Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009
Henrique de Paiva Couceiro: Uma Vida de Honra e Glória
    Faz hoje 65 anos que morreu uma das figuras maiores da nossa História Contemporânea, o comandante Paiva Couceiro, que entregou a alma ao criador a 11 de Fevereiro de 1944.
 
    Resumir a vida deste militar e governador ultramarino é quase impossível, dada a dimensão da sua vida e o brilho e luminosidade da sua obra modelar. Um exemplo de heroísmo, tenacidade e virtudes cívicas.
 
    Henrique Mitchell de Paiva Cabral Couceiro nasceu em S. Mamede, freguesia da cidade de Lisboa, a 30 de Dezembro de 1861, filho do general José Joaquim de Paiva Cabral Couceiro e de D. Helena Isabel Teresa Armstrong Mitchell.
 
    Casou a 21 de Novembro de 1896, em Lisboa, com D. Júlia Maria do Carmo de Noronha (1873+1941), filha primogénita e herdeira do dr. D. Miguel Aleixo António do Carmo de Noronha (1850+1932), 3.º Conde de Paraty, e de sua mulher D. Isabel de Sousa Mourão e Vasconcelos (1849+1936).
 
    Como militar assentou praça no Regimento de Cavalaria Lanceiros d’El-Rei (1879) e cobriu-se de glória, pela acção notável em Humpata, Angola (1889), na campanha militar de Angola (1889-1891), na campanha de Melilla, no Marrocos espanhol (1893) e nos combates de Marracuene e Magul, Moçambique (1895), em coragem enaltecida.
 
Henrique de Paiva Couceiro    Foi formado com o Curso de Artilharia da Escola do Exército (1881-1884); alferes (1881); segundo-tenente de Artilharia (1884); primeiro-tenente (1889); comandante de Cavalaria da Humpata, Angola (1889-1891); cavaleiro da Ordem de Torre e Espada (1890); oficial da Ordem de Torre e Espada (1891); Medalha de Prata para distinção ao mérito, filantropia e generosidade (1892); condecorado com a Cruz de 1.ª Classe do Mérito Militar de Espanha (1893); ajudante do comando do Grupo de Baterias de Artilharia a Cavalo (1894); ajudante-de-campo do Comissário Régio de Moçambique (1894-1895); cavaleiro da Real Ordem Militar de S. Bento de Avis (1895); capitão de Artilharia (1895); ajudante-de-campo honorário do Rei Dom Carlos (1895); proclamado «benemérito da Pátria» (1896); comendador da Ordem de Torre e Espada (1896); conselheiro do Conselho de Sua Majestade; condecorado com a Medalha Militar de Ouro do Valor Militar (1896); condecorado com a Medalha Militar de Prata de Comportamento Exemplar; condecorado com a Medalha de Prata da Rainha D. Amélia (1896); deputado da Nação (1906-1907); vogal da Comissão Parlamentar do Ultramar (1906); vogal da Comissão Parlamentar de Administração Pública (1906-1907); vogal da Comissão Parlamentar da Guerra (1906-1907); Governador-Geral de Angola (1907-1909); demitido do Exército (1911); comandante das Incursões Monárquicas de 1911 e 1912; Presidente da Junta Governativa do Reino, na Monarquia do Norte (1919); escritor.
 
    Monárquico convicto, foi anti-republicano de gema e anti-salazarista, sendo perseguido pelo Estado Novo, em atropelo das garantias das liberdades cívicas, tratado como um reles vigarista, esquecida a sua imensa folha de serviços prestados à Pátria.
 
    Ousou afrontar o tirânico Salazar, que, de forma iníqua e arbitrária, o mandou expulsar do País em 1935 e prendê-lo e deportá-lo novamente em 1937, por discordar da política ultramarina do Presidente do Conselho e do Estado Novo.
 
    Numa altura em que Paiva Couceiro tinha já 76 anos de idade foi posto na fronteira sem quaisquer documentos, a sofrer as agruras do exílio! Incomodava sempre porque era um homem de brio, dignidade, de raro carácter, um idealista romântico, audaz e tenaz, em cujas veias latejava um elevado conceito de Honra.
 
    Um homem sincero e notável, acima de tudo um Homem de acção e um Homem da Nação. Não curvava a cabeça alva e digna perante o tirano “Botas”, como paladino da Pátria, eivado de predicados indispensáveis.
 
    Deixou uma impressão indelével nas páginas da nossa História, uma luz que cintilava uma coragem sublimada.
 

Árvore de Costados de Henrique de Paiva Couceiro
Próprio
Pais
Avós
Henrique Mitchell de Paiva Cabral Couceiro
José Joaquim de Paiva Cabral Couceiro
(Leiria, 1830+1916)
General de Engenharia
Manuel Inácio de Paiva Cabral Couceiro
(Montemor-o-Velho, 1785+1833)
D. Maria da Pena Dias Simões
D. Helena Isabel Teresa Armstrong Mitchell
Henry Armstrong Mitchell
Ann Elliot

 


publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 20:49
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7 comentários:
De MPS a 12 de Fevereiro de 2009 às 16:57
Meu caro Jofre

Infelizmente, quando se fala de Paiva Couceiro é, quase só, para lembrar as incursões monárquicas ao tempo da I República - forma canhestra de o estigmatizar.

Fes, agora, muito bem o meu amigo, ao apresentar a brilhante folha de serviços que este Homem Honrado prestou à Pátria.

Um abraço


De MPS a 12 de Fevereiro de 2009 às 16:59
É "fez", naturalmente!


De Devaneios Poéticos a 14 de Fevereiro de 2009 às 12:40
O Devaneios é um blog que foi criado para aqueles que gostam de partilhar seus poemas e suas prosas.
A ideia de se criar o blog, partiu da existência do canal #Devaneios, existente no chat do mIRC. É um canal onde se partilha igualmente os poemas e os seus sonhos mais encantados.
Inicialmente, o blog tinha sido criado para mostrarem apenas poemas, mas como ainda há poucas pessoas que conhecem o blog, aceita-se que também enviem suas prosas para o email devaneios.poesia@gmail.com.
O blog está em http://devaneiospoesia.blogspot.com/. Espero que gostei. Ele foi feito para os que gostam de escrever e para aqueles que gostam de poesia.

Cumprimentos atenciosos.

Marisa Correia


De Eira-Velha a 14 de Fevereiro de 2009 às 13:12
Excelente, caro Jofre. É preciso exorcizar os fantasmas e conceder o devido valor a quem o conquistou com mérito. É um curriculum invejável que deixa a milhas os republicanos laicos e oportunistas da actualidade. Não digo isto com qualquer sentimentalismo monárquico mas porque só com pessoas capazes de se baterem por um ideal é que será possível alterar o rumo dos acontecimentos. Actualmente ocultam-se os medos e receios, cala-se a revolta e a indignação, enfim... Não me vou "esticar" mais...
Um abraço e feliz dia dos namorados


De Andesman a 16 de Fevereiro de 2009 às 14:40
Somos mestres em maltratar os nossos melhores.

1 abraço


De Eduardo Daniel Cerqueira a 16 de Fevereiro de 2009 às 17:03
Uma figura impar, com alto fervor patriótico. Tão tristemente esquecido...

Abraço Jofre


De Tozé Franco a 16 de Fevereiro de 2009 às 22:18
Ora viva.
mais uma excelente História. Embora seja republicano faz-me muita impressão o ostracismo a que são votadas algumas personagens da nossa história só por serem monárquicas. É como o 5 de oUtubro ser feriado apenas por causa da implantação da república, olvidando-se completamente o Tratado de Zamora.
Um abraço e continue..


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