Segunda-feira, 31 de Março de 2008
Vídeo: A HISTÓRIA DE PORTUGAL EM SETE MINUTOS

O vídeo pode ser visto aqui: http://br.youtube.com/user/vdiaspt.


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Sábado, 29 de Março de 2008
Um Título Português em França: Duque de Abrantes

El-Rei Junot

Genealogia da Família Junot d’Abrantès

 

I – PANTALÉON JUNOT, filho de Jean Junot e de Marie Méat; casado com Jeanne Millot. Filho.

II – FRANÇOIS JUNOT, falecido em 1759, casado com Edmée Laurain (1703+1784). Filho:

III – MICHEL JUNOT (1739+1814), casado com Marie Antoinette Bienaymé (1735+1806). Filho:

IV – JEAN ANDOCHE JUNOT, nasceu em Bussy-le-Grand (Cote d’Or, França) a 23 de Outubro de 1771 e faleceu a 29 de Julho de 1813.

Foi soldado granadeiro (1791); sargento (1792); capitão (1794); coronel (1796); General de Brigada (1798); governador militar de Paris (1800); General de Divisão (1801); Coronel-General dos Hussardos (1804); embaixador em Portugal (1805); governador-geral de Parma (1806); comandante-chefe do Corpo de Observação da Gironda [Exército francês em Portugal] (1807-1808); governador do Conselho Militar de Portugal (1808); 1.º Duque de Abrantes (Março de 1808); comandante do Exército de Reserva da Alemanha (1809); comandante do 8.º Corpo do Exército de Portugal (1810); comandante do 2.º Corpo do Grande Exército da Rússia (1812); Governador de Veneza (1813).

Casou em 1800 com Laurette Martin de Permond [Laura de Abrantes], memorialista e historiadora, nascida em Montpellier a 6 de Novembro de 1784 e falecida em 1828. Filhos:

V. 1 – JOSÉPHINE JUNOT D’ABRANTÈS, nasceu a de 2 de Janeiro de 1802 e faleceu em Paris a 15 de Outubro de 1888; escritora; casou em 1841 com Jacques-Louis Amet.

V. 2 – CONSTANCE JUNOT D’ABRANTÈS, nasceu a 12 de Maio de 1803 e faleceu em 1881; escritora; casou em 1829 com Louis Antoine Aubert, capitão do Exército francês. Com geração.

V. 3 – LOUIS NAPOLÉON ANDOCHE JUNOT, nasceu em Paris a 25 de Setembro de 1807 e faleceu em Neuilly a 20 de Fevereiro de 1851.

2.º Duque de Abrantes; diplomata; romancista.

V. 4 – ANDOCHE ALFRED MICHEL JUNOT, nasceu em Ciudad Rodrigo, Espanha, a 25 de Novembro de 1810 e faleceu em Brescia a 19 Julho de 1859.

3.º Duque de Abrantes (1851); tenente-coronel do Estado-Maior do Exército de França.

Casou a 1.ª vez a 2 de Abril de 1845 com Marie Cèline Elise Lepic (1824+1847); casou 2.ª vez a 10 de Janeiro de 1853 com Marie Louise Léonie Lepic (1829+1868).

Filha do 1.º casamento:

VI.1 – JEANNE JOSÉPHINE MARGUERITE JUNOT D’ABRANTÈS, nasceu em Paris a 22 de Maio de 1847 e faleceu em Lasray a 21 de Março de 1934.

4.ª Duquesa de Abrantes (6-10-1860)

Casou em Paris a 16 de Setembro de 1869 com Xavier Eugène Maurice Le Ray (1846+1900), 4.º Duque de Abrantes. Filhos:

VII.1 – EUGÈNE MARIE ANDOCHE NAPOLÉON LE RAY d’ABRANTÈS, nasceu em Andrésy a 1 de Julho de 1870 e faleceu em St. Cloud a 12 de Fevereiro de 1954.

5.º Duque de Abrantes (1934).

Casou a 2 de Agosto de 1899 com Nicole de Maigret (1878+1957). Filhas:

VIII.1 – Jeanne Marie Joséphine GISÈLE LE RAY D’ABRANTÈS, nasceu em Epernay a 5 de Julho de 1900 e faleceu a 13 de Março de 1967; casou em Paris a 6 de Julho de 1921 com o conde René de Hercé (1897+1974). Filho:

IX.1 – Conde HENRI DE HERCÉ, casado com Jacqueline Duhesme. Filho:

X.1 – Visconde HUBERT DE HERCÉ, nascido em 1950 e falecido a 4 de Outubro de 2005.

VIII.2 – Josèphe Marie Agnès GHISLAINE LE RAY D’ABRANTÈS, nasceu em Epernay a 17 de Setembro de 1901 e faleceu a 14 de Dezembro de 1971.

VIII.3 – Marthe Josèphe Marie MADELEINE LE RAY D’ABRANTÈS, nasceu em Nice a 28 de Fevereiro de 1906 e faleceu em Paris a 4 de Setembro de 1953; casou em Paris a 29 de Janeiro de 1935 com Georges de Surmont (1901+ 1985).

VIII.4 – Marie Hélène JEANNE LE RAY D’ABRANTÈS, nasceu em Epernay a 18 de Agosto de 1908 e faleceu a 7 de Novembro de 1991; casou em Paris a 15 de Outubro de 1946 com Georges Rivet de Chaussepierre (1892+1973).

VIII.5 – Marie Louise Micheline LAURE LE RAY D’ABRANTÈS, nasceu em Levaré a 21 de Dezembro de 1911 e faleceu a 23 de Setembro de 1999; casou em Paris a 17 de Março de 1938 com Jaques Héliot (1912+1945).

VIII.6 – Jeanne Marie ROSE LE RAY D’ABRANTÈS, nasceu em Levaré a 14 de Outubro de 1914 e faleceu a 18 de Agosto de 2003; casou em Paris a 4 de Novembro de 1933 com François Escande (1903+1940).

VII.2 – Maurice Démétrius ALFRED LE RAY, nasceu em Bailleul a 27 de Novembro de 1873 e faleceu em Alençon a 15 de Setembro de 1920.

Marquês de Abrantes.

Casou em Paris a 19 de Outubro de 1905 com Hélène de Langsdorff (1879+1947). Filhos:

VIII.1 – MAURICE BERTRAND ANDOCHE LE RAY, nasceu em Alençon a 7 de Agosto de 1906 e faleceu em Marseille a 22 Outubro de 1982.

6.º Duque de Abrantes (1954).

Casou 1.ª vez a 5 de Dezembro de 1940 com Sylviane Luce Etienette Quimfe; casou 2.ª vez a 1 de Julho de 1948 com Janine Emma Balbi, nascida em Turim em 1904.

VIII.2 – MARGUERITE LAURE Hélène LE RAY D’ABRANTÈS, nasceu em Alençon a 16 de Novembro de 1909 e faleceu em 18 de Maio de 2006; casou em Paris a 17 de Outubro de 1932 com Guy Bès de Berc (1903+1983). Filho:

IX.1 – ARNAULT BÈS DE BERC, casado com Damienne Lefébure. Filhos:

X.1 – CAROLINE BÈS DE BERC, casada com Yann-Loic Herlin. Filha :

XI.1 – LAETITIA HERLIN, nasceu na Noruega a 1 de Junho de 2005.

X.2 – ANNE-CHARLOTTE BÈS DE BERC, nascida em 1978.

VII.3 – Marcel Gabriel Raymond MICHEL LE RAY D’ABRANTÈS, nasceu em Bailleul a 13 de Abril de 1880 e faleceu na Argélia a 25 de Outubro de 1949; casou em Argel a 24 de Março de 1923 com Léone Maillard (1896+1988). Filha:

VIII.1 – MARIE-LAURE Léone, nasceu na Argélia a 1 de Junho de 1931; casou a 5 de Julho de 1956 com Claude Millecam.

