimento de Cavalaria n.º 10 (20 de Agosto de 1897); licença para estudos preparatórios na Universidade de Coimbra (1 de Outubro de 1897); frequenta a Universidade de Coimbra (1897–1898); primeiro-sargento graduado cadete da Companhia de Alunos da Escola do Exército (decreto de 27 de Setembro de 1897 e Ordem do Exército n.º 28, 2.ª série, de 23 de Novembro de 1897); primeiro-sargento cadete da Companhia de Alunos (Ordem do Exército n.º 19, 2.ª série, de 4 de Novembro de 1899); habilitado com o Curso da Arma de Cavalaria da Escola do Exército (15 de Outubro de 1900); aspirante a oficial do Regimento n.º de 4 de Cavalaria do Imperador da Alemanha Guilherme II (Ordem do Exército n.º 24, 2.ª série, de 20 de Outubro de 1900); alferes de Cavalaria (decreto de 15 de Novembro de 1901 e Ordem do Exército n.º 23, 2.ª série, de 16 de Novembro de 1901); colocado no Regimento de Cavalaria n.º 5 (Ordem do Exército n.º 23, 2.ª série, de 16 de Novembro de 1901); requisitado pelo Ministério da Marinha e Ultramar para fazer uma comissão extraordinária de serviço em Moçambique (decreto de 17 de Abril de 1902); embarcou para a Província de Moçambique (2 de Maio de 1902); desembarcou em Lourenço Marques (6 de Junho de 1902); participou na coluna de operações ao Barné, Moçambique (6 de Junho de 1902–29 de Outubro de 1902); participou no combate de Missongue (28 de Agosto de 1902); embarcou de regresso ao Reino (30 de Outubro de 1902 e Ordem das Forças Armadas n.º 10, de 31 de Outubro de 1902); colocado na disponibilidade por ter regressado da comissão de serviço no Ministério da Marinha e Ultramar (4 de Dezembro de 1902, por decreto de 11 de Dezembro de 1902 e Ordem do Exército n.º 29, 2.ª série, de 20 de Dezembro de 1902); colocado no Regimento de Cavalaria n.º 7 (Ordem do Exército n.º 1, 2.ª série, de 27 de Janeiro de 1903); condecorado com a Medalha de Prata “Rainha Dona Amélia”, «por fazer parte da Coluna de Operações ao Barné» (Boletim Militar do Ultramar n.º 3, de 18 de Fevereiro de 1903, e Ordem do Exército n.º 5, 2.ª série, de 14 de Março de 1903); sócio do Montepio Oficial (Abril de 1903); director da Escola Regimental (5 de Abril de 1903–29 de Outubro de 1903); pede autorização para contrair matrimónio (15 de Julho de 1905); casou em Aveiro com D. Clementina Ferreira Pinto Basto, filha de Gustavo Ferreira Pinto Basto e D. Maria José de Almeida Azevedo (9 de Agosto de 1905); tenente de Cavalaria (decreto de 1 de Dezembro de 1905 e Ordem do Exército n.º 20, 2.ª série, de 2 de Dezembro de 1905); nasce em Aveiro seu filho Duarte Pinto Basto de Gusmão Calheiros (18 de Julho de 1908); pede para servir no Ultramar (6 de Agosto de 1908); premiado com o diploma de menção honrosa no Campeonato do Cavalo de Guerra (Ordem do Exército n.º 26 de 31 de Outubro de 1908); premiado com o diploma de menção honrosa no Campeonato do Cavalo de Guerra (Ordem do Exército n.º 23 de 8 de Maio de 1909); participou no Concurso Hípico Nacional (13 de Maio de 1909–22 de Maio de 1909); louvado «pelo júri da exposição cavalar pela forma porque ensinou e apresentou ao mesmo júri o cabalo» (23 de Maio de 1909).