Filhos do 2.º casamento do 3.º Duque de Abrantes:

VI.2 – JERÒME NAPOLÉON Andoche JUNOT D’ABRANTÈS, nasceu em Paris a 16 de Junho de 1854 e faleceu em Paris a 10 de Março de 1857.

VI.2 – MARGUERITE LOUISE Elisabeth JUNOT D’ABRANTÈS, nasceu em Paris a 25 de Janeiro de 1856 e faleceu em 1919; casou em Paris em 1883 com César Elzéar Léon, Visconde de Arthaud de La Ferrière (1853+1924).

 



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Quinta-feira, 27 de Março de 2008
PROVÉRBIOS POPULARES 6 - O BURRO
  • A burro velho, albarda nova.
  • Antes asno que me leve que cavalo que me derrube.
  • Asno de muitos, lobos o comem.
  • Asno mau perto de casa corre sem pau.
  • Asno seja que o asno vozeia.
  • Bem sabe o asno em cuja casa sorna.
  • Brincadeiras de homem, beijos de burro.
  • Brincai com o asno, dar-vos-á barba com rabo.
  • Burra velha não toma carreira, anda sempre da mesma maneira.
  • Burro bravo dá coices até no vento.
  • Burro calado torna-se sábio.
  • Burro com fome até cardos come.
  • Burro e carroceiro nunca anda certeiro.
  • Burro e carroceiro nunca estão de acordo.
  • Burro mau a passo ou a trote, corre para casa sem chicote.
  • Burro nunca chega a carroceiro.
  • Burro onde encosta, mija.

Fotografia de Eduardo Daniel Cerqueira, que pode ser vista aqui http://olhares.aeiou.pt/utilizadores/detalhes.php?id=95702

 

 



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Quarta-feira, 26 de Março de 2008
A PROPÓSITO DE PALAVRAS: RESTAURAÇÃO

    Segundo parece, andam a restaurar coisas que não têm ponta por onde se pegue. Não, não estou a falar do património, esse sim, deve ser preservado e restaurado com muito amor e carinho.

 

    Restauração, em qualquer dicionário, significa o «acto ou efeito de restaurar», «acto de reparar o que se encontra danificado, de conservar o que se encontra em mau estado», portando sinónimo de conserto, reparação, restauro.

 

    Tem ainda o sentido de «restabelecimento de um estado ou uma situação anteriores», o da «reposição no poder de um regime ou força política», como por exemplo com a Restauração de 1 de Dezembro de 1640.

 

    Agora, ali na década de 1990, cresceu daninha e em surdina, de boca em boca e forma de letra, o substantivo «restauração» para indicar a «indústria de confecção e fornecimento de refeições em estabelecimentos abertos ao público».

 

    O idioma é dos falantes, mas não havia necessidade. Este vocábulo, com a modernice empregue é um galicismo desnecessário e servil, copiado tintim por tintim do francês «restauration».

 

    Os mais excitados dirão, se veio de França é bom, e vai daí, toma «restauração” à bruta e não estou a armar aos pingarelhos. No português de lei – ainda haverá? – diz-se «hotelaria», com raízes desde os primórdios do século XX. Basta lembrar o Sindicato de Hotelaria e a Escola Superior de Hotelaria e Turismo.

 

    A verdade mais comezinha, quem vai ao restaurante procura uma refeição, na vertente alimentícia, e não para restaurar energias. Livrar-nos-emos deste francesismo?

 

    Como dizia o distinto dr. José Neves Henriques, sapiente nestas migalhas da língua portuguesa, «empregar-se “restauração” como o tal sentido “moderno” de “hotelaria”, denota falta de cultura e seu quê de pedantismo». Mestre, perdoa-lhes que eles não sabem o que dizem.

 

Nota: o professor José Neves Henriques (1916+2008) faleceu no passado dia 4 de Março de 2008, aos 91 anos de idade; foi licenciado em Filologia Clássica, docente do Colégio Militar, consultor Científico da Sociedade da Língua Portuguesa, escritor e estudioso da temática linguístca, a quem todos reconheciam imensa sabedoria. Um verdadeiro purista da língua.



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Terça-feira, 25 de Março de 2008
LENDAS DE PORTUGAL 5: A lenda da lavandisca

    Conta-se que esta boeirinha seguia atrás da Sagrada Família, apagando com o rabo as pegadas da burrinha; a Nossa Senhora prometeu-lhe, então, que poucos dariam com o seu ninho e assim pudesse criar os sues filhotes.

 

    Popularmente é conhecida como a "passarinha" de Nossa Senhora.

 


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Segunda-feira, 24 de Março de 2008
FOTOGRAFIAS COM HISTÓRIA: O DENTISTA
Tira-dente no século XIX

    Ir a um dentista no século XIX devia ser das coisas mais complexas e dolorosas que atormentavam o indígena humano.

                       

    Por diversos motivos, à cabeça dos quais a ausência de anestesia, a quase ineficácia dos anestésicos, a moção de assepsia vigente, a rudeza dos materiais utilizados, os modos poucos delicados do tira-dentes, e também os medos que ainda hoje nos levam, a alguns, a permanecer longe dos consultórios dentários.

 

    Esta imagem espantosa oferece diversos aspectos espantosos e sublimes. A cena decorre num botequim – ou algo similar –, onde estão expostos alguns elixires milagrosos, e o paciente foi pura e simplesmente manietado à uma cadeira, enquanto um zombeteiro ajudante imobilizou com firmeza a cabeça do doente.



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Sábado, 22 de Março de 2008
UMA CURIOSIDADE HISTÓRICA: A MORTE DE JUNOT

    Ali por volta de 1802 nasceu mais um obscuro infeliz numa lura qualquer do Reino de Portugal, talhado a penar as tristezas mais amargas do destino. Miserável como era, foi quase tudo num mundo cão, nunca lhe escasseou a penúria, o tormento e a desgraça mais descabelada.

 

    Trabucou como lacaio em conventos de frades, foi criado de abastados lavradores, sachou o vinhedo dos clérigos, e como a fortuna nunca lhe acrescentou, mendigou porta-a-porta um naco de broa que a felicidade sempre o negou. Jamais teve um recanto de amparo, um sorriso alvar ou vislumbre de esperança, eternamente cravejado de coisa maligna, numa sociedade madrasta.

 

    Certo dia, corria tumultuoso o ano de 1831, neste peregrinar de mendicante de pé-descalço apareceu em S. Pedro de Aradas, freguesia do concelho de Aveiro. Seria Primavera no calendário dos outros, mas nunca na invernosa existência deste pobre-de-cristo.

 

    O corpo castigado da fome, tolhido de doenças, incapaz de carregar a carcaça humana, lhe sobreveio uma maleita. Sem dizer água-vai, desfaleceu, bateu com a desgrenhada cabeça num lajedo e expirou de morte apressada. Melhor assim, pois entrara na vida por má porta.

 

    Ninguém lhe chorou ou sentiu a morte e sem alarido baixou sobre ele o manto lúgubre do esquecimento. O padre Joaquim Senos, pároco cura da paróquia, lavrou o respectivo assento de óbito, tudo o que nos resta da sua passagem por este áspero vale de lágrimas.

 

    Aqui vai, tal e qual, conforme a genuína ortografia da época, tão-só com as respectivas abreviaturas desdobradas:

«No dia vinte, e dois de Março de mil oito centos, e trinta, e hum se falleceo de repente, e por conseguinte sem sacramentos, hum forasteiro, mendigo, chamado Manoel, que por sobre nome não perca.

Tinha pouco mais, ou menos trinta annos de idade. Era conhecido dos padres de Salgueiro; foi creado dos padres de Santo António de Aveiro, e do Bachareel Rocha, de Ilhavo.

Tinha repetidos ataques de gota, e de hum morreo, junto às fontes de Arada; dando com a cabeça em huma pedra. Era conhecido pelo appellido de Junot.

Jaz na lgreja de S. Pedro, para onde foi conduzido no dia seguinte immediato.

Fiz, e assignei este assento, para constar; sendo precizo: era ut supra.

O Cura Joaquim Senos».

 

    Esta gesta nada tem de extraordinária, a não ser o nome do intérprete, Manuel Junot, por alcunho que apagou o apelido baptismal, morreu faz hoje precisamente 177 anos. Creio que nem o demo lhe quis a alma por um capão, duas chouriças e uma malga de carrascão.

 


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Sexta-feira, 21 de Março de 2008
Junot na Sátira e na Memoria Popular 1

General Junot, Duque de Abrantes

    A 24 de Novembro de 1807 as tropas napoleónicas do general Andoche Junot entraram em Abrantes, no âmbito da I Invasão Francesa.

                      

    Devido às marchas forçadas, a mata cavalos, vinham completamente extenuadas e com as fardas esfarrapadas, mais parecendo um bando de pelintras.

                  

    Esta quadra lembra a entrada do exército invasor:

 

A entrada destes guerreiros

Foi com grande intrepidez:

Descalços de pé e perna,

Dois aqui, acolá três.



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Quinta-feira, 20 de Março de 2008
PROVÉRBIOS POPULARES 5

·        Março chuvoso, S. João farinhoso.

 

·        Março de ano bissexto, muita fome e muito mortaço.

 

·        Março liga a noite com o dia, o Manel com a Maria, o pão com o pato e a erva com o baraço.

 

·        Março marçagão, cura meadas, esteiras não.

 

·        Março marçagão, de manhã cara de anjo, à noite cara de ladrão.

 

·        Março marçagão, de manhã cara de rainha, de tarde corta com a foucinha.

 

·        Março marçagão, de manhã focinho de cão, ao meio-dia de rainha e à noite de fuinha.

 

·        Março marçagão, manhãs de Inverno, tardes de Verão.

 

·        Março marcegão, pela manhã rosto de cão, e à tarde de bom Verão.

 

·        Março marceja, pela manhã chove e à tarde colmeja.

 

·        Março molha o rabo ao gato, se Fevereiro ficar farto.

 

·        Março molinhoso, S. João farinhoso.

 

·        Março o cria, Março o fia.

 

·        Março pardo, antes enxuto que molhado.

 

·        Março queima a dama no paço.

 

·        Março ventoso e Abril chuvoso, do bom colmear farão astroso.

 

·        Março ventoso, Abril chuvoso.

 

·        Março virado de rabo, é pior que o Diabo.

 

·        Março zangado é pior que o Diabo.

 

·        Nasce a erva em Março, ainda que lhe dêem com um maço.

 

·        O grão em Março, nem na terra, nem no saco.

 

·        Páscoa em Março, ou fome ou mortaço.

 

·        Poda em Março, vindima no regaço.

 

·        Quando em Março arrulha a perdiz, ano feliz.

 

·        Quando vem Março ventoso, Abril sai chuvoso.

 

·        Quem em Março açoreou, tarde acordou, mas quem a sua maçaroca ficou, com ela se achou.

 

·        Quem em Março não merenda, aos mortos se encomenda.

 

·        Quem em Março relva, não tem pão nem erva.

 

·        Quem não poda até Março, vindima no regaço.

 

·        Se queres bom cabaço, semeia em Março.

 

·        Se trovejar em Março, semeia altos e baixos.

 

·        Sol de Março, queima a dama no paço.

 

·        Vento de Março e chuva de Abril, fazem o vinho florir.

 

·        Vento de Março, chuva de Abril, fazem o Maio florir e sorrir.

 

·        Vinho de Março, nem vai ao regaço.

 



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Quarta-feira, 19 de Março de 2008
LENGALENGAS IRÓNICAS DO MINHO

    Certas lengalengas têm uma visão divertida da junção entre o homem e a religião, na qual as palavras e o ritmo de orações são tratados de forma deveras irónica. Eis aqui uma dessas lengalengas tradicionais do Minho.

 

PAI-NOSSO

 

Pai-Nosso,

rilha tu

que eu

já não posso.

 



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Terça-feira, 18 de Março de 2008
LENDAS DE PORTUGAL 4: A lenda das pinhas

    Na fuga de S. José e Virgem Maria, os peregrinos passaram por uma bouça de pinheiros bravos, as pinhas começaram a estalar dando assim sinal claro aos soldados perseguidores.

    Por isso, foram amaldiçoadas por Nossa Senhora que disse:

«Os pinhões nunca fartarão a ninguém».

 


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Domingo, 16 de Março de 2008
GENEALOGIA DE CAMILO CASTELO BRANCO

Camilo Castelo Branco nasceu em Lisboa a 16 de Março de 1825, faz hoje 183 anos.

Camilo Castelo Branco

Genealogia de Camilo Castelo Branco

 

I – Martim Rodrigues, nascido cerca de 1540, almocreve; casado com Maria Pinto, tendeira. Filho:

 

II – Domingos Rodrigues Pinto, nasceu em Vila Real em 1566 e faleceu a 8 de Dezembro de 1643.

Foi mercador; provedor da Santa Casa da Misericórdia de Vila Real; vereador do Senado da Câmara Municipal de Vila Real; capitão de Ordenanças (1641).

Casou em 1585 com Isabel Machado Malrasca, natural da freguesia de Parada de Cunho, Vila Real, filha de Martim Fernandes Malrasca e de Inês Machado. Filho:

 

III – Martim Machado Pinto, nasceu em Vila Real em 1586.

Foi mestre-de-campo do Terço de Auxiliares de Vila Real; procurador às Cortes de El-Rei D. João IV; cavaleiro da Ordem de Santiago (1646).

Casou a 9 de Dezembro de 1635 com D. Maria Botelho da Fonseca, filha de Baltasar Borges Botelho e de D. Isabel Botelho de Barros, com geração.

Teve um filho bastardo nascido em Isabel Mendes, “a Barbada”, natural de Vila Real:

 

IV – Lázaro da Costa Botelho, “o Barbado do Açougue”, filho bastardo, baptizado em Vila Real a 8 de Novembro de 1606 e falecido em 1683.

Foi marchante; contratador de gado.

Casou em Vila Real a 31 de Janeiro de 1668 com Francisca Mendes, nascida em Vila Real em 1650, filha de António Mendes e de Ana Barreira. Filho:

 

V – Domingos Correia Botelho, “o Brocas”, nasceu em Vila Real e foi baptizado a 3 de Novembro de 1672.

Foi picheleiro; feirante.

Casou a primeira vez em 20 de Junho de 1695 com Arcângela Fernandes, nascida em Vila Real em 1674, filha de João Lopes e de Filipa Fernandes. Casou em segundas núpcias com Maria Moutinho de Carvalho. Filho do primeiro casamento:

 

VI – Manuel Correia Botelho, “o Brocas”, nasceu em Vila Real a 22 de Abril de 1714 e faleceu em Vila Real a 16 de Janeiro de 1801.

Foi Senhor da Quinta de Montezelos (Vila Real); escrivão do público, judicial e notas de Vila Real; almotacé de Vila Real; vereador da Câmara Municipal de Vila Real.

Casou a 26 de Junho de 1732 com D. Luísa Maria de Carvalho e Meneses, nascida em 1715 e falecida na freguesia de Borbela, concelho de Vila Real, a 17 de Novembro de 1790, filha de Francisco Martins de Meneses e de D. Luísa Rebelo de Carvalho. Filho:

 

VII – Dr. Domingos José Correia Botelho de Meneses, “o Brocas”, nasceu em Vila Real em 1741 e faleceu em Vila Real a 23 de Junho de 1809.