SUA VIDA DURANTE A I REPÚBLICA:
Capitão de Cavalaria (decreto de 20 de Janeiro de 1912); colocado no 1.º Esquadrão do Regimento de Cavalaria n.º 7 (Ordem do Exército n.º 3, 2.ª série, de 25 de Janeiro de 1912); colocado como comandante do 3.º Esquadrão do Regimento de Cavalaria n.º 3, em Estremoz (despacho de 9 de Maio de 1912 e Ordem do Exército n.º 9, 2.ª série, de 10 de Maio de 1912); participou no Concurso Hípico Internacional de Lisboa (15 de Maio de 1913); colocado como chefe do Estado-Maior da Brigada de Cavalaria da 4.ª Divisão Militar, em Estremoz (Ordem do Exército n.º 2, 2.ª série, de 7 de Fevereiro de 1914); colocado no 2.º Esquadrão do Regimento de Cavalaria n.º 3 (Ordem do Exército n.º 5, 2.ª série, de 15 de Março de 1915); colocado no 3.º Esquadrão do Regimento de Cavalaria n.º 8, de Aveiro (Ordem do Exército n.º 8, 2.ª série, de 8 de Maio de 1915); colocado no Estado-Maior da Arma de Cavalaria (Ordem do Exército n.º 11, 2.ª série, de 2 de Junho de 1915); demitido do serviço do Exército «pelo pedir» (decreto de 30 de Junho de 1915 e Ordem do Exército n.º 13, 2.ª série, de 30 de Junho de 1915)[7]; cavaleiro hípico; director de empresa[8].
SUA VIDA DURANTE O ESTADO NOVO:
Morre sua mulher D. Clementina Ferreira Pinto Basto (20 de Julho de 1931); nomeado sócio protector da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Aveiro (1932); morre seu irmão José de Melo Pinto de Gusmão Calheiros (3 de Maio de 1942); faleceu seu irmão Joaquim Pimenta de Melo Gusmão Calheiros (11 de Junho de 1946.)
Faleceu a 2 de Dezembro de 1948.
Filho:
Eng.º Duarte Pinto Basto de Gusmão Calheiros, nascido em Aveiro a 18 de Julho de 1908 e falecido em Santo Amaro de Oeiras a 27 de Agosto de 1974;
Engenheiro pela Escola Militar de Lisboa; oficial do Exército da Arma de Engenharia; gestor; administrador-adjunto da Administração-Geral dos CTT; subdirector geral dos Correios; delegado na Comissão de Estudo de Projectos para Instalação dos Correios da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (1935–1951); delegado do Ministério das Obras Públicas e Comunicações no Conselho Nacional do Ar (1937–1943); presidente das Comissões Coordenadoras das Telecomunicações do Império Português (1939–1940); vogal representante do Ministério das Obras Públicas e Comunicações na Junta Nacional da Marinha Mercante (1946–1949); membro do Conselho de Administração da Companhia de Seguros “O Trabalho” (1951–1954); administrador na companhia de Transportes Aéreos Portugueses; Procurador à Câmara Corporativa, pelas entidades patronais (1957–1961); Procurador à Câmara Corporativa (1965–1973).
Casou em Lisboa a 10 de Julho de 1940 com Blanche Mary Hay-Coghan, nascida em Cascais em 1916, filha de Charles Hay-Coghan e de Adelaide Ryder; com geração.
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Árvore de Costados de António de Melo Pinto de Gusmão Calheiros |
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Próprio |
Pais |
Avós |
Bisavós |
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António de Melo Pinto de Gusmão Calheiros
* 1878
+ 1948
Capitão de Cavalaria
Proprietário
Cavaleiro hípico
Director de Empresa
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Dr. António Augusto de Gusmão Calheiros
Juiz de Direito
* Ponte da Barca 1833 + 1884 |
Capitão António Manuel da Costa Pereira Calheiros
* Ponte da Barca 1800 |
Francisco Manuel da Costa Pereira Calheiros
* Ponte da Barca |
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D. Joana da Costa Barbosa |
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D. Maria Amália Pimenta de Gusmão da Gama e Castro
* Arcos de Valdevez 1800 |
Joaquim Pimenta de Gusmão
* Barcelos 1750 |
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D. Mariana Rosa Taveira
* Ponte da Barca |
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D. Maria Angélica Gromwell de Melo Vaz Pinto Calheiros
* Arouca 1855 |
Dr. José Augusto Vaz da Fonseca Pinto
* Arouca 1828 + 1887 |
Bernardino António Teixeira Vaz Pinto
1766 + 1834 |
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D. Maria Cândida Aranha de Sequeira Barbosa |
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D. Emília Augusta Gromwell de Mello Pinto
* Oliveira de Frades 1833 |
Dr. José Bento da Rocha e Mello
* S. Pedro do Sul 1786 + Oliveira de Frades 1843 |
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D. Ana Emília Gromwell Guillon |
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[1] O sítio Genea afiança que nasceu em Paredes de Coura a 18 de Agosto de 1878. Cf. http://www.geneall.net/P/per_page.php?id=7
[2] António Augusto de Gusmão Calheiros, nascido na Ponte da Barca em 1833 e falecido a 9 de Outubro de 1884, foi bacharel formado em Direito pela Universidade de Coimbra, Senhor da Casa de Quintela e Juiz de Direito em Ponte de Lima.