Foi bacharel em Leis e Cânones (1761); Juiz de Fora em Cascais (1771); Senhor da Quinta de Montezelos (1801); Juiz de Fora em Viseu (1802).

Casou na freguesia de Ajuda, Lisboa, a 30 de Outubro de 1771 com D. Rita Teresa Margarida Preciosa da Veiga Castelo Branco, nascida em Cascais em 1748 e falecida a 28 de Novembro de 1826, filha do capitão José Pereira da Silva e de D. Teresa Inácia Joaquina Castelo Branco. Filhos, entre outros:

VIII – Manuel Joaquim Botelho Castelo Branco, que segue.

VIII – D. Rita Emília da Veiga Castelo Branco, nascida em Lisboa em 1782 e falecida em Vila Real em 1874. Casou em primeiras núpcias com o capitão João Xavier de Barros Malheiro. Casou segunda vez a 22 de Março de 1846 com João Pinto da Cunha (1795 1850). Com geração de ambos casamentos.

VIII – Simão António Botelho, nascido em Lisboa e foi baptizado na freguesia da Ajuda a 2 de Maio de 1784.

Preso na cadeia da Relação do Porto a 12 de Março de 1805 e deportado para a Índia a 19 de Março de 1807.

 

VIII – Manuel Joaquim Botelho Castelo Branco, nasceu em Vila Real a 17 de Agosto de 1778 e faleceu em Santa Justa, freguesia da cidade de Lisboa, a 22 de Dezembro de 1835.

Foi cadete do Regimento de Cavalaria n.º 12 (1800-1807); funcionário dos Correios de Vila Real (1812-1820); correio assistente [director dos correios] em Vila Real (1830-1831).

Teve filhos em Jacinta Rosa do Espírito Santo Ferreira, solteira:

IX – D. Carolina Rita Botelho Castelo Branco, nasceu na freguesia do Socorro, em Lisboa, a 24 de Março de 1821, e faleceu em 1898. Casou em Vilarinho de Samardã a 5 de Outubro de 1839 com Francisco José de Azevedo, médico, com descendência.

IX – Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco, que segue.

 

IX – CAMILO FERREIRA BOTELHO CASTELO BRANCO, nasceu na freguesia das Mercês, Lisboa, a 16 de Março de 1825, e foi baptizado a 14 de Abril de 1825 na igreja dos Mártires, Lisboa, sendo perfilhado por seu pai a 27 de Junho de 1829 como filho de mãe incógnita.

Faleceu, por suicídio, em S. Miguel de Ceide, freguesia do concelho de Vila Nova de Famalicão, a 1 de Junho de 1890.

Foi amanuense do Governo Civil de Vila Real (1847); sócio correspondente da Academia Real das Ciências de Lisboa (1858); comendador ordinário da Ordem de Carlos III de Espanha (1869); comendador da Ordem Imperial da Rosa do Brasil (1872); 1.º Visconde de Correia Botelho (18 de Junho de 1885); sócio da Real Associação dos Arqueólogos Portugueses (1885); cavaleiro da Ordem de S. Miguel da Ala; romancista; novelista; jornalista; polemista; poeta; dramaturgo; crítico; epistolográfo; biógrafo; bibliógrafo; cronista; tradutor.

Casou em primeiras núpcias a 18 de Agosto de 1841 na igreja do Salvador de Ribeiro de Pena, freguesia e concelho do distrito de Vila Real, com Joaquina Pereira da França, nascida em 1826 e falecida em Ribeira de Pena a 25 de Setembro de 1847, filha de Sebastião Martins dos Santos e de Maria Pereira de França.

Casou em segundas núpcias a 9 de Março de 1888, no Porto, com D. Ana Augusta Vieira Plácido, nascida em 1832 e falecida a 20 de Setembro de 1895, filha de António José Plácido Braga e de D. Ana Augusta Vieira.

Filha do 1.º casamento:

X – D. Rosa Pereira de França Botelho Castelo Branco, nasceu em Friúme, lugar da freguesia e concelho de Ribeira de Pena, a 25 de Agosto de 1843 e faleceu a 10 de Março de 1848.

Filhos do segundo casamento:

X – Jorge Camilo Plácido Castelo Branco, filho adulterino, nasceu a 26 de Junho de 1863 e faleceu a 10 de Setembro de 1900.

X – Nuno Plácido Castelo Branco, filho natural legitimado, nasceu em S. Miguel de Ceide a 15 de Setembro de 1864 e faleceu a 23 de Janeiro de 1896.

1.º Visconde de S. Miguel de Ceide (1887).

Casou a 2 de Julho de 1881 em S. Pedro de Maximinos, freguesia do concelho de Braga, com D. Maria Isabel da Costa Macedo, filha de António Joaquim da Costa Macedo e de D. Teresa Martins Marques.

Filha:

XI – D. Maria Camila da Costa de Macedo Castelo Branco, nasceu em Santa Cecília de Vilaça, Braga, em 1883 e faleceu em S. Miguel de Ceide a 13 de Setembro de 1884.

Filhos naturais perfilhados, nascidos em Ana Rosa Correia, filha de José Bento Correia e de Ana Maria Augusta:

XI – D. Flora Augusta de S. Miguel de Ceide Correia Botelho Castelo Branco, nasceu em Landim, Vila Nova de Famalicão, a 11 de Janeiro de 1886 e faleceu em 1963.

Escritora.

Casou em 1908 com António Augusto Bráulio da Silva Vilaça, natural de Guimarães, com geração.

XI – Camilo Castelo Branco, nasceu em Ceide a 16 de Março de 1888 e faleceu em Santa Marta de Penaguião a 12 de Março de 1950.

Foi representante genealógico de Camilo Castelo Branco (1896); escrivão de Direito em Vila Nova de Famalicão (1916); 2.º Visconde de S. Miguel de Ceide (1922); notário em Santa Marta de Penaguião.

Casou com D. Maria Bárbara de Azevedo. Filhos:

XII – Camilo Castelo Branco, nascido em Braga.

Representante genealógico de Camilo Castelo Branco (1950); ajudante de notário.

Casou com D. Margarida Borges. Casou em segundas núpcias com sua prima D. Idalina Amélia Castelo Branco Vilaça. Filho do 1.º casamento:

 XIII – Camilo Borges Castelo Branco, sem mais notícias.

XII – Fernando Castelo Branco, nascido em 1921.

XII – Humberto de Azevedo Castelo Branco, nascido em 1929; casado e com geração.

XI – Nuno Plácido Castelo Branco, nasceu a 4 de Março de 1899 e faleceu solteiro em 1967.

Redactor e editor do jornal “Leme”; funcionário do Ministério das Finanças (1916); 2.º Visconde de Correia Botelho (1922).

XI – D. Raquel Castelo Branco, nasceu a 21 de Fevereiro de 1890 em Ceide e faleceu em 1952 no estado de solteira. Escritora.

XI – Simão Botelho Castelo Branco, nasceu a 6 de Julho de 1891 e faleceu em 1970.

Senhor da Quinta dos Paulinhos, em Caldas da Saúde.

Casado com D. Maria Alexandrina Guimarães e com geração.

XI – Manuel Correia Botelho Castelo Branco, nasceu a 23 de Abril de 1893 e faleceu em Santo Tirso a 27 de Julho de 1975.

Escultor de madeira.

Casado com D. Maria Clara Roiz, sem geração.

XI – D. Estela Castelo Branco, nasceu a 15 de Junho de 1895 e faleceu a 13 de Dezembro de 1896.

Filha natural de Camilo e de D. Patrícia Emília do Carmo de Barros, solteira, nascida em Vila Real em 1826 e falecida em 1885:

X – D. Bernardina Amélia Castelo Branco, nasceu em Vila Real a 25 de Junho de 1848 e faleceu no Porto a 20 de Agosto de 1931.

Casou a 28 de Dezembro de 1865 na igreja matriz de Valbom com António Francisco de Carvalho, “o Carvalho da Restauração”, capitalista, natural do Porto, filho do dr. António Francisco de Carvalho Guimarães e de D. Ana de Sousa Loureiro e Oliveira. Filhos:

XII – D. Camila Cândida Castelo Branco de Carvalho, nasceu em Valbom, freguesia do concelho de Gondomar, a 23 de Agosto de 1867.

Casado com o dr. Joaquim Urbino Cardoso da Silva, médico, com geração.

XII – Camilo Castelo Branco de Carvalho, nasceu em Miragaia, Porto, a 3 de Janeiro de 1885 e faleceu no Porto a 4 de Setembro de 1965.

Casado com D. Maria de Sequeira Pacheco, com geração.



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Sexta-feira, 14 de Março de 2008
CANCIONEIRO TRADICIONAL DO MINHO 4

Adeus casa minha

Que te hei-de mandar dourar,

De pedra em pedrinha

Para o meu amor passar.

 

Adeus que me vou embora,

Adeus que embora me vou.

Se queres alguma coisa

Por ora ainda aqui estou.

 

Adeus que me vou embora,

Adeus que embora me vou.

Vou-me embora porque quero

A mim ninguém me mandou.

 



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Quinta-feira, 13 de Março de 2008
PROVÉRBIOS POPULARES 4

·        Em Março ouga a erva com o sargaço.

 

·        Em Março queima a velha o maço.

 

·        Em Março tanto durmo como faço.

 

·        Em Março, as noites com os dias e os centeios com os matos.

 

·        Em Março, de manhã pinga a telha e à tarde sai a abelha.

 

·        Em tardes de Março recolhe teu gado.

 

·        Em vinte e cinco de Março, se o cuco não se ouvir, ou é morto ou não quer vir.

 

·        Entre Março e Abril o cuco há-de vir.

 

·        Entre Março e Abril se o cuco não vier, está o fim do mundo para vir.

 

·        Enxame de Abril vem para o covil e o de Março para o regaço.

 

·        Enxame de Março apanha-o no regaço, o de Abril não o deixes ir, o de Maio deixai-o fugir.

 

·        Fiandeira não ficaste, porque em Março não fiaste.

 

·        Inverno de Março e seca de Abril, deixam o lavrador a pedir.

 

·        Janeiro geoso, Fevereiro nevoso, Março mulinhoso, Abril chuvoso e Maio ventoso, fazem o ano formoso.

 

·        Março aguaço.

 

·        Março amoroso, Abril ventoso, Maio remeloso, fazem o ano formoso.

 

·        Março baço, a noite com o dia, o pão com folgaço.

 

·        Março chove cada dia um pedaço.

 

 



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Quarta-feira, 12 de Março de 2008
A PROPÓSITO DE PALAVRAS: FLEXISSEGURANÇA

    O termo «flexissegurança» parece estar na ordem do dia. Abre noticiários, enche páginas de jornais, incendeia discussões.

 

    E também aparece escrito de várias maneiras: «flexigurança», «flexi-segurança», «flexisegurança» e «flexissegurança». Comecemos por aqui.

 

    O vocábulo em questão é um neologismo, isto é, uma palavra nova. Mas como todos os neologismos obedece a regras de construção ortográfica, e sendo assim, a grafia correcta é «flexissegurança».

 

    O conceito é formado pelo antepositivo «flex-», a vogal de ligação «i» e a palavra «segurança». É precisamente aquela vogal de ligação «i», que pede a união da palavra, sem hífen, com dois ss, para garantir a pronúncia do segundo elemento.

 

    Falta saber o significado desta nova palavra, importada da Escandinávia. Apesar de recente, na minha vasta pesquisa encontrei-lhe inúmeros significados, a ter em conta.

 

    Estão em causa as ideias associadas de flexibilidade e segurança. Mas atenção, o anteposto «flex-» tem o sentido de «curvar, dobrar», etc.

 

    Eis alguns desses significados.

  • «Vais de férias, e quando voltares a fábrica está fechada e ficas no desemprego».
  • «Para o trabalhador, um tiro no escuro e outro no pé».
  • «De flexissegurança em flexissegurança até ficares no desemprego».
  • «Se és um operário altamente especializado, e se te mandarem limpar as retretes e não fores, estás despedido».
  • «Faz o que eu mando, não faças o que está no teu conteúdo funcional»
  • «Todos os direitos para a entidade empregadora, todos os deveres e nenhuns direitos para os trabalhadores».
  • «Podemos despedir mais facilmente».
  • «Podemos alterar os horários de trabalho, sempre a bel-prazer do patronato».
  • «Podemos reduzir os ordenados».

 



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Terça-feira, 11 de Março de 2008
LENDAS DE PORTUGAL 3: Lenda de Coimbra

    Quando um chefe bárbaro se apaixona pela filha do chefe inimigo, o romance leva à união entre duas famílias rivais, liga-se à história de Coimbra, mas arruína Conímbriga.

 

    Há muito, muito tempo, havia um rei apaixonado por uma linda princesa. É assim que começam as histórias de amor, especialmente aquelas que derivam de antigas lendas, passadas de boca a ouvido ao longo dos séculos.

 

    Como quem conta um conto acrescenta um ponto, os relatos chegam-nos sempre mais ricos do que a versão original. Se são verdade ou mentira, pouco importa; o que importa é que nos fazem sonhar.

 

    A lenda que aqui se narra vem dos confins mais recônditos da nossa História: no ano 406, Alanos, Suevos, Vândalos e Visigodos passam os pirenéus e ocupam a Lusitânia e a Espanha; são povos nómadas, de hábitos rudes e selváticos, que vêm espalhar o terror pelo Império Romano.

 

    Ataces, rei dos Alanos, instala-se no alto da colina a norte do Mondego, de onde goza de um excelente panorama e de uma posição vantajosa em caso de ataque inimigo.

 

    As contendas com o seu vizinho de Conímbriga, Hermenerico (o bom rei dos Suevos cujo estandarte ostenta uma serpente verde), são frequentes e, na maior parte dos casos, bastante sangrentas. Porém, já não é só a sede de poder que move Ataces.

 

    Cindazunda, a linda princesa sueva, enfeitiçara-o com os seus olhos claros, cabelos loiros, pele muito branca, e ligeiro sotaque denunciador da sua origem germânica. O bárbaro estava irremediavelmente apaixonado.

 

    Tomado de um ímpeto irreprimível, decide-se voltar à carga. Cindazunda tem que ser sua. Levando as insígnias do leão vermelho, o intrépido Ataces, com a sua horda de guerreiros ferozes armados até aos dentes, investe impiedosamente contra os suevos.

 

    Conímbriga ficou em ruínas até hoje, e Hermenerico viu-se obrigado a aceitar o casamento da filha com o seu rival.

 

    A boda selou a paz e juntou, no mesmo estandarte, os emblemas do leão e da serpente que ainda hoje vemos na bandeira de Coimbra.

 

http://www.eb1-coimbra-n31-povoa.rcts.pt/lendadecoimbra.doc


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Segunda-feira, 10 de Março de 2008
Por um País mais pobre...

Fugiu-lhe a boca para a verdade: por um País mais pobre...


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Domingo, 9 de Março de 2008
A Primeira Organização Comunista Portuguesa: OS MAXIMALISTAS

    Em Março de 1921 nascia em Lisboa o Partido Comunista Português, contos para outra crónica, pese embora seja a mais antiga força política portuguesa com actividade ininterrupta. Porém, embora brevemente, existiu antes uma primitiva organização bolchevista, a quem o escriba dedica algumas linhas.