[3] D. Maria Angélica Gromowel de Melo Pinto Calheiros conforme a Folha de Matrícula do Exército de seu filho, ou D. Maria Angelina Gromwell de Melo Vaz segundo José de Sousa Machado e o Anuário da Nobreza de Portugal.
[4] António Manuel da Costa Pereira Calheiros, filho natural legitimado de Francisco Manuel da Costa Pereira Calheiros, foi capitão de Caçadores.
[5] José Augusto Vaz da Fonseca Pinto foi bacharel formado em Direito, Senhor da Casa do Burgo e Senhor da Casa do Milhaço, ambas em Arouca.
[6] José de Sousa Machado, Últimas Gerações de Entre Douro e Minho, livro I, Braga, 1931, p. 136.
[7] AHM, Processos Individuais de Oficiais, António de Melo Pinto de Gusmão Calheiros.
[8] Instituto Português de Heráldica, Anuário da Nobreza de Portugal, vol. III, tomo II, Lisboa, 1985, p. 1002.
Muitas personagens e instituições marcam de forma indelével as terras que lhe foram berço, pelo seu ideal de servir os povos e pela magia da solidariedade humana. São pessoas de carácter que moldam os organismos, os valores e fundam os alicerces da sociedade.
A criação dos bombeiros era uma necessidade sentida pelas forças vivas do concelho de Paredes de Coura, pese embora a primeira tentativa frustrada em 1898 para criar um serviço regular dos soldados da paz. A situação amadureceu e evoluiu favoravelmente, muito pela acção e esforço de três figuras relevantes da sociedade courense do primeiro terço do século XX, porquanto as instituições precisam de âncoras fortes para crescerem e frutificarem.
Somente a 18 de Agosto de 1926 nasce oficialmente uma comissão encarregue de organizar um corpo de bombeiros, sob directa presidência do dr. João Luís Afonso Viana e da qual faziam parte o tesoureiro Amílcar Gomes de Oliveira e o secretário Manuel Cândido Gonçalves Pereira, soldados das boas causas. Uma oportuna e acertada iniciativa de gente capaz de combater a inércia e o comodismo. A Comissão Organizadora realizou um trabalho hercúleo de sensibilização e recolha de donativos, a lançar o embrião decisivo da Associação.
Amílcar de Oliveira nasceu na vila de Paredes de Coura a 22 de Janeiro de 1880, filho do capitão António Joaquim Álvares de Oliveira e de D. Emília Cândida Gomes Barbosa de Oliveira.
Abastado proprietário de teres e haveres, viveu longas temporadas na freguesia de Paredes de Coura, Mozelos, Eiras e Aboim das Choças. Exerceu com proficiência as funções de administrador substituto do concelho de Arcos de Valdevez (1907-1908), procurador efectivo à Junta Geral do Distrito de Viana do Castelo (1917), tesoureiro da Comissão Organizadora dos Bombeiros de Paredes de Coura (1926-1927), vogal da Assembleia Courense (1927-1935), vice-presidente da Irmandade do Asilo de Nossa Senhora da Conceição de Paredes de Coura (1935) e presidente da Assembleia Geral da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo dos Arcos de Valdevez (1950-1951).