 

    A partir dos meados de 1919 irrompia a Federação Maximalista Portuguesa, fundado por dissidentes do anarco-sindicalismo e apologistas da Revolução Russa de 1917 e dos sovietes, originariamente com uma estrutura organizativa muito débil, embora marcadamente comunista.

 

    A sua ideologia e linhas programáticas eram claras em relação aos objectivos, e até deveras ambiciosos em termos globais: reconhecimento de facto da República Russa Soviética Federativa Socialista; extinção da propriedade privada; usufruto colectivo da terra e das matérias-primas; estruturação da classe operária em sovietes dos trabalhadores, como órgãos políticos decisórios de base; entrega da direcção fabril, do trabalho e da mais valia produtiva aos sindicatos operários; ordenado equitativo para todos os trabalhadores, consubstanciada na máxima «salário igual, para trabalho igual»; reorganização do sistema judicial, prisional, administrativo e legislativo; abolição dos impostos; supressão do direito transmissivo de heranças; gratuidade da assistência medicamentosa, sanitária e hospitalar; ensino obrigatório gratuito; encerramento coercivo de tabernas e proibição da venda de bebidas alcoólicas; criação duma milícia operária nacional de cunho permanente; instituição do serviço cívico obrigatório. E ainda um longuíssimo etc., na medida em que a quimera era incomensurável.

 

    No plano da estrutura administrativa do País, almejava a criação duma rede local de sovietes de base gestionária, plena de capacidade de decisão. A partir daí, elegeriam sucessivamente as Juntas Federativas Soviéticas, a Federação Nacional dos Sovietes (a funcionar como Congresso da República ou Assembleia Nacional), e o Conselho Executivo dos Sovietes, com funções governativas.

 

    A nível da simbologia, o emblema inicial da Federação Maximalista Portuguesa era composto por um escudo circular, no interior do qual um punho cerrado erguia um facho aceso, tendo em volta dentro de círculos concêntricos a legenda com o nome do organismo. Pouco depois foi este símbolo alterado, passando a figurar a foice e o martelo sobrepostos ao sol nascente, envolvidos por duas espigas, e no círculo concêntrico exterior a legenda “REPÚBLICA DOS SOVIETES”.

 

    Teve importantes núcleos operacionais nos sindicatos, dada a natureza dos militantes oriundos das fileiras do anarquismo e do sindicalismo, e também em Lisboa, Viana do Castelo, Aveiro, Barreiro, Beja, Coimbra, Évora, Faro, Odemira, Porto, Póvoa de Varzim, Sacavém, Santarém e Setúbal.

 

    Manuel Ribeiro foi, sem sombra de dúvida, o elemento de maior destaque desta associação filo-comunista, a par doutros como Jaime Neves Guimarães, António Peixe, Arsénio Filipe, Francisco Dias, José da Silva Oliveira. José Rodrigues, Manuel Ferreira Torres (no Porto), Marcelino da Silva, Raul Baptista (em Setúbal), e Raul Lavado. Muitos transitarão para o PCP, aonde, inclusive, vieram a ser cabeças de elevados cargos.

 

    A Federação Maximalista Portuguesa editava o jornal BANDEIRA VERMELHA, como órgão de propaganda e “semanário comunista”, chegou a atingir tiragens acima dos 20.000 exemplares, significativo do fôlego e da importância.

 

    Surgiu nas bancas a 5 de Outubro de 1919 e perdurou até 19 de Junho de 1921. Como seria lógico, os esbirros da repressão rapidamente esfuzilaram sobre o periódico e a federação, levando à prisão de dirigentes, apreensão de jornais, suspensões temporárias e ao encerramento do jornal.

 

    O primeiro número foi prontamente confiscado em Lisboa, mensagem clara, não iriam ter vida fácil e medidas extremas. A 1 de Novembro de 1919, nem a gazeta tinha um mês, a polícia brutaliza e cerra a sede do BANDEIRA VERMELHA, e a 17 de Agosto de 1920 a tipografia é selada e totalmente destruída a tiragem.

 

    Na rua, vendedores e distribuidores de jornais são presos, o mesmo sucede nas empresas quando um operário é surpreendido a lê-lo. Mais cerce que o rijo vento, o látego do cavalo-marinho funcionou incontáveis vezes, sobre militantes, simpatizantes e leitores, assim tratados como sacripantas registados. Cadeia com esta choldra, era a palavra de ordem do regime burguês.

 

    Paradoxalmente a organização não resistiu à vaga opressiva e à perseguição republicana que se abateu inclemente, pouco afável e conciliante com operários e propagandistas radicais. A Federação Maximalista Portuguesa extinguiu a aventura pelo campo da actividade política em Dezembro de 1920.

 

    Subjugada a fera bolchevique pela exacerbada virulência, contudo o jornal ainda conseguiu sobreviver cinco meses, até Junho de 1921, graças ao empenho generoso de gente diligente que não se cansa de deslizar nos frigidíssimos caminhos da utopia.

 

    Apesar da sua curta vida, a extinta FMP foi um fogacho de palha donde abalou a fagulha do núcleo fundador do PCP, o qual içou a bandeira vermelha a 6 de Março de 1921, faz agora 87 anos.

Bandeira Vermelha 


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Sábado, 8 de Março de 2008
CORONEL RODRIGO ABOIM ASCENSÃO: UM GRANDE BENEMÉRITO

Coronel Aboim Ascensão    Muita gente ouviu falar do Refúgio Aboim Ascensão, meritória obra de solidariedade social, fundada em Lisboa, corria o ano de 1901. Para que não feneça de todo a memória, quebrantámos a escuridão com uma lumieira em forma de notas biográficas acerca do seu instituidor.

 

    Rodrigo António Aboim Ascensão nasceu em Faro a 23 de Agosto de 1859, filho de Manuel Joaquim Ascensão e de D. Maria da Piedade Mascarenhas de Sá Aboim. Destinado à carreira de armas, o espírito inteligente e ilustrado predispunha para a bondade mais plácida.

 

    Entrou, porém, para a Guarda Fiscal em 1877, em cuja corporação permaneceu até 1900, atingindo o posto de coronel. Estudioso, além do Curso de Oficial do Exército, era formado com o Curso de Construção e Obras Públicas do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa.

 

    No ano imediato ao da passagem à situação de reserva, lançou os alicerces da Associação Protectora da Primeira Infância de Lisboa, à qual estavam anexas uma vasta rede lisboeta de lactários. Se não chega para entrar nos umbrais da História, o que muito o nobilita, fundaria ainda o Cofre de Previdência da Guarda Fiscal e o Museu das Apreensões Aduaneiras, em Lisboa.

 

    O peito do uniforme, ornado com diversas condecorações e sem fatuidade, mostrava que era comendador da Ordem da Benemerência, comendador da Ordem de Isabel, a Católica (Espanha), oficial da Ordem de Sant’Iago da Espada e oficial da Ordem Militar de S. Bento de Avis. Tão-somente devido às mais elevadas virtudes.

 

    Este benemérito e probo cidadão despediu-se desta vida em 22 de Janeiro de 1930, aos 70 anos de idade. Mas a sua morte física não termina com a elevada consciência cívica e filantrópica que sempre provara, na medida em que deixou vastíssimos legados a instituições de caridade, mais de seiscentos contos, uma quantia de alto lá com ela para época.

 

    Um dos legados determinava expressamente a construção dum asilo modelar de protecção à criança na sua cidade natal. Dessa obra e da fundação se encarregou o tenente-coronel Manuel Aboim Ascensão de Sande e Lemos (1899+2001), na condição de sobrinho, genro e herdeiro, casado com D. Maria da Piedade Lamas Aboim de Ascensão, filha daquele benfeitor. Em 1933 nascia o Refúgio Aboim Ascensão.

 

    Muito justamente o seu nome consta na toponímia de Lisboa, e um busto fronteiro à sede da instituição que fundou e dirigiu, a Associação Protectora da Primeira Infância de Lisboa.