Pelo seu coração cristalino, foi benemérito de inúmeras instituições, pois nunca conseguiu viver de costas voltadas para o seu semelhante, praticando o bem, abrindo o coração ao amor ao próximo, mostrando uma disponibilidade permanente, protector devotadíssimo das instituições de caridade, alma de dedicação inexcedível a socorrer pobres e famintos neste vale de lágrimas.
Monárquico fervoroso, apontado a dedo nos tempos da I República como fiel aos ideais do Rei, sofre atroz perseguição, sendo por isso assaltado e moído de pancada por diversas vezes pelos correligionários republicanos da “Formiga Branca”, salafrários e jolda de monta.
Faleceu a 10 de Maio de 1956 na sua Quinta do Perguntadouro, freguesia de Aboim das Choças, concelho dos Arcos de Valdevez, aos 76 anos de idade, deixando sentida saudade nos seus conterrâneos, a viúva D. Maria Júlia Barbosa de Oliveira e os filhos António Joaquim, Alberto, José Joaquim e Júlio César emersos em profunda dor, os olhos rasos de pranto.
Nesta hora que assinala o 85.º aniversário da fundação da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Paredes de Coura, seria da mais elementar justiça o descerramento do seu retrato junto dos outros devotados fundadores e prestar digna homenagem à sua memória.
José Maria Mendes Ribeiro Norton de Matos
Publicou:
– Relatório de Repartição de Agrimensura Relativo à Época de 1899–1900, Nova Goa, 1901.
– Topografia e Geologia do Concelho das Ilhas de Goa, in A Terra: Revista Portuguesa de Geofísica, n.º 14.
– Manual do Agrimensor, Nova Goa, Imprensa Nacional, 1904.
– Carta Agrícola do Concelho das Ilhas de Goa, 1908.
– Os Serviços de Agrimensura e Cadastro na Índia Portuguesa, 1911.
– A Geologia da Índia Portuguesa, 1912.
– A Questão de Ambaca, 1912.
– Projectos de Lei Orgânica e de Organização de Alguns Serviços Provinciais, 1912.
– A Situação Financeira e Económica da Província de Angola, Lisboa, 1914.
– Discurso a Propósito da Redução de Direitos de Exportação e Documentos Elucidativos, Luanda, Imprensa Nacional, 1922.
– A Mentalidade Colonizadora dos Portugueses, Lisboa, 1924.
– A Missão Colonizadora de Portugal em África, 1924.
– A Província de Angola, Porto, Edição Marânus, 1926.
– Província de Angola: Providências Tomadas pelo General J. M. R. Norton de Matos como Alto-Comissário da República e Governador-Geral, Lisboa, 1927.
– Discurso Proferido pelo General Norton de Matos na Sessão Solene do 1.º Congresso de Medicina Tropical da África Ocidental, Luanda, Imprensa Nacional, 1928.
– La Formation de la Nation Portugaise Envisagée au Pointe de Vue Colonial, Lisboa, Agência Geral das Colónias, 1930.
– Memórias da Minha Vida Colonial, in Boletim da Sociedade Luso-Africana do Rio de Janeiro, n.º 4, 1933.
– A Minha Concepção do Império Português, in Boletim da Sociedade Luso-Africana do Rio de Janeiro, n.º 5, 1933.
– A Acção Civilizadora do Exército Português no Ultramar: Conferência, Porto, 1934.
– Verificação dos Levantamentos Fotogramétricos, Lisboa, Anuário Comercial, 1935.
– Fotogrametria, Coimbra, A Terra, 1937.
– A Grande Guerra nas Colónias Portuguesas, 1937.
– Regimento Que El-Rei D. Manuel Deu a Simão da Silva, Quando o Mandou a Manicongo, in I Congresso da História da Expansão Portuguesa no Mundo, vol. 5, Lisboa, 1938.
– Tarefa Ingente, in Revista Militar n.º 6, Lisboa, 1939.
– A Fotogrametria Perante a Urgência de Trabalhos Topográficos e Cadastrais em Portugal, Lisboa, 1939.
– Síntese das Medidas Aconselháveis Para Impulsionar o Povoamento Indígena de Angola, 1940.
– Imperativos Internacionais de Transformação dos Regimes Coloniais, 1943.