 

    O coronel Aboim Ascensão foi um raro altruísta, a merecer a admiração da posteridade. A sua obra permanece, na medida em que nasceu cimentada em sólidas bases duma duradoira solidariedade humanista.

 


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Sexta-feira, 7 de Março de 2008
CANCIONEIRO TRADICIONAL DO MINHO 3

Adeus fontes, adeus rio,

Adeus regatos pequenos;

Adeus casa dos meus pais

Até quando nos veremos?

 

Adeus meu amor, adeus,

Até quarta ou quinta-feira,

Que eu não passo sem te ver

Uma semana toda inteira.

 

Adeus fonte da pedra

Que da água fez romance.

Nunca vi solteira triste

Nem casada que descanse.

 



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Quinta-feira, 6 de Março de 2008
PROVÉRBIOS POPULARES 3

·        A geada de Março tira o pão do baraço e a de Abril nem ao baraço o deixa ir.

 

·        Água de Março é pior que nódoa no fato.

 

·        Aí vem o meu irmão Março, que fará o que eu não faço.

 

·        Antes a estopa de Abril, que o linho de Março.

 

·        Bodas em Março é ser madraço.

 

·        Cavas em Março e arrenda pelo S. João, todos o sabem e poucos o dão.

 

·        Dia de Março, dia de três ventos.

 

·        Em Março aquece cada dia um pedaço.

 

·        Em Março cresce cada dia um pedaço.

 

·        Em Março deita-te um pedaço.

 

·        Em Março espetam-se as rocas e sacham-se as hortas.

 

·        Em Março merenda o pedaço; em Abril merenda o merendil.

 

·        Em Março merendica e folgaço.

 

·        Em Março nem migas, nem couves, nem esparto.

 

·        Em Março nem rabo-de-gato molhado.

 

·        Em Março o pão com o mato, a noite com o dia e o Pedro com a Maria.

 

·        Em Março onde quero eu passo.

 



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Quarta-feira, 5 de Março de 2008
A PROPÓSITO DE PALAVRAS: MARÇO

    Março, terceiro mês, recheado em acontecimentos importantes. Neste mês nasceram o Infante Dom Henrique, “o Navegador” (4 de Março de 1394), o pintor Domingos Sequeira (10 de Março de 1768), o escritor Camilo Castelo Branco (16 de Março de 1825), o historiador Alexandre Herculano (28 de Março de 1810).

 

    Mas também faleceram algumas das mais ilustres figuras, como o poeta Pedro Homem de Melo (5 de Março de 1984), a pintora Helena Vieira da Silva (6 de Março de 1992), o rei D. João VI, monarca do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (10 de Março de 1826), a poetisa Natália Correia (16 de Março de 1993).

 

    Convém assinalar mais alguns eventos políticos de grande importância que tiveram este mês como palco privilegiado. A 6 de Março de 1921 foi oficialmente fundado o Partido Comunista Português, sucessor da Federação Maximalista Portuguesa; em Março de 1962 as academias de Lisboa e Coimbra fizeram a famosa greve estudantil, que abalou os alicerces do regime salazarista; o Golpe das Caldas da Rainha, a 16 de Março de 1974, foi o pronuncio do 25 de Abril; a 11 de Março de 1975 ocorreu a tentativa de golpe de Estado por oficiais afectos ao general António de Spínola.

 

    Na comunicação social, assinalámos três factos de grande notabilidade: a 1 de Março de 1925 iniciaram-se as primeiras emissões regulares de rádio difusão em Portugal; a 17 de Março de 1980 iniciam-se as emissões regulares da televisão a cores em Portugal; e a 24 de Março de 1989 foram concedidos os alvarás de liberalização das rádios locais.

 

    Portugal pediu oficialmente a adesão à Comunidade Económica Europeia a 28 de Março de 1977, a 30 de Março de 1992 foram incorporadas no Exército Português as primeiras mulheres, e a 21 de Março de 1993 foi inaugurado com luxo asiático o Centro Cultural de Belém.

 

    “Os Lusíadas” foram publicados pela primeira vez a 12 de Março de 1572, e a 8 de Março comemoramos um dos dias mais bonitos, dedicado a gente bonita, o Dia Internacional da Mulher.

 

    Mas o facto mais importante associado a este mês, transcendente até, ocorreu a 15 de Março de 1751, quando o rei D. José, magnânimo na sua majestática bondade, assinou o decreto real que tornava proibido e de nulo efeito o acto medieval de colocar cornos pendurados nas portas das casas dos maridos enganados..., atitude deveras higiénica, para combater a moral rústica dos inimigos do adultério. Cousa singular em costumes bárbaros!

 

    Os campos já rebrilham (antigamente) de actividades, lavram-se as terras para a semeadura de milho e trigo, e nos climas favoráveis plantam-se o milho de sequeiro e batatas, ao mesmo tempo em que se limpam as terras cobertas de ervas daninhas invernosas, retoca-se a enxertia nos pomares.

 

    Ao lado, o povo faz a “cava”, a amanha manual do solo, por força de braços e enxadas, para a mobilização e arejamentos dos terrenos, enquanto nas adegas se engarrafa os vinhos, após a retirado do cheiro de mofo do vasilhame, e nas hortas o plantio das hortaliças é incrementado. O mês é propício e até as galináceas colaboram com o aumento da postura de ovos, à porta dum tempo mais primaveril.

 

    Falta apurar a origem da denominação para este mês, longo como um pedregoso caminho. O agora terceiro mês do ano, já teve honras merecidas de primeiro no antigo calendário romano, e é consagrado a Marte, deus da guerra na mitologia romana, do latim Martius.

 

    Os romanos, que eram dados a estas coisas, ergueram-lhe estátuas divinatórias, onde o apresentam como um homem hercúleo coberto por uma pele de loba, alusiva à terna loba que cerceou a fome e alimentou os fundadores de Roma, os lendários Rómulo e Remo, claro, inaudita proeza no prodigioso tempo em que as lobas eram dadas as estas carícias úberes e alimentícias.

 

    A esta divindade estavam associadas simbolicamente a cabra, a ave picanço e a árvore nogueira, na medida em que Marte também era o deus da fertilidade do gado, dos campos e da vegetação, flama sagrada que centuplica a vida, profusa dádiva da natureza.

 

    Etimologicamente a designação deste nome, Março, parece ter origem em maris, com o sentido de «macho, do sexo masculino». Do deus Marte derivaram outros vocábulos, como marcial (belicoso), e marciano (relativo ao planeta Marte), e os antropónimos Marçal, Marcial, Marciana, e talvez também Marcelo, cuja etimologia é duvidosa.

 

    Portanto, o deus Marte, poderoso certamente, influenciou de tal modo a humanidade, a ponto de quase todas as línguas usaram-no para denominar este mês. Assim temos Marzo em galego, castelhano e italiano, Març em catalão, Mars em francês, Martzu no dialecto da Sardenha, Marzu no dialecto da Sicília, Martie na Roménia, todas línguas novilatinas.

 

    Mas o fenómeno repete-se por toda a Europa: Marts na Dinamarca, Mars em sueco e norueguês, Marz no alemão, March em inglês, Maart no holandês, e também no País Basco, Martxo. A matriz marciana prolonga-se por esse mundo fora, com Mart no turco, Maret no bahasa indonésio, e um infindável carrear de exemplos que a paciência do leitor dispensa.

 

    Estão ali a açanar para cortar os voadouros, e convém terminar antes que esfuzilem relâmpagos e coriscos.

 



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Terça-feira, 4 de Março de 2008
LENDAS DE PORTUGAL 2: A Lenda de Serpínia

    Era uma Vez... uma jovem e linda Princesa, muito linda, chamada Serpínia, que vivia nas terras do outro lado da Ibéria, lá para os altos Pirineus. Seu pai, Cófilas, rei dos túrdulos, tribo da Ibéria, era um homem bom.