– Memórias e Trabalhos da Minha Vida: Factos, Acontecimentos e Episódios, 4 volumes, Lisboa, Editora Marítimo-Colonial, 1944 – 1946.
– Educação e Instrução dos Indígenas, 1946.
– Duas Cartas Célebres, sobre o «Mapa Cor-de-Rosa», Porto, 1947.
– Angola: História e Comentários, Lisboa, Edição Gama, 1948.
– Os Dois Primeiros Meses da Minha Candidatura à Presidência da República, Lisboa, 1948.
– Mais Quatro Meses da Minha Candidatura à Presidência da República, Lisboa, 1949.
– Às Mulheres de Portugal: Colectânea de Alguns Discursos Pronunciados para Propaganda da Candidatura, Lisboa, edição dos Serviços Centrais da Candidatura do General Norton de Matos, 1949.
– Para Onde Nos Leva a Política Económica do Governo?, 1949.
– Angola: Ensaio Sobre a Vida e Acção de Paiva Couceiro em Angola Que se Publica ao Reeditar-se o Seu Relatório de Governo, Lisboa, Edição Gama, 1951.
– Circular do Governador-Geral de Angola, Ponte de Lima, 1952.
– Conferência, Aveiro, 1953.
– A Nação Una: Organização Política e Administrativa dos Territórios do Ultramar Português, Lisboa, 1953.
– África Nossa: O Que Queremos e o Que Não Queremos Nas Nossas Terras de África, Porto, Edição Marânus, 1953.
– Meio Século de Ocupação, in Boletim Cultural do Huambo, volumes 4/8, 1955, em co-autoria com Vicente Ferreira.
– Nova Lisboa, in Boletim Geral do Ultramar, vol. 37, n.º 436-438, 1961.
Era frade da Reforma Capucha da Província Franciscana da Imaculada Conceição, conhecidos genericamente pelos Antoninos da Conceição. Detentor de elevados dotes musicais, cantava como corista do coro do Convento de Santo António da Cidade do Porto, o mundo à sua volta parecia suspenso da doce melodia da voz cristalina. As crónicas fazem-no natural de Paredes de Coura, como surge identificado, não sei se o termo é referente ao concelho ou tão-somente à freguesia, mas tanto monta para a questão.
A Guerra Civil foi uma época de calamidade raiventa e sem tréguas, cultivada pela febre do desvairado ódio a raiar nos olhos dos prosélitos do absolutismo e do constitucionalismo, de extermínio e vinganças torpes dos malhados ou dos pedreiros-livres. O sangue corria a jorros.
A 9 de Julho de 1832 o chamado Exército Libertador ocupa a cidade do Porto, depois de ter desembarcado no Mindelo, perante a debandada geral. No meio dos espavoridos trânsfugas corriam acossados os frades do Convento de Santo António da Cidade, o corpo pegava lume de pavor, em alta grita e borbulhão de lágrimas, naquela hora de aflição.
Os monges tomados de medo procuram abrigo na Quinta do Fojo, enquanto os mercenários ingleses ao serviço dos liberais, possessos do inferno, ocupam e saqueiam o mosteiro, pilhando as alfaias religiosas, pratas, móveis e, até, as estilhas do travejamento foram aproveitadas para lenha.
Por ser partidário d’El-Rei Dom Miguel ou por fanatismo jacobino dos liberais, os quais viam em cada clérigo regular um potencial reaccionário e campeão da superstição, o certo é que frei António de Ave-Maria, irmão corista, foi fuzilado a 26 de Julho de 1832 na Quinta do Fojo, cercanias da cidade do Porto.
Nem teve tempo para se benzer três vezes e pronunciar o Santo Nome de Jesus, passado pelas armas dos áulicos partidários de Dom Pedro, Duque de Bragança e antigo Imperador do Brasil, conjuntamente com o padre frei Francisco da Pureza, irmão definidor. Faz agora 179 anos.
A Sabedoria Popular Sobre a Família
Portal da Quinta do Crasto, em Valença do Minho.
NATURAIS DO CONCELHO DE PONTE DA BARCA FALECIDOS EM FRANÇA
Distribuição do rancho nas trincheiras do Corpo Expedicionário Português, em 1917.
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