 

    Num País vizinho, vivia um outro rei, de raça, celta, que era cruel e muito ambicioso, Rolarte de seu nome, que quando viu  a formosa princesa quis casar com ela. Mas a princesa não se agradou dele.

 

    Um dia um Príncipe, Orosiano, visitou o Rei Cófilas e  a sua filha Serpínia. Os dois príncipes gostaram um do outro e combinaram casar.

              

    Mas o rei Rolarte, quando soube, não gostou que Serpínia fosse dada em casamento a Orosiano e jurou vingar-se tratando logo de reunir os seus soldados e de fazer guerra a Orosiano. O Noivo de serpínia morreu e Rolarte ficou ferido.

 

    O Rei dos Celtas não ficou satisfeito com a morte de Orasiano a jurou fazer guerra ao pai de Serpínia, mas este, informado do que Rolarte preparava, abalou para as longínquas paragens da outra banda da Península Ibérica.

 

    E andaram, andaram até chegarem a um sítio onde a Princesa se sentiu encantada com as formosas Terras que seus belos olhos avistavam.

                   

    Campos recorbertos de luxuriantes verduras, flores campestres a perfurmarem os ares que respirava, tudo prenunciando abundância de água, de terras férteis, ubérrimas.

 

    Serpínia logo deu parte a seu pai de que gostava destes sítios. Cófilas examinou a região. Tudo aparentava terras fartas e amenidade de clima. Perto corria o Ana. 

                     

    Por toda a parte se viam Oliveiras, muitas Oliveiras,  a garantir alimento, untura, tempero e luz na candeia.

 

    E  logo ali acamparam e escolheram local para construir uma cidade que ficou a ser a capital de novo reino. E em homenagem a Serpínia,  a formosa filha do Rei Cófilas, à nova cidade se ficou chamando Serpe.

                            

    Esta seria a capital da Turdetânia, o novo reino criado na região do Ana, hoje chamado Guadiana, e que se estendia até ao mar.

 

    Tempos depois chegou  a Serpe a notícia da vinda até um Porto do Ana, aonde chegavam as águas salgadas do mar, de barcos Fenícios – povo de navegadores que vivia no Norte de África.

 

    Cófilas, Rei dos Túrdulos,  fez aliança com os chefes Fenícios e, naquele porto, construiram uma cadeia a que deram o nome de Mirtilis, em honra da Deusa Mirto, sua mãe que o teve de Mercúrio.

 

    Em um dos barcos vinha um Príncipe, jovem guerreiro e bem parecido, que ao ver Serpínia se apaixonou por ela. E Serpínia amou Polípio, o belo Príncipe Fenício. E logo ficaram noivos.

 

    Polípio regressou à Fenícia. E Serpínia, enquanto esperava o seu noivo, dedicava-se à caça pelo que seu pai lhe construiu, à beira do Rio Limosine, que ia desaguar no Ana, um castelo onde ela  ficava quando ia  caçar.

                      

    Ali havia muitos loendros e Serpínia deu à sua  nova casa o nome de Castelo de Loendros.

 

    Serpínia já tinha esquecido Rolarte, mas Rolarte não esquecera Serpínia, nem a vingança de que lhe jurara.

 

    E uma noite, noite escura como breu, o Castelo dos Loendros foi atacado por Rolarte e os seus soldados. Mas o Rei dos Celtas foi vencido pelos soldados de Cófilas que guardavam o castelo de Serpínia.

 

    Com medo de novos ataques a princesa mandou aviso ao pai, que estava em Mirtilis, que hoje se chama Mértola,  o qual regressou com muitos soldados,  e que esporeando os seus corcéis corriam a toda a brida na companhia de Polípio, o príncipe noivo, que já tinha regressado da Fenícia para as bodas com Serpínia.

 

    Rolarte voltou a assaltar o castelo mas este, que tinha agora muita tropa, venceu os soldados de Rolarte e o Rei dos Celtas fugiu e foi morrer afogado no Ana. Serpínia casou com Polípio e os noivos foram para  a Fenícia. 

 

    Serpe, que recorda a linda princesa Serpínia e que sempre manteve o seu nome, é hoje Serpa.

 

João Cabral, Arquivos de Serpa – Edição Câmara Municipal de Serpa


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Segunda-feira, 3 de Março de 2008
Vídeo: A IGNORÂNCIA NÃO PAGA IMPOSTO...

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publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 01:00
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Sábado, 1 de Março de 2008
UMA CURIOSIDADE HISTÓRICA: A MERDIMBUCA

    A História tem algumas preciosidades divertidíssimas e deveras estranhas. Na Idade Média, em tempo do nosso rei D. Afonso Henriques (1106+1185), o monarca administrava a justiça empunhando a vara de juiz e o látego de verdugo, porém os crimes mais severamente punidos e referenciados eram similares aos dos tempos actuais.

 

    Nas cartas de concessão de forais emanadas da chancelaria afonsina, são citados os principais crimes que eram castigados pela justiça régia: homicídio, furto, violação de mulher, arrombamento de portas à mão armada e merdimbuca.

 

    Situando-se nos tempos da fundação da Nacionalidade, a merdimbuca era considerada então um acto repugnante e de maior vileza, atentatório da dignidade humana.

 

    E o caso não é para menos, pois a merdimbuca consiste, tão-somente, na colocação de esterco humano na boca de outrem, esfregá-la ou a simples menção de que se faria semelhante injúria repulsiva.

 

    Este crime infame surge sobre grafia distinta, nos forais antiquíssimos, essas relíquias: merda in buca, lixo en boca ou stercus in ore. No primitivo foral de Tomar, datado de 1174, lê-se esta pérola:

«Se alguem cometer rousso (violação), ou omesyo (homicídio), ou romper casa com armas (arrombamento), ou com feridas (ferimentos) ou quebrantar portas ou entrar em casa no couto da villa, ou merda in buca, peyte (paga) quinhentos soldos».

 

    Os exemplos abundam, e para não saturar, cito mais um documento, lavrado à roda do ano de 1060 (Portugaliae Monumenta Historica: Leges et Consuetudines, p. 343: «et siquis homo per mala voluntate dederit cum merda in buca hominis XXX sólidos».

 

    A punição parecia pouco expressiva da gravidade do acto, porquanto o rei D. Dinis (1261+1325) aplicou posteriormente a pena de morte como justo castigo para semelhante malfeitoria.

 

    Nada melhor do que dar voz aos mestres, no caso, Oliveira Martins (História de Portugal, 16.ª edição, Lisboa, Guimarães & C.ª Editores, 1972, p. 109):

«A justiça havia de ser tremenda quando os costumes eram bárbaros, corruptos e ingénuos ao mesmo tempo; quando o incesto, o adultério, o assassinato, o estupro, o roubo, e essa ofensa extravagante da merdimbuca (stercum in ore), tão frequente nos forais...».

 

    O palavrão causa estranheza, mas está ainda presente em qualquer dicionário da actualidade, pelo menos na pena de José Pedro Machado (Grande Dicionário da Língua Portuguesa, vol. III, Lisboa, Círculo de Leitores, 1991, p. 105): «ofensa, ultraje, vulgar na Idade Média, que consistia em meter excrementos na boca de alguém».

 

    O assunto e a prática caiu em total desuso, ou a horda visigótica recuou para o limbo por acção meritória dos reis no combate a este grosseiro costume e ficou enterrado nos alfarrábios da História.

                 

    Até que em Outubro de 2002 uns selvagens praxaram uma caloira da Escola Superior Agrária de Santarém com excrementos e penicos cheios de bosta. Se a horda dos vândalos voltou, a lei antiga precisa de ser restaurada.

                                                       


